Ilha Terceira

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Terceira
Terceira está localizado em: Oceano Atlântico
Terceira
Localização no Oceano Atlântico
38° 43' N 27° 12' O
PT Terceira.PNG
Geografia física
País Portugal
Localização Oceano Atlântico
Arquipélago Açores
Ponto culminante 1022 m
Área 402,2  km²
Perímetro 90  km
Geografia humana
População 15 (2014)
Terceira Azores MODIS Pict.gif
Imagem MODIS da Terceira (1992).

A Terceira é uma das nove ilhas dos Açores, integrante do chamado "Grupo Central". Primitivamente denominada como "Ilha de Nosso Senhor Jesus Cristo das Terceiras", sendo o centro administrativo das Ilhas Terceiras, como era designado o arquipélago dos Açores. A designação Terceiras aplicava-se a todo o arquipélago do Açores visto terem sido as terceiras ilhas descobertas no Atlântico (o arquipélago das Canárias era designado de Ilhas Primeiras e o arquipélago da Madeira por Ilhas Segundas, segundo a ordem cronológica de Descoberta). Com o avançar dos anos esta ilha passou a ser conhecida apenas por Ilha Terceira.[1]

Ao longo de sua história, a Terceira desempenhou papel de grande importância no estabelecimento e manutenção do Império Português, devido à sua localização geoestratégica em pleno Atlântico Norte.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A ilha tem as dimensões aproximadas de 29 quilómetros de comprimento por 18 quilómetros de largura, medindo o seu perímetro 90 quilómetros. Tem uma área de 402,2 quilómetros quadrados. O seu ponto mais alto está a 1021 metros acima do nível do mar, localizado na serra de Santa Bárbara, no lado Oeste.

Praia Grande, baía da Praia da Vitória.
A zona central de Angra do Heroísmo, com a Sé Catedral; em segundo plano, as muralhas do Fortaleza de São João Baptista e a encosta do Monte Brasil.
Estrada típica dos Açores: caminhos de hortênsias.
Golfinhos junto ao Monte Brasil.

A ilha é atravessada pelo rifte da Terceira, uma estrutura geológica associada à junção tripla entre as placas tectónicas euroasiática, africana e americana.

A geomorfologia da ilha faz com que ela apresente paisagens muito variadas e de grande beleza, que se repartem entre planícies como a da Achada, e serras como a de Santa Bárbara. Destacam-se ainda alguns acidentes naturais como a Caldeira Guilherme Moniz, uma das maiores da ilha, a chamada Lagoa das Patas ou da Falca, que junto com "Os Viveiros" formam um conjunto harmonioso, e a Chã das Lagoinhas, na reserva geológica do Algar do Carvão. Destaca-se ainda o Complexo desmantelado da Serra do Cume, na zona Este, de cujo topo se descortinam Praia da Vitória e as Lajes. A zona ocidental da ilha está coberta por vegetação exuberante onde pontificam as criptomérias. Na costa norte, pode-se observar a ponta dos "mistérios" e a zona balnear dos Biscoitos, com vestígios de erupções vulcânicas. No interior é de assinalar o Algar do Carvão e as Furnas do Enxofre.

A sua população é de 55 833 habitantes (censo de 2001). Grande parte da população tem o seu rendimento da pecuária e dos serviços.

Existe ainda o Farol da Serreta, e a Serra do Morião ou da Nasce Água, com os seus 632 m de altitude máxima, se encontra voltada para a cidade de Angra do Heroísmo, constitui por si própria uma singularidade. O Pico da Bagacina. Elevando-se do mar, A Mata da Serreta, constitui uma grande reserva florestal que alberga variadíssimas espécies de fauna e flora. A Lagoa do Ginjal, que apesar da sua reduzida dimensões tem plantas únicas e protegidas por lei.

A Lagoa do Negro, que se situa por cima da Gruta do Natal.

O Miradouro do Facho, no concelho da Praia da Vitória oferece uma panorâmica sobre a cidade da Praia da Vitória.

O Monte Brasil, às portas da cidade aloja a Fortaleza de São João Baptista. O Jardim Duque da Terceira, quase um jardim botânico, Possui muitas plantas exóticas trazidas desde o inicio das aventuras marítimas. Os Ilhéus das Cabras, que oferecem um local de nidificação as diversas espécies marinhas que andam na costa.

Pode afirmar-se ainda que a geomorfologia da Terceira apresenta uma forma bastante arredondada com uma única península bastante prenunciada que é o vulcão do Monte Brasil.

