Invasão mongol da Rússia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Este artigo não cita fontes fiáveis e independentes. (desde janeiro de 2011). Por favor, adicione referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Conteúdo sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
História da Rússia
Flag of Russia.svg
Eslavos do Leste
Caganato Cazar
Rússia Kievana
Principado de Vladimir-Súzdal
Bulgária do Volga
Invasão Mongol
Canato da Horda Dourada
Principado de Moscovo
Canato de Cazã
Czarado da Rússia
Império Russo
Revolução de 1905
Revolução de 1917
Revolução de Fevereiro
Revolução de Outubro
Guerra Civil
União Soviética
Era Stalin
Era Khrushchov
Era da Estagnação
Corrida espacial
Perestroika e Glasnost
Federação da Rússia
edite esta caixa

A invasão mongol da Rússia foi uma invasão empreendida por um vasto exército de nômades mongóis iniciada em 1223 contra o estado da Rússia Kievana, a essa altura fragmentada em vários principados. Tal invasão precipitou a fragmentação da Rússia Kievana e influenciou o desenvolvimento da História Russa, incluindo a ascensão do principado de Moscou.

Ataque de 1223 e a Batalha do rio Kalka[editar | editar código-fonte]

Ao mesmo tempo que se fragmentava, a Rússia Kievana sentiu a inexplicável irrupção de uma onda estrangeira irresistível vinda de regiões misteriosas do Extremo Oriente. Para suas sins, diziam os cronistas russos da época, nações desconhecidas chegaram. Nenhum conhecia suas origens ou de onde eles vinham, ou qual religião eles praticavam.

Após as campanhas contra o Império de Khwarezm, em 1221 uma tropa mongol liderada pelos generais Jebe Noyon e Subedei, em uma campanha de reconhecimento para futuras conquistas, passaram pelo norte do Irã e atravessaram os montes Cáucaso, derrotando exércitos georgianos, polovtsianos, khazares e cumanos. No final de 1222 os dois partiram juntos até o oeste, através das estepes, até o Dniester.

Os principados eslavos do Leste associaram os novos invasores com os nômades selvagens Polovtsianos, que de vez em quando pilhavam colonos russos nas fronteiras porém agora preferiam amizade, sendo seu líder, Khotian, genro de Mstislav Mstislavich, o Audaz. Propondo uma aliança com Mstislav contra os mongóis, dizendo: "Estes terríveis desconhecidos nos conquistaram, amanhã eles irão conquistá-los se vocês não virem nos ajudar".Em resposta a esse chamado Mstislav o Audaz e Mstislav Romanovich o Velho formaram uma liga, da qual também aderiram príncipes de outras províncias russas tais como Kursk,Kiev, Chernigov, Volínia, Rostov e Suzdal.

No dia 31 de maio de 1223, os mongóis, com um exército de 25 mil homens, derrotaram os exércitos dos vários principados russos na grande batalha do rio Kalka (1223), a qual permaneceu até os dias de hoje na memória do povo russo. Agora o país encontrava-se a mercê dos invasores, porém, eles se retiraram e voltariam apenas 13 anos depois.

Invasão de Batu Khan (1236-1240)[editar | editar código-fonte]

A vasta horda mongol de aproximadamente 150 mil arqueiros montados, comandada por Batu Khan e Subedei, cruzou o Rio Volga e invadiu a Bulgária do Volga no outono de 1236. Levou um ano para acabar com a resistência dos búlgaros, kypchaks e alanos.

Em novembro de 1237, Batu Khan enviou seus embaixadores para a corte de Jorge II de Vladimir exigindo sua submissão. No mês seguinte, Ryazan foi cercada. Após seis dias de batalha sangrenta, a capital foi totalmente aniquilada, para nunca mais ser restaurada. Alarmado pelas notícias, Jorge II enviou seus filhos para deter os invasores, porém eles logo foram derrotados.

Kolomna e Moscou foram incendiadas e no dia 4 de fevereiro de 1238 Vladimir foi cercada. Três dias depois a capital de Vladimir-Suzdal foi tomada e queimada. A família real pereceu no incêndio, enquanto que o grão-príncipe se retirou para o norte. Cruzando o Volga, ele reuniu um novo exército, que foi totalmente exterminado na batalha do rio Sit em 4 de março.

Em seguida Batu Khan dividiu seu exército em unidades menores que arrasaram quatorze cidades russas: Rostov, Uglich, Yaroslavl, Kostroma, Kashin, Ksnyatin, Gorodets, Galich, Pereslavl-Zalessky, Yuriev-Polsky, Dmitrov, Volokolamsk, Tver e Torzhok. A mais difícil de ser capturada foi a pequena cidade de Kozelsk, cujo príncipe-menino Titus e seus habitantes resistiram aos ataques mongóis por sete semanas. Como a história diz, sabendo das notícias da aproximação mongol, toda a cidade de Kitezh com todos os seus habitantes submergiu em um lago, que pode ser visto nos dias de hoje. As únicas grandes cidades a escaparem da destruição foram Novgorod e Pskov. Os russos que migraram da região sul do país para escapar dos invasores se deslocaram em sua maioria para o nordeste, nas regiões de floresta com solos pobres entre a área norte dos rios Volga e Oka.

