Instituto Pão dos Pobres

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Instituto Pão dos Pobres

O Instituto Pão dos Pobres é uma fundação benemerente dos irmãos lasallistas, instalada num prédio histórico da cidade de Porto Alegre, no RS.

O prédio[editar | editar código-fonte]

O local antigamente era o Areal da Baronesa, onde a Baronesa de Gravataí mantinha seu palacete, e o arroio Dilúvio fazia a volta por trás de área. Quando o casarão incendiou, em 1875, a área foi aterrada e o arroio canalizado para o leito que ocupa hoje, no meio da avenida Ipiranga. Mais tarde, entre 1925 e 1930, foi erguido o instituto, preservando-se o portal do velho solar do Barão de Gravataí, herdado por sua esposa Maria Emília da Silva Pereira.

O projeto foi do arquiteto teuto-brasileiro Joseph Lutzenberger, que veio para o Rio Grande do Sul em 1920 e deixou importantes obras na cidade. O historiador Sérgio da Costa Franco, invocando uma publicação do irmão Jacob José Parmagnani, dá como autor deste novo prédio o engenheiro Hipólito Fabre, com a colaboração do irmão Júlio, e não Lutzenberger, como consta na maior parte das outras fontes. Entretanto pode ser que ambos tenham trabalhado na obra, aquele na parte de planejamento estrutural e este no desenho da fachada.

O edifício tem um estilo eclético sóbrio, com influência da arquitetura alemã. O edifício tem quatro pavimentos, com um grande corpo central e duas alas laterais que se projetam um pouco à frente. O térreo se estrutura numa série de aberturas em arco, e os dois pisos acima possuem janelas retangulares, separadas por pilastras lisas, e uma cornija destacada. Arremata a construção um último pavimento, mais baixo, mas que segue o esquema dos dois pisos inferiores.

detalhe do frontão

Ao centro do conjunto um grande frontispício se ergue atravessando todos os pavimentos, terminando acima do plano do teto, num frontão triangular com arco redondo embutido, onde está instalado um grupo escultórico representando Santo Antônio distribuindo pães a crianças pobres. Aos lados, dois florões, e atrás do frontão se eleva um pequeno campanário. O prédio do Instituto foi tombado em 2000.

A instituição[editar | editar código-fonte]

A Fundação Pão dos Pobres, administradora do instituto, foi fundada em 1855 pelo cônego José Marcelino de Souza Bittencourt, sendo que só em 1900 conseguiu ele angariar fundos para aquisição de um terreno. A pedra fundamental da instituição, que se chamava Abrigo das Famílias Pobres do Pão dos Pobres de Santo Antônio, foi lançada em 1904, e era voltada ao suprimento alimentar de viúvas carentes e auxílio financeiro para aluguéis de casas e outras finalidades. Logo em seguida se fundaram duas escolas, a Dom Sebastião, para meninas, e a Dom Feliciano, para meninos, para educar filhos e netos das referidas viúvas, sendo ambas inauguradas em 1910.

Com a morte do cônego Marcelino no ano seguinte, a instituição passou a ser administrada pelo cônego João Cordeiro da Silva, que chamou em seu auxílio os irmãos lassalistas, convertendo o abrigo de viúvas em internato para menores órfãos, reinaugurado em 2 de abril de 1916. Com o crescimento das solicitações de ajuda e internação, foi projetada uma nova sede, com acréscimo de oficinas de tipografia, mecânica e marcenaria. Em 1932 foi inaugurada a Escola Dom João Becker, para alunos externos, que mais tarde seria fundida ao internato sob o nome de Escola de 1º Grau Pão dos Pobres.

Atualmente continua sua obra assistencialista e educacional, sendo uma instituição de direito privado voltada ao abrigo e preparo profissional de menores carentes. A instituição oferece escola de ensino básico, um centro de educação profissional de nível básico e técnico, e um programa de educação através do trabalho assistido, em parceria com o SENAI, favorecendo 285 adolescentes de ambos os sexos e encaminhando-os a estágios após conclusão dos cursos.

Os cursos oferecidos são de serralheria, eletricidade predial e industrial, mecânica de automóveis, editoração eletrônica, tipografia, solda, marcenaria e fabricação de óculos. Está em andamento a instalação de novas oficinas de automação, eletrônica, hidráulica, informática, mecânica industrial, metalurgia, metrologia e pneumática. Ainda mantém um internato que acolhe 237 crianças, selecionadas a partir de critérios de orfandade, pobreza e sanidade mental.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS) / Prefeitura Municipal. 1988.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]