Incidente da Ponte Marco Polo

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Incidente da Ponte Marco Polo é o nome dado a uma batalha ocorrida entre chineses e japoneses em junho de 1937, que marca oficialmente o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa entre a República da China e o Império do Japão.

A ponte em si, que tem o nome original chinês de Lugouqiao, é um construção arquitetônica feita de mármore com onze arcos e 266m de comprimento, construída em 1192 e restaurada na dinastia Kangxi (1662-1722), situada nos subúrbios ao sul de Pequim, onde corta o rio Yongding.

Ela também é conhecida, principalmente no mundo ocidental, como Ponte Marco Polo, porque se acredita que ela tenha sido descrita nos trabalhos do explorador, aventureiro e italiano em suas viagens pela Ásia no século XIII.

A batalha[editar | editar código-fonte]

No verão de 1937, as tropas japonesas, que desde 1931 haviam invadido a Manchúria e outras províncias da China e travado diversos enfrentamentos com tropas nacionalistas do Kuomintang, o governo central chinês presidido por Chiang Kai-shek, se encontravam no controle das áreas nos subúrbios de Pequim, cercada por três lados, com sua resistência e passagem aberta apenas pelo leste, onde se encontrava a Ponte Marco Polo. Se a ponte caísse em mãos inimigas, a ligação de Pequim com as áreas ainda sob controle do poder central seria interrompida e a cidade cairia facilmente em mãos inimigas.

As tropas chinesas, compostas de infantaria mal treinada e mal equipada com rifles ultrapassados, em grande parte formada por soldados recrutados entre criminosos e camponeses sem treinamento de combate, tinham como única vantagem contra o profissional exército imperial japonês a sua superioridade numérica e o conhecimento maior das áreas onde se desenrolavam os conflitos entre os dois exércitos.

Em julho de 1937, as tropas japonesas cerca de 137 soldados estavam acantonadas na área ao sul da ponte realizavam um treinamento militar, enquanto os chineses do Kuomintang apenas os vigiavam aquartelados em suas posições. Tropas chinesas, pensando que um ataque estava em andamento, disparou cerca de 30 tiros de fuzil contra as tropas japonesas, levando a uma breve troca de fogo a cerca de 23:00 h. Quando um soldado japonês, Shimura Kikujiro, não conseguiu voltar para o lugar, o comandante da companhia, Major Kiyonao Ichiki, pensou que os chineses o haviam capturado, e relatou o incidente ao comandante do seu regimento, coronel Renya Mutaguchi. Ao alvorecer do dia 7 de julho, o exército japonês enviou um telegrama às forças chinesas avisando que um dos seus soldados estava desaparecido e que acreditavam estivesse escondido dentro da cidade. O comando militar japonês pedia que homens de suas tropas tivessem permissão para entrar na cidade e procurá-lo.

O comandante da guarnição negou o pedido. Na tarde do mesmo dia, o comandante japonês enviou um ultimato aos chineses, exigindo que seus soldados tivessem a permissão concedida em uma hora ou a cidade seria colocada sob fogo da artilharia japonesa. Sem resposta, à meia-noite os canhões começaram a bombardear a cidade, enquanto a infantaria blindada iniciava uma marcha em direção à ponte, ao alvorecer. Sob as ordens de defender a ponte a qualquer custo, o Coronel Ji liderou uma tropa de mil homens entrincheirada contra o avanço japonês.

A ponte Marco Polo (Lugouqiao) em 2005.

Os japoneses tomaram parcialmente a ponte e as áreas vizinhas ao entardecer do dia 8, mas as tropas do Kuomintang, reforçadas por unidades vizinhas, a retomaram no dia seguinte. Os japoneses então sustaram o ataque e abriram negociações, sem contudo deixarem de se concentrar no extremo norte da ponte. Após dias de negociações entre os comandantes inimigos que nada resolveram, as tropas imperiais, reforçadas por divisões vindas da Manchúria invadiram a região por todos os lados, tomando a ponte Marco Polo, os subúrbios próximos de Wamping e a própria Pequim a 29 de julho, numa escalada da guerra que a partir daí se tornou aberta e total entre as duas nações.