Handroanthus impetiginosus

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Piúva

Piúva
Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Plantae
Filo: Tracheophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Lamiales
Família: Bignoniaceae
Género: Handroanthus
Nome binomial
H. impetiginosus
(Mart. ex DC.) Mattos
Sinónimos
Tabebuia impetiginosa
(Mart. ex DC.) Standl.
Gelseminum avellanedae (Lorentz ex Griseb.) Kuntze
Handroanthus avellanedae (Lorentz ex Griseb.) Mattos
Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos
Tabebuia avellanedae Lorentz ex Griseb.
Tabebuia dugandii Standl.
Tabebuia ipe (Mart.) Standl.
Tabebuia nicaraguensis S.F. Blake
Tabebuia palmeri Rose
Tabebuia schunkevigoi D.R. Simpson
Tecoma adenophylla Bureau ex K. Schum.
Tecoma avellanedae (Lorentz ex Griseb.) Speg.

Tecoma impetiginosa Mart. Tecoma integra (Sprague) Chodat

Ipê-roxo (Handroanthus impetiginosus [1] ) é uma árvore da América do Sul, conhecida pela utilização utilização medicinal e como madeira de lei. Seus nomes populares mais conhecidos são: piúva, pau-d'arco, piúna, ipê-roxo-de-bola, ipê-una, ipê-roxo-grande, ipê-de-minas, piúna-roxa [2]

A reclassificação recente do gênero Tabebuia colocou como mesma espécie a Tabebuia impetiginosa e a Tabebuia avellanedae, mas há discordância de botânicos brasileiros. [Nota 1]

Uma espécie conhecida como ipê-rosa, ipê-roxo-de-sete-folhas e também ipê-roxo, com flores de cor semelhante (rosa), corresponde ao Handroanthus heptaphyllus diferenciando facilmente por suas folhas compostas 5-7 foliadas. [2]

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

É uma árvore nativa da Mata Atlântica brasileira, encontrada tanto na floresta pluvial atlântica como na semidecidual. Por vezes ocorre também no cerrado.

Nativa dos estados brasileiros do Acre, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.

Ocorre também na Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname e Venezuela, na América do Sul; em El Salvador, Costa Rica, Guatemala, Honduras, Nicarágua e Panamá, ma América Central, e no México (América do Norte).

Costuma viver em matas ciliares no cerrado, e em áreas perto de rios.

Características[editar | editar código-fonte]

Árvore decídua, de crescimento rápido, com altura de 8 a 12 m, pode chegar aos 30 m no interior da mata. Ocupa na mata primária o dossel superior. [2]

As folhas são compostas com 5 folíolos grandes, como a maioria dos ipês. São coriáceas ou subcoriáceas.

Inflorescência e vagem com sementes.

Como os demais ipês, é uma árvore ornamental, cuja floração ocorre na estação seca (maio-agosto), época em que perde todas as folhas. A inflorescência é um panículo terminal, as flores que vão do rosa ao lilás duram poucos dias e fornecem alimento para insetos como como abelhas, que são importantes polinizadores, destacando o vespão mamangava, aves entre as quais os colibris e mesmo macacos. [3]

O frutos são capsulas septicidas grossas em uma vagem deiscente. As sementes membranáceas são dispersas por anemocoria (pelo vento). [2]

Valor econômico[editar | editar código-fonte]

Em arborização urbana na Argentina.

A árvore é muito usada em arborização urbana no sudeste e centro-oeste do Brasil.

A madeira apresenta boa durabilidade e resistência contra organismos que dela se alimentam (xilófagos), sendo difícil de serrar ou pregar. Utilizada na construção civil, currais, acabamentos internos, instrumentos musicais e bolas de boliche. [2]

Da casca, são extraídos os ácidos tânicos e lapáchico, sais alcalinos e corante que é usado para tingir algodão e seda.

