Império Romano do Ocidente

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IMPERIVM ROMANVM PARS OCCIDENTALIS
Império Romano do Ocidente
Bandeira
Brasão
Bandeira
395 — 476
Lema
Senatus Populusque Romanus
Western Roman Empire.png

O Império Romano do Ocidente em 395.

Capital Milão
(395-402)
Ravena
(402-476)
Língua(s) Latim
Religiões Religião Romana
Cristianismo
Forma de governo Monarquia
Imperador
 - 395423 Honório
 - 475476 Rómulo Augusto
Cônsul
 - 395 Flavius Anicius Hermogenianus Olybrius,
Flavius Anicius Probinus
 - 476 Flavius Basiliscus,
Flavius Armatus
Legislativo senado romano
Era Histórica Antiguidade Clássica tardia
 - Divisão de Teodósio I 395
 - Deposição de Rômulo Augusto 476
Área
 - 395 4,410,000 km2
Moeda Soldo, Áureo, Denário, Sestércio, Asse
Precedido por
Sucedido por
Vexilloid of the Roman Empire.svg Império Romano Flag of None.svg Reino de Odoacro
Flag of None.svg Reino Burgúndio
Flag of None.svg Reino Vândalo
Flag of None.svg Reino Suevo
Flag of None.svg Reino de Siágrio

Flag of None.svg Reino Visigodo
Flag of None.svg Reinos Anglo-Saxãs
Flag of None.svg Reino Merovíngio
Flag of None.svg Alamanos

O Império Romano do Ocidente constituía a metade ocidental do Império Romano após a sua divisão por Diocleciano em 286 d.C. e existiu intermitentemente em diversos períodos entre os séculos III e V, após a Tetrarquia de Diocleciano e as reunificações associadas a Constantino e seus sucessores. Considera-se que o Império Romano do Ocidente terminou com a abdicação de Rômulo Augusto em 4 de setembro de 476, forçada pelo chefe germânico Odoacro. Sua contraparte, o Império Romano do Oriente, sobreviveria por mais 1.000 anos.

Embora unido linguisticamente e, mais tarde, sob o cristianismo romano -, o Império Romano do Ocidente englobava, na verdade, grande número de culturas diferentes que haviam sido assimiladas de maneira incompleta pelos romanos, diferentemente do Império Romano do Oriente, que falava o grego e era culturalmente unificado desde as conquistas de Alexandre o Grande no século IV a.C.

Portanto, o Império Romano de fato era dividido em termos culturais, religiosos e linguísticos. Se o Oriente helenístico sustentava-se em torno da cultura grega e da Igreja Ortodoxa, a unidade cultural do Ocidente foi gravemente afetada pelo influxo dos bárbaros. Em 410, Roma foi saqueada pela primeira vez em mais de 800 anos, pelos visigodos comandados por Alarico I, e aos poucos a parte Ocidental do império passou a ser administrada pelas tribos invasoras. Apesar de breves períodos de reconquista pelo Império Romano do Oriente, o Império do Ocidente não conseguiu restabelecer o território e influências que os bárbaros germânicos tinham adquirido ao aproveitarem-se da desunião e enfraquecimento do império.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Enquanto a República Romana se expandia, ela naturalmente alcançou um ponto em que o governo central em Roma não podia esperar um controle efetivo sobre as suas províncias mais distantes. Isso ocorria devido à demora nas comunicações e aos métodos de transporte relativamente lentos da época. As notícias sobre uma invasão inimiga, uma revolta, a eclosão de uma epidemia ou de um desastre natural eram carregadas por navio ou pelo serviço postal montado (o curso público) e por isso demoravam certo tempo para chegar a Roma. A mesma quantidade de tempo era gasta para uma resposta ou reação. Devido a isso, as províncias eram administradas por governadores que comandavam de facto em nome da República Romana.

Logo após o estabelecimento do Império Romano, os territórios da República Romana haviam sido divididos entre os membros do segundo triunvirato, composto por Otaviano, Marco António e Lépido.

Antônio recebeu todas as províncias do Leste, a Acaia, Macedônia, Épiro (praticamente a Grécia moderna), Bitínia, Ponto, Ásia (praticamente a Turquia moderna), Síria, Chipre e Cirenaica. Essa parte havia sido previamente conquistada por Alexandre, o Grande no século IV a.C., e uma grande porção da aristocracia era formada por gregos e macedônios em origem. A maioria das dinastias reais eram de fato descendentes de seus generais. Essa região havia assimilado em um grau extenso a cultura grega, e o grego era a Lingua franca na maioria das grandes cidades.

Augusto, por outro lado, havia obtido as províncias romanas do oeste: Itália, Gália (atual França), Gália Belga (partes da Bélgica, dos Países Baixos, Luxemburgo) e Hispânia (Espanha e Portugal). Essa parte também possuía muitas colônias de origem grega e cartaginesa nas áreas da costa, mas a área havia sido culturalmente dominada pelas tribos célticas como os gauleses e os celtiberos.

Lépido ficou com a pequena província da África (atual Tunísia) para governar. Após alguns desenvolvimentos políticos e militares, Augusto tomou a província africana de Lépido, incluindo a Sicília.

Após a derrota de Marco Antônio, o vitorioso Augusto tomou controle de todo o Império Romano a partir de Roma. Durante seu reinado, seu amigo Agripa temporariamente governou as províncias do leste como seu representante pessoal. Isso ocorreu novamente durante o reinado de Tibério que mandou seu herdeiro aparente Germânico para o leste.

O Império Romano apresentava muitas culturas diferentes, e todas elas eram sujeitas a um processo gradual de romanização. O grego também era falado no Ocidente da mesma forma que o latim também era falado no Oriente. A cultura grega como um todo dificilmente era uma antagonista a cultura latina, de fato ela contribuiu no processo de unificação cultural no Império Romano e ambas as culturas eram "parceiras" iguais no mundo greco-romano. Apesar disso, desenvolvimentos militares posteriores consolidados com as conseqüências políticas da divisão do Império Romano, e muito após com o Império Bizantino iriam reagrupar-se ao redor da cultura grega.

Rebeliões, levantes e consequências políticas[editar | editar código-fonte]

Em tempos de paz, era relativamente fácil administrar o império a partir da capital, Roma. Uma eventual rebelião era sempre esperada e acontecia de tempos em tempos: uma tribo conquistada poderia rebelar-se, ou uma cidade subjugada iniciava uma revolta. Como as legiões eram espalhadas ao redor das fronteiras, o líder rebelde teria, em circunstâncias normais, uma ou duas legiões sob o seu comando. Legiões leais ao império eram destacadas a partir de outros pontos do império e, eventualmente, afogava-se a rebelião em sangue. Isso acontecia ainda com mais facilidade nos casos em que ocorria um pequeno e local levante nativo, já que os rebeldes normalmente não tinham grande experiência militar.

Durante tempos de guerra, entretanto, poderiam desenvolver-se rebeliões e levantes, como a primeira guerra judaico-romana, e a situação se tornava completa e perigosamente diferente. Em uma campanha militar total, as legiões, sob o comando de algum general como, por exemplo, Vespasiano eram muito mais numerosas. Logo, para se ter certeza da lealdade do comandante, um imperador sábio ou paranoico poderia tomar algum membro da família do general como refém. Nero, por exemplo, tomou como reféns Domiciano e Quinto Petílio Cerial, governador de Óstia, respectivamente o filho mais novo e o cunhado de Vespasiano. O reinado de Nero somente chegou ao fim com a revolta da guarda pretoriana que havia sido subornada em nome de Galba. A guarda pretoriana era uma "espada de Dâmocles" figurativa, cuja lealdade fora comprada e tornou-se incrivelmente gananciosa. Seguindo seu exemplo, as legiões nas fronteiras também aumentaram sua participação nas guerras civis.

Os maiores inimigos no Ocidente, sem dúvida, eram as tribos germânicas atrás dos rios Reno e Danúbio. Augusto havia tentado conquistá-las, mas falhou – elas eram muito temidas.

O Império Parta, o arqui-inimigo de Roma, em sua maior extensão, no ano 1.

A Pártia, no Oriente, por outro lado, ficava longe demais para ser conquistada. Qualquer invasão pártia era confrontada e normalmente derrotada, mas a ameaça em si era basicamente impossível de ser destruída.

No caso de uma guerra civil romana, esses dois inimigos aproveitavam a oportunidade para invadir território romano realizando incursões e saques. As duas respectivas fronteiras militares tinham grande importância política devido ao grande número de legiões lá estacionadas. Os generais locais frequentemente rebelavam-se e iniciavam guerras civis. Entretanto, controlar a fronteira Ocidental a partir de Roma era razoavelmente fácil devido à proximidade relativa. Porém controlar ambas as fronteiras ao mesmo tempo durante períodos de guerra era tarefa difícil. Se o imperador estivesse próximo da fronteira Oriental, as chances eram de que um general ambicioso se rebelaria no Ocidente e vice-versa. Imperadores ficavam cada vez mais próximos às tropas, para poderem controlá-las, e, naturalmente, nenhum imperador conseguia estar nas duas fronteiras ao mesmo tempo. Esse problema era uma praga para o reinado dos imperadores, e muitos dos futuros imperadores seguiram esse caminho ao poder.

Estagnação econômica no Ocidente[editar | editar código-fonte]

Roma e a península Itálica começaram a experimentar uma redução econômica já que as indústrias e o dinheiro começaram a mover-se para fora dela. A estagnação econômica da Itália foi vivenciada na ascensão dos imperadores provinciais, como Trajano e Adriano, em meados do começo do século II d.C. Os problemas econômicos aumentaram em força e freqüência.

Crise do terceiro século[editar | editar código-fonte]

A partir de 18 de março de 235, com o assassinato do imperador Alexandre Severo, o Império Romano caiu em um período de 50 anos de guerra civil, conhecido atualmente como a crise do terceiro século. A ascensão da dinastia guerreira dos Sassânidas na Pártia havia criado uma grande ameaça para Roma no Oriente. Como prova do perigo crescente, o imperador Valeriano foi capturado por Sapor I em 259. Seu filho mais velho, e herdeiro aparente, Galiano, o sucedeu e estava lutando na fronteira Oriental. O filho de Galiano, Salonino, e o prefeito pretoriano Silvano, estavam residindo em Colonia Agrippinae (moderna Colônia, na Alemanha) tentando manter a lealdade dos habitantes locais. Apesar disso, o governador das províncias germânicas, Marco Cassiano Latínio Póstumo rebelou-se e tomou de assalto Colonia Agrippinae, matando Salonino e o prefeito.

Na confusão que se seguiu um Estado independente conhecido como Império das Gálias emergiu. Sua capital era Augusta Treveroro (a atual Tréveris), e rapidamente expandiu seu controle sobre as províncias germânicas e gaulesas e por toda a Hispânia e Britânia. Tinha o seu próprio senado, e uma lista parcial de seus cônsules sobreviveu até hoje. Ele manteve a religião romana, língua, cultura e foi de longe muito mais preocupada com a luta contra as tribos germânicas que outros romanos. Entretanto, no reino de Cláudio II (268 a 270), grandes áreas do território do Império das Gálias retornaram ao comando romano.

Aproximadamente na mesma época, as províncias orientais declararam-se independentes, como o Império de Palmira, sob o comando da rainha Zenóbia.

Em 272, o imperador Aureliano finalmente conseguiu subjugar os palmirenses e reclamar seus territórios para o império. Com o Oriente seguro, ele voltou sua atenção para o Ocidente e, no ano seguinte, o Império das Gálias também caiu. Devido a um acordo secreto entre Aureliano e o imperador das Gálias Tétrico I e seu filho Tétrico II, o exército das Gálias foi rapidamente derrotado. Em troca, Aureliano poupou suas vidas e concedeu aos antigos rebeldes posições importantes na Itália.

