Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (mais conhecido como IBOPE) é uma das maiores empresas de pesquisa de mercado da América Latina[1]. Há 70 anos fornece um amplo conjunto de informações e estudos sobre mídia, opinião pública, intenção de voto, consumo, marca, comportamento e mercado, no Brasil e em mais 14 países.
O nome da empresa virou gíria comum no Brasil e é um verbete oficial do dicionário brasileiro [2], além de constar como sinônimo de audiência e prestígio.
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[editar] Histórico
O IBOPE foi criado em 1942 pelo radialista Auricélio Penteado, proprietário da Rádio Kosmos de São Paulo. Naquele ano, ele decidiu aplicar no Brasil técnicas de pesquisa aprendidas nos Estados Unidos com George Gallup, fundador do American Institute of Public Opinion, para saber como andava a audiência de sua emissora.
Ao medir a audiência das rádios de São Paulo, Auricélio constatou que a Rádio Kosmos não estava entre as mais ouvidas. A partir daí, passou a dedicar-se exclusivamente às pesquisas. Em 1950, Auricélio Penteado deixa a presidência da empresa a cargo de um grupo de diretores.
Em 1977, Paulo de Tarso Montenegro assume a presidência da empresa. Um ano depois, convida seus filhos Carlos Augusto Montenegro e Luís Paulo Montenegro a ingressarem na companhia. A empresa realiza as primeiras pesquisas de boca-de-urna, antecipando com extrema precisão o resultado das disputas eleitorais, no final dos anos 70.
Nos anos 80, cria a empresa "Painel" e lança o Painel Nacional de Consumo. A empresa também finaliza o desenvolvimento de aparelhos "peoplemeters" com tecnologia própria, viabilizando coleta, processamento e entrega dos dados de audiência em tempo real, uma espécie de "première" mundial.
Na década de 90, o IBOPE associa-se a empresários no México, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Chile e Argentina. A partir da parceria, dá inicio ao fornecimento de dados consolidados da América Latina para TV a cabo.
Atualmente, com operações no Brasil e em mais de 14 países, a empresa acaba de consolidar seu processo de globalização com novas unidades do IBOPE Inteligência. Adquiriu recentemente a empresa americana Zogby International, com sede em Nova Iorque, e expandiu sua atuação com a abertura de um escritório no Chile e a compra da empresa SKA, em Porto Rico, que também atua com pesquisas de opinião pública, política e ad hoc.
O IBOPE possui importante participação acionária em duas empresas: IBOPE Nielsen Online e Millward Brown do Brasil. O IBOPE Nielsen Online é uma joint-venture entre IBOPE Media e Nielsen, empresa norte-americana com atuação nas áreas de informação e mídia, que detalha o comportamento dos usuários do meio digital. Já a Millward Brown do Brasil é uma parceria do IBOPE com a Millward Brown e o Grupo WPP, líder mundial em propaganda, marca e marketing. A Millward Brown do Brasil é a empresa que realiza estudos sob encomenda, voltados para a construção e manutenção de marcas fortes.
Em 2010, a empresa iniciou a atuação no ramo de educação executiva com o lançamento do IBOPE Educação. Trata-se de uma nova área de negócio, com o objetivo de capacitar profissionais envolvidos no processo de tomada de decisões estratégicas.
Em 2011, lançou o IBOPE Ambiental, unidade de negócios que atua na área de meio ambiente com serviços voltados aos aspectos ambientais da sustentabilidade. A empresa tem sede no Brasil, mas atua nos países da América Latina e da África.
E em homenagem a Paulo de Tarso Montenegro foi criado, em 2000, o Instituto Paulo Montenegro, uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e executa projetos educacionais a partir dos conhecimentos acumulados pelo IBOPE em 69 anos de pesquisa. Seus dois programas – Nossa Escola Pesquisa Sua Opinião (Nepso) e o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) - são realizados em parceria com a ONG Ação Educativa, uma das entidades mais respeitadas no Brasil na área educacional.
[editar] Medição
O IBOPE foi a primeira empresa do mundo a oferecer o serviço de medição de audiência de TV em tempo real, a partir de 1988, em São Paulo.
Em cada cidade onde é realizada a medição de audiência de TV, o IBOPE sorteia um conjunto de domicílios que representam a população. Com a autorização dos moradores é instalado um aparelho em cada televisor da casa (peoplemeter), que identifica e registra automaticamente qual canal está sendo assistido.[1]
O aparelho envia, pelo sistema de telefonia celular, as informações de todas as mudanças de canais realizadas pelo telespectador para uma central de coleta dos índices que as processa, analisa e distribui para os clientes.[1]
O IBOPE constrói sua amostra com base nos dados do censo demográfico brasileiro, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos estudos sociodemográficos do próprio IBOPE.
Atualmente, sete regiões metropolitanas do Brasil contam com o serviço de medição em tempo real: Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Grande Belo Horizonte, Grande Porto Alegre, Grande Recife, Grande Curitiba, além do Distrito Federal. Nas regiões metropolitanas da Grande Salvador, Grande Florianópolis, Grande Fortaleza, Grande Belém, Grande Vitória, Grande Goiânia e Campinas os dados são enviados no dia seguinte.
O sistema de medição de audiência de televisão em tempo real também é utilizado no Chile, na Argentina, na Colômbia e no Paraguai.