Tem o seu ponto mais elevado na Serra de Santa Bárbara, que se eleva a 1021 m, e apresenta uma extensa planície que se estende desde a Serra da Ribeirinha, no concelho de Angra do Heroísmo, até à Serra do Cume no concelho da Praia da Vitória.

Segundo a Revista de Estudos Açoreanos, Vol. X, Fasc. 1, página. 49, de Dezembro de 2003, A Geomorfologia da Ilha Terceira é dominada por quatro grandes estratovulcões e por numerosos cones vulcânicos monogenéticos implantados em importantes fracturas. De W para E enumeram-se, sucessivamente, os seguintes aparelhos vulcânicos poligenéticos, truncados por imponentes caldeiras:

A Serra de Santa Bárbara; o Maciço da Serra do Morião e maciço da Caldeira Guilherme Moniz; o Maciço do Pico Alto e o Complexo desmantelado da Serra do Cume, a Serra da Ribeirinha e a Caldeira dos Cinco Picos.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da ilha assenta sobretudo na agro-pecuária (pecuária de leite) e nas indústrias associadas à transformação de lacticínios. O rebanho é formado essencialmente por animais da raça Holstein-Frísia, o chamado Gado Holandês, embora seja de destacar a raça Ramo Grande, autóctone.

A ilha conta com dois importantes portos, nas suas duas cidades, Angra do Heroísmo e Praia da Vitória. Nesta última situa-se o aeroporto internacional e a Base Aérea das Lajes.

Festividades[editar | editar código-fonte]

Não se pode falar da Terceira sem falar da festa do Divino Espírito Santo. Este culto está ligado à Rainha Santa Isabel, entroncando nas raízes joaquimitas trazidas para os Açores pelos franciscanos espirituais. Este milagre é recordado todos os anos nas freguesias da Terceira na cerimónia da distribuição de pão e carne (o "bodo") pela população, celebrada junto aos "impérios", construções coloridas erigidas como capelas em honra do Espírito Santo. Este é um ritual que remonta à Idade Média que se repete ao longo dos séculos com um sentimento profundamente religioso.

A outra grande festa e com grandes tradições na ilha é a tourada à corda. Um touro preso com uma corda e controlado por dois grupos de quatro pastores investe contra os populares que se espalham pelas ruas das povoações. Os pastores desempenham um papel crucial na condução da tourada, controlando o percurso do touro, e a sua velocidade, e zelando pela segurança dos participantes.

Do trabalho da equipa de pastores depende, em boa medida, a exibição do animal, já que o grau de restrição imposto pela corda, e as pancadas, ou seja o impulso e tensão dados ritmicamente à corda, determinam a velocidade e percurso do animal. Da condução do touro depende também a segurança dos participantes, pois é a corda que mantém o animal dentro do percurso demarcado e, permite, atrasando o touro, evitar investidas excessivamente perigosas para os improvisados toureiros.

História[editar | editar código-fonte]

"A ilha Terceira, universal escala do mar do ponente, é celebrada por todo o mundo, onde reside o coração e governo de todas as ilhas dos Açores, na sua cidade de Angra, cujo porto está em trinta e nove graus da banda do norte." (Gaspar Frutuoso. Livro Sexto das Saudades da Terra).

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Caravela Vera Cruz a entrar no Porto de Pipas, Angra do Heroísmo.

A denominação e povoamento da ilha[editar | editar código-fonte]

Costa norte da ilha Terceira, vista do ar.

Não há certeza quanto à data de descoberta da Terceira, embora a mesma já figure em portulanos quatrocentistas. Foi inicialmente denominada como Ilha de Jesus Cristo e, posteriormente como Ilha de Jesus Cristo das Terceiras, até se afirmar a designação atual de apenas Terceira. O cronista Gaspar Frutuoso relaciona várias hipóteses para a sua primitiva designação:

  • por ter sido achada a 1 de janeiro, dia em que se celebrava[2] a festa do Santo Nome de Jesus;
  • por pertencer ao Mestrado da Ordem de Cristo;
  • por ter sido descoberta na Quinta ou Sexta-Feira Santas, ou em dia de Corpo de Deus;
  • por ser a Sé de Angra da invocação do Salvador.