Uso medicinal[editar | editar código-fonte]

Possui atividade antioxidante, antibiótica, bactericida, antifúngica, cicatrizante. [4] [5] [6] [7] [8] [9] [10]

Apesar da discutível ação antineoplásica. [11] o ipê-roxo é muito usado em medicina popular no combate de câncer e inflamações, além das propriedades citadas e do poder de inibir o crescimento de tumores malignos e, ao mesmo tempo, reduzir a dor. O extrato da entrecasca e cerne do lenho contém uma substancia amarela da classe das naftoquinonas, estruturalmente relacionada com a vitamina K, conhecida como lapachol entre outras naftoquinonas e antraquinonas presentes. [12] [13] [14]

Da entrecasca faz-se um chá que é usado no tratamento de gripes e depurativo do sangue. A casca da espécie está entre os produtos amazônicos, com reconhecido poder medicinal, mais procurados. [carece de fontes?]

As folhas são utilizadas contra úlceras sifilíticas e blenorrágicas. A espécie também tem propriedades anticancerígenas, anti-reumáticas e antianêmicas. [carece de fontes?]

Balbach refere-se ao uso das folhas de uma espécie conhecida com Ipê - batata ou braco (T. leucantha) como eupéptico, diurético, depurativo e útil na litíase vesical. O ipê-roxo (T. impetiginosa) se usa a casca em decoção contra inflamações artríticas, impinges, sarna, catarro da uretra, leucorreia (também em banhos e lavagens vaginais) [15]

O ipê-roxo também é usado como recurso medicinal no estado do Mato Grosso para tratamento de diabetes mellitus. [16]

Lapachol um composto natural fenólico isolado do córtex diversas espécies do gênero Handroanthus (em espanhol Lapacho) especialmente H. impetiginosus [13] [17]