[editar] Reconhecimento e Prêmios
O IBOPE é a única empresa latino-americana a figurar no ranking norte-americano das 25 maiores organizações globais de pesquisa (Honomichl Top 25 Global Research Organizations).
A empresa também ocupa a quarta colocação no ranking das Transnacionais Brasileiras 2011, da Fundação Dom Cabral, atrás apenas de JBS Friboi, Stefanini e Gerdau, que ocupam as primeiras colocações, respectivamente. No ranking de ativos fora do país, o IBOPE está em terceiro lugar, atrás apenas da Stefanini e da Gerdau. Quando considerado o número de funcionários no exterior, o IBOPE ocupa a segunda posição, atrás do JBS-Friboi.
Já a filial do IBOPE Media no Rio de Janeiro é reconhecida com o Prêmio Qualidade Rio (PQRio), na categoria bronze. Outra conquista da empresa foi com sua filial em Brasília, quando ganhou o Prêmio de Competitividade do Sebrae para Micro e Pequenas Empresas, baseado nos critérios do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ).
[editar] Instabilidade
Durante o apagão que afetou metade do Brasil em 10 de novembro de 2009[3], o IBOPE enfrentou instabilidade no recebimento de dados dos domicílios pertecentes à amostra de TV na Grande São Paulo e, consequentemente, este fato criou dificuldades para todos os assinantes do serviço, entre eles Rede Record, Rede Globo, SBT e grandes agências de comunicação.
O peoplemeter, aparelho que mede em tempo real os números da audiência, parou de funcionar em 22 de novembro de 2009[4] durante uma disputa de audiência entre dois de seus principais clientes: Rede Record e Rede Globo. O atraso na publicação dos dados em "real time", no dia 22 de novembro de 2009, gerou insatisfação na Rede Record, que reagiu ao apresentar no dia 29 de novembro de 2009, em seu programa Domingo Espetacular, uma matéria colocando em dúvida a credibilidade do Grupo IBOPE em seus negócios.
O Instituto acusou as operadoras de telefonia celular como as responsáveis pela suposta pane no sistema, mas as empresas TIM e Vivo, que prestam o serviço para a empresa de pesquisa, desmentiram o mesmo em nota oficial à Rede Record, que foi a maior prejudicada pelo fato ocorrido.[5] Desde então, a emissora de televisão determinou em seu departamento de comunicação que não se divulgue mais seus números de audiência.[5][6]
Mesmo respeitando o direito de manifestação do cliente, o IBOPE discordou das críticas apresentadas, considerando que foi um problema momentâneo. As pesquisas da empresa atendem ao código de autorregulação e de ética da Associação Mundial de Profissionais de Pesquisa, a Esomar - The World Association of Research Professionals[7], e da ABEP - Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa[8].
[editar] Críticas
Na Argentina e na Colômbia, o IBOPE também está sob suspeita, no que diz respeito a sua metodologia de pesquisa. O governo da presidente Cristina Kirchner pretende lançar um sistema estatal de medição da audiência televisiva do país (similar ao BARB britânico) num claro ataque ao IBOPE, que hoje domina o mercado argentino.[9] De acordo com o proponente da legislação, Gabriel Mariotto, "todos duvidamos do IBOPE e sabemos que sua medição é manipulada. Eles dizem que tal canal terá a maior audiência para que esse canal tenha uma maior participação na distribuição da publicidade".[9] Segundo ele, o trabalho do IBOPE não é verificado por ninguém, enquanto que a medição do novo instituto deverá ser verificado pelas universidades públicas, o que fará com que a "distribuição da publicidade seja mais equilibrada".[9] Entretanto, o trabalho do IBOPE na área de pesquisa de mídia é auditado por empresas independentes, contratadas por uma comissão formada pelos clientes desse serviço. No Brasil, a auditoria é realizada pela Ernst & Young, a pedido da Comissão Abap-Redes. Já na Argentina, a auditoria é feita pela CCMA (Cámara de Control de Medición de Audiencia).
No México a maior rede televisiva do país, a Televisa, exigiu que o IBOPE trocasse todos os domicílios pesquisados, depois que o ex-diretor geral do IBOPE AGB México se transferiu para a TV Azteca, principal concorrente da Televisa. Após várias reuniões e consultorias com especialistas e auditorias, foi recomendado não realizar a troca dos domicílios, ja que foi demonstrado, por meio de auditorias externas, que o painel mantinha sua confidencialidade.[5]
Em 2011, foi anunciado que o Nielsen passará a medir audiência televisiva no Brasil, quebrando o monopólio do IBOPE no país.[10]
Referências
- ↑ a b c http://www.ibope.com.br/calandraWeb/servlet/CalandraRedirect?temp=5&proj=PortalIBOPE&pub=T&comp=Grupo+IBOPE&db=caldb&docid=8D60A353BFE2430783256E60006C4316
- ↑ http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=ibope
- ↑ http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/11/11/apagao-afetou-brasil-paraguai-causa-ainda-desconhecida-914698811.asp
- ↑ http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u659819.shtml
- ↑ a b c http://entretenimento.r7.com/famosos-e-tv/noticias/operadoras-desmentem-ibope-sobre-falha-em-medicao-20091129.html
- ↑ http://www.adnews.com.br/midia.php?id=96806
- ↑ http://www.esomar.org/
- ↑ http://www.abep.org/novo/
- ↑ a b c [1]
- ↑ [2]