Dentre estas, acrescenta que lhe parecia mais certo o descobrimento da ilha ter ocorrido em dia do Corpo de Deus, por estar o tempo mais propício à navegação[3]

A ilha começou a ser povoada a partir da sua doação, por carta do Infante D. Henrique, datada de 21 de Março de 1450, ao flamengo Jácome de Bruges:

"Eu, o Infante D. Henrique (...) faço saber que Jácome de Bruges, natural da Flandres, me disse que (...) estando a ilha Terceira, nos Açores, erma e inabitada, me pedia que lhe desse autorização para a povoar, como senhor das ilhas. E eu, (...) querendo lhe fazer graça e mercê, me apraz conceder-lha. E tenho por bem que ele a povoe da gente que lhe aprouver, desde que seja de fé católica."[4]

Bruges trouxe as suas gentes, muitas famílias portuguesas e algumas espécies de animais, tendo o seu desembarque ocorrido, segundo alguns estudiosos, no Porto Judeu, e, segundo outros, no chamado Pesqueiro dos Meninos, próximo à Ribeira Seca. Gaspar Frutuoso refere, a seu turno:

"(...) Afirmam os povoadores antigos da Ilha Terceira que fora primeiro descoberta pela banda do norte, onde chamam as Quatro Ribeiras, em que agora está a freguesia de Santa Beatriz, que foi a primeira igreja que houve na ilha, mas não curaram os moradores de viver ali por ser a terra muito fragosa e de ruim porto. (...)." (FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (Livro VI). cap. I, p. 8-9)

A primeira povoação terá sido no lugar de Portalegre[5] , erguendo-se um pequeno templo, o primeiro da ilha, sob a invocação de Santa Ana.

Tomadas as primeiras providências para a fixação das gentes, Brugues retornou ao reino a pedir mais pessoas para auxiliá-lo no povoamento. Nessa viagem, terá passado pela ilha da Madeira, de onde trouxe Diogo de Teive, a quem foi atribuído o cargo de seu lugar-tenente e Ouvidor-geral da ilha Terceira. Além destes titulares, vieram para a ilha alguns frades franciscanos para o culto religioso, visto que as ilhas pertenciam à Ordem de Cristo.

Poucos anos mais tarde, Jácome de Brugues fixou a sua residência no sítio da Praia, lançando os fundamentos da sua igreja matriz - a Igreja de Santa Cruz - em 1456, de onde passou a administrar a capitania da ilha até à data do seu desaparecimento (1474), em circunstâncias não esclarecidas, acredita-se que durante uma viagem entre a ilha e o continente.

Entre os primeiros povoadores cita-se ainda o nome de outro flamengo, Fernão Dulmo, que recebeu terras nas Quatro Ribeiras, entre o Biscoito Bravo e a ribeira da Agualva, lugar onde, segundo o historiador Francisco Ferreira Drummond "...ali desembarcou com trinta pessoas, cultivou a terra e deu princípio à igreja".

Em 1460, após a entrega da capitania da Terceira a Jácome de Bruges, o Infante D. Henrique doou a ilha e a Graciosa ao Infante D. Fernando, seu sobrinho e filho adotivo. Falecido este último (1470), assumiu a donataria, durante a menoridade do Infante D. Diogo, a Infanta D. Beatriz, sua mãe. Mediante o desaparecimento de Brugues, ela dividirá a ilha em duas capitanias, em 1474:

As ilhas do Faial e do Pico haviam sido doadas, cerca de 1466, a um outro flamengo, Josse Van Huertere, que iniciou o povoamento com famílias flamengas, mudando-se mais tarde para a ilha das Flores e, posteriormente, para a Terceira e para São Jorge.

Para o povoamento contribuíram, além de portugueses e neerlandeses, madeirenses, escravos africanos, degredados, cristãos-novos e judeus. Ele foi acompanhado, em todo o arquipélago, pela sua exploração económica, que se traduziu em queimadas e arroteamento de baldios, na introdução de culturas como a do trigo (exportado durante o século XV para o reino e praças portuguesas em África) e a da cana-de-açúcar, na indústria do pastel (corante) e na exportação de madeiras para a construção naval. Isso explica por que, nos Açores, o século XVI foi marcado por um enorme desenvolvimento económico e social, que se prolongou até aos finais do século XIX, altura em que se introduziram outras espécies agrícolas, de grande rendimento, como o chá, o tabaco e o ananás.

A Dinastia Filipina[editar | editar código-fonte]

Desembarque das tropas espanholas na Terceira (Julho de 1583).

No contexto da Crise de sucessão de 1580, António de Portugal, Prior do Crato foi aclamado e coroado rei, sendo derrotado pelas forças espanholas sob o comando do duque de Alba na batalha de Alcântara (25 de Agosto de 1580).

