Ilha do Bananal

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Ilha do Bananal
Ilha do bananal.svg
Localização no estado do Tocantins
Geografia física
País  Brasil
Localização 11° 20' S 50° 25' O
Área 20.000,00 (49ºkm²
Bananal-Island-North-End-Landsat-25-07-1992.png
Imagem de satélite da Ilha do Bananal (à dir.) no encontro do Rio das Mortes (esq.) com o Rio Araguaia (dir.), localizado logo ao sul da cidade de São Félix do Araguaia (MT). Esta imagem também abrange a Aldeia Tytema, localizada às margens do Rio Araguaia, na porção centro-direita da imagem.

A Ilha do Bananal é a maior ilha fluvial do mundo, com cerca de vinte mil quilômetros quadrados de extensão (1.916.225 hectares), cercada pelos rios Araguaia e Javaés. É considerada como uma Reserva da Biosfera pela UNESCO desde 1993,[1] [2] sendo também uma das Zonas Húmidas de Importância Internacional, classificadas pela Convenção de Ramsar.[3] A Ilha do Bananal fica localizada no estado brasileiro do Tocantins, estando subdividida entre os municípios de Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão e Pium. A ilha faz parte da divisa do Tocantins com os estados do Mato Grosso (no Rio Araguaia) e de Goiás (na porção sul do Rio Javaés). Na foz do Rio Javaés, localizada no extremo norte da ilha, está localizada a tríplice divisa entre os estados do Tocantins, do Mato Grosso e do Pará. A ilha está situada entre as latitudes 9°44'S e 12°49'S e entre as longitudes 49°52'O e 50°44'O. A Ilha do Bananal é composta pela Terra Indígena Parque do Araguaia, que abrange toda a porção sul e boa parte da porção oeste da ilha até a latitude da cidade de Santa Terezinha (MT); pelo Parque Nacional do Araguaia, que abrange as porções norte e nordeste da ilha; pela Terra Indígena Inãwébohona, que se sobrepõe ao Parque Nacional do Araguaia, estando localizada na porção nordeste da ilha; e pela Terra Indígena Utaria Wyhyna/Iròdu Iràna, que também se sobrepõe ao Parque Nacional do Araguaia e está localizada na porção norte da ilha. Deste modo, toda a Ilha do Bananal é considerada pela constituição federal como terra da união, sendo o maior complexo de reservas existente no estado do Tocantins. Os povos indígenas que vivem na Ilha do Bananal, são: os Carajás, os Javaés, os Tapirapés, os Tuxás e os Avá-Canoeiros (mais conhecidos na região pelo apelido de Cara-Preta). As estradas que dão acesso ao interior da Ilha do Bananal são a rodovia BR-242 (mais conhecida neste trecho como Transbananal), a Transaraguaia (extensão não-oficial da TO-255), além de uma estrada sem nome que liga a Aldeia Santa Isabel do Morro ao extremo sul da ilha, margeando o Rio Araguaia e o Rio Caracol.

História[editar | editar código-fonte]

Panorama do Rio Araguaia na Ilha do Bananal.

Descoberta em 26 de julho de 1773 pelo sertanista José Pinto Fonseca, recebe o nome de Santana. Posteriormente, passa a se chamar Bananal, em razão da existência de extensos bananais silvestres.

A Ilha do Bananal abriga cerca de quinze aldeias indígenas, sendo que a maior delas é a Aldeia Santa Isabel do Morro, que fica localizada bem próximo à cidade de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso.

Santuário ecológico: fauna e flora[editar | editar código-fonte]

A Ilha do Bananal é considerada um dos santuários ecológicos mais importantes do país. Por estar na faixa de transição entre a Floresta Amazônica e o cerrado, possui fauna e flora bastante diversificadas. A fauna tem espécies comuns ao Pantanal Mato-Grossense, como a onça-pintada, boto, uirapuru, garça-azul e tartaruga-da-amazônia.

Na flora destacam-se vários gêneros de orquídeas terrestres, a maçaranduba, piaçava e canjerana. Na vegetação predominam os campos, conhecidos na região pelo nome de varjões. Aparecem ainda o cerrado, a mata seca de transição, as matas ciliares de igapó, vegetação das encostas secas e vegetação dos bancos de areia.

