Imigração polonesa no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Polónia Polaco-brasileiros Brasil
Dan StulbachRenata SorrahJaime Lerner
Serginho GroismanRicardo LewandowskiFrancisco LachowskiAngélica KsyvickisPaulo LeminskiNathalia TimbergLeopoldo Nachbin
Notáveis Polaco-brasileiros::
Dan Stulbach  · Renata Sorrah  · Jaime Lerner
Serginho Groisman  · Ricardo Lewandowski  · Francisco Lachowski  · Angélica Ksyvickis  · Paulo Leminski  · Nathalia Timberg  · Leopoldo Nachbin
População total

1,5 milhão[1]

Regiões com população significativa
Brasil, principalmente na Região Sul (católicos) e São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre (judeus)
Línguas
Predominantemente português e polonês
Religiões
Predominantemente católicos romanos e judeus

A imigração polonesa no Brasil foi o movimento migratório ocorrido nos séculos XIX e XX de poloneses, sobretudo para o Sul do Brasil. Atualmente, estima-se que haja 1,5 milhão de descendentes de polacos no país. É a segunda maior população de ascendência polonesa no mundo, depois dos Estados Unidos.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Casa do Colono Polonês (Bosque do Papa, Curitiba, Paraná).

Em 1859, o governo da Prússia lançou o "decreto Heydt", que proibiu a imigração de prussianos para o Brasil. Isso foi resultado direto da revolta na fazenda Ibicaba, em São Paulo. Nessa fazenda de café, de propriedade do Senador Vergueiro, imigrantes de diversas nacionalidades europeias se revoltaram contra as péssimas condições de trabalho nas plantações. Essa revolta teve repercussão na Europa, fazendo com que o governo prussiano bloqueasse a imigração para o Brasil. Com a Unificação da Alemanha em 1871, essa proibição foi estendida para o país inteiro, só sendo completamente revogada em 1896 (embora a imigração para os três estados sulinos tenha sido permitida antes).[2]

A vinda de europeus era um objetivo do governo brasileiro. Atrair imigrantes europeus visava ao "branqueamento" da população brasileira, a ocupação de regiões estratégicas do território, o surgimento de uma classe média vinculada à produção de alimentos e abastecimento do mercado interno e a substituição da mão de obra escrava.[3] Contudo, em decorrência da proibição alemã, o Brasil viu-se obrigado a procurar novas fontes de imigrantes em regiões mais pobres da Europa. Foi nessa esteira que começou a imigração polonesa para o país.[2]

Os imigrantes poloneses não chegaram ao Brasil em grandes contingentes como os italianos e portugueses. Porém, um grande número de imigrantes estabeleceu-se no país entre 1841 e 1971. Calcula-se que em um século [1869-1970] entraram 130.292 imigrantes poloneses no Brasil, dos quais 50% estão radicados ou deixaram descendentes no Paraná, 38% no Rio Grande do Sul, 5% em Santa Catarina, e o restante em outros estados [4] .

A primeira fase da imigração (1869-1871)[editar | editar código-fonte]

Nesse período registra-se a entrada das primeiras 32 famílias polonesas no Brasil. Foram encaminhadas para a atual cidade de Brusque, em Santa Catarina, então povoada sobretudo por imigrantes alemães. Contudo, os poloneses não se adaptaram ao ambiente e mantinham uma relação tensa com os alemães. Em decorrência, optaram por abandonar Brusque e migraram para a região de Curitiba, no Paraná.[5] [6]

A segunda fase da imigração (1873-1891)[editar | editar código-fonte]

Nessa época cresce a imigração para o Paraná. Em 1876, as colônias polonesas ao redor de Curitiba contavam com 3.850 pessoas. Apesar dos esforços do governador Adolpho Lamenha, que acreditava que a imigração traria progresso para o Paraná, apenas 7.030 poloneses entraram no estado entre 1871 e 1889.[6]

A terceira fase da imigração (1895-1908)[editar | editar código-fonte]

A proclamação da República (1889) representou o início de uma imigração maciça de poloneses para o Brasil. O período ficou conhecido como "febre brasileira".[7] Entre 1890 e 1914, 96.116 polacos desembarcaram no Brasil, sendo que o Paraná recebeu 35.116 indivíduos e o Rio Grande do Sul 32.000 imigrantes. Essa imigração foi resultado do agravamento dos problemas sociais na Polônia. De fato, o Estado polonês não existia, pois estava dominado pelos impérios Austro-Húngaro, da Prússia e da Rússia. Nas regiões rurais, assistiu-se à queda do preço do cereal e uma propaganda sobre o Brasil, vendendo o país como uma terra de oportunidades. Assim, fugindo da pobreza, muitos poloneses optaram por emigrar para o Brasil.[6] [5]