Diante da instalação da Dinastia Filipina em Portugal, D. António passou a governar o país a partir da Terceira, nos Açores. Após a vitória na batalha da Salga (25 de Julho de 1581, na Terceira, e da derrota na Batalha Naval de Vila Franca (26 de Julho de 1582), nas águas da ilha de São Miguel, a resistência da Terceira persistiu até ao Verão de 1583. Nesse período, enquanto sede da monarquia portuguesa, a ilha chegou a ter, além da presença do soberano, órgãos como a Casa da Suplicação, as Mesas de Desembargo do Paço e Casa da Moeda.

Após subjugarem a resistência local, na sequência do desembarque da Baía das Mós (26 e 27 de Julho de 1583), os Castelhanos organizaram na Terceira um governo-geral.

Com a aclamação de João IV de Portugal (1640), as ilhas do arquipélago aderiram imediatamente à Restauração da Independência, o que, contudo, foi dificultado pela existência de uma grande resistência castelhana em Angra do Heroísmo, que perdurou até à rendição da Fortaleza de São João Baptista em Março de 1642.

O século XVIII[editar | editar código-fonte]

A falta de cereais conduz ao motim de Angra, que tem lugar nos dias 29 e 30 de abril de 1757, envolvendo cerca de 400 a 500 pessoas.

Em 1766, a divisão do arquipélago em capitanias foi alterada, passando a existir, a partir de então, uma capitania geral, com sede em Angra do Heroísmo: a Capitania Geral dos Açores.

A Guerra Civil Portuguesa (1828-1834)[editar | editar código-fonte]

A Revolução liberal do Porto teve repercussões sobretudo na Terceira. No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), travou-se em 1829, em virtude do golpe de estado absolutista que pôs D. Miguel no poder, uma violenta batalha entre miguelistas e liberais, da qual saíram vitoriosos estes últimos: a batalha da Praia da Vitória (11 de agosto).

Em 1830 formou-se na Terceira um Conselho de Regência e, em 1832, partiu de Belle-Isle, na Inglaterra, uma expedição militar sob o comando de D. Pedro (10 de fevereiro), rumo aos Açores, onde chegou a 22 de fevereiro (ilha de São Miguel) estabelecendo-se em Angra (3 de março). Aqui assumiu a Regência e nomeou o seu Ministério, presidido pelo marquês de Palmela, e do qual faziam parte Mouzinho da Silveira, sendo promulgadas muitas reformas importantes. Daqui retornou D. Pedro para São Miguel (25 de abril), na continuação da preparação da expedição que culminou no Desembarque do Mindelo (8 de julho).

Em virtude dessas reformas, ainda em 1832 a Capitania-Geral deu lugar à constituição da Província Açoriana com sede em Angra.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Século XV[editar | editar código-fonte]

Século XVI[editar | editar código-fonte]

Século XVII[editar | editar código-fonte]

  • 1640 (1 de Dezembro - restauração da Independência de Portugal, com a aclamação de João IV de Portugal;
  • 1641 - Francisco Ornelas da Câmara, Capitão-mor da Vila da Praia, é encarregado por D. João IV de aclamá-lo na Terceira, reduzindo à obediência o Castelo de São Filipe no Monte Brasil; em cumprimento às instruções recebidas, Ornelas promove a aclamação na Praia (24 de Março) e logo após, em Angra;
  • 1641 a (26 de Março) eclode a rebelião popular dos Minhas Terras.
  • 1641 (27 de Março) - início do cerco ao Castelo de São Filipe; Angra é ocupada militarmente pelo seu Capitão-mor, João Bettencourt de Vasconcelos, que pede auxílio militar ao Capitão-mor da Praia, Francisco Ornelas da Câmara.
  • 1641 a (28 de Março) Manuel Jaques, com uma companhia da freguesia da Ribeirinha que incluía mulheres, conquista o Forte de São Sebastião, de onde os espanhóis Fogem por mar para a Fortaleza de São João Baptista.
  • 1641 a (31 de Março), domingo de Páscoa, D. João IV foi aclamado rei em Angra, sob o fogo cerrado das baterias espanholas, foi um dos acontecimentos mais “impressionantes” da Restauração segundo o Historiador José Manjardino: "a aclamação fez-se num ambiente dramático que já aqui em tempos se apontou como a mais espectacular e genuína restauração da independência havida em terras de Portugal. Uma procissão cívica percorria as ruas até à Praça, convergindo para a Sé, onde se cantou um Te Deum, tudo ao ritmo e sob a fumarada da artilharia castelhana que, do castelo de São Filipe, disparava sem cessar sobre a cidade."
  • 1641 (20 de Junho) D. Luís Peres de Viveiros, com os trezentos soldados que trazia para socorrer a guarnição espanhola cercada em São Filipe, rende-se a Francisco de Ornelas junto aos ilhéus da Mina;
  • 1642 (4 de Março) - rendição das tropas espanholas. O Governador do Castelo de São Filipe, D. Álvaro de Viveiros entrega-se aos portugueses; (tendo-se a noticia espalhado a partir do largo da entrada para o Parque Municipal do Relvão e do Poço do azeite, largo que passou a chamar-se Largo da Boa Nova) o governo interino da praça fica a cargo do Capitão-mor de Angra, a quem são entregues as suas chaves; o Capitão-mor da Praia seguiu para Lisboa com a notícia da rendição da praça;
  • 1642 - Por Alvará de 2 de Abril, D. João IV concede à cidade de Angra o título de "Mui nobre e leal", pela sua bravura durante a Guerra da Restauração;[12]

