Igreja Renascer em Cristo

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Igreja Apostólica Renascer em Cristo
Orientação Protestante
(Neopentecostal)
Fundador Estevam e Sônia Hernandes
Origem São Paulo, 1986.
Sede São Paulo,  Brasil
Número de igrejas 1 500

A Igreja Apostólica Renascer em Cristo é uma igreja evangélica neopentecostal fundada em São Paulo, em 1986, por Estevam Hernandes e Sônia Hernandes. A Igreja Renascer possui uma rede de TV, uma gravadora, rede de rádio, uma editora e uma linha de confeções; no Brasil há cerca de 600 templos e mais de dois milhões de seguidores.[1] [2] A Renascer é a segunda maior denominação neopentecostal brasileira.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, as reuniões eram feitas no apartamento do casal, sendo posteriormente alugado um salão, num piso superior do edifício onde se encontrava a Pizzaria Livorno, na rua Vergueiro, no bairro de Vila Mariana, em São Paulo. Com o aumento do número de membros, foi disponibilizado um espaço na Igreja Evangélica Árabe de São Paulo, ainda na Vila Mariana. O foco principal era em cultos para jovens. Após um rápido crescimento, é adquirido um prédio na Avenida Lins de Vasconcelos, onde seria erguida a sede internacional, com capacidade para cinco mil pessoas.

Classificada como neopentecostal, a igreja utiliza a designação "Apostólica" por acreditar na existência da figura do apóstolo como um cargo eclesiástico válido na atualidade. Fundou a CIEAB (Confederação das Igrejas Evangélicas Apostólicas do Brasil), entidade que congrega as igrejas que aceitam essa doutrina.

A cada início de ano, durante o culto da virada, o apóstolo Estevam anuncia a palavra profética que servirá como base das ministrações e bênçãos daquele ano que se inicia: 1997: Ano das Portas Abertas; 1998: Ano da Porção Dobrada; 1999: Ano da Grande Pesca; 2000: Ano da Ressurreição; 2001: Ano da Restituição; 2002: Ano da Promessa; 2003: Ano de José; 2004: Ano de Neemias; 2005: Ano de Josué; 2006: Ano de Isaque; 2007: Ano de Elias; 2008: Ano de Ester; 2009: Ano de Davi; 2010: Ano de Pedro; 2011: Ano de Abraão, 2012: Ano de Mateus, 2013: Ano de Joel, 2014: Ano de Calebe.

Meios de comunicação[editar | editar código-fonte]

A igreja é conhecida também por pregar suas crenças religiosas através de programas e clipes de música gospel no Brasil; o grupo musical de louvor Renascer Praise é um grupo que participa da harmonia da igreja dia a dia nos cultos com músicas e cantores. A Renascer em Cristo possui o canal evangélico a Rede Gospel de televisão e uma rede de rádio, a Gospel FM, em São Paulo Possui a maior torre de televisão de São Paulo, localizada entre a travessa da Consolação e a Avenida Paulista.[carece de fontes?] Em 1999, a Rede Manchete estava passando por uma grave crise. Em janeiro daquele ano, a Bloch Editores, proprietária da Manchete, resolveu fazer um acordo com a Igreja Renascer. O ministro das comunicações da época, Pimenta da Veiga, reprovou o acordo. Alguns dias depois, a Renascer disse que não ia pagar as dívidas da Manchete, ferindo o acordo. Após um mês de muita tensão Bloch X Renascer, o acordo foi rompido

Através da Fundação Renascer, a Igreja desenvolve vários projetos de assistência social, tais como asilos[carece de fontes?], centros de recuperação[carece de fontes?], e orfanatos[carece de fontes?], , que são mantidos através de doações dos gideões (simpatizantes e membros que colaboram mensalmente com uma quantia para a manutenção e expansão dos projetos da Igreja).