A campanha de nacionalização[editar | editar código-fonte]

Durante o Estado Novo (1937-1945), o governo nacionalista do presidente Getúlio Vargas lançou uma campanha de nacionalização que pretendia "assimilar" os imigrantes e seus descendentes na cultura brasileira. Em 1924, em seu relatório sobre a situação do ensino no Paraná, o Inspetor Geral, César Prieto Martinez, constatou que muitos poloneses no estado não sabiam falar o português. Ele creditou esse fato ao "isolamento de algumas colônias", somado à inexistência de escolas brasileiras ("estado lamentável do nosso aparelho escolar"). Em 1938 o governo brasileiro, entre outras medidas, proibiu o uso de línguas estrangeiras em espaço público, vedou aos estrangeiros o exercício de qualquer atividade política e proibiu a circulação de jornais, revistas ou outras publicações na imprensa. Essas ações afetaram diretamente as comunidades polonesas no Brasil, que mantinham diversas escolas, sociedades e associações, que se viram obrigadas a encerrar suas atividades.[5]

O jovem oficial do Exército, Hugo Bethlem, após visita a comunidades polacas do Paraná e Santa Catarina, afirmou ter encontrado "um número imenso de escolas, clubes e associações, cujo objetivo principal era a manutenção irrestrita, nos brasileiros de origem polaca, do mais arraigado espírito patriótico polonês". Mesmo após a invasão da Polônia impetrada pela Alemanha em 1939, as restrições se mantiveram. Inclusive, alguns polacos, por serem confundidos com alemães, foram objeto de atos hostis no Brasil.[5]

Cultura Polonesa no Brasil[editar | editar código-fonte]

O estado do Paraná é o estado com maiores influências da cultura polonesa no Brasil. Muitos descendentes falam o idioma polonês como língua materna. Dom Feliciano é a cidade com maior influência polonesa no Rio Grande do Sul, tendo 90% da população descente de poloneses. Curitiba é a segunda cidade fora da Polônia com o maior número de habitantes de origem polaca, superada apenas por Chicago, nos Estados Unidos.[8] [9] É a única cidade brasileira a possuir grafia em idioma polonês: Kurytyba.[8] A música e a culinária polonesas são marcas profundas no estado.

Imigração de judeus poloneses[editar | editar código-fonte]

Até 1920, a maioria dos poloneses que imigraram para o Brasil eram católicos. Estes fixaram-se sobretudo na zona rural do Paraná e do Rio Grande do Sul. Contudo, a partir dessa década, cresceu o fluxo de judeus poloneses desembarcando no Brasil. Estes rumaram sobretudo para as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Entre 1926 e 1937, 42% dos poloneses que entraram no Brasil eram judeus e 77% dos que chegaram entre 1931 e 1935.[5] Entre os anos de 1920 e 1939, 50 mil judeus entraram no Brasil, vindos da Europa Central, dos Bálcãs e do leste europeu, sobretudo da Polônia (a comunidade judaica paulistana, no período entre as duas grandes guerras, foi formada por 64% de judeus advindos da Polônia).[10]

Personalidades brasileiras descendentes de poloneses[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal do Brasil

Referências

  1. a b "Destacados poloneses e representantes da comunidade polônica no Brasil Novo"
  2. a b LESSER, JEFF. Immigration, Ethnicity, and National Identity in Brazil, 1808 to the Present, Editora Cambridge, 2013
  3. http://www.feth.ggf.br/migra%C3%A7%C3%A3o.htm As políticas públicas de imigração europeia não-portuguesa para o Brasil – de Pombal à República
  4. Os poloneses no Paraná. "Revista Etnias no Paraná". Curitiba: Governo do Paraná, 1989.
  5. a b c d e OS POLONESES DO PARANÁ (BRASIL) E A QUESTÃO DA NACIONALIZAÇÃO DOS IMIGRANTES (1920-1945)
  6. a b c A IMIGRAÇÃO POLONESA NO TERRITÓRIO PARANAENSE
  7. http://revistas.unisinos.br/index.php/historia/article/viewFile/htu.2012.161.14/831
  8. a b http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/cadernog/conteudo.phtml?tl=1&id=689896&tit=Dante-Mendonca-lanca-livro-sobre-a-historia-e-o-humor-dos-imigrantes-poloneses
  9. [1]
  10. [2]
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde setembro de 2011).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.
Ícone de esboço Este artigo sobre o Brasil é um esboço relacionado ao Projeto Brasil. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.