Intolerância (1916)

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Intolerance: Love's Struggle Throughout the Ages
Intolerância (PT/BR)
Pôster original do filme
 Estados Unidos
1916 • p&b • 182 min 
Direção David W. Griffith
Produção D.W. Griffith
Roteiro D.W. Griffith
Hettie Grey Baker

Tod Browning
Anita Loos
Mary H. O'Connor
Walt Whitman
Frank E. Woods

Elenco Lillian Gish
Mae Marsh
Robert Harron
Género drama histórico
Idioma inglês (legendas)
Música Joseph Carl Breil

Carl Davis

Cinematografia Billy Bitzer
Edição D.W. Griffith

James Smith
Rose Smith

Distribuição Triangle Distributing Corporation
Lançamento Estados Unidos 4 de setembro de 1916
Orçamento 2,5 milhões de dolares
Cronologia
Último
Último
O Nascimento de uma Nação (1915)
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Página no IMDb (em inglês)

Intolerance: Love's Struggle Throughout the Ages (Intolerância) é um filme mudo norte-americano de 1916 dirigido por D. W. Griffith, sendo considerado uma das obras-primas do cinema mudo.[1]

O épico de três horas e meia de duração apresenta quatro linhas narrativas emaranhadas ao longo de um período de 2 500 anos: a primeira é um 'melodrama contemporâneo' envolvendo crime e redenção; a segunda é uma 'história bíblico-galiléia' mostrando a missão de Jesus e a sua morte; a terceira é uma 'história renascentista francesa' com eventos antecedendo o massacre da noite de São Bartolomeu em 1572; a quarta é uma 'história babilônica' à época da queda do Império babilônico perante os Persas em 539 a.C., na batalha de Opis. As cenas são ligadas por imagens de uma mulher a balançar um berço, representando a 'maternidade eterna'.[1]

Intolerância foi feito parcialmente em resposta às críticas ao filme anterior de Griffith, The Birth of a Nation, que foi acusado pela NAACP e por outros grupos de perpetuar estereótipos raciais e de glorificar a Ku Klux Klan.[2] [3]

A quantidade exata investida pelo diretor para fazer o filme é desconhecida, mas estima-se que ele tenha gasto cerca de 2,5 milhões de dolares, uma soma astronômica e sem precedentes na época.[4] Mesmo assim, o filme não foi bem recebido pelas plateias e é considerado o primeiro grande fracasso do cinema.[1]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Griffith concebeu Intolerância em torno de um projeto já iniciado, correspondente ao episódio contemporâneo, após a sua produção anterior, The Birth of a Nation, ter sido acusada de racismo.[2] [3] Sua intenção era representar a mentalidade presente em The Birth of a Nation e que fora muito criticada como uma forma de intolerância, a qual seria uma atitude comum aos homens e o motivo recorrente das ações da humanidade.

A atriz Lillian Gish escreveu em seu livro The Movies, Mr. Griffith and Me, de 1969, que "na literatura sempre se afirmou que o Sr. Griffith havia percebido o tamanho do estrago que ele teria causado com o filme The Birth of a Nation. Intolerância teria que ser entendido como um tipo de explicação. Essa hipóteses são completamente falsas. Sr. Griffith não achava de maneira alguma que seu filme tivesse causado estragos. Ele contou aquilo que considerava ser a verdade da Guerra de Secessão - da maneira como foi contado a ele por aqueles que a vivenciaram. Não havia nenhuma razão para ele dar satisfações sobre o filme. Muito pelo contrário, com Intolerância ele respondeu à sua maneira àqueles que considerava preconceituosos e racistas".

Ele mesmo produziu o filme, tendo feito muitas dívidas para tal. O filme, que segundo as melhores estimativas custou cerca de 2,5 milhões de dolares,[4] foi a produção mais cara até então.[5] Apesar do orçamento milionário o filme foi um grande fracasso nas bilheterias norte-americanas, sendo considerado o primeiro grande fracasso do cinema.[1] [5] A sua produtora, Triangle Studios, foi à falência e Griffith ficou endividado por muitos anos.[1]

O filme foi produzido em meio à eclosão da Primeira Guerra Mundial e sua postura humanista/pacifista, que mostrava o quão cruel o homem pode ser e a que isso isso, fez com que o mesmo fosse mal recebido pelo público em um país que estava prestes a entrar em guerra. O apelo de Griffith não foi ouvido e acabou perdido.