Clima[editar | editar código-fonte]

Predomina o clima tropical quente semi-úmido com temperaturas máximas de 38 °C nos meses de agosto a setembro e mínimas de 22 °C em julho. Duas estações são nitidamente marcadas na ilha, o verão (de novembro a abril) em que predominam as chuvas, e o inverno (de maio a outubro) onde ocorre o período da seca. A umidade relativa do ar registrada nas estações mais definidas gira em torno dos 60% (julho) e 80% (épocas chuvosas).

Durante os meses de janeiro a março, época de cheia do Rio Araguaia, parte da ilha permanece inundada. As chuvas desse período correspondem a cerca de 50% do total anual.

A Transbananal (BR-242) e a Transaraguaia[editar | editar código-fonte]

A Ilha do Bananal é cortada de leste a oeste pela rodovia BR-242, que neste trecho é apenas uma precária estrada de terra em leito natural (sem revestimento primário ou aterro) que fica completamente intransitável no período de chuvas. O trecho da BR-242 que atravessa a Ilha do Bananal é popularmente conhecido na região como Transbananal. Na Ilha do Bananal, a BR-242 faz a ligação entre a Aldeia Txuiri (no Rio Javaés), a Aldeia Imotxi (no Rio Riozinho) e as aldeias Watau e JK (no Rio Araguaia), havendo ainda uma pequena extensão não-oficial que segue até a Aldeia Santa Isabel do Morro. Nos últimos anos, a Transbananal vem se tornando alvo de uma grande polêmica, já que há um projeto orçado em 650 milhões de reais para pavimentar este trecho da BR-242 que passa por dentro da Terra Indígena Parque do Araguaia.[4]

Além da BR-242, há ainda a Transaraguaia, que na verdade é uma extensão não-oficial da rodovia TO-255. Esta estrada possui apenas 13 km de extensão, estando totalmente localizada dentro da Terra Indígena Inãwébohona e do Parque Nacional do Araguaia, na porção nordeste da ilha. A Transaraguaia se inicia na travessia do Rio Javaés na Fazenda Barreira da Cruz; passa pelo entroncamento de acesso à Aldeia Boto Velho, e segue margeando o Rio Mururé até acabar abruptamente no interior da ilha. A construção da Transaraguaia foi iniciada em 1984 pelo então Governo de Goiás, tendo terminado logo após, devido aos protestos organizados pelos índios da região e por funcionários do antigo IBDF. Segundo o seu projeto original, a Transaraguaia deveria ligar a cidade de Lagoa da Confusão (TO) ao município de Santa Terezinha (MT).

A importância da Ilha do Bananal[editar | editar código-fonte]

A Ilha do Bananal é de grande importância para o Brasil, pois sua fauna e flora tem muita diversidade, sua conservação é fundamental para o equilibrio ecológico.

Indígenas da Ilha do Bananal[editar | editar código-fonte]

Desde tempos imemoriais, a Ilha do Bananal é habitada por índios. No presente, existem alguns grupos indígenas presentes nas aldeias da Ilha do Bananal, especialmente das etnias Karajá-Javaé, Avá-Canoeiro e Tapirapé, que ocupam a Terra Indígena Parque do Araguaia e a Terra Indígena Inãwébohona.

No interior da gigantesca Mata do Mamão, localizada no centro-norte da ilha, existe um pequeno grupo de índios da tribo Avá-Canoeiro que rejeita qualquer tipo de contato com a civilização, inclusive com os indígenas das aldeias mais próximas. Este é o único grupo de índios que até hoje permanecem isolados da civilização no Tocantins.

As aldeias do subgrupo Karajá estão dispostas às margens do rio Araguaia, e são:

As aldeias do subgrupo Javaé estão dispostas às margens do rio Javaés e do Riozinho, e são:

Áreas protegidas da Ilha do Bananal[editar | editar código-fonte]

Parque Nacional[editar | editar código-fonte]

Terras Indígenas (TI's)[editar | editar código-fonte]

Rios da Ilha do Bananal[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências