Império global

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Um império global implica a extensão da soberania de um Estado sobre territórios por todo o mundo. O primeiro império global foi o Império Português multicontinental, desde o início do século XVI.

Durante a efémera união pessoal dos reinos da Península Ibérica (1581-1640), a frase foi empregue na Europa em relação aos Impérios dos soberanos Habsburgos de Madrid, que juntavam dois impérios coloniais, o de Portugal e o de Castela, e ainda um império mediterrânico, (o de Aragão) nas suas múltiplas coroas distintas e de administrações separadas. Esta mesma frase foi ainda mais tarde aplicada ao Império Russo e ao Império Britânico.

Impérios da antiguidade[editar | editar código-fonte]

Os impérios da antiguidade eram extremamente confinados aos seus locais de origem; continentes Americano, Africano e Euroasiático. Nações antigas como o Egipto e a China, e os impérios Asteca, Romano e Inca podem ser considerados superpotências, mas não impérios globais. [carece de fontes?]

Rivalidade e sucessão imperial europeias[editar | editar código-fonte]

O Império Português, o primeiro império oceânico europeu, de natureza inicialmente comercial, sucedia na sua importância ao império comercial e territorial do Reino de Aragão, do povo catalão, no Mediterrâneo, o qual antes disso havia já destronado nessa função o império marítimo comercial genovês.

Depois da tardia finalização da Reconquista castelhana, feita com a ajuda militar do seu novo aliado aragonês, no entanto, Castela, que ao contrário de Aragão e de Portugal, não possuía ainda um império ultramarino, procurou competir na expansão marítima que Portugal vedava ao resto da Europa (doutrina jurídica portuguesa do mare clausum, mar fechado).

O futuro Império Castelhano, no entanto, terá um formato e uma natureza diametralmente opostas ao do primeiro Império Português, ao qual acabará por suceder em importância em meados do século XVI, antes de por sua vez vir a ser superado pelo Império Holandês, que precederá o Império Britânico em importância global.

Mas ao procurar competir com Portugal na descoberta da rota oceânica para a Índia, que viabilizasse as rendas das riquezas dos produtos orientais, Castela levará Portugal a dividir com ela vastas áreas globais de influência, e exclusivo de navegação e conquista, em tratados aonde a avançada ciência e técnicas marítimas portuguesas do tempo a levaram a aceitar ficar com a zona de impossível navegação até ao cobiçado Oriente.

Divisão geo-estratégica imperial global[editar | editar código-fonte]

Esta divisão global de áreas de influência, a primeira efectuada no planeta, foi feita primeiramente, finalizada a Guerra de Sucessão de Castela com a batalha de Touro, pelo Tratado das Alcáçovas-Toledo 1479, que dividia o mundo por uma linha recta horizontal. A tradicional influência aragonesa e castelhana em Roma, no entanto, aproveitando a eleição de um papa corrupto castelhano no sólio pontifício, Papa Alexandre VI, obteve deste uma nova divisão unilateral e melhorada aos interesses castelhanos, pela 1493, bula que Portugal não aceitou, entrando em estado de guerra geral com o seu vizinho: o que se veio apenas a resolver pela cedência castelhana a D. João II, e a assinatura pelos seus embaixadores D. Rui de Sousa, e D. João de Sousa, seu filho, do Tratado de Tordesilhas, em 1494, que abandonando a divisão horizontal, estabeleceu a divisão vertical pela linha do Atlântico que mantinha o Brasil e toda a rota marítima relevante para Oriente na posse portuguesa.

A natureza do Império Castelhano, a que apenas a partir do século XVIII se chamará Império Espanhol, consistiu não na navegação e comércio globais, como o primeiro Império Português e os que o precederam, mas sim na conquista, saque, e exploração dos recursos naturais preciosos dos territórios conquistados manu militari, territórios violentamente forçados a converter-se ao catolicismo, e a aculturar-se segundo o modelo social e religioso castelhano.

Por este motivo podemos dizer que foi Castela quem inventou o formato do Império Colonial moderno, tal como serão designados a partir do século XIX e da Conferência de Berlim os vários impérios europeus, sujeitos desde então à obrigação internacional de serem economicamente explorados, culturalmente integrados, e militarmente pacificados pela potência colonial respectiva.

Se a intenção inicial do Império marítimo português era o monopólio armado da troca comercial entre os ricos produtos do Oriente e os da Europa, impulsionado por novas idéias de capitalismo senhorial que promoveu então na Europa do renascimento, a ideia do Império Castelhano será bem diversa, através da escravização de povos inteiros, e a exploração forçada do oiro e da prata desses povos conquistados, com os quais inundará a Europa em meados do século XVI, provocando em larga escala o fenómeno da inflação monetária e do capitalismo selvagem.

Aquele que só será Império Espanhol a partir do século XVIII com a unificação dos reinos hispânicos pelos Borbons, é então chamado Império Castelhano, e estava vedado aos naturais do Império de Aragão por tratado entre si dos reis Reis Católicos definindo a repartição das suas áreas de influência, atlântica para um, mediterrânea para o outro. O Império Castelhano (mas não o Império Aragonês), pelos estatutos das Cortes de Tomar de 1581, virá a estar aberto aos portugueses entre 1581 e 1640, enquanto o Império Português continuará oficialmente vedado também durante esse período aos súbditos dos outros reinos dos Habsburgo).

Se Portugal a partir da conquista de Ceuta, e do Infante D. Henrique, estabeleceu a primeira rede global de trocas mundial transoceânica, num império multicontinental assente em feitorias e pequenos pontos de apoio às suas rotas marítimas em regime de monopólio, mais tarde irá desenvolver um império de produção agrícola e comercialização dos produtos dessa lavoura escrava no Brasil, no chamado segundo império português.

Sucedido a partir de meados do século XVI em importância o (primeiro) Império Português pelo Império Castelhano, a este sucederá em realce desde o final do mesmo século o Império Holandês, nos séculos XVII e XVIII o fracassado império ultramarino francês, e sobretudo a partir do século XVIII o Império Inglês.

Este tornou-se o maior império territorialmente não-contíguo da História, abrangendo um quarto da Terra e compreendendo um quarto da população mundial. Subsistiu até à descolonização iniciada depois do final da II Guerra Mundial, quando o Império Russo e o Império Americano, este império de influência político-económico-militar, dividiram na Conferência de Ialta o mundo em dois blocos rivais e fechados entre si, divisão que persistiu até ao final da Guerra Fria.

O Império Russo (continuado como União Soviética, e actualmente a Federação Russa) foi, e é ainda apesar de muito reduzido, o maior Estado imperial contíguo do mundo em extensão territorial, estendendo-se ligeiramente a mais de metade da longitude mundial, tomando todo o terço setentrional da Ásia, quase a metade oriental da Europa e grande parte do interior e costa nordeste/norte da Eurásia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]