Indo-iranianos

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Mapa da cultura Sintashta-Petrovka (vermelho), sua expansão dentro da cultura Andronovo durante o segundo milênio a.C., mostrando a sobreposição com o complexo arqueológico Báctria-Margiana ao sul. A localização das mais antigas bigas está mostrada em púrpura.

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Estudos indo-europeus

Os povos indo-iranianos consistem dos povos indo-arianos, iranianos, dárdicos e nuristanis, ou seja, os falantes das línguas indo-iranianas. Um termo arcaico para estes povos é ariano.

Origem[editar | editar código-fonte]

A candidata mais freqüentemente citada para terra natal da cultura proto-indo-iraniana é o complexo arqueológico Andronovo, enquanto outros localizam sua origem dentro da civilização do Vale do Indo[1] . Lingüistas históricos de um modo geral avaliam que uma seqüência contínua de línguas indo-iranianas provavelmente começaram a divergir por volta de 2000 a.C., se não antes[2] , precedendo as culturas védica e iraniana. As formas registradas mais antigas destas línguas, o sânscrito védico e o avéstico, são muito similares, descendendo da língua proto-indo-iraniana comum. A origem e a relação entre as línguas nuristanis e aquelas dos grupos iranianos e índicos são completamente obscuras.

Expansão[editar | editar código-fonte]

Culturas arqueológicas assiciadas com migrações indo-iranianas. As culturas Andronovo, BMAC e Yaz têm frqüentemente sido associadas com migrações indo-iranianas.

Há várias hipóteses para a expansão dos indo-iranianos. Uma destas hipóteses sugere que os indo-iranianos se expandiram dentro da Ásia Central a partir do rio Ural a oeste até o Tian Shan a leste, tomando a área antes ocupada pela cultura Afanasevo, limitada pelas montanhas Transoxiana e Hindu Kush ao sul. Esta região se tornaria depois em sua maior parte exclusivamente iraniana.

Teoria das duas ondas[editar | editar código-fonte]

Asko Parpola e outros acadêmicos propuseram um modelo de duas ondas (ou múltiplas ondas) para a migração dos iranianos e indo-iranianos.

Primeira onda[editar | editar código-fonte]

Baseados em evidências lingüísticas, os acadêmicos argumentam que os indo-iranianos foram os primeiros a utilizar de forma aproveitável as bigas, capitaneando o que às vezes é chamado de primeira onda de expansão indo-iraniana. Assume-se que esta expansão chegou ao Cáucaso, ao planalto iraniano, ao Afeganistão e à Índia. Eles também chegaram à Mesopotâmia e à Síria e introdiziram a cultura do cavalo e biga nesta parte do mundo.

Eles deixaram resquícios lingüísticos em um manual de treinamento de cavalos hitita escrito por um certo Kikkuli o mitanni. Outra evidência é encontrada em referências aos nomes dos governantes de Mitanni e aos deuses em que eles depositavam confiança em seus tratados; estes restos foram encontrados nos arquivos dos vizinhos dos mitanni, datados de aproximadamente 1500 a.C.

O modelo padrão para a entrada das línguas indo-europeias na Índia é o da primeira onda que atravessou o Hindu Kush, alcançando as nascentes do rio Indo ou do rio Ganges (ou, provavelmente, as duas). O estrato mais antigo do sânscrito védico, preservado apenas no Rig Veda, é datado em aproximadamente 1200 a.C. A partir do Indo, as línguas indo-arianas se disseminaram com os migrantes que, de 1500 a.C. até 500 a.C., foram capazes de se espalhar sobre todo o norte e centro do subcontinente indiano, com exceção do extremo sul. Os indo-arianos nestas regiões estabeleceram vários reinos poderosos e principados, do Afeganistão oriental até a entrada de Bengala. O mais poderoso destes reinos foi Mágada, que durou até o século IV a.C., quando foi conquistado Chandragupta Máuria e anexado ao Império Máuria.

