Igreja de São Pelegrino

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Fachada
Interior

A Igreja de São Pelegrino é um templo Católico localizado em Caxias do Sul, no Brasil. Sua história está vinculada aos primórdios da imigração italiana e à fundação da cidade, e o edifício tem várias obras de arte em seu interior, com destaque para os painéis de Aldo Locatelli.

História[editar | editar código-fonte]

Em 20 de fevereiro de 1879, apenas quatro anos após a fundação da colônia do Campo dos Bugres, chegava da Itália a família de Salvatore Sartori. Sua filha Amália e Raffaele Buratto, que chegou em 18 de maio de 1879, aqui casaram e ele estabeleceu-se como tanoeiro onde atualmente fica o jardim do Hospital Pompéia, em Caxias do Sul. Pouco tempo depois o Barão Daniel von Schlabrendorff (seu concunhado) presenteia o casal Buratto com uma chácara fronteira à sua própria casa, para sua esposa Maria ter maior proximidade e convivência com a irmã Amália, esposa de Raffaele. Em 1891 Raffaele recebeu de seu sogro Salvatore Sartori uma tela com a imagem de São Pelegrino, padroeiro da sua cidade natal, (Cornuda) na região de Treviso na Itália. Para honrar o santo, Raffaele ergueu um capitel dentro de sua propriedade, que mais tarde substituído por uma capela de madeira, onde, em 19 de abril de 1893, foi celebrada a primeira missa. Mais tarde a capela foi ampliada, sendo reinaugurada em 1938. Elevada a Paróquia em 1942, seu primeiro sacerdote foi o Padre Eugênio Giordani.

Em 1944 foi lançada a pedra fundamental do edifício atual, projetado por Vitorino Zani , terminado em 1953. Nesta ocasião a igreja foi dedicada conjuntamente a São Pelegrino e São José, denominação que seria alterada novamente em 1983, quando foi reconsagrada a São Pelegrino e Nossa Senhora da Pietà, em honra a uma réplica da Pietà de Michelangelo, recebida de presente da Santa Sé.

Características notáveis[editar | editar código-fonte]

A igreja ganhou fama em virtude de um grupo de obras de arte que abriga. A mais importante, sem dúvida, é a série de murais e pinturas em tela de Aldo Locatelli.

Em 1951, Aldo Locatelli inicia as pinturas da Igreja com o mural da Santa Ceia, de 90 metros quadrados de área, ladeada pela Aparição do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alecoque, à esquerda, e a Aparição de Nossa Senhora de Caravaggio à vidente Joaneta, à direita. Os murais também cobrem todo o teto da igreja, ilustrando a Criação do Cosmo, a Criação da Mulher, a Expulsão do Paraíso e o Juízo Final, rodeados de uma série de caixotões com imagens inspiradas no hino Dies irae. Seus trabalhos se prolongaram até 1960 com as telas da Via Sacra, imaginada com grande dramaticidade e gênio. Sobre a Via Sacra também foram acrescentadas pinturas murais de grandes anjos, estas de autoria de Emilio Sessa, decorador auxiliar de Locatelli.

A réplica da Pietà de Michelangelo fica no vestíbulo. Foi doada pelo Papa Paulo VI em 20 de maio de 1975, nos cem anos da imigração italiana no Rio Grande do Sul. No lado oposto, foi instalado em 1984 um fac-símile do Santo Sudário, também recebido de Roma.

As portas de bronze da igreja são outra obra-prima, criadas por Augusto Murer, escultor de Belluno, Itália, e ilustram cenas da imigração. A concepção das portas iniciou-se em 1969 e consumiu 14 anos de trabalho até a inauguração em outubro de 1983. Da Itália elas vieram sob forma de moldes de gesso, e a fundição em bronze foi realizada na própria Caxias do Sul, pela Siderúrgica Tomé Ltda, sob a orientação do mestre uruguaio Miguel Angel Laborde. O peso total das portas é de cerca de 7 toneladas e sua movimentação é feita através de motores elétricos. Dom Carlo Furno, representante do Papa no Brasil, realizou a consagração.

Detalhe da Porta da Paz
Detalhe do teto

A Porta do Amor, à esquerda, com imagens ágeis, cheias de movimento, exalta a vida. Um casal com crianças domina o conjunto. Na parte superior, a representação do Anjo Gabriel. A porta central, chamada da Paz, compõe-se de dezesseis cenas. Destacam-se aspectos da travessia do mar e da ocupação do solo. É recordado o trabalho de operários, artesãos e agricultores. Os cestos cheios evocam a generosidade da terra, e as pombas representam a paz. Outras imagens evocadas são as da vindima, da fraternidade e da maternidade. Por fim, a Porta da Justiça, à direita, apresenta dois grupos de imagens: Ao alto, o mapa das dezessete léguas que constituíram o território da colônia de Caxias. O segundo grupo de imagens é o da partilha: a mãe reparte o pão com os filhos, simbolizando a fartura, fruto do trabalho.

O complexo da igreja também compreende a residência do pároco, um salão, um relógio floral, uma Casa da Memória, uma secretaria, um monumento ao Padre Giordani, que tornou-se uma figura lendária na comunidade, e o Espaço Pastoral. A igreja localiza-se na Avenida Itália, esquina com a Avenida Rio Branco, e está aberta para visitação das 7 às 20 h.

O Santo padroeiro[editar | editar código-fonte]

A devoção a São Pelegrino provém de uma pequena localidade chamada San Pellegrino in Alpe, na região de Lucca, Itália, cuja existência está documentada desde 1110. Faz-se referência a uma Igreja e um albergue público, destinado a abrigar os viajantes que passavam por aquela região de despenhadeiros, montanhas e torrentes, e coberta por uma espessa mata. Conta a história que em tempos ainda mais remotos fixou-se neste lugarejo um homem vindo de terras distantes, e que passou a levar uma vida de eremita. Dedicava seu tempo à oração e à ajuda aos viajantes, de modo todo particular aos peregrinos. Pelas suas virtudes e caridade, conquistou a admiração de todos, e sua fama se espalhou. Este era São Pelegrino, segundo a lenda filho de Romano e Plântila, Reis da Escócia (embora as listas de reis escoceses não mostrem nenhum monarca com este nome).

Desde seu nascimento sua vida foi rodeada de grandes prodígios. Adulto, renunciou ao trono e saiu a peregrinar com destino à Terra Santa. Sofreu várias perseguições, mas voltou à Itália miraculosamente e, guiado por uma estrela, foi até uma grande floresta, onde ressuscitou dois mortos e passou a ser furiosamente hostilizado por maus espíritos, e, combatendo-os, expulsou-os. A região, temida pelos peregrinos, tornou-se segura. Ele passou a residir em uma caverna, onde dedicou-se a orar, tornando-se amigo de todos os animais. No fim da vida, refugiou-se no interior de uma grande árvore oca. Pressentindo que a morte estava próxima, escreveu sua vida numa cortiça de árvore. O seu culto ainda hoje é comum em Módena, Lucca, Bolonha, Parma, Reggio Emilia, Vêneto e Trentino, bem como no Brasil, trazido pelos imigrantes italianos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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