Século XVIII[editar | editar código-fonte]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

Século XX[editar | editar código-fonte]

[16]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Relação de embarcações naufragadas na Baía de Angra[editar | editar código-fonte]

Século XVI[editar | editar código-fonte]

  1. 1542 – Naufrágio da nau cognominada Grifo, capitaneada por Baltazar Jorge.[18]
  2. 1555 - Naufrágio da nau Assumpção, comandada por Jácome de Melo.[19]
  3. 1555 - Naufrágio da nau alcunhada de Algarvia Velha, acabada de chegar das Índias.[20]
  4. 1556 - (6 de Agosto) - Naufrágio da nau Nossa Senhora da Vitória, da Carreira das Índias.[21]
  5. 1556 - (6 de Agosto) - Naufrágio da nau Nossa Senhora da Assunção, Carreira das Índias.[21]
  6. 1560 – Naufrágio de uma nau espanhola, da qual não se sabe o nome.[22] .
  7. 1583 - (21 de Outubro) – Naufrágio de 1.º patacho de um total de três embarcações naufragadas no mesmo dia. Embarcação confiscada pelos Espanhóis à Armada do Prior do Crato.
  8. 1583 – 21 de Outubro – Naufrágio de 2.º patacho. Embarcação também da Armada do Prior do Crato e confiscada pelos espanhóis.
  9. 1583 – 21 de Outubro – Naufrágio de 3º patacho. Embarcação igualmente da Armada do Prior do Crato e confiscada pelos espanhóis. Estes três barcos foram atiradas para a costa pelo famoso vento Carpinteiro.
  10. 1586 - (17 de Setembro) – Naufrágio da nau Santa Maria, de nacionalidade espanhola e provinda de São Domingo. Devido ao nau tempo.
  11. 1586 - (18 de Setembro) – Naufrágio de 1.ª nau de um total de três naufragadas no mesmo dia, era de nacionalidade espanhola (capitania) de 30 canhões de bronze. Devido ao mau tempo.
  12. 1586 – 18 de Setembro – Naufrágio de 2.ª nau de nacionalidade espanhola (Nuestra Señora de la Concepción), de que se recuperou parte da carga.
  13. 1586 – 18 de Setembro – Naufrágio de 3.ª nau de nacionalidade espanhola.[23]
  14. 1587 - Naufrágio de um galeão português (Santiago) capitaneado por Francisco Lobato Faria e provindo de Malaca. Perdeu a amarra, salvando-se a gente e a fazenda.[24]
  15. 1587 - Naufrágio de ma nau espanhola que provinha do Novo Mundo. Foi salva a carga de ouro e prata num valor que na altura somou um total de 56 000 escudos.
  16. 1588 - (Agosto) – Naufrágio da nau portuguesa São Tiago Maior, da Armada de 1586.
  17. 1589 - (4 de Agosto) – Naufrágio, dentro de fortalezas, o galeão São Giraldo de nacionalidade portuguesa e provindo de Malaca. Com este acontecimento, inicia-se o período Linschoten.[25]
  18. 1589 - (20 de Outubro(. Afundamento da nau espanhola Nuestra Señora de Guia, posta a pique por corsários, com 200 000 ducados em ouro, prata e pérolas a bordo.[26]
  19. 1589 – Naufrágio à entrada de Angra da nau espanhola Trinidad, vinda do México, o acontecimento descrito por [26] [27]
  20. 1590 – (Janeiro) - Naufrágio de uma nau espanhola.
  21. 1590 – Janeiro – Naufrágio de uma nau espanhola da Armada da Biscaia.
  22. 1590 – Janeiro – Naufrágio de uma nau espanhola nos rochedos à entrada da Baía de Angra.