Tetrarquia[editar | editar código-fonte]

Os tetrarcas, uma escultura de pórfiro, saqueada de um palácio bizantino em 1204 (tesouro de São Marcos, Veneza).

As fronteiras externas (limes) ficaram na maior parte do tempo em paz pelo restante da crise do terceiro século, embora que entre a morte de Aureliano em 275 e a ascensão de Diocleciano dez anos depois, ao menos oito imperadores ou aspirantes a imperadores seriam mortos, muitos assassinados pelas próprias tropas.

A divisão política do Império Romano teria início no reinado de Diocleciano. Em 286, com a criação da Tetrarquia, a parte Ocidental foi concedida a Maximiano, que recebeu o título de augusto e Constâncio Cloro foi nomeado seu subordinado (césar) e também Galério. Esse sistema efetivamente dividiu o império em quatro partes e criou capitais separadas, além de Roma, como uma forma de evitar agitação civil que havia marcado o terceiro século. No Ocidente, as capitais eram Milão, sob o controle de Maximiano, e Trier, sob controle de Constâncio. Em 1 de maio de 305, os dois augustos seniores aposentaram-se e foram substituídos .

Constantino[editar | editar código-fonte]

O sistema de tetrarquia rapidamente foi desfeito quando o imperador do Ocidente Constâncio Cloro morreu inesperadamente em 306, e seu filho Constantino foi proclamado augusto do Ocidente pelas legiões na Britânia. Uma crise seguiu-se, já que vários reclamavam o reino da parte Ocidental. Em 308, o augusto do Oriente, Galério, arranjou uma conferência em Carnunto (atual Petronell-Carnuntum, na Áustria), na Panônia, o que reviveu a tetrarquia dividindo o Ocidente entre Constantino e um novato chamado Licínio. Constantino, mais ambicioso, estava muito interessado em reconquistar todo o império. Através de uma série de batalhas no Oriente e no Ocidente, Licínio e Constantino estabilizaram suas respectivas partes do Império Romano em 314, e agora competiam pelo controle total do estado reunificado. Constantino sagrou-se vitorioso em 324 após a rendição e assassinato de Licínio, em seguida à Batalha de Crisópolis.

A tetrarquia estava morta, mas a ideia de dividir o Império Romano entre dois imperadores havia sido provada boa demais para ser simplesmente descartada e esquecida. Vários imperadores fortes iriam reunir o império em um único comando, mas com a morte de Constantino, Império Romano foi sucessivamente dividido entre o Oriente e o Ocidente.

Segunda divisão[editar | editar código-fonte]

O Império Romano estava sob o comando de um único imperador, mas com a morte de Constantino em 337, uma guerra civil surgiu entre seus três filhos, dividindo o império em três partes. O Ocidente foi unificado em 340, e uma reunificação completa de todo o império ocorreu em 353, com Constâncio II.

Constâncio focou a maior parte de seu poder no leste, e é frequentemente considerado como o primeiro imperador do Império Bizantino. Durante o reinado, a cidade de Bizâncio, recentemente renomeada de Constantinopla, foi como uma capital.

Em 361, Constâncio II adoeceu e morreu, e o neto de Constâncio Cloro, Juliano, o Apóstata, que havia servido como o césar de Constâncio II, tomou o poder. Juliano morreu dando continuação a guerra de Constâncio II contra o Império Parta em 363 e foi substituído por Joviano que governou somente até 364.

Divisão final[editar | editar código-fonte]

A divisão do império após a morte de Teodósio I, ca. 395 d.C. sobreposta às fronteiras modernas.
  Império Romano do Ocidente.
  Império Romano do Oriente.

