Igreja de Nossa Senhora da Luz (Carnide)

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Capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Luz

A Igreja de Nossa Senhora da Luz localiza-se na freguesia de Carnide, no Distrito de Lisboa, em Portugal.

Dela resta-nos o cruzeiro e a capela-mor. O corpo da igreja abateu por ocasião do terramoto de 1755. Foi edificada por iniciativa da infanta D. Maria, senhora opulenta e de alta cultura de espírito. Nesta igreja há obras de arte notáveis em escultura de madeira e pedra, em arquitectura, e em pintura.

Exterior[editar | editar código-fonte]

No exterior do edifício, lado sul, há uma estátua de Nossa Senhora com o Menino e, ainda uma outra na frontaria do Colégio Militar; todas da mesma época e do mesmo estilo acanhado. São todavia de bom trabalho, e representam excelentemente o estado da estatuária em Portugal naquele tempo.

Interior[editar | editar código-fonte]

Capela-mor[editar | editar código-fonte]

A capela-mor é ampla, alta, tem 12x8 metros, e é coberta de abóbada revestida, assim como as paredes, de mármores diversos formando quadrelas; é o conhecido estilo clássico dominante no findar do século XVI. Nichos com estátuas animam as grandes paredes. Na parede que olha ao sul estão rasgadas janelas que dão bastante claridade. A meio da capela-mor o singelo túmulo da fundadora. As grades da capela-mor e das outras capelas são em pau-santo com torcidos.

O altar-mor está elevado sobre o pavimento da capela; quatro degraus se sobem para lá chegar. No altar-mor admiramos alguns baixos-relevos em fino jaspe, em seis pequenas pilastras; são figuras simbólicas da , Justiça, Fortaleza, etc. Sobre a figura da Fortaleza há um medalhão com Hércules, o leão e o centauro finamente executado.

Uma das figuras é a Astronomia, outra a Medicina. Nas pilastras que formam as esquinas do altar, as faces laterais mostram frutas e flores, escudos e peças de armadura. Estes belos baixos-relevos são de pura renascença, de um estilo muito anterior ao frio classicismo da capela-mor.

Alguns dos símbolos destoam da idéia cristã, parecem deslocados na ornamentação de um altar-mor. É possível que sejam peças destinadas a outra obra de arte, que foram aqui aproveitadas. Nas duas capelas laterais do cruzeiro de Santa Maria de Belém (Jerónimos) há uns lindos baixos-relevos nos altares, pouco vistos, que passam mesmo despercebidos porque têm luz escassa, que, me parece, se relacionam com estas da Luz na qualidade da pedra, e no estilo do trabalho. E no pórtico do poente, nos Jerónimos, superiormente, há duas pilastras que dizem com estas da Luz (Devemos lembrar que Jerónimo de Ruão, arquitecto da Luz, também o foi da capela-mor dos Jerónimos).

Na alta parede da frente da capela-mor há oito quadros em disposição simétrica; o maior ocupa o centro, é Nossa Senhora da Luz com o Menino, que aparecem ao pobre Pedro Martins; o milagre que deu origem à fundação da ermida primitiva. Este quadro está assinado Franciscus Venegas, Regius pictor faciebat.

Sobre este quadro está outro painel de moldura circular, que representa a Coroação da Virgem; está também assinado F. Venegas. Como estes dois quadros estão bastante altos as assinaturas não se descobrem à primeira vista, mas é fácil a leitura com um binóculo regular.

À esquerda da Coroação está a Adoração dos Reis Magos, à direita a Apresentação no Templo, em molduras elípticas; sem assinatura visível. Aos lados do grande quadro do milagre de Pedro Martins, está a Visitação à esquerda, e à direita a Adoração dos Pastores, também sem assinatura; por baixo à esquerda Nossa Senhora e São Joaquim, à direita a Anunciação, este assinado F. Venegas.

Os painéis não assinados podem ser do mesmo artista Francisco Venegas; são pinturas em madeira, bem desenhadas e pintadas, em boa conservação. À primeira vista estas pinturas destoam, divergem entre si; possivelmente porque o pintor, que era excelente executante, não tratou de inventar, contentando-se em copiar, ou quase, os bons quadros que conhecia. Assim este quadro recorda Rafael, outro o Sarto, aquele o Parmesão; na Coroação da Virgem, singelo grupo em fundo dourado, parece ver-se a reprodução de quadro muito antigo de um primitivo; na grande composição central lembra logo a Transfiguração de Rafael; na Anunciação, que tem grande vigor de colorido, e luz intensa de grande efeito, recorda o Mazuoli. Isto é, este Francisco Venegas, excelente pintor, mostra-se completamente dominado pela escola italiana.

Além do altar-mor abre-se um grande arco que abriga o sacrário, soberba obra de arte muito elegante, em madeira entalhada e dourada; atrás fica o vasto coro, agora sacristia, no mesmo nível da igreja.

A fonte[editar | editar código-fonte]

Próximo do grande altar, no chão, há uma abertura circular, um simples bocal raso com tampa de madeira, que diz para a fonte de água milagrosa. A fonte é bem curiosa. A entrada deita para um quintal contíguo. Descemos a escada e na parede vemos alguns azulejos antigos, mouriscos, de fino esmalte e relevos. Um pórtico em estilo manuelino dá para o espaço onde nasce a água; uma abóbada forrada de azulejos brancos com estrelas azuis; outros revestem os rodapés e paredes, em pequenos quadros formados de quatro azulejos, de diversos tipos, alguns raros. O pórtico tem colunas torcidas e no intercolumnio uma facha com romãs.