No verão de 1238, Batu Khan e Subedei devastaram a península da Crimeia e pacificaram Mordóvia. No verão de 1239 Chernigov e Pereyaslav foram saqueadas. Após muitos dias de cerco, a horda atacou Kiev em dezembro de 1239. Apesar da forte resistência de Daniel da Galícia, Batu Khan tomou duas de suas principais cidades, Halych e Vladimir. Após anexarem a Rússia a seus domínios, os mongóis então resolveram "alcançar o último mar" e invadiram em 1241 Reino da Polônia, a região da moderna Romênia e o Reino da Hungria. Depois disso Subedei estava discutindo planos de atacar o norte da Itália, Áustria e os estados germânicos, porém tiveram de recuar devido a morte de Ogodei.

O período do jugo tártaro-mongol[editar | editar código-fonte]

Neste período os invasores vieram para ficar, e construíram para si mesmos uma capital chamada Sarai, no baixo Volga, próximo ao Mar Cáspio. Aí estava o comandante supremo da Horda de Ouro, como era chamada a porção noroeste do Império Mongol, fixando seus quartel-general dourado e representando a majestade de seu soberano, o grande khan que viveu com a Grande Horda no vale do Orkhon do Amur. De lá subjugaram a Rússia nos próximos 3 séculos.

O termo pelo qual esta sujeição é habitualmente chamado, o jugo tártaro ou mongol, sugere ideias de uma terrível opressão, porém na realidade estes nômades invasores vindos da Mongólia não eram como geralmente se supõe tão cruéis e opressivos. Em primeiro lugar, eles nunca colonizaram os principados russos, e não tinham muito contato com os habitantes. Diferente da dominação mongol sobre a China e o Irã, o domínio mongol sobre os principados russos era indireto, aonde os príncipes russos pagavam anuais tributos à Sarai.

Em termos de religião eles eram extremamente tolerantes. Quando apareceram pela primeira vez na Europa, eles eram xamânicos, e naturalmente não tinham fanatismo religioso; Mesmo quando adotaram o Islamismo continuaram tolerantes como antes, e o khan da Horda de Ouro, Berke, o primeiro a se tornar muçulmano, incentivou os russos a fundar um bispado cristão em sua própria capital. Nogai Khan, meio século depois, se casou com a filha do imperador bizantino, e deu seu própria filha em casamento a um príncipe russo, Teodoro o Negro. Alguns historiadores russos modernos acreditam que não houve uma invasão geral. De acordo com eles, os príncipes russos fizeram uma aliança defensiva com a Horda objetivando repelir os ataques dos fanáticos Cavaleiros Teutônicos, que se mostraram um perigo muito maior à religião e cultura russa.

Isto representa o lado positivo do domínio tártaro, que também têm o lado negativo. Como a grande horda de nômades estava acampada na fronteira o país encontrava-se a mercê de invasões por uma força esmagadora de cruéis saqueadores. Tais invasões não eram frequentes, porém quando ocorriam causavam uma incalculável quantidade de devastações e sofrimentos. Nestes intervalos as pessoas tinham de pagar um tributo estabelecido. De início era colecionado em um visual tosco e pronto por um exame de coletores de taxas tártaros, porém a partir de 1259 passou a ser regulado por um censo de população, e finalmente, a coleção dos tributos passou a ser encarregada pelo príncipe local, então o povo passou a não ter mais um contato direto com oficiais tártaros.

Influência[editar | editar código-fonte]

A influência da invasão mongol nos territórios da Rússia Kievana foi sem precedentes. Centros tradicionais como Kiev nunca se recuperaram da destruição do ataque inicial. A República de Novgorod continuou a prosperar. Novos centros prosperaram sob o jugo mongol, tais como Moscou e Tver.

Os historiadores debateram a influência a longo prazo do domínio mongol na sociedade russa.

Os mongóis foram culpados pela destruição da Rússia Kievana, a fragmentação da antiga nacionalidade russa em três componentes e a introdução do conceito de "despotismo oriental" na Rússia. Porém alguns historiadores concordam que a Rússia Kievana não era uma entidade homogênea, seja no nível político, étnico ou cultural, e que os mongóis apenas aceleraram o processo de fragmentação que começou antes da invasão. Outros acham que o jugo mongol teve um papel importante no desenvolvimento da Rússia como um Estado. Sob domínio mongol a Moscóvia, por exemplo, desenvolveu a sua rede postal, censo, sistema fiscal e organização militar.

Certamente, pode ser argumentado (e é) que Moscou, e subsequentemente a Rússia, não teriam se desenvolvido sem a destruição mongol da Rússia Kievana. Ademais, o jugo mongol sobre os restos de Kiev e os principados sobreviventes como o de Novgorod, forçaram tais entidades a olhar para o Ocidente em busca de aliados e tecnologia. Igualmente, rotas comerciais vindas do Leste como desdobramentos das "Rotas da Seda" chegaram aos povos russos, fazendo assim um centro de comércio de ambos os mundos. Em suma, a influência mongol, de um lado destrutiva ao extremo para seus inimigos, teve um papel significativo a longo prazo no surgimento da Rússia moderna.

Ver também[editar | editar código-fonte]