Século XVII[editar | editar código-fonte]

  1. 1605 – Naufrágio da nau portuguesa sob o comando do Capitão Manuel Barreto Rolim.
  2. 1606 – Naufrágio da nau São Jacinto, embarcação da Carreira da Índia e provinda de Goa.
  3. 1642 – Afundamento da embarcação comercial carregada de mantimentos que foi “apanhada” pelos espanhóis sitiados na Fortaleza de São Filipe durante a Guerra da Restauração. Foi afundada pela acção conjunto do mau tempo e pelo bombardeamento da artilharia portuguesa para evitar que os espanhóis adquirissem os mantimentos.
  4. 1649 - 12 de Fevereiro – Naufrágio de 1.º navio (de um total de 4) proveniente do Brasil.
  5. 1649 - 12 de Fevereiro – Naufrágio de 2.º navio proveniente do Brasil.
  6. 1649 - 12 de Fevereiro – Naufrágio 3.º navio proveniente do Brasil.
  7. 1649 - 12 de Fevereiro – Naufrágio 4.º navio proveniente do Brasil. Tendo em atenção a data. Foi certamente pela acção do mau tempo. São os 4 referidos por [28]
  8. 1650 – Naufrágio da nau Santo António, vinda de São Cristóvão, salvando-se a mercadoria.
  1. 1663 – 1.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil, foi o maior desastre de que há registo ocorrido na Baía de Angra, por acção duma tempestade. Fora o que deu à costa, a carga perdeu-se.
  2. 1663 – 2.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  3. 1663 – 3.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  4. 1663 – 4.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  5. 1663 – 5.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  6. 1663 – 6.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  7. 1663 – 7.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  8. 1663 – 8.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  9. 1663 – 9.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil
  10. 1663 – 10.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil.
  11. 1663 – 11.º Naufrágio de 1 navio de uma frota de 11 que provinha do Brasil. Este acontecimento provoca a interdição real da arribada em Angra.
  12. 1674 – Naufrágio de uma embarcação de origem holandesa, de 50 canhões.[31]
  13. 1690 - (26 de Março), Naufrágio sobre a amarra de uma nau destinada a Cabo Verde, carregada com sinos e cal destinados à construção de uma igreja.
  14. 1697 – 1.º naufrágio de uma frota de 4 navios carregados de trigo.
  15. 1697 – 2.º naufrágio de uma frota de 4 navios carregados de trigo.
  16. 1697 – 3.º naufrágio de uma frota de 4 navios carregados de trigo.
  17. 1697 – 4.º naufrágio de uma frota de 4 navios carregados de trigo.
  18. 1698Junho, último naufrágio documentado no século XVII, o do navio francês St. François, este acontecimento deu origem ao início do “século dos naufrágios franceses”.

Século XVIII[editar | editar código-fonte]

  1. 1702 - (10 de Dezembro), naufrágio da fragata francesa Fla Orbanne, naufraga nos baixios de Angra. Este acidente deixou informações nos livros de óbitos da freguesia da Sé, aquando da inumação dos náufragos dados à costa da cidade.[32]
  2. 1721Dezembro, um navio francês, o Le Elisabeth, naufraga na Baía de Angra. houve náufragos que foram sepultados nos cemitérios da cidade.
  3. 1750 – Naufrágio da fragata francesa Andromade, provinda de São Domingo.

Século XIX[editar | editar código-fonte]

