Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos (Salvador)

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A Igreja do Rosário dos Pretos.

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é uma igreja católica de Salvador, Bahia, construída no século XVIII. Está localizada no Centro Histórico de Salvador, na ladeira do Pelourinho. É parte do centro histórico da cidade declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO.

História[editar | editar código-fonte]

No Brasil colônia, os negros escravos e alforriados (forros) eram particularmente devotos de Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, Santa Efigênia, Santo Elesbão e alguns outros santos.[1] De acordo com frei Agostinho de Santa Maria, desde os inícios do século XVII os escravos e forros veneravam Nossa Senhora do Rosário num altar da Sé da Bahia, em Salvador.[1] Como outros grupos da colônia, também os negros se organizavam em agrupações religiosas de ajuda mútua, as chamadas irmandades ou confrarias. Na segunda metade do século XVIII, quase todas as freguesias de Salvador possuíam alguma irmandade de negros.[1]

A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário foi formalmente constituída em 1685, sendo antecedida somente pelas do Rio de Janeiro (1639) e Belém do Pará (1682).[1] As irmandades de negros começavam reunindo-se nos altares laterais de igrejas matrizes ou conventuais, mas em 1704 a do Rosário reuniu o dinheiro necessário e recebeu a permissão do arcebispo D. Sebastião Monteiro de Vide para a construção de uma igreja própria nas Portas do Carmo.[2] [3] O nome se refere à existência na zona de uma das portas da cidade fortificada, por onde saía o caminho (atualmente a ladeira do Pelourinho) até o Convento do Carmo. Na zona também estava localizado o Quartel do Carmo, onde se alojavam os soldados que defendiam essa entrada da cidade.[2]

A construção da Igreja do Rosário foi um processo lento, pois a irmandade era relativamente pobre e os irmãos da confraria doavam seu trabalho para a construção em suas horas livres.[2] A partir de 1718 a igreja foi também matriz da recentemente criada freguesia do Senhor do Passo, situação que continuou até cerca de 1740.[2] Inicialmente foi edificado o corpo da igreja; a elaborada fachada e as torres só foram levantadas a partir de 1780, sob a direção do mestre-de-obras Caetano José da Costa.[3] Também por essa época o edifício ganhou dois corredores laterais.[2] Nos finais do século XIX o interior da igreja foi redecorado, ganhando novos altares em estilo neoclássico e pinturas.[3]

Características[editar | editar código-fonte]

Igreja do Rosário dos Pretos: interior e capela-mor.

A Igreja do Rosário dos Pretos, começada em 1704, é um edifício imponente, ao qual se tem acesso por um pequeno adro gradeado. A fachada possui um corpo central em dois pavimentos, coroado por um frontão de empenas em volutas, e ladeado por campanários cujo arremate é um coruchéu em bulbos superpostos revestidos de azulejos. Ao rés-do-chão existem cinco portas, sendo que a central é mais ampla e emoldurada por um discreto frontispício, e acima delas, cinco janelas de delicado desenho. O desenho da fachada, construída a partir de 1780, é atribuído ao mestre-de-obras Caetano José da Costa.[3]

No interior, destacam-se os azulejos sobre a devoção ao rosário, fabricados em Portugal e datados de c. 1790.[3] Os altares são em estilo neoclássico, realizados na década de 1870 pelo entalhador João Simões F. de Souza.[3] Nos altares há imagens coloniais, destacando-se entre elas uma Nossa Senhora do Rosário do século XVII, venerada na antiga Sé da Bahia, além de imagens de Santo Antônio de Categeró, São Benedito, Santa Bárbara e um Cristo crucificado em marfim.[3] O forro da nave foi pintado em 1870 por José Pinto Lima dos Reis.[3]

Nos fundos da igreja existe um antigo cemitério de escravos. Preservando sua história ligada aos negros, a liturgia dos cultos faz uso de música inspirada nos terreiros de Candomblé. Nas datas comemorativas de Santa Bárbara e Iansã a igreja é o ponto central dos festejos.

Referências

  1. a b c d Lucilene Reginaldo. Irmandades e devoções de africanos e crioulos na Bahia setecentista: histórias e experiências atlânticas [1]
  2. a b c d e Carlos Ott. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos do Pelourinho' [2]
  3. a b c d e f g h Salvador Cultura Todo Dia - Fundação Gregório de Matos

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Carlos Ott. A Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos do Pelourinho'. Revista Afroasia n.6-7, 1968. [3]
  • Lucilene Reginaldo. Irmandades e devoções de africanos e crioulos na Bahia setecentista: histórias e experiências atlânticas. Stockholm Review of Latin American Studies. No. 4, 2009. [4]
  • A Igreja do Rosário no sítio Salvador Cultura Todo Dia da Fundação Gregório de Matos [5]
  • Atrações de Salvador - Turismo na Folha Online
  • Rosário dos Pretos comemora com missa datas centenárias

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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