No Afeganistão oriental e no sudoeste do Paquistão, não importando qual a língua indo-ariana que era falada, elas foram finalmente empurradas pelas línguas iranianas. A maioria das línguas indo-arianas, no entanto, foram e ainda são importantes no resto do subcontinente indiano. Atualmente, as línguas indo-arianas são faladas na Índia, Paquistão, Bangladesh, Nepal, Sri Lanka e Maldivas.

Segunda onda[editar | editar código-fonte]

A segunda onda é interpretada como onda iraniana[3] . Os iranianos dominaram toda a Ásia Central, o Irã e, por um período considerável, dominaram a estepe européia (a moderna Ucrânia) e penetraram ao norte na Rússia e para oeste na Europa central e oriental tanto nos tempos históricos quanto na Era Cristã. Os primeiros iranianos a alcançar o mar Negro devem ter sido os cimérios no século VIII a.C., embora sua conexão lingüística seja incerta. Eles foram seguidos pelos citas, que eram considerados o ramo ocidental dos sakas centro-asiáticos. Os cambojas rigvédicos devem corresponder ao ramo nuristani do indo-ariano. Os medos, partos e persas começam a surgir no planalto Iraniano a partir de cerca de 800 a.C., e os aquemênidas substituíram o domínio elamita a partir de 559 a.C. Por volta do ano 1000 da Era Cristã, os pachtuns e os balúchis começaram a se estabelecer na margem oriental do planalto Iraniano, na fronteira montanhosa do noroeste da Índia, no que agora é conhecido Província da Fronteira Noroeste e Baluchistão, desalojando os indo-arianos desta região.

Na Ásia Central, a cultura e as línguas turcomanas substituíram as iranianas, mas uma minoria substancial permaneceu no Uzbequistão e no Turcomenistão. As linguas iranianas estão agora confinadas ao Irã, Curdistão, Afeganistão, Paquistão ocidental, Tadjiquistão, Turquia e Cáucaso.

O modelo da expansão a partir da Índia[editar | editar código-fonte]

A teoria da expansão a partir da Índia como sugerida pelo belga Koenraad Elst afirma que os indo-iranianos eram remanescentes da cultura proto-indo-européia que viveu no subcontinente indiano no quinto milênio a.C.[1] . Após a separação dos proto-indo-iranianos, os iranianos teriam migrado na direção do Hindu Kush e finalmente na direção da Ásia Central, fazendo sua descoberta da biga durante este período[1] .

A expansão iraniana então continuou através da Ásia Central até a Mesopotâmia, formando um grande império iraniano. Este conceito é similar à segunda onda das migrações indo-iranianas. As linguas iranianas se tornaram extintas nestes territórios orientais como conseqüência da expansão turca. Durante este período da expansão para oeste dos iranianos, sugere-se que os indo-arianos tenham viajado em direção ao leste através das planícies do Ganges. Eles ocuparam a maior parte do norte da Índia através destes movimentos saindo do Vale do Indo[1] .

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

As culturas arqueológicas associadas com a expansão indo-iranianas incluem:

  • Ásia Central
    • Cultura Poltavka (2700 a.C.-2100 a.C.)
    • Andronovo (2200 a.C.-1000 a.C.)
      • Sintashta-Petrovka-Arkaim (2200 a.C.-1600 a.C.)
      • Alakul (2100 a.C.-1400 a.C.)
      • Fedorovo (1400 a.C.-1200 a.C.)
      • Alekseyevka (1200 a.C.-1000 a.C.)
    • Complexo arqueológico Báctria-Margiana (2200 a.C.-1700 a.C.)
    • Cultura Srubna (2000 a.C.-1100 a.C.)
    • Cultura Abashevo (1700 a.C.-1500 a.C.)
    • Cultura Yaz (1500 a.C.-1100 a.C.)
  • Índia
  • Irã
    • Cultura iraniana ocidental de artigos cinzentos anterior (1500 a.C.-1000 a.C.)
    • Cultura iraniana ocidental de artigos amarelos porsterior (900 a.C.-700 a.C.)