Após a morte de Joviano, o império caiu em um novo período de guerra civil similar ao da crise do terceiro século. Em 364, Valentiniano I ascendeu. Ele imediatamente dividiu o império mais uma vez, concedendo a parte Oriental ao seu irmão Valente. A estabilidade não foi mantida por muito tempo em nenhum dos lado já que conflitos com forças exteriores haviam se intensificado, especialmente com os Hunos e os Godos. Um problema sério no Ocidente foi a reação política causado pelo paganismo nativo contra os imperadores cristianizados. Em 379, o filho e sucessor de Valentiniano I, Graciano declinou o uso do manto de pontifex maximus, e em 382 ele reascendeu os direitos dos sacerdotes pagãos e removeu o altar pagão da Cúria Romana.

Em 388, um poderoso e popular general chamado Magno Máximo tomou o poder no Ocidente e forçou o filho de Graciano, Valentiniano II a fugir paro o Oriente e pedir ajuda ao imperador oriental Teodósio I que rapidamente o restaurou no poder. Ele também foi responsável pelo banimento do paganismo nativo que seria implementado no Ocidente em 391, reforçando o cristianismo.

Em 392, os francos e o magister militum pagão Flávio Arbogastes assassinaram Valentiniano II, e um senador chamado Flávio Eugênio foi proclamado imperador até ser derrotado em 394 por Teodósio I, que, tendo governado tanto o Oriente quanto o Ocidente por um ano, morreu em 395. Essa foi a última vez que um único governante controlou ambas as partes do Império Romano.

Um curto período de estabilidade sobre o reino do imperador Flávio Augusto Honório, controlado por Estilicão, que casou suas filhas com o imperador, terminou com a morte deste em 408. Depois disso, os dois impérios realmente divergiram, e enquanto o Oriente começava uma lenta recuperação e consolidação, o Ocidente começava a colapsar completamente.

Fatores econômicos[editar | editar código-fonte]

Migrações dos povos germânicos entre os séculos II-V

Na época mais tarde denominada império tardio, o Ocidente experimentou um declínio econômico, enquanto o isto não ocorria no Oriente, especialmente porque imperadores como Constantino e Constâncio II investiram vastas somas de dinheiro na economia. O declínio econômico do Ocidente ajudou no posterior colapso dessa área do império. Sem impostos suficientes, o estado não conseguia manter um caro exército profissional e foi forçado a contratar mercenários.

Enquanto o poder enfraquecia, o Estado também perdeu controle das fronteiras e províncias e o vital controle do mar Mediterrâneo. Imperadores romanos tentaram manter forças exteriores fora do controle do mar, mas uma vez que os Vândalos conquistaram a África do Norte, as autoridades imperiais tinham que cobrir muito território com escassos recursos. As instituições políticas romanas entraram em colapso junto com a estabilidade econômica. A maioria dos invasores exigia um terço das terras que eles conquistavam dos romanos subjugados, e o confisco se tornava ainda maior, já que tribos diferentes conquistavam as mesmas províncias.

Dezenas de quilômetros quadrados de terra cuidadosamente desenvolvida foram abandonadas devido à falta de viabilidade econômica e estabilidade política. E já que a maior parte da economia da Antiguidade Clássica era baseada na agricultura, a perda de terras cultivadas foi um golpe econômico devastador no império. Isso ocorreu devido ao fato de que a maioria das terras de plantio requeria certo nível de investimento de tempo e dinheiro na simples manutenção para manter a produção, o que na situação presente era inviável. Isso significava que qualquer tentativa da recuperação do Ocidente por parte do Oriente era muito difícil, e o grande declínio na economia local tornava essas novas reconquistas muitos caras para serem mantidas.

A conquista de Roma e a queda do Império Romano do Ocidente[editar | editar código-fonte]

Os impérios romanos do Oriente e do Ocidente em 476.

