Igreja de São Francisco (Porto)

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Igreja de São Francisco
Portal
Nomes alternativos Convento de São Francisco
Tipo Igreja e Convento
Estilo dominante Gótico
Início da construção 1383
Fim da construção 1410
Proprietário inicial Ordem de São Francisco
Função inicial Igreja conventual
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional
Data 1910
DGPC 70199
SIPA 3944
Geografia
País Portugal
Cidade Porto
Coordenadas 41° 8' 27.65" N 8° 36' 56.57" O

A Igreja de São Francisco é uma igreja gótica da cidade do Porto, situada na freguesia de São Nicolau em pleno Centro histórico do Porto. A construção iniciou-se no século XIV como parte de um convento Franciscano. É notável pelo seu conjunto de talha dourada barroca do século XVIII. Anexa à sua entrada frontal, situa-se a Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco.

História[editar | editar código-fonte]

Os frades Franciscanos estabeleceram-se no Porto no início do século XIII, tendo-lhes sido atribuído em 1233 um terreno para a construção da sua Igreja. Querelas com o bispo do Porto a respeito dos limites do couto e resistência das autoridades religiosas instaladas fizeram com que durante o século XIV as obras fossem sendo sucessivamente adiadas. A divergência obrigou à intervenção em 1244 do Papa Inocêncio V, que através da Bulla Doelentis accepimus confirma a posse do terreno à ordem Franciscana. Iniciou-se então a edificação das fundações do convento anexo e de uma igreja primitiva, mais modesta e de nave única.

Em 1383 iniciam-se as obras da igreja actual, impulsionadas por decreto de D. Fernando, especial protector dos Franciscanos. A construção foi concluída em 1410. A nova igreja representou uma ampliação significativa do espaço anterior, agora com três naves em cinco tramos, transepto saliente e cabeceira tripartida cintada por contrafortes.

O modelo planimétrico adoptado é similar ao já ensaiado em inúmeros templos portugueses a partir do Gótico mendicante do século XII. Uma característica regional importante é a presença de motivos lacrimais decorados com esferas na parte superior da capela-mor, de influência galega.[1] A estrutura da igreja não sofreu alterações significativas, sendo o melhor exemplo de arquitectura gótica no Porto.

Durante o reinado de D. João I é realizada uma pintura mural referente à Senhora da Rosa, atribuída a António Florentim, uma das mais antigas pinturas murais intactas no país.

Durante os séculos XV e XVI várias famílias proeminentes do Porto tornam-se patronos dos Franciscanos, financiando várias das capelas laterais. Um dos exemplos notáveis é a capela de São João Baptista, construída na década de 1530 para a família Carneiro, e desenhada por João de Castilho com motivos manuelinos.

A principal campanha artística foi levada a cabo na primeira metade do século XVIII, quando a maior parte das superfícies interiores, incluindo paredes, colunas, capelas laterais e telhado, foram revestidas com talha dourada barroca.

Em 1833, as instalações conventuais anexas à igreja são destruídas por um incêndio. O fogo teve origem num tiroteio das tropas Miguelistas no final do cerco do Porto. Após o incêndio, o claustro em ruínas foi arrasado para a construção da Bolsa Comercial do Porto, um exemplo notável da arquitectura neoclássica do século XIX. Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a Igreja serviu de armazém da Alfândega até 1839.

Em 1910 é classificada como Monumento Nacional.

Arquitectura e Arte[editar | editar código-fonte]

Exterior[editar | editar código-fonte]

A fachada principal da igreja contém uma rosácea gótica, ricamente elaborada e decorada. É a única decoração original sobrevivente, sendo o portal um trabalho barroco organizado em dois níveis, onde uma estátua de São Francisco de Assis é suportada por colunas salomónicas.

O portal Sul, orientado para o rio, é uma peça gótica. É proeminente em relação à fachada e possui uma gablete decorada com um pentagrama. A abertura é composta por uma série de arquivoltas decoradas com altos-relevos de influência mudéjar.

A igreja possui três naves com cinco tramos, sendo a nave principal maior em relação às laterais. O lado nascente possui um transepto e uma ábside com três capelas. O cruzeiro é iluminado através das janelas monumentais dos braços do transepto e da capela-mor, assim como por uma rosácea de pequena dimensão sobre a capela-mor com traceria em forma de pentagrama.

Interior[editar | editar código-fonte]

Retábulos[editar | editar código-fonte]

Vista interior, onde são visíveis os retábulos, colunas e revestimento das abóbadas em talha dourada.

Ao longo do século XVII são construídos vários retábulos. Em 1595 é executado o retábulo de São Brás, por Manuel da Ponte. Entre 1612 e 1615 é executado o retábulo da capela de Nossa Senhora dos Anjos por Francisco Moreira, pintado e dourado pelo pintor Inácio Ferraz de Figueiredo. Em 1680 é executado o douramento do retábulo da confraria de São Brás e São José por Manuel Ferreira.

No início do século XVIII, todo o interior sofre uma remodelação profunda através da construção dos principais retábulos de talha dourada, que caracterizam o interior que pode ser hoje observado. A maioria destas intervenções substituiu retábulos dos séculos anteriores.

O ratábulo-mor, na Capela de Nossa Senhora da Conceição, foi inteiramente reformulado entre 1718 e 1721 sobre uma preexistência. Trata-se de uma obra da autoria de Filipe da Silva e António Gomes e dedicado à Árvore de Jesse. Constitui o mais exuberante exemplo desta temática em Portugal, possuindo também intervenções do escultor Manuel Carneiro Adão.

Em 1724 é realizado o retábulo da Capela de Santo António pelo entalhador Luís Pereira da Costa. Entre 1740 e 1744 são realizados os retábulos de Nossa Senhora do Socorro e Nossa Senhora da Rosa, entalhados por Manuel da Costa Andrade segundo desenho de Francisco do Couto e Azevedo. Entre 1750 e 1751 são realizados os retábulos da Anunciação da Nossa Senhora, de Nossa Senhora da Encarnação e dos Santos Mártires de Marrocos por Manuel Pereira da Costa Noronha. Entre 1764 e 1765 é realizado o retábulo de Nossa Senhora da Soledade pelo entalhador Francisco Pereira Campanhã.

Referências

  1. MJ Barroca - História da Arte em Portugal: O Gótico, 2002 - Presença

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

IHRU - Monumentos www.monumentos.pt

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