Parpola (1999) sugere as seguintes identificações:

Período Cultura arqueológica Identificação sugerida por Parpola
2800-2000 a.C. Culturas Catacumba tardia e Poltavka PIE tardio a proto-indo-iranianos
2000-1800 a.C. Culturas Srubna e Abashevo Proto-iranianos
2000-1800 a.C. Petrovka-Sintashta Proto-indo-arianos
1900-1700 a.C. Complexo arqueológico Báctria-Margiana "Proto-Dasa" indo-arianos se estabelecem nas povoações CABM existentes, derrotados pelos "proto-rigvédicos" indo-arianos por volta de 1700 a.C.
1900-1400 a.C. Cemitério H Dasa indianos
1800-1000 a.C. Alakul-Fedorovo Indo-arianos, incluindo os "proto-sauma-arianos" praticando o culto Soma
1700-1400 a.C. Cultura Swat antiga Proto-rigvédicos = Proto-dárdicos
1700-1500 a.C. Complexo arqueológico Báctria-Margiana tardio "Proto-sauma-dasa", assimilação dos proto-dasa e proto-sauma-arianos
1500-1000 a.C. Iranianos dos artigos cinzentos antigos Mitanni-arianos (desdobramento dos "proto-sauma-dasa")
1400-800 a.C. Cultura Swat tardia e Punjab, artigos pintados de cinza Rigvédicos tardios
1400-1100 a.C. Yaz II-III, Seistan Proto-avésticos
1100-1000 a.C. Iranianos ocidentias tardios dos artigos pintados de amarelo Proto-persas, proto-Medas
1000-400 a.C. Culturas da Idade do Ferro de Xinjang Proto-Saka

Língua[editar | editar código-fonte]

A lingua indo-européia falada pelos indo-iranianos no final do terceiro milênio a.C. era uma língua Satem ainda não removida muito próxima do proto-indo-europeu, e que foi removida em poucos séculos a partir do sânscrito védico do Rig Veda. A principal mudança fonológica separando o proto-indo-iraniano do proto-indo-europeu foi o colapso das vogais apofônicas *e, *o, *a numa única vogal, a proto-indo-iraniana *a.

Entre as mudanças sonoras do proto-indo-iraniano para o indo-ariano está a perda da sonora sibilante *z, enquanto para o iraniano está a desaspiração das sonoras aspiradas do PIE.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. a b c d The Aryan Non-Invasionist Model by Koenraad Elst
  2. Mallory, J.P.. In Search of the Indo-Europeans: Language, Archaeology and Myth. London: Thames & Hudson, 1989. 38–39 pp. ISBN 0-500-27616-1
  3. Mallory 1989:42–43

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Jones-Bley, K.; Zdanovich, D. G. (eds.), Complex Societies of Central Eurasia from the 3rd to the 1st Millennium BC (Sociedades Complexas da Eurásia Central do terceiro ao primeiro milênio a.C.), 2 vols, JIES Monograph Series Nos. 45, 46, Washington D.C. (2002), ISBN 0-941694-83-6, ISBN 0-941694-86-0.
  • J. P. Mallory & Douglas Q. Adams, "Indo-Iranian Languages" ("Línguas indo-iranianas"), Enciclopédia da Cultura Indo-européia]], Fitzroy Dearborn, 1997.
  • Asko Parpola, The formation of the Aryan branch of Indo-European (A formação do ramo ariano do indo-europeu), in Blench and Spriggs (eds), Archaeology and Language III (Arqueologia e Linguagem III), Londres and Nova York (1999).
  • Michael Witzel, "The Home of the Aryans" ("O Lar dos Arianos"), in: Anusantatyai. Fs. für Johanna Narten zum 70. Geburtstag, edd. Hintze, Tichy. (Münchener Studien zur Sprachwissenschaft, Beihefte NF 19) Dettelbach: J.H. Roell (2000), 283–338 [1] (PDF).
  • Igor M. Diakonoff, Two Recent Studies of Indo-Iranian Origins (Dois Estudos Recentes das Origens Indo-iranianas), Journal of the American Oriental Society (1995).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]