Com a morte de Estilicão em 408, Honório foi deixado no comando, e embora ele tenha governado até sua morte em 423, seu governo foi marcado por usurpações e invasões, especialmente de Vândalos e Visigodos. Em 410, Roma foi saqueada por forças exteriores pela primeira vez desde a invasão gaulesa no século IV. A instabilidade causada por usurpadores no império ocidental ajudou essas tribos em suas conquistas, e no século V, as tribos germânicas tornaram-se os usurpadores. Em 475, Flávio Orestes, um antigo secretário de Átila, o Huno forçou a retirada do imperador Júlio Nepos de Ravena e proclamou seu próprio filho Rômulo Augusto como imperador.

Rômulo Augusto em uma tremisse de ouro.

Em 476, Orestes recusou-se a conceder aos Hérulos, liderados por Odoacro, o status de federados. Odoacro então saqueou Roma e mandou a insígnia imperial para Constantinopla, se instalando como rei sobre a Itália. Embora alguns pontos isolados do governo romano continuassem até depois de 476, a cidade de Roma em si estava sob o comando dos bárbaros, e o controle de Roma sobre o Ocidente havia efetivamente acabado. As localidades remanescentes seriam conquistadas em uma década.

O último imperador[editar | editar código-fonte]

Júlio Nepos em uma tremisse de ouro.

A convenção histórica determinou que o Império Romano do Ocidente acabou em 4 de setembro de 476, quando Odoacro depôs Rômulo Augusto. Entretanto, na prática esse assunto ainda é uma questão em debate.

Júlio Nepos reivindicava para si o título de imperador romano do Ocidente, governando a província da Dalmácia (que se considerava um remanescente do Império Romano do Ocidente), e foi reconhecido como tal pelo imperador bizantino Zenão I e por Siágrio, que havia conseguido manter um enclave romano no norte da Gália, conhecido atualmente como "Domínio de Soissons". Odoacro se auto-proclamou governante da Itália e começou a negociar com Zenão.

O imperador bizantino depois concedeu a Odoacro o status de patrício como uma forma de reconhecimento de sua autoridade e o aceitou como seu próprio vice-rei na Itália. Zenão entretanto insistiu que Odoacro prestasse honras a Nepos como imperador ocidental. Odoacro aceitou as condições e até emitiu moedas com o nome de Nepos na Itália. Isso foi, porém, somente um gesto político vazio já que Odoacro nunca devolveu a Júlio Nepos qualquer poder político ou qualquer território. Nepos subsequentemente foi morto em 480 e Odoacro rapidamente invadiu e conquistou a Dalmácia.

Com Odoacro, iniciou-se a longa série de reis bárbaros de Roma.

Teodorico[editar | editar código-fonte]

O Reino Ostrogodo, que se ergueu das ruínas do Império Romano do Ocidente.

A última esperança de reunir o Império Romano veio em 493, quando Odoacro foi substituído pelo Ostrogodo Teodorico, o Grande. Teodorico havia sido recrutado pelo imperador bizantino Zenão I para reconquistar a parte ocidental do império, especialmente Roma. Ele era de jure um subordinado, um vice-rei do imperador do Oriente. Mas de facto, Teodorico agia como um soberano independente.

Após a morte de Teodorico em 526, o Ocidente não se parecia mais com o Oriente. O Ocidente era agora totalmente controlado por tribos invasoras, enquanto o Oriente havia recuado e começava a apresentar um processo de helenismo (no século XVI, o latim foi substituído pelo grego como idioma oficial do Império Bizantino.). Apesar das tentativas do Oriente de tentar recapturar o Ocidente, de fato ele nunca retomou os antigos aspectos do Império Romano.

Reconquista bizantina[editar | editar código-fonte]

Império Bizantino em 565. As reconquistas de Justiniano I estão em laranja claro.

Durante a Idade Média, o Império Bizantino reivindicava áreas do antigo Império Romano que haviam sido ocupadas por vários povos. No século VI, o Império Bizantino conseguiu reconquistar vastas áreas do antigo Império Romano do Ocidente. As campanhas de maior êxito foram as dos generais Belisário e Narses em nome do imperador Justiniano I de 533 a 554. O antigo território romano ocupado pelos Vândalos no Norte da África foi retomado, particularmente o território ao redor da cidade de Cartago. A campanha depois avançou para a Itália a reconquistando completamente. Territórios menores foram retomados, como a costa sul da península Ibérica.