Referências

  1. Handroanthus impetiginosus (Mart. ex DC.) Mattos — The Plant List theplantlist.org (2012 [last update]). Visitado em 27 August 2012. "Handroanthus impetiginosus"
  2. a b c d e LORENZI, Harri: Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 1. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002, 4a. edição. ISBN 85-86174-16-X
  3. AOMS - Agricultura Orgânica Mundo Sustentável. Ipê / Botânica Acesso. Jan. 2015
  4. BUDNI, Patrícia et al. Estudos preliminares da atividade antioxidante do extrato hidroetanólico de folhas jovens e adultas de Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo (ipê-roxo) Lat. Am. J. Pharm. 26 (3): 394-8 (2007) PDF Acesso jan. 2015
  5. GRANDIS, Adriana; ALEIXO, Adriana Mendes; DÉDALO, Maria de Fátima Nepomuceno; RUGGIERO, Ana Célia. Avaliação da capacidade antioxidante do extrato de pau d’ arco (Tabebuia avellanedae) e suas frações. Anais da 58ª Reunião Anual da SBPC - Florianópolis, SC - Julho/2006 Acesso Jan. 2015
  6. OSWALD, Edward H. "Lapacho", British Journal of Phytotherapy, vol. 3, No. 3, 1993/94, pp. 112-117. apud: Google patents US 6656485 B1 Acess, Jan. 2015
  7. ANTUNES, Rossana M. Pessoa et al . Atividade antimicrobiana "in vitro" e determinação da concentração inibitória mínina (CIM) de fitoconstituintes e produtos sintéticos sobre bactérias e fungos leveduriformes. Rev. bras. farmacogn., João Pessoa , v. 16, n. 4, Dec. 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2006000400014&lng=en&nrm=iso>. access on 21 Jan. 2015.
  8. BARBOSA-FILHO, José Maria et al . Botanical study, phytochemistry and antimicrobial activity of Tabebuia aurea: (with 1 table & 1 figure). Phyton (B. Aires), Vicente López, 2015 . Disponible en <http://www.scielo.org.ar/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1851-56572004000100027&lng=es&nrm=iso>. accedido en 20 enero 2015.
  9. SOUZA, Marco Andre Alves de et al . Atividade biológica do lapachol e de alguns derivados sobre o desenvolvimento fúngico e em germinação de sementes. Quím. Nova, São Paulo , v. 31, n. 7, 2008 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422008000700013&lng=en&nrm=iso>. access on 21 Jan. 2015.
  10. COELHO, Julice Medeiros et al . O efeito da sulfadiazina de prata, extrato de ipê-roxo e extrato de barbatimão na cicatrização de feridas cutâneas em ratos. Rev. Col. Bras. Cir., Rio de Janeiro , v. 37, n. 1, Feb. 2010 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69912010000100010&lng=en&nrm=iso>. access on 20 Jan. 2015.
  11. HIGA, Roberta Alves Estudo da ação antineoplásica da Tabebuia avellanedae (Ipê-Roxo) na carcinogênese induzida pelo azoximetano em camundongos. Dissertação Mestrado em Pós- Graduação em Saúde e Desenvolvimento (Orientador: Ricardo Dutra Aydos) - Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Campo Grande MS, 2007 PDF Acesso Jan. 2015
  12. ARAUJO, Evani L.; ALENCAR, João Rui B.; ROLIM NETO, Pedro J.. Lapachol: segurança e eficácia na terapêutica. Rev. bras. farmacogn., Maringá , v. 12, supl. 1, 2002 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-695X2002000300028&lng=en&nrm=iso>. access on 20 Jan. 2015.
  13. a b FONSECA, Said Gonçalves da Cruz; BRAGA, Rossana Maria Carvalho; SANTANA, Davi Pereira de. Lapachol, química, farmacologia e métodos de dosagem Rev. Bras. Farm., 84(1): 9-16, 2003 PDF Acesso Jan. 2015
  14. FERREIRA, S. B.; GONZAGA, D. T. G.; SANTOS, W. C.; ARAÚJO, K. G. L.; FERREIRA, V. F. β-Lapachona: Sua importância em química medicinal e modificações estruturais. Rev. Virtual Quim., 2010, 2 (2), 140-160. Outubro de 2010 PDF Acesso Jan. 2015
  15. BALBACH, Alfons . A Flora Nacional na medicina doméstica, SP, Edições “A edificação do lar” ...
  16. GUARIM NETO, Germano ; MORAIS, Ronan Gil de. Recursos medicinais de espécies do cerrado de Mato Grosso: um estudo bibliográfico. Acta bot. bras. 17(4): 561-584. 2003 561 PDF Acesso, Jan. 2015
  17. BARBOSA, Ticiano Pereira; DINIZ NETO, Hermes. Preparação de derivados do lapachol em meio ácido e em meio básico: uma proposta de experimentos para a disciplina de Química Orgânica Experimental. Quím. Nova, São Paulo , v. 36, n. 2, 2013 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-40422013000200021&lng=en&nrm=iso>. access on 21 Jan. 2015.

Bibliografia adicional[editar | editar código-fonte]

  • Kenneth Jones. Pau D'Arco: Immune Power from the Rain Forest. Vermont, Healing Arts Press, 1995 Google Books Acess. Jan. 2015
  • Walter Lubeck. Healing Power of Pau D'Arco. USA, Lotus Light Pub. 1998 Google Books Acesso Jan. 2015
  • Patricia Shanley, Gabriel Medina: Frutíferas e plantas úteis na vida amazônica, eds., Silvia Cordeiro, Miguel Imbiriba 2005 Center for International Forestry ISBN 85 88808 02 1

Notas

  1. Lorenzi não concorda explicitamente com a identidade entre essas espécies, postulada por A.H.Gentry. Refere com área de ocorrência no Brasil, o H. avellanedae nos estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo até o Rio Grande do Sul (floresta latifoliada semidecídua da bacia do rio Paraná), e o H. impetiginosus os estados do Piauí, Ceará até Minas Gerais, Goiás e São Paulo, na mata pluvial atlântica e na floresta semidecídua, ocasionalmente no cerrado (Lorenzi, Harri: Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil (o.c.))

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Handroanthus impetiginosus

Ligações externas[editar | editar código-fonte]