Intelecto ativo

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Intelecto ativo (em grego antigo: νους ποιητικός nous poietikós)[1] ou ainda intelecto agente, segundo tradições aristotélicas e escolásticas, trata-se do intelecto transforma as sensações em percepções tornando-as abstratas, inteligíveis, como conceitos. Na concepção clássica grega, a partir de Anaxágoras, o intelecto nous, significa o princípio de ordem do cosmo e por extensão , da faculdade de pensar humanos enquanto que esta reflete a ordem cósmica.[2]

Aristóteles[editar | editar código-fonte]

O intelecto ativo foi objecto de intensa discussão na filosofia medieval. A ideia foi encontrada pela primeira vez na obra de Aristóteles Da Alma, no Livro III. Sachs comenta que "é a fonte de uma enorme quantidade de comentários e de desacordo feroz":[3]

Em Metafísica, Livro XII, ch.7-10, Aristóteles também discute a mente humana e distingue entre o intelecto ativo e o intelecto passivo. Nessa passagem, Aristóteles parece equiparar o intelecto ativo com o "motor imóvel" e Deus.[4]

Interpretações[editar | editar código-fonte]

Os comentaristas gregos de Aristóteles, em particular, Alexandre de Afrodísias e Temístio, deram várias interpretações diferentes sobre a distinção entre os intelectos ativo e passivo. Alguns deles consideraram o intelecto ativo como um poder externo à mente humana, Alexandre foi longe a ponto de identificá-lo com Deus.

Mais tarde, estas duas interpretações, as neoplatônicas e talvez outras, influenciaram o desenvolvimento de uma improtante literatura filosófica árabe, usando o termo 'aql como a tradução para nous. Essa literatura foi mais tarde traduzido para latim e hebraico e comentadas.[5]

Referências

  1. José Ferrater Mora. Diccionario de filosofía. [S.l.]: Editorial Ariel, S.A., 1994. p. 1534. ISBN 978-84-344-0502-8.
  2. Hilton Japiassú, Danilo Marcondes. Dicionário básico de filosofia. [S.l.]: Zahar, 1993. p. 149. ISBN 978-85-378-0341-7.
  3. Sachs, Joe (2001), Aristotle's On the Soul and On Memory and Recollection, Green Lion Books 
  4. VerMetaphysics 1072b.
  5. Davidson, Herbert (1992), Alfarabi, Avicenna, and Averroes, on Intellect, Oxford University Press 

Ver também[editar | editar código-fonte]