Ilhas Diomedes

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Ilhas Diomedes
Diomede Islands Bering Sea Jul 2006.jpg
Ilhas Diomedes: Pequena Diomedes (esq/oeste) e Grande Diomedes (dir/Leste)
65° 47' N 169° 01' O
Geografia física
País Rússia, Estados Unidos
Localização Mar de Bering
Área 29 e 7,3 km²  km²
Geografia humana
População 140
Densidade 3,85 hab./km²
BeringSt-close-VE.jpg
Foto de satelite do Estreito de Bering, Ilhas Diomedes ao centro

As ilhas Diomedes (por vezes escritas como Diómedes/Diômedes) são ilhas rochosas do tipo tuya (origem vulcânica) pertencentes à Rússia e aos Estados Unidos que ficam no estreito de Bering. Trata-se das (em russo: острова Диомида , ostrová Diomída), também chamadas na Rússia de Ilhas Gvozdev (em russo: острова Гвоздева, ostrová Gvozdjeva).

O conjunto é formado por duas ilhas: A ilha de Ratmanov ou Diomedes Maior pertencente à Rússia, e a Diomedes Menor, posse dos Estados Unidos, distanciadas apenas 4 km uma da outra.

As ilhas são habitadas há milênios pelos nativos, e hoje há um povoamento esquimó, cidade de Diomede, no oeste da ilha da Diomedes Menor, com aproximadamente 140 pessoas e 30 edificações.

Imagem de satélite das ilhas Diomedes, em falsa cor

Há anos está proposto um projecto de construção de uma ponte intercontinental (dita Ponte Intercontinental da Paz) passando pelas ilhas Diomedes e que permitiria o trânsito entre o Alasca e o Extremo Oriente russo.

Localização[editar | editar código-fonte]

As ilhas ficam no Estreito de Bering entre o estado americano do Alasca a leste e a Sibéria russa a oeste, o Mar de Chukchi ao norte e o Mar de Bering ao sul. Ficam a cerca de 9,6 km do rochedo Fairway, não considerado com parte das Diomedes. São também chamadas de Ilha do Amanhã, a maior (Ilha de Ratmanov), e Ilha de Ontem, a Diomedes Menor, pois a ilha maior (Rússia) está 20 horas (quase um dia) à frente da ilha menor (EUA) em termos de fusos horários.

No estreitíssimo braço de mar que as separa (com cerca de 3,8 km) passa a linha de fronteira entre as duas superpotências da Guerra Fria. Passa também a Linha Internacional de Data que fica a cerca de 2 km de cada ilha. Nessa latitude (65º 47’N), essa linha passa na longitude 168°58'37"W. Esta particularidade tem várias consequências: No longo período invernal é possível atravessar a pé o mar gelado entre as ilhas, e além de mudar de país muda-se de data. A ilha Diomedes Maior é considerada o ponto extremo leste da Federação Russa.

Em 1987, durante a Guerra Fria, a nadadora de grandes distâncias Lynne Cox nadou no mar gélido e conseguiu unir as ilhas no sentido Rússia - Estados Unidos, após anos a pedir autorização às autoridades da então União Soviética. Ela cruzou a então chamada “Cortina de Gelo” do Mar de Bering e foi saudada por Mikhail Gorbachev e Ronald Reagan.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro europeu a chegar ao Estreito de Bering foi o explorador russo Semyon Dezhnev em 1648. Seus relatos registraram duas ilhas cujos nativos usavam ornamentos nos lábios, mas não há certeza de que se tratasse desse grupo insular das Diomedes. Um navegante dinamarquês ao serviço da Rússia, Vitus Bering, efetivamente descobriu as ilhas em 16 de agosto de 1728, dia em que a Igreja Ortodoxa Russa festeja o dia de São Diomedes, daí tendo se originado o nome das ilhas. Em 1732, um geodésio, Mikhail Gvozdev,[1] localizou as ilhas num mapa, daí vindo o outro nome.

O texto do tratado de 1867 que concluiu Compra do Alasca pelos Estados Unidos usou essas ilhas para marcar as fronteiras entre os dois países: a fronteira separa “de forma equidistante a ilha Krusenstern (Ignaluk) da ilha Ratmanov (Nunarbuk) e segue rumo ao norte até desaparecer completamente no Oceano Ártico”.

No verão de 1995, o ator e apresentador da Televisão britânica Michael Palin iniciou sua circunavegação no sentido anti-horário do Pacific Rim, passando por 18 países diferentes, nas Ilhas Diomedes, como parte da série da BBC “Full Circle (1997)”. Ele pretendia retornar às Diomedes o ao final de sua jornada. Porém, faltando ainda oito meses, não pode fazê-lo pois estaria retornando durante o inverno seguinte (com o Cúter da Guarda Costeira dos Estados Unidos USCGC Munro WHEC-724) e o mar ficou muito agitado para permitir que ele sua equipe de filmagem desembarcassem nessas ilhas.

A ilha Diomedes Grande foi tradicionalmente a mais oriental das massas terrestres situada a oeste da Linha Internacional da Data, a primeira a comemorar o Ano NovoI. No entanto, se considerada a hora solar local. Há uma grande àrea da Rússia oriental e a Nova Zelândia estão no mesmo fuso horário. A Nova Zelândia tem o horário de verão no final de Dezembro, mas não a Rússia. Desde 1995, porém, Linha da Data se moveu para leste de Kiribati e, assim, a hora do mais oriental do países (GMT+14) é a primeira (mais cedo) do mundo.

A população nativa da Diomedes Grande foi transferida pelo governo da União Soviética e a ilha tem somente um mínima presença militar Russa.[2] A Pequena Diomedes tem uma presença Inupiat de 140 a 170 pessoas.[3] principalmente na cidade Diomede. Essa pequena vila tem uma escola e um armazém., Alguns inuítes, que ali habitam são famosos pelo seus trabalhos de esculturas em marfim. Transporte de pessoas, cargas e correios são por helicóptero, desde que o tempo o permita.

A mídia dos EUA mencionou brevemente as Ilhas Diomede na campanha dos EUA presidencial de 2008.[4] [5]

Referências

  1. Mapa das novas descobertas na região oriental do Oceano World Digital Library. Visitado em 10 February 2013.
  2. Tuchman, Gary (30 de setembro de 2008). You CAN see Russia from here! Anderson Cooper 360° CNN. Visitado em 12 de junho de 2011.
  3. Intent To Prepare a Draft Environmental Impact Statement for Navigation Improvements and Airport, Little Diomede Island, AK U.S. Environmental Protection Agency (29 de outubro de 2009). Visitado em 12 de junho 2011.
  4. "Democracy, at 70 Degrees Below Zero", par Victor S. Navassky, New York Times, 11 de outubro de 2008.
  5. "Alaskan Foreign Policy" por James P. Lucier, Wall Street Journal, 2 de outubro de 2008.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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