Poderia parecer que, naquela época, a reconstituição da antiga Roma fosse algo possível. Entretanto, as influências tribais já haviam causado muitos danos às províncias romanas, tanto economicamente quanto culturalmente. Além de que essas reconquistas eram muito caras para serem mantidas, a invasão e propagação das tribos germânicas através desses territórios significava que muito da cultura e identidade romana que haviam mantido o império unido haviam sido destruídas ou severamente danificadas.

Embora alguns imperadores orientais ocasionalmente tentassem reconquistar alguma parte do Ocidente, nenhum deles teve mais êxito que Justiniano. A divisão entre as duas áreas cresceu, resultando em uma crescente rivalidade. Após Justiniano, os imperadores orientais focaram-se principalmente em defender seus territórios tradicionais. O Oriente não mais tendo a força militar necessária, acabou com as esperanças de qualquer reunificação.

Legado[editar | editar código-fonte]

Línguas românicas na Europa.

Enquanto o Império Romano do Ocidente ruía, os novos governantes germânicos que haviam conquistado as províncias sentiram a necessidade de manter muita das leis e tradições romanas que eles achavam apropriadas. Muitas das tribos germânicas já eram cristianizadas, mas a maioria delas era seguidora do Arianismo. Eles rapidamente se converteram à fé católica, adquirindo mais lealdade da população romanizada local e ao mesmo tempo reconhecimento e apoio da poderosa Igreja Católica Romana. Embora inicialmente as tribos continuassem a reconhecer as suas leis nativas, elas foram fortemente influenciadas pelo direito romano e gradualmente o incorporaram também.

O direito romano, particularmente o corpus juris civilis coletado por ordem de Justiniano I, é a base antiga no qual o direito civil moderno se apoia. Em contraste, a common law (lei comum) é baseada na lei germânica anglo-saxônica.

O latim não desapareceu simplesmente. Combinou-se com línguas celtas e germânicas, dando origem a muitas das línguas românicas como: italiano, francês, espanhol, romeno, romanche, português e influenciou muitas Línguas germânicas como o inglês, alemão, holandês. O latim na sua forma mais "pura" como a língua da Igreja Católica Romana (a missa era falada exclusivamente em latim até 1965) e foi usada como lingua franca entre muitas nações. Permaneceu como a língua da medicina, direito, diplomacia (muitos tratados eram escritos em latim) e dos intelectuais e acadêmicos.

O alfabeto latino foi expandido com as letras J, K, W e Z e é o sistema de escrita alfabética mais utilizada no mundo contemporâneo. Os numerais romanos continuam a serem usados, mas foram com o tempo substituídos pelos algarismos arábicos.

A idéia de um Império Romano como um majestoso império cristão com um único governante continuou a seduzir muitos governantes poderosos. Carlos Magno, rei dos Francos e dos Lombardos, até foi coroado como imperador romano pelo Papa Leão III em 800. Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico como Frederico I da Germânia, Frederico II da Germânia e Carlos I de Espanha, e sultões como Solimão, o Magnífico do Império Otomano, entre outros, tentaram até certo grau restaurá-lo, mas nenhuma de suas tentativas obteve êxito.

Um visível legado do Império Romano do Ocidente é a Igreja Católica Romana. A Igreja vagarosamente começou a substituir as instituições romanas no Ocidente, até ajudando na segurança de Roma no final do século V. Quando Roma foi invadida pelas tribos Germânicas, muitos bárbaros assimilaram o cristianismo, e no meio do período medieval (século IX e século X), as partes central, norte e ocidental da Europa já haviam largamente aceitado a fé Católica Romana e aceitavam o Papa como o Vigário de Cristo.

Lista de imperadores romanos ocidentais[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]