Interesse

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Interesse designa em psicologia uma disposição de juízo dirigida a uma ação ou atividade: assim as pessoas se diferenciam com relação a quais atividades são consideradas atrativas e quais não o são. Interesse se diferencia de motivo, uma vez que este se refere ao juízo das consequências da ação: as pessoas se diferenciam, por exemplo, com relação a quanto o sucesso ou o reconhecimento é importante para elas[1] .

Quando várias pessoas cooperaram pelo mesmo objetivo, há uma harmonia de interesses.

Apesar da relevância do conceito de interesse tanto para a psicologia do trabalho (escolha de pessoal), para psicologia pedagógica (aconselhamento vocacional) e para a psicologia do lazer (interesse por determinados Hobbys, esportes, lugares de férias), a pesquisa científica nessa área se encontra muito pouco desenvolvida.

Será Ovide Decroly que no inicio do século XX que pela primeira vez postulou o interesse como pressuposto básico para a aprendizagem na Educação. Para ele, esse estado desperto da criança estaria na base de toda actividade, incitando-a a observar, associar, expressar. Acreditava que aprendizagens ocorreriam de maneira espontânea pelo contacto com o meio, de onde proviriam estímulos que para onde as crianças direccionariam suas questões[2] .

O modelo de Holland[editar | editar código-fonte]

Holland (1973) descreve seis grupos de interesse profissional; esses grupos definem uma determinada área profissional. O modelo prevê que os interesses se distribuem em um hexágono, correspondendo cada ângulo do hexágono a um determinado interesse profissional - quanto mais a pessoa se aproxima de um grupo de interesses mais se afasta dos demais. Os seis tipos de interesse profissional são[3] :

Os grupos de interesse se ditribuem no hexágono - os pontos opostos também estão mais distantes quanto aos interesses
  1. Realísticos/prático - engenharia, mecânica, agronomia;
  2. Investigativos - física, biologia, matemática, sociologia;
  3. Artísticos - música, artes plásticas, literatura, teatro;
  4. Sociais - enfermaria, trabalho social, professor escolar
  5. Empreendedores - gerência, advocacia, política
  6. Convencionais - contabilidade, trabalho administrativo, vendas, organização

O modelo de Holland pôde ser empiricamente comprovado[4] . Além disso Prediger (1982) conseguiu reduzir os seis grupos de interesse a duas dimensões: (1) interesse em pessoas-interesse em coisas e (2) interesse em dados-interesse em idéias. Outros estudos[5] encontraram a seguinte correlação: quanto mais o interesse profissional corresponde à profissão exercida, tanto maior é a satisfação no trabalho. Essa correlação, no entanto não pode ser interpretada como uma explicação causal: tanto pode o casamento interesse-profissão conduzir a uma maior satisfação como pode uma satisfação devida a outros fatores (ex. um bom clima de trabalho) levar ao desenvolvimento de interesse pela atividade exercida. Interessante é que a escolha profissional parece ser determinada antes pelas habilidades do que pelos interesses profissionais[6] .

Referências

  1. Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer.
  2. Ovide Decroly, Educar para Crescer
  3. Holland, J. L. (1973). Making vocational choices. Englewood Cliffs, NJ: Prentice-Hall.
  4. Prediger, D. L. (1982). Dimensions underlying Holland's hexagon: Missing link between interests and occupations? Journal of Vocational Behaviour, 21, 259-287.
  5. Buse, L. (1998). Differentielle Psychologie der Interessen. Em: M. Amelang (Hrsg.) Enzyklopädie der Psychologie, Band C/VIII/3: Temperaments- und Persönlichkeitsunterschied (pp.441-475).
  6. Austin, J. T. & Hanisch, K. A. (1990). Occupational attainment as a function of abilities and interests: A longitudinal analysis using Projekt TALENT Data. Journal of Applied Psychology, 75, 77-86.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Asendorpf, Jens B. (2004). Psychologie der Persönlichkeit. Berlin: Springer. ISBN 3 540 66230 8

Ver também[editar | editar código-fonte]