  1. 1811 – 10 de Março, naufrágio por força de uma tempestade de uma escuna inglesa, a Mirthe que encalha no areal do Porto Novo.
  2. 1811 - 10 de Março, naufrágio por força de uma tempestade de uma escuna inglesa, a Louise na Prainha.
  3. 1811 – (4 de Dezembro) - 1.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.
  4. 1811 – 4 de Dezembro - 2.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.
  5. 1811 – 4 de Dezembro - 3.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.
  6. 1811 – 4 de Dezembro - 4.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.
  7. 1811 – 4 de Dezembro - 5.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.
  8. 1811 – 4 de Dezembro - 6.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.
  9. 1811 – 4 de Dezembro - 7.º naufrágio de uma frota de 7 navios, açoitados pelo temporal.[33]
  10. 1815 – (10 de Março), por força de uma tempestade encalha uma escuna inglesa, a Belle of Plymouth, no areal do Porto Novo.
  11. 1856 - (1 de Março), naufrágio de uma galera inglesa (Europe), que encalha na Prainha.
  12. 1858 – (19 de Janeiro), por acção de uma tempestade naufraga a escuna portuguesa denominada Palmira.
  13. 1858 – 19 de Janeiro, por acção de uma tempestade naufraga o patacho português (Desengano).
  14. 1858 – (23 de Janeiro), por acção de uma tempestade naufraga a escuna inglesa Daring.
  15. 1861 – Entre 25 e 26 de Janeiro, por acção de uma tempestade naufraga a escuna Gipsy, destinada à carga da laranja que encalhada na Prainha.
  16. 1861 - Entre 25 e 26 de Janeiro, por acção de uma tempestade naufraga o patacho Micaelense, destinado à carga da laranja, barco com de 111 toneladas.
  17. 1861 - Entre 25 e 26 de Janeiro, por acção de uma tempestade naufraga o patacho Adolin Sprague, destinado à carga da laranja, com 211 toneladas.
  18. 1861 - Entre 25 e 26 de Janeiro, por acção de uma tempestade naufraga, a escuna inglesa Wave Queene, destinado à carga da laranja, com 75 toneladas.
  19. 1861 - Entre 25 e 26 de Janeiro, por acção de uma tempestade naufraga o lugre Destro Açoriano, destinado à carga da laranja, com 224 toneladas.
  20. 1863 - (18 de Fevereiro), naufrágio da escuna Breeze.
  21. 1864 – Naufrágio da escuna inglesa Gurden Rebow.
  22. 1864 – (12 de Outubro), naufrágio do brigue Washington.
  23. 1865 - Naufrágio do primeiro navio a vapor nesta baía, o inglês Runher.
  24. 1867 - (11 de Fevereiro), naufrágio da galera inglesa Ferozepore.
  25. 1872 - (4 de Agosto), naufraga na Baía de angra o primeiro navio de origem alemã, o patacho Telegraph.
  26. 1878 - (16 de Fevereiro), o vapor Lidador de nacionalidade brasileira, encalha no cais da Figueirinha.
  27. 1893 - Devido a um ciclone, naufraga a embarcação Segredo dos Açores.
  28. 1896 – (13 de Outubro), sob a força do “vento Carpinteiro”, naufraga o patacho Fernão de Magalhães, de 180 toneladas,
  29. 1896 – 13 de Outubro, sob a força do “vento Carpinteiro”, naufraga o Lugre (navio)lugre Príncipe da Beira, de 275 toneladas
  30. 1896 – 13 de Outubro, sob a força do “vento Carpinteiro”, naufraga o lugre Costa Pereira, de 196 toneladas.

Século XX[editar | editar código-fonte]