Produção[editar | editar código-fonte]

O elenco do filme foi bem selecionado e organizado. Intolerância tornou-se uma das grandes obras do cinema mudo,[1] sendo até mais admirado que o filme anterior de D. W. Griffith, The Birth of a Nation.[carece de fontes?] A grande massa, contudo, não entendeu que mensagem as quatro histórias do filme queriam deixar, considerando-o ainda como muito complexo.[carece de fontes?]

O filme Satanas, de F. W. Murnau, lançado em 1920, sofreu grande influência de Intolerância.[carece de fontes?] Entretanto, Intolerância continua quase no anonimato, assim como seu criador.[carece de fontes?]

Estética[editar | editar código-fonte]

O filme é rico no uso das técnicas do close, do suspense, dos movimentos de câmera e principalmente da montagem paralela, na qual Griffith foi pioneiro.

O filme também é rico em panoramas e custou o orçamento faraônico de 2,5 milhões de dolares. Nunca se tinha usado cenas tão gigantescas até este filme.[1] . Mais de 5 000 figurantes participaram das cenas da batalha de Opis.[carece de fontes?] Outra característica inédita quela época foi o uso de quatro histórias em um só filme.[carece de fontes?]

O filme deixou enorme presença cultural, estética e histórica na história do cinema. Tendo influenciado, os diretores de clássicos Orson Welles, John Ford, Charles Chaplin, etc. O filme também possui uma estética expressionista.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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Características[editar | editar código-fonte]

Cena do filme (Babilônia)

O filme mostra quatro histórias que contam casos de intolerância: na Babilônia; na França, durante o massacre da noite de São Bartolomeu; na Judeia, na época da crucificação de Cristo; e nos Estados Unidos na época em que o filme foi realizado, sendo que as histórias são interligadas pela dramatização de um poema de Walt Whitman.

História babilônica[editar | editar código-fonte]

No tempo de Belsazar, rei da Babilônia a intolerância era intensa. Lá vivia a moça das montanhas uma moça muito bela, que tem um amor platônico por Belsazar, rei da Babilônia, que já é casado com uma outra mulher. Tudo que os babilônios querem eles imploram a Ishtar (deusa do amor babilônica) e outros a Bel, porém o Sumo Sacerdote de Bel trai seu país com Ciro. Ishtar é a Deusa na qual eles fazem grandes festejos em sua homenagem, enquanto os persas bárbaros adoram outros deuses. Certa vez o Sumo Sacerdote de Bel, indignado com os babilônios trai seu país e ajuda o rei persa, e mente para Belsazar que preveu uma guerra. A moça é vendida no mercado do amor, porém Belsazar chega e liberta ela (ela foi vendida por ter sido acusda de psicopata pelo irmão, o que era mentira). O maior inimigo dele é Ciro, o persa. A partir dalí, ela sustenta cada vez mais o seu amor por Belsazar. Na Babilônia ninguém passa pelo portão central que entra a cidade. Certa vez Ciro invade a Babilônia, todo o povo babilôio luta e vence eles, com sofrimento, eles bebem se embriagam fazem grandes cortejos a Ishtar, comem e bebem. No próximo dia, sem os babilônios saberem de nada, Ciro planeja invadir a Babilônia, e vence a guerra com muitos aplausos e destroí uma civilização e mata Belsazar, sua mulher e a moça da montanha, com uma flechada.

História galiléia[editar | editar código-fonte]

Os fariseus são homens cheios de intolerância, que sempre quando rezam todos tem de parar a ouvir. Eles odeiam Jesus Cristo por causa da sua humildade, e seu afeto; ele perdoava, gostava das crianças. Por isso eles mentem que ele é o filho de Satanás, e difamam ele injustamente por sua intolerância política, social e religosa, e seu jeito autoritário e totalitarista. Certa vez, os fariseus condenaram uma mulher por adultério, e Jesus disse: atire a primeira pedra quem nunca pecou, e ele dá uma chance a mulher, isso irrita muito os fariseus. Porém Judas trai Jesus e ele é crucificado mas tem a ressurreição e mostra que a morte é só um obstáculo, segundo o cineasta metodista. Uma passagem desta história mostrando a Judeia de Cristo aparece na abertura da minissérie O Auto da Compadecida, de 1999.

