Império Buyida

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آل بویِه - Āl-e Buye
Império Buyida
Samanid dynasty (819–999).GIF
 
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934 – 1055 Ghaznavid Empire 975 - 1187 (AD).PNG
 
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Localização de Império Buyida
Dinastia Buyida em 970
Continente Ásia
País Iraque; Irã
Capital Xiraz
Língua oficial Persa
árabe
Religião Xiismo[1]
Governo Monarquia hereditária
Emir/Rei dos Reis
 • 934-949 'Imad al-Daula
Al-Malik al-Rahim
amir al-umara
 • 945 'Imad al-Daula
Período histórico Idade Média
 • 934 'Imad al-Daula se autoproclama "Emir"
 •  'Adud al-Daula se autoproclama "Rei dos Reis"
 • 1055 Dissolução

O Império Buyida ou Emirado Buyida foi um Estado iraniano medieval xiita que existiu de 934 a 1055.[2] [3] [4] [5] [6] [7] Foi governado pela dinastia Buyida, também referida como Buyidas (em persa: آل بویه - "Al-e Buye"), Buvaidas, Buwaidas, Buyahidas e Buyyidas, que se originou em Dailam, em Gilan[8] . Eles fundaram uma confederação que controlou a maior parte do Irã e do Iraque nos séculos X e XI.

História[editar | editar código-fonte]

Os fundadores da confederação buyida foram 'Alī ibn Būyah e seus dois irmãos menores, al-Hassan e Aḥmad. Originalmente um soldado a serviço dos ziyaridas do Tabaristão, 'Ali conseguiu recrutar um exército que derrotou um general turco de Bagdá chamado Yaqut em 934. Nos nove anos seguintes, os três irmãos conseguiram tomar o controle do resto do Califado Abássida. Ainda que eles aceitassem a autoridade formal do califa de Bagdá, os governantes buyidas assumiram o controle efetivo do estado.

As primeiras décadas da confederação foi caracterizada por grandes ganhos territoriais. Além da província de Fars e de Jibal, que foram conquistadas na década de 930, e do Iraque central, que se submeteu em 945, os buyidas tomaram Kerman (967), Oman (967), Jazira (979), o Tabaristão (980) e Gorgan (981). Em seguida, porém, os buyidas entraram numa fase de lento declínio, com partes da confederação gradualmente se separando (Mossul em 990 e o Tabaristão e Gorgan, em 997) ou sendo controladas por dinastias locais efetivamente autônomas (os kakuidas em Ispaã, por exemplo).

O período de quase um século de controle buyida juntamente com a ascensão de outras dinastias na região representam um período da história iraniana por vezes chamado de "Intermezzo Iraniano", uma vez que representa um interlúdio entre o governo dos abássidas e os turcos seljúcidas.[9] . De fato, como iranianos dailamitas, os buyidas conscientemente reviveram símbolos e práticas da antiga dinastia persa sassânida[10] . O título escolhido por 'Adud al-Dawla foi o antigo Rei dos Reis (em persa: شاهنشاه), literalmente "rei dos reis"[11] [12] .

A confederação buyida foi dividida entre e governada por diversos membros da dinastia. Eles reconheciam nominalmente a suserania dos califas de Bagdá, que, na verdade, não detinham nenhum poder temporal no estado. O título utilizado pelos governantes buydas era amir, que significa "governador" ou "príncipe". Geralmente um dos amires era reconhecido como tendo senioridade sobre os demais e este indivíduo usava o título de "amīr al-umarā"[12] , "Amir dos amires". Embora este cargo funcionasse como o líder formal dos buyidas, o seu ocupante em geral não detinha nenhum poder significativo foram de seu próprio amirado e cada um dos amires gozava de grande autonomia em seus próprios territórios. Como mencionado acima, alguns dos mais poderosos amires se utilizavam do título sassânida de Rei dos Reis. A sucessão era hereditária, com pais dividindo o território entre os filhos.

O exército buyida consistia de iranianos dailamitas, que serviam de infantaria a pé, e da cavalaria turca que fora muito importante no exército abássida. Os dailamitas e os turcos geralmente discutiam entre si tentando cada uma se sobrepor à outra pelo domínio do exército[13] . Para compensar seus soldados, os buyidas geralmente distribuiam iqtas, ou direitos sobre uma porcentagem das receitas fiscais de uma província, embora a prática do pagamento em espécie também fosse frequente[14] .

Queda[editar | editar código-fonte]

Na metade do século XI, os amirados buyidas foram gradualmente sendo tomados pelo Império Gaznévida e pelos turcos seljúcidas. Em 1055, Tughrul conquistou Bagdá, a sede do califado, e expulsou os últimos governantes buydas. Como seus antecessores, os seljúcidas mantiveram o Califado Abássida como os governantes nominais[15] .

Religião[editar | editar código-fonte]

Como a maior parte dos dailamitas da época, os buyidas eram originalmente zaiditas, ou xiitas "quintos" (que assumiam a autoridade até o quinto imam). Após tomarem o poder no Irã e no Iraque, porém, eles começaram a se inclinar pelo xiismo duodecimano, possivelmente por motivos políticos[16] . Na realidade, os buyidas raramente tentaram forçar um ponto de vista religioso sobre seus súditos, exceto quando isso era politicamente vantajoso. Os sunitas abássidas mantiveram o califado, embora desprovido de todo o poder secular. Além disso, para prevenir que as tensões entre xiitas e sunitas se espalhassem pelo governo, os amires buyidas ocasionalmente nomeavam cristãos para altos cargos ao invés muçulmanos de qualquer das seitas[17] .