  1. 1906 – (30 de Setembro), naufraga o iate Rio Lima, que dá à costa no baixinho do Portinho Novo.
  2. 1921 – (28 de Abril), naufraga o lugre Maria Manuela, na ponta do Castelinho.
  3. 1996 (na noite de 25 para 26 de Dezembro) - Encalhe da embarcação Fernão de Magalhães, destinada a cabotagem inter-ilhas e destas com o continente português pela acção do temporal.[34]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. História dos Açores - Do Descobrimento até ao Século XX, de Artur Teodoro de Matos, Avelino de Freitas de Menezes e José Guilherme Reis, 2008, ISBN 9789898225061
  2. Anteriormente à Reforma Litúrgica
  3. Livro Sexto das Saudades da Terra.
  4. Citado por J. M. da Silva Marques. Descobrimentos Portugueses. Lisboa: INIC, 1988.
  5. "(...) Não é da mesma forma a respeito do local onde foi assentar-se a primeira povoação: porque evitando ser avistada do mar, por causa das guerras que tínhamos com Espanha, e com medo de ser assaltada e destruída (...). E por mui parecido com os campos do alentejo lhe chamaram Porta Alegre... lugar que mais lhe havia agradado (...)." DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira vol. I, cap. V, pp. 29-32.
  6. a b Junta de Freguesia de São bento.
  7. Carta de Doação de Dna. Beatriz, a 2 de Abril de 1474)
  8. Para esta ermida foram trasladados os restos mortais do general Manuel Inácio Martins Pamplona, que chegou a Ministro Assistente ao Despacho num dos governos do rei D. João VI de Portugal.
  9. Manuel Francisco dos Santos Peixoto, Apontamentos para a História da Terceira, Angra do Heroísmo, p. 144.
  10. Angra do Heroísmo: Janela do Atlântico entre a Europa e o Novo Mundo. Horta (Faial): Governo Regional dos Açores; Direcção Regional do Turismo dos Açores. s.d.
  11. Carta-régia dirigida à Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, datada de 4 de Julho de 1572, cf. cópia em Francisco Ferreira Drummond. Anais da Ilha Terceira.
  12. in. Diário Insular, 01/04/2010
  13. DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira. (Capítulo VII).
  14. Diário Insular, 12 de março de 2010.
  15. Jornal A Terceira, 25 de julho de 1891
  16. Alfredo Lucas, As Ermidas da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo: Edições BLU, 2004 (pp. 2019-210).
  17. Jornal "A União", n.º 32.962, de 6 de Maio de 2006.
  18. [Relação das Naus da Índia pertencente à British Library, Códice Add. 20902.]
  19. [Relação das Naus da Índia pertencente à British Library, Códice Add. 20902.]
  20. [[[Manuel de Faria e Sousa]], Ásia Portuguesa.]
  21. a b [Anais do Clube Militar Naval, Portugal.]
  22. [encontra-se referenciada nos documentos do historiador naval espanhol oitocentista, Fernández Duro.]
  23. [Legayo 5108 do Arquivo General de las Indias.]
  24. [Relação das Naos da Índia, da British Library.]
  25. [Histoire de la Navigation, Linschoten.]
  26. a b [Histoire de la Navigation, Linschoten.]
  27. [Abbé Prévost, na sua Histoire des Voyages.]
  28. [[[Francisco Ferreira Drummond]] nos Anais da Ilha Terceira.]
  29. Barão de Bastos, 1862.
  30. Francisco Ferreira Drummond. Anais da Ilha Terceira. t. I, p. 231.
  31. [arquivo dos Affaires Etrangères.]
  32. [Affaires Etrangères, B1.652, Fº 64.]
  33. [No Arquivo Geral da Marinha Portuguesa, encontram-se referências a estes naufrágios, a 18 de Fevereiro de 1832, do Iate Nerco e, em 1841da escuna D. Clara.]
  34. [ Diário Insular de 27/12/1996, ano L, n.º 15099.]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Carta de Christovão Soares de Albergaria ao Archiduque Alberto, 24 de Outubro de 1591, in Archivo dos Açores, Vol. II, 1880, Ponta Delgada
  • Documentação do Arquivo General de Simancas, GA l. 326, d. 21, d. 29, d. 36, d. 44, d. 45, d. 57, d. 202, GA l.626, Consiglio de Guerra
  • BUSHNELL, G. (1936) Sir Richard Grenville, George G. Harp & Co., Ltd., London
  • EARLE, P. (1992) Sir Richard Grenville and the Revenge, Collins & Brown Limited, 1992
  • FALCÃO, A. (1981) “Do Sucesso da Armada que foi às Ilhas Terceiras no anno de 1591”, in Arquivo dos Açores, vol. VI, Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada
  • LIMA, Gervásio. Esboço Histórico da Ilha Terceira. Angra do Heroísmo (Açores): Livr. Ed. Andrade, 1924.
  • LINSCHOOT, J. (1609). Histoire de la Navigation, Amsterdam, Jean Evertz Cloppenburch.
  • MARTINEZ, R. (1988) “Las Armadas de Felipe II”, Editorial San Martin, Madrid
  • RALEIGH, W., A report of the trues of fight about the Isles of Açores, the last of August 1591, betwixt the Revenge, one of her Majesties shippes, and an Armada of the King of Spaine, Separata da Revista Insulana, Ponta Delgada
  • ROWSE, A. (1937) “Sir Richard Grenville of the Revenge”, Jonathan Cape, Londres
  • TEIXEIRA, M. (1971) A batalha da ilha das Flores - Sir Richard Grenville e o Revenge, BIHIT vol. XXV-XXVI, Angra do Heroísmo
  • TENNYSON, A., (1971) The Revenge: a ballad of the fleet in Poems and Plays, Warren, Oxford
  • WIGNALL, S. (1971) “Progress Report on the Forthcoming ‘International Marine Archaeological Expedition’ to the island of Terceira, Archipelago of the Azores” ”, BIHIT vol. XXV-XXVI, Angra do Heroísmo

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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