Instituto Promundo

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Instituto Promundo
Fundação 1997
Tipo ONG
Propósito Igualdade de gêneros, masculinidades e femininidades, prevenção de violência, violência baseada em gênero, violência contra jovens, violência contra crianças
Sede Rio de Janeiro, Brasil
Washington, D.C., EUA
Línguas oficiais português, inglês
Organização Tatiana Moura (Diretora-executiva)
Gary Barker (Diretor-internacional)
Empregados 13 no Rio de Janeiro
4 em Washington, D.C.
Sítio oficial www.promundo.org.br/

Com sede no Rio de Janeiro, Brasil, o Instituto Promundo é uma Organização não governamental brasileira, fundada em 1997 com o objetivo de promover a equidade de gêneros e o fim da violência através de discussões concomitantes sobre masculinidades e femininilidades. Legalmente registrado no Brasil, o Promundo possui também um escritório em Washington, D.C., Estados Unidos, aberto em fevereiro de 2011, responsável pelas atividades de advocacy internacional e apoio técnico aos trabalhos do Promundo fora do Brasil.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Fundado em 1997, o Promundo nasceu da frustração oriunda dos discursos predominantes relacionados com equidade de gêneros e dos esforços para se colocar estes discursos em ação, prática e criação de políticas. O Instituto tem se concentrado no desenvolvimento de intervenções avaliadas e estratégias de advocacy objetivando a equidade de gêneros e focando o engajamento de homens e meninos em prol da mudança de formas de masculinidades violentas e desiguais.

O Promundo trabalha local, nacional e internacionalmente:

  • na condução de pesquisas aplicadas e prevenção de violência;
  • no desenvolvimento, implementação e avaliação de perspectivas que visem promover mudanças positivas de normas de gênero; comportamentos e estruturas entre indivíduos, famílias e comunidades,
  • advogando a integração de perspectivas de gênero equitativas em políticas públicas.

O Promundo desenvolve, implementa e avalia suas pesquisas e programas baseados em evidências em cooperação íntima com organizações civis locais sem fundos lucrativos. Nos últimos anos, o Promundo tem sido, de forma crescente, reconhecido pela sua promoção da importância do papel de homens e meninos objetivando a equidade de gêneros. Recentemente, o Promundo expandiu sua area de atuação abrindo um escritório em Washington, D.C., que apoia a comunicação internacional do Promundo, advocacy e assistência técnica, incluindo a coordenação da MenEngage Alliance, uma rede global de ONGs e parceiros da Organização das Nações Unidas (ONU), que trabalha no engajamento de homens e meninos pela equidade de gêneros, aliança esta que o Promundo foi um dos co-fundadores.

Principais programas e atividades[editar | editar código-fonte]

Programa H[editar | editar código-fonte]

Em 1999 o Promundo, em parceria com a ECOS Comunicação em Sexualidade (São Paulo, Brasil), o Instituto Papai (Recife, Brasil) e Salud y Género (México), com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a International Planned Parenthood Federation/Western Hemisphere Region (IPPF/WHR), a JohnSnowBrasil e a Durex – SSL International desenvolveu o Programa H (letra inicial de homens em português e hombres em castelhano).[2] O material nasceu como parte de uma ampla pesquisa baseada em uma comunidade, incluindo o estudo Dying to be Men: Youth, Masculinity and Social Exclusion.[3]

O Programa H visa engajar homens jovens e suas comunidades em reflexões críticas sobre normas rígidas relacionadas com a masculinidade. Inclui atividades educacionais em grupo, campanhas comunitárias, e um novo modelo de avaliação denominado Gender-Equitable Men ou escala GEM,[4] para avaliar o impacto do programa em comportamentos relacionados com gênero.[5] Esta perspectiva foi submetida à uma avaliação de impacto semi-experimental no Brasil, na Índia, nos Bálcãs e em várias localidades da África subsariana.[6] Concluiu-se que o programa leva a mudanças significativas nos comportamentos entre jovens homens, além de relatos de aumento no uso de preservativos, melhora na comunicação do casal e redução nos relatos de uso de violência de homens contra suas parceiras.[7] O programa H foi reconhecido como a "melhor prática" para a promoção de equidade de gêneros pela OPAS, e pelos Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF),[8] Fundo de População das Nações Unidas, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Banco Mundial e Ministério das Relações Exteriores do Brasil.[9]

Programa M[editar | editar código-fonte]

Em 1999 o Promundo em parceria com a ECOS, o Instituto Papai, Salud y Género e World Education (Estados Unidos), e apoio da Oak Foundation, da MacArthur Foundation, da Nike Foundation e da Secretaria de política para as mulheres desenvolveram o Programa M (letra inicial de mulheres em português e mujeres castelhano).[2]

O Programa M visa promover a saúde e empoderamento de jovens mulheres através de reflexões críticas sobre gênero, direitos e saúde. Consiste de atividades educacionais, campanhas comunitárias e novos instrumentos de avaliação para medir o impacto do programa nos comportamentos de mulheres jovens relacionados com gênero e eficácia auto-avaliada em relacionamentos interpessoais.