Como razão para a mudança do zaidismo para o xiismo duodecimano, Moojen Momen sugere que como os buyidas não eram descendentes de Ali, o primeiro imam xiita, a doutrina zaidita os obrigaria a instalar um imam da família de Ali. Por isto, eles tenderam para a doutrina duodecimana, que tinha o seu imam oculto, politicamente mais atrativo[18] .

Governantes buyidas[editar | editar código-fonte]

Principais[editar | editar código-fonte]

Geralmente, os três mais poderosos amires buyidas eram os que controlavam Fars, Jibal e o Iraque. Por vezes um governante conseguia reinar sobre mais de uma região, mas nenhum deles conseguiu controlar as três ao mesmo tempo.

Dailamitas de Fars[editar | editar código-fonte]

O poder em Fars foi tomado pelo chefe curdo shabankara Fadluya

Dailamitas de Ray (Irã)[editar | editar código-fonte]

Tomado pelo Império Gaznévida.

Mapa com as províncias da Dinastia Buyda ca. 970.

Dailamitas do Iraque[editar | editar código-fonte]

Tomado pelos seljúcidas.

Governantes menores[editar | editar código-fonte]

Não era raro que os filhos mais novos fundassem linhagens colaterais ou que membros da dinastia tomassem controle de uma província e passassem a governar. A lista a seguir está incompleta.

Buyidas de Basra[editar | editar código-fonte]

Tomado pelos buyidas de Fars.

Buyidas de Hamadan[editar | editar código-fonte]

Tomando pelos kakuyidas.

Buyidas de Kerman[editar | editar código-fonte]

Tomado pelos buyidas de Fars.

Buyidas do Khuzistão[editar | editar código-fonte]

Tomado pelos buyidas de Fars.

Árvore genealógica[editar | editar código-fonte]

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ali 'Imad al-Daula
934–949
 
 
 
 
 
 
Hasan Rukn al-Daula
935–976
 
 
 
 
 
Ahmad Mu'izz al-Daula
945–967
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ali Fakhr al-Daula
976–980
 
Panah Khosro 'Adud al-Daula
949–983
 
Abu-Mansur Mu'ayyed al-Daula
980–983
 
Bakhtiar 'Izz al-Daula
966–978
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abu Taher Shmas al-Daula
997–1021
 
Abu Taleb Majd al-Daula
997–1029
 
Shirzil Sharaf al-Daula
983–989
 
Marzuban Samsam al-Daula
989–998
 
Fana Khosro Baha' al-Daula
998–1012
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sama' al-Daula
1021–1024
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abu'l-Fawaris Qawam al-Daula
1012–1028
 
Abushoja' Sultan al-Daula
1012–1024
 
Abu Ali Musharrif al-Daula
987–989
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abu Kalijar Emad al-Daula
1024–1048
 
Abu Taher Jalal al-Daula
1025–1044
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Abu Mansur Fulad Sutun
1048–1062
 
Abu Nasr Khosro Firuz
1048–1055
 

Referências

  1. Abbasids, B.Lewis, The Encyclopaedia of Islam, Vol. I, Ed. H.A.R.Gibb, J.H.Kramers, E. Levi-Provencal andha J.Schacht, (Brill, 1986), 19.
  2. Lokman I. Meho,Kelly L. Maglaughli. Kurdish culture and society: an annotated bibliography. [S.l.: s.n.], 1968.
  3. [1]
  4. Encyclopedia Iranica: DEYLAMITES
  5. Clifford Edmund Bosworth, The New Islamic Dynasties: A Chronological and Genealogical Manual, Columbia University, 1996. pg 154-155.
  6. "Buyid Dynasty." Encyclopædia Britannica. 2008. Encyclopædia Britannica Online. 25 Jan. 2008 <http://www.britannica.com/eb/article-9018373>
  7. JAN RYPKA. History of Iranian Literature. Dordrecht: D. REIDEL PUBLISHING COMPANY, 1968. pg 146
  8. Iranica,Encyclopedia Iranica: BUYIDS: O pai da dinastia, um tal Būya b. Fannā (Panāh) Ḵosrow era um humilde pescador de Dailam em Gilan.
  9. Blair, Sheila (1992), The Monumental Inscriptions From Early Islamic Iran and Transoxiana, Leiden: E.J. Brill, ISBN 90-04-09367-2 
  10. Arthur Goldschmidt, "A Concise History of the Middle East: Seventh Edition ", Westview Press, 2001. pg 87.
  11. Clawson, Patrick; Rubin, Michael (2005), Eternal Iran: continuity and chaos, Middle East in Focus (1st ed.), New York: Palgrave Macmillan, p. 19, ISBN 1-4039-6276-6 
  12. a b Mafizullah, Kabir (1964), The Buwayhid dynasty of Baghdad, 334/946-447/1055, Calcutta: Iran Society 
  13. Busse, Heribert (1975), "Iran Under the Buyids", in Frye, R. N., The Cambridge History of Iran, Volume 4: From the Arab Invasion to the Saljuqs, Cambridge, UK: Cambridge University Press, pp. 265, 298, ISBN 0-521-20093-8 
  14. Sourdel-Thomine, J. "Buwayhids." The Encyclopedia of Islam, Volume I. New Ed. Leiden: E. J. Brill, 1960. p. 1353.
  15. Bernard Lewis, The Middle East: A Brief History of the Last 2,000 Years, (New York: Scribner, 1995) p. 89.
  16. Berkey, Jonathan Porter. The Formation of Islam London: Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-521-58813-8. p. 135
  17. Heribert, pp. 287-8
  18. Momen, Moojan (1985), An Introduction to Shi'i Islam, Yale University Press, pp. 75–76, ISBN 978-0-300-03531-5 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Roy Mottahedeh, Loyalty and Leadership in an Early Islamic Society (em inglês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]