Igreja da Misericórdia (Leiria)
A igreja da Misericórdia situa-se no centro de Leiria, perdendo-se as ruelas da parte histórica da cidade.
A igreja foi construída em 1544, sobre a sinagoga que existiu no local. Esta servia a população judaica que ergueu e viveu durante muito tempo no centro histórico, deixando para trás vários traços arquitectónicos na parte antiga da cidade - dos alpendres às varandas de ferro forjado, e também lápides e cachorros de pedra trabalhada. A ocupação atingiu o seu apogeu no século XV, até que em 1496 a população judaica foi expulsa do local. A sinagoga foi logo destruída, da qual não restou nada.
A igreja foi construída na sequência da fundação da Santa Casa da Misericórdia em Leiria, para substituir a Igreja de S. Martinho situada na praça Rodrigues Lobo, pelo que esta foi pouco depois destruída. Juntamente com a igreja também foi construído um hospital e uma albergaria dirigido pela instituição, do qual também não há vestígios.
A igreja é constituída por três naves e capelas laterais em talha dourada. Sofeu obras de recuperação no século XVIII, mas actualmente está em estado avançado de degradação, sendo interdita a entrada de visitantes. A igreja precisa de obras de recuperação urgentes, as quais ainda não foram prometidas.
Nas traseiras da igreja podemos ver um azulejo colocado em 1971 e que serve de homenagem aos primórdios da tipografia em Portugal em Leiria, fomentado pela comunidade judaica instalada no local e a proximidade na que também era a primeira fábrica do papel. Foi nessa rua, nas oficinas gráficas da família Orta, que foi impresso em 1496 o primeiro livro de carácter científico, o "Almanach Perpetuum", de Abraão Zacuto. Foi com este guia astronómico que Vasco da Gama se guiou na sua viagem marítima a Índia.
Nessa rua podemos também ver a casa onde viveu Eça de Queirós, em 1870, enquanto foi administrador do concelho.