A igreja iniciou um movimento, designado de Marcha para Jesus. Paralelamente, terão sido também reunidas cerca de um milhão de pessoas em Salvador e outros milhares de pessoas em outras cidades do Brasil. O evento acontece também em outras cidades do mundo. É também realizadora de outros eventos que acontecem anualmente, como o SOS da Vida Gospel Festival, que apresenta shows gospel de vários estilos musicais, reunindo um grande número de jovens[carece de fontes?], gravação do Renascer Praise. Realiza também o Encontro Nacional de Homens, o Encontro Nacional de Mulheres e a Conferência Apostólica Internacional [4] . A Igreja Renascer é detentora dos direitos da marca "Gospel" no Brasil. O líder Estevam Hernandes, o gospel no Brasil começou a ter uma autonomia na midia especifica, gerando o grande crescimento de músicas, bandas e gravadoras que seguem este estilo.

Casos judiciais[editar | editar código-fonte]

Os líderes da Igreja Renascer em Cristo foram considerados inocentes no processo movido contra eles sob a acusação de comandarem uma “organização criminosa” que faria lavagem de dinheiro através das doações dos fiéis. O advogado do casal, Luiz Flávio Borges D’Urso, comemorou a decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, que emitiu um Hábeas Corpus com a decisão unânime de encerrar o caso.

Em dezembro de 2006, a justiça brasileira bloqueou os bens dos fundadores, acusados de estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Além disso uma ordem de prisão foi expedida contra o casal. Em 19 de dezembro a ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu ao casal líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo liminar em habeas-corpus para cassar a ordem de prisão contra eles. Porém o casal, mesmo com esta liminar, viajou para os Estados Unidos em 9 de janeiro de 2007 e foram presos pelo FBI, em Miami. Eles entraram nos Estados Unidos com 56 mil dólares em espécie, mas declararam para a alfândega que não possuíam mais do que dez mil dólares, contrariando a regulamentação do Serviço de Imigração dos Estados Unidos. Foram detidos no Federal Detention Center, em Miami.

No Brasil o Ministério Público havia solicitado uma nova ordem de prisão, por crime de evasão de divisas, falsidade ideológica e estelionato. Em 9 de janeiro de 2007 uma nova ordem de prisão foi expedida. No dia 12 de janeiro o Tribunal de Justiça de São Paulo negou um novo pedido de habeas corpus para o casal. O casal Estevam Hernandes e Sônia Hernandes, deixaram a prisão mas continuam sendo vigiados pela polícia norte-americana. o juiz que autorizou a saída deles da prisão obrigou o casal a usar uma espécie de tornozeleira eletrônica. Sônia e Estevam depois de saírem da prisão foram para a sua mansão de Boca Raton, no número 12.582 da Torbay Drive, localizado no condomínio fechado Boca Falls.

A Renascer divulgou uma nota de esclarecimento [5] em que não comenta nenhuma das acusações feitas no Brasil ou nos Estados Unidos. No dia 1 de fevereiro de 2007 o juiz Paulo Antonio Rossi, da 1º Vara da Justiça Criminal de São Paulo, que decretou a prisão preventiva dos fundadores da Igreja Renascer, recebeu dois bilhetes contendo ameaças.[6] Rossi entrou com representação no Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que investiga quem colocou os bilhetes embaixo da porta do banheiro privativo do juiz, no Fórum Criminal da Barra Funda.

Em um dos bilhetes, colocados no mesmo dia após um intervalo de aproximadamente duas horas, o autor afirma que "nossos líderes são influentes na política, na polícia". O promotor de Justiça Saad Mazloum, secretário da Promotoria de Justiça e de Cidadania do MP-SP (Ministério Público de São Paulo), instaurou procedimento investigativo [7] no dia 2 de fevereiro de 2007 para apurar a situação de Fernanda Hernandes Rasmussen, a "Pastora Fê", e seu marido, Douglas Adriano Rasmussen, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Ela é filha do casal Sônia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Fernanda teria sido funcionária fantasma da Alesp de fevereiro de 2005 a setembro de 2006, recebendo salário de 5.754,78 reais, além de gratificações. Seu marido Douglas trabalha na Assembleia desde 2003 e ganha 7.142 reais mensais.