História francesa[editar | editar código-fonte]

No tempo de Catarina de Médici a intolerância reina contra os huguenotes, mas ninguém fala nada, pois são mortos, tudo é escondido pela igreja católica. O rei é um homem honesto e justo, mas Catarina o pressiona junto com o irmão do rei, o efeminado Monsieur de la France. Olhos Castanhos é uma moça que está de casamento marcado para o dia de São Bartolomeu com Próspero (os dois são protestantes), ela é muito linda e conquista quase todos os homens, inclusive um soldado. Ao longo do tempo, o rei se convence que os protestantes estavam invadindo a França e autoriza o massacre de São Bartolomeu, no dia 24 de agosto, e todos os protestantes franceses, são mortos incluindo a linda Olhos Castanhos (por não ter aceitado dar um beijo no soldado), e seu marido, por ter afrontado o exército após a morte de sua amada.

História moderna[editar | editar código-fonte]

Srta. Jenkins é uma senhora solteira, que é dona de uma fábrica e tem muito contato com seu irmão. Ela nunca aceitou perder a juventude, e sempre está fazendo "caridades". Certo dia ela dá um baile e convida todos os seus funcionários, a filha de um dos funcionários é a Doce Menina. Devido a crise, o irmão de Jenkis, o proprietário, abaixa 10% o salário que fica muito baixo. Os trabalhadores fazem uma greve e com um fim um tanto trágico com a morte do pai de um rapaz que muda-se para outra cidade, e entra em uma quadrilha, o Mosqueteiro dos Miseráveis. A Doce Menina também muda-se e vai morar com o pai, mas ele morre. Mais tarde o rapaz e a menina tem um relacionamento, e se casam, porém a moça prometeu ao pai antes de morrer prometeu ao pai que não deixaria nem um homem entrar lá. Ela tem um bebê que quase é raptado por algumas damas, após o pai ser preso, acusando a mãe de ser negligente. Mais tarde há um assassinato devido ao ciúme da esposa do chefe da quadrilha que resulta com sua morte e o rapaz pega a arma na mão e é condenado á morte, isso faz com que ele leve a culpa. A Doce Menina convence um oficial a tentar convencer que o rapaz não foi o criminoso, mas o governador não acredita e pega um trem, mas depois a mulher assume o crime, e a tempo eles salvam o inocente.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Cabiria, filme que influenciou Griffith a fazer Intolerância
  • Lilian Gish - Mulher do berço / Mulher eterna
  • Mae Marsh - A queridinha (história moderna)
  • Robert Harron - O garoto (história moderna)
  • F. A. Turner - O pai (história moderna)
  • Sam de Grasse - Arthur Jenkins (história moderna)
  • Vera Lewis - Mary T. Jenkins (história moderna)
  • Walter Long - Rato (história moderna)
  • Howard Gaye - Cristo (história judaica) e outros
  • Olga Grey - Maria Madalena (história judaica)
  • Frank Bennett - Charles IX (história francesa)
  • Josephine Crowell - Catarina de Médici (história francesa)
  • W. E. Lawrence - Henry de Navarre (história francesa)
  • Margery Wilson - Olhos Castanhos (história francesa)
  • Alfred Paget - Príncipe Belshazzar (hist. babilônica)
  • Seena Owen - Princesa Amada (história babilônica)
  • Ethel Grey Terry - Favorita do Harém (não-creditada)
  • Carmel Myers[6] - Favorita do Harém (não-creditada)

Galeria de fotos de cenas do filme[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g Greatest Box-Office Bombs, Disasters and Film Flops: The Most Notable Examples, Silents–1949 (em inglês) filmsite.org. Visitado em 27 de setembro de 2013.
  2. a b McGee, Scott. Intolerance (em inglês) TCM - Turner Classic Movies. Visitado em 13 de fevereiro de 2013.
  3. a b NAACP: 100 Years of History (em inglês) NAACP (National Association for the Advancement of Colored People. Visitado em 13 de fevereiro de 2013.
  4. a b Cross, Mary. 100 People Who Changed 20th-Century America (em inglês). [S.l.]: ABC-CLIO, 2013. 624 pp. ISBN 9781610690867.
  5. a b Die teuersten Filme aller Zeiten (em alemão) Inside Kino. Visitado em 28 de semtembro de 2013. Cópia arquivada em 2012-04-10.
  6. Carmel Myers no IMDB

Ligações externas[editar | editar código-fonte]