Capelas laterais[editar | editar código-fonte]

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Na capela-mor há duas capelas laterais; outras duas no cruzeiro. Empregaram na construção mármores branco e vermelho, servindo-se da pedra da Arrábida na ornamentação; nos frisos e molduras sobressaem quadrados, losangos, elipses feitos nessa pedra, bem trabalhada e polida. A pedra vermelha forma o fundo, a branca a parte saliente e ornamental.

Nos grandes nichos da capela-mor estão dezassete estátuas em mármore: Nossa Senhora com o Menino de Jesus, S. Tomé, S. André, S. João, S. Lucas, S. Mateus, S. Marcos, S. Simão, S. Matias; estas à direita, olhando para o altar-mor; à esquerda, S. Filipe, S. Tiago Maior, S. Pedro, S. Judas Tadeu, S. Tiago Menor o S. Bartolomeu. As estátuas da Virgem o dos Evangelistas são maiores. Estas estátuas são em mármore branco de Estremoz, lindo mármore; o trabalho é muito pegado, os artistas não se atreveram a desligar, a destacar braços ou mãos.

Na capela da esquerda está o quadro da Circuncisão de Jesus. O fundo é formado por aparatoso edifício do renascimento. A figura da Virgem é admirável; à esquerda, a Caridade, mulher com duas crianças, de bom efeito; a direita, no fundo escuro, a Humildade. No primeiro plano vê-se um tapete persa e um cãozinho felpudo, de luxo, pintado com muito cuidado.

Na capela à direita a Sagrada Família, Anjos coroando: fundos claros, edifício do renascimento em ruína. Detalhes. O trabalho de escultura em madeira dourada que reveste a grande parede da capela-mor faz bom efeito; é desigual, talvez em parte material aproveitado para encher o vão. Mas o sacrário é uma peça de grande elegância; renascença clássica de cuidadosa execução.

Na capela esquerda do cruzeiro está um quadro notabilíssimo. São Bento dá a regra aos seus monges. No primeiro plano à esquerda el-rei D. Manuel[desambiguação necessária], à direita a infanta D. Maria. Um fidalgo e diversos monges formam grupo atrás da figura do rei, uma dama e muitas freiras depois da infanta. Todas as figuras estendem o braço direito, a palma da mão para cima como sinal de aceitação da regra. O pintor para evitar monotonia variou muito as posições dos dedos; foi um verdadeiro esforço, um trabalho habilidoso e paciente o desenho de tantas mãos; a mão fina e lisa das damas novas, a nodosa e enrugada das velhas, a robusta e a gorducha dos fortes monges. D. Manuel tem o colar de Cristo. A infanta veste com fausto; vestido de tissu lavrado, apertado na frente com laços de fitas com agulhetas; jóias com pedras preciosas, gorgeira de fina renda, gola muito alta, colar com fita pendente de ouro e pedras. O lindo rosto juvenil da dama de corte, vestida mais modestamente, pintado num tom menos brilhante, sucede muito bem é majestosa grande dama, e prepara para o aspecto ascético do grupo de freiras. Tanto estas como os frades têm fisionomias estudadas; são retratos. Por isto este painel tem o duplo valor de obra de arte, e de documento histórico, dando-nos ainda preciosos elementos da indumentária. Há outros retratos da infanta; e o busto de prata que se conserva em Santa Engrácia (antiga igreja dos Barbadinhos) harmoniosa com este em aspecto e vestuário.

No cruzeiro à direita fica outro altar. É a capela do Senhor dos Aflitos; é a imagem de Jesus Crucificado, escultura em madeira de boa execução, corpo robusto com anatomia estudada. Sob a imagem, num friso, há duas tábuas pintadas que merecem atenção. Em uma Santo António e S. João Baptista; na outra as santas Águeda e Luzia, com os sem emblemas. São pinturas talvez do começo do século XVI ali aplicadas.

No cruzeiro, à direita, uma porta singela dá para uma pequenina capela, agora sem culto; construção do começo do século XVII. Tem rodapé de azulejos, altar e chão de boa pedra. Está aqui um túmulo com escudo de armas sem letreiro; outro com brasão e a seguinte legenda: Aqui está sepultado o religiosíssimo varão da ordem de Cristo D. F. Martinho de Ulhoa bispo que foi de S. Tomé, Congo e Angola juntamente que mandou fazer esta capela em a qual se lhe diz missa quotidiana faleceu a 8 de Agosto de 1606.

Guarda-se na sacristia (antigo coro) um grande retábulo que servia de tapar o vão do arco da capela-mor. Representa o milagre de Nossa Senhora a Pedro Martins. É fraca pintura. Está assinado e datado: Ano de 1714. Henrique Ferreira fez.

Sacristia[editar | editar código-fonte]

Sobre o altar da sacristia está a imagem de Nossa Senhora dos Remédios. É esculpida em madeira, e por nesta ter dado o caruncho a vestiram de seda para ocultar as lesões. Merece toda a atenção. É pintada e dourada; luxuoso vestido rodado de mangas perdidas, fita de jóias em relevo com imitação de pedras finas. No vestido o artista imitou rico tissu floreado. O vestuário desta imagem recorda o do retrato da infanta. Deve ser escultura do fim do século XVI.

Da mesma época deve ser um grande frontal com o brasão da infanta bordado no centro e aos lados; tem fachas de veludo vermelho com bordado alto a ouro e prata, sendo os vãos ou entrefachas de seda branca.

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