O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, que informa que os dois trabalham no gabinete do deputado estadual Geraldo Tenuta, o "Bispo Gê". Tenuta apresenta programas de TV na Rede Gospel, emissora pertencente à Renascer. Segundo a reportagem, os próprios funcionários do gabinete do "Bispo Gê" afirmaram que o casal nunca atuou profissionalmente na casa.

No dia 17 de agosto de 2007 Estevam e Sônia Hernandes foram condenados a dez meses de detenção pelo Tribunal do Sul da Flórida, nos Estados Unidos. Eles foram acusados pela promotoria pelos crimes de contrabando, conspiração e falso testemunho. Se declararam culpados, Os Hernandes foram presos no dia 9 de janeiro no Aeroporto de Miami depois de tentar passar na alfândega com US$ 56,5 mil, apesar de terem declarado apenas 10 mil dólares. Ficaram presos durante dez dias, pagaram fiança e conseguiram liberdade assistida, monitorada pela polícia por tornozeleiras eletrônicas. A Justiça também determinou que o dinheiro apreendido não seja devolvido aos fundadores da Renascer. A sentença será cumprida cinco meses em prisão domiciliar e outros cinco em regime fechado.

A Justiça dos Estados Unidos determinou nos últimos anos o fechamento de ao menos sete templos[8] da Igreja Renascer em Cristo, de propriedade de Sônia e Estevam Hernandes, no estado da Flórida. Hoje, apenas uma sede permanece aberta em Deerfield Beach, nas cercanias de Miami, batizada de "Reborn in Christ", versão do nome em inglês. Irregularidades na licença de funcionamento e falta de clareza nas arrecadações de fundos motivaram a interdição. Nos EUA, as igrejas também são isentas de imposto de renda, mas têm de prestar contabilidade ao fisco sobre a origem e o uso dos recursos arrecadados com os fiéis. Uma das acusações da Justiça é que o casal usava as igrejas como fachada para um esquema de lavagem de dinheiro proveniente do Brasil.

Inocentes de todas acusações em 2012[editar | editar código-fonte]

Casal foi inocentado pelo STF com unanimidade pelos cinco ministros de criar uma organização criminosa, desvio de dinheiro, lavagem de dinheiro e estelionato.

Os líderes da Igreja Renascer em Cristo foram considerados inocentes no processo movido contra eles sob a acusação de comandarem uma “organização criminosa” que faria lavagem de dinheiro através das doações dos fiéis.

O advogado do casal, Luiz Flávio Borges D’Urso, comemorou a decisão da primeira turma do Supremo Tribunal Federal, que emitiu um Hábeas Corpus com a decisão unânime de encerrar o caso.

De acordo com informações do portal IG, a acusação feita contra os Hernandes afirmava que o casal utilizava a “estrutura de entidade religiosa e de empresas vinculadas para arrecadar grandes valores em dinheiro, ludibriando os fiéis mediante variadas fraudes, desviando os numerários oferecidos para determinadas finalidades ligadas à igreja em proveito próprio e de terceiros”.

O apóstolo Estevam Hernandes e a bispa Sonia eram acusados também de “lucrar na condução das diversas empresas, desvirtuando as atividades eminentemente assistenciais e aplicando seguidos golpes”.

D’Urso, que também é pré-candidato do PTB à prefeitura de São Paulo, baseou sua estratégia de defesa na afirmação de que a Lei 9.613/98 define o crime de lavagem de dinheiro como uma consequência de um crime anterior.

Na acusação, o crime anterior que supostamente dava sustentação para a acusação de lavagem de dinheiro seria o comando, pelo casal, de uma “organização criminosa”, porém, não existe no sistema jurídico brasileiro o tipo penal “organização criminosa”, o que segundo o advogado, forçou a extinção da denúncia por parte do STF.

Luiz Flávio Borges D’Urso afirma que a decisão “traz efeito sobre todos os processos relacionados a ‘organização criminosa’. O Supremo entendeu que não existe essa figura ‘organização criminosa’ na legislação. É uma decisão histórica”, comemorou o advogado, que também trabalha como advogado da família Matsunaga, no Caso Yoki, em que Elize Araújo Kitano Matsunaga confessou o esquartejamento de seu marido, o executivo Marcos Matsunaga.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]