Imaginação
Imaginação é uma faculdade ou capacidade mental que permite a representação de objetos segundo aquelas qualidades dos mesmos que são dadas à mente através dos sentidos - segundo a concepção sartriana apresentada em sua obra O imaginário: psicologia fenomenológica da imaginação. Em filosofia, tais qualidades são chamadas de qualidades secundárias quando a ação do subconsiente pronuncia-se à da consciência.
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[editar] Racionalismo: razão e imaginação
Os racionalistas opunham a imaginação à razão, isto é, à faculdade através da qual os objetos são representados segundo suas qualidades primárias. Ver:
- Descartes, Regras para a Orientação do Espírito, "Regra 12".
- Spinoza, Ética, "Parte II".
As teses racionalistas sobre a imaginação marcaram a filosofia por longo tempo. Até o final do século XVIII, os filósofos viram a imaginação como a faculdade mental através da qual representamos de maneira obscura e confusa os mesmos objetos que a razão ou entendimento representa de maneira clara e distinta.
[editar] O Imaginário em Gilbert Durand
Gilbert Durand apresenta uma formulação original à concepção de Sartre ao afirmar que o imaginário é uma resposta à angústia existencial frente à experiência "negativa" da passagem do tempo. Esta "resposta" é expressa enquanto acervo cultural de imagens produzidas pelo homo sapiens, delineando o trajeto antropológico expresso em um dado período histórico e pelos símbolos utilizados neste período. Para além da concepção sartriana de que a imaginação é a capacidade de elaborar simulacros de objetos apreendidos na materialidade, o imaginário é a capacidade mesma de fundar o real e percebê-lo (O imaginário: ensaio sobre a ciência e a filosofia da imagem e As estruturas antropológicas do imaginário).
[editar] Crianças e o imaginário da profissão
A maioria das crianças tem uma resposta para "o que você quer ser quando crescer?" Independente da profissão, há um conceito que move tal escolha: o imaginário, mesmo que, na maioria das vezes, os motivos pela decisão não condigam com a realidade.
[editar] O imaginário infantil
Juremir Machado da Silva afirmou que “o ser humano é movido pelos imaginários que engendra”. Dessa forma, cada criança cria expectativas sobre o restante da sua vida pensando naquela profissão que escolheu, seja ela possível ou não, seja a ideia válida ou não. Tal opção influencia no tipo de brincadeira do jovem e nos planos que ele faz para a vida (mesmo que seja muito novo para tal). Segue-se uma narrativa que a qualquer momento pode ser alterada, pois surgirão novos padrões, sensações, paixões ou sonhos. Assim, e neste caso, o imaginário é também algo em constante mutação. É criado, então, com base nesta decisão, um "lago de significados", com uma base semântica, com valores de o que aquilo significa para ela. Na maioria das vezes, a cópia, a ideia da profissão não condiz com a carreira verdadeira. São ignorados os problemas e todas as dificuldades e levados em consideração apenas o sucesso, o prazer, a vontade. O imaginário é um reservatório, onde estão guardados exatamente estes conceitos.
Não se trata de imaginação nem apenas de um conjunto de imagens. A escolha precoce da profissão é a escolha de um modelo e de um estilo de vida, onde estão os sonhos e ideais, com base no real e no irreal. É realizada para se infiltrar em uma cultura onde a carreira é uma das coisas mais importantes da existência; para falar a linguagem dos adultos e, também, de outras crianças com os mesmo sonhos.
Neste último caso, pode-se associar ao imaginário social, que acontece por contágio, no qual todas as crianças escolhem uma profissão. É o imaginário de ser adulto. O imaginário individual gira em torno de cada profissão específica, baseado na identificação de cada um com a carreira, com o profissional.
[editar] Imaginário e cultura
O imaginário, apesar de conter e ser baseado em elementos culturais, é considerado algo que vai além da cultura, que extrapola seus limites. No caso da escolha de "o que seremos quando crescer", a cultura pouco é levada em consideração. Como exemplo, um garoto brasileiro pode dizer que quer ser astronauta, independente da quase ausência do costume de formação de astronautas no Brasil.
Ao mesmo tempo, o imaginário da profissão está inserido na cultura de escolher uma carreira na infância, como já foi dito anteriormente.
[editar] A decisão final pela profissão
Independente de mantida a escolha da infância, a decisão final continua baseada em uma imaginário, já que é impossível determinar como será a carreira. Gera-se um sentido, cada vez mais perto do que esperamos para a vida adulta. Como escreveu Juremir Machado da Silva, "o imaginário emana do real, estrutura-se como ideal e retorna ao real como elemento propulsor". A escolha baseada no imaginário leva a uma busca maior e mais rígida pelo sucesso pessoal e profissional.