Campanha do laço branco[editar | editar código-fonte]

Em 2000 o Promundo, o Instituto Papai e outras organizações parceiras lançaram a Campanha brasileira do laço branco. O Promundo também trabalha com o Instituto Noos (Rio de Janeiro, Brasil) e com o Governo do Estado do Rio de Janeiro para iniciar um dos primeiros programas de intervenção no Brasil, que mais tarde inspirou o Governo Federal brasileiro a implementar programas similares em outros Estados.[10]

Vídeo contra a homofobia[editar | editar código-fonte]

Devido ao fato de um estudo avaliatório realizado no Brasil em 2005 ter comprovado ser a homofobia o comportamento de menor grau de mudança em relação a posições anteriores, o Promundo, o Ecos, Salud y Género, o Papai e outros parceiros do Programa H, com o apoio do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, desenvolveu o vídeo chamado Medo de quê?[11] como uma ferramenta educacional complementar visando especificamente tratar da questão da homofobia para a juventude heterossexual.[12]

Simpósio global engajando homens e meninos na igualdade de gêneros[editar | editar código-fonte]

Entre 30 de março e 3 de abril de 2009, o Promundo e seus parceiros organizaram o Simpósio global engajando homens e meninos na igualdade de gêneros no Rio de Janeiro. O evento reuniu 439 ativistas, pesquisadores e profissionais de 77 países para compartilhar suas experiências ao desafiar normas rígidas de gênero e ao engajar homens e meninos na redução de violência contra mulheres e meninas, promoção de saúde sexual e reprodutiva; prevenção e tratamento do HIV/AIDS; e paternidade e cuidados infantis. O evento foi organizado em colaboração com a MenEngage Alliance.[13] [14]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Promundo: Apresentação. Promundo. Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  2. a b El Programa H y el Programa M: Involucrando a hombres jóvenes y empoderando a mujeres jóvenes para promover la igualdad de género y la salud (em castelhano). Promundo (Dezembro 2010).
  3. Barker, Gary Thomas. Dying To Be Men: Youth, Masculinity and Social Exclusion (em inglês). Abingdon, New York: Routledge, Taylor & Francis, 2005. ISBN 0415337747
  4. Barker, Gary; et alii. Evolving Men: Initial Results from the International Men and Gender Equality Survey (IMAGES) (em inglês). Washington, D.C. e Rio de Janeiro: International Center for Research on Women (ICRW) e Instituto Promundo, 2011. Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  5. Pulerwitz, Julie; Gary Barker. (abril 2008). "Measuring Attitudes toward Gender Norms among Young Men in Brazil: Development and Psychometric Evaluation of the GEM Scale" (em inglês). Men and Masculinities 10 (3): 322-338. Sage Publications. ISSN 1097-184X. Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  6. Barker, Gary; Christine Ricardo. (junho 2005). "Young Men and the Construction of Masculinity in Sub-Saharan Africa: Implications for HIV/AIDS, Conflict, and Violence" (em inglês). Social Development Papers (26). Washington, D.C.: The World Bank. Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  7. Barker, Gary; et alii. In: Sandy Ruxton. Gender Equality and Men: Learning from Practice (em inglês). Oxford: Oxfam, 2004. Capítulo: How Do We Know If We Have Changed? Promoting and Measuring Attitude Change With Young Men: Lessons from Program H in Latin America. , 147-161 p. ISBN 9780855985141 Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  8. UNICEF. The State of the World's Children: Women and Children – The Double Dividend of Gender Equality (em inglês). Nova York: UNICEF, 2006. Capítulo: 5: Reaping the Double Dividend of Gender Equality. , p. 86. ISBN 139789280639988 Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  9. Um exemplo de sucesso. Ministério das Relações Exteriores (27 de outubro de 2011).
  10. (22 de outubro de 2011). A cada hora, cem mulheres são agredidas. Rio de Janeiro, Brasil: Jornal da Band. Acessado em 7 de novembro de 2011.
  11. (2005). Medo de quê? (VHS, DVD, WMV). Rio de Janeiro, Brasil: Promundo. Acessado em 26 de outubro de 2011.
  12. Miedo de quê? (em castelhano). Promundo (2005).
  13. Global Symposium Engaging Men & Boys in Achieving Gender Equality (em inglês). Promundo (2 de abril de 2009). Página visitada em 26 de outubro de 2011.
  14. Press Release: I Simpósio Global Engajando Homens e Meninos pela Igualdade de Gênero. UNFPA. Página visitada em 27 de outubro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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