Iridologia

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A íris é a porção (nesse caso) amarelo-esverdeada ao redor da pupila transparente (na fotografia, em preto). A área branca ao redor da íris é a esclera e a lente transparente anterior à íris e à pupila é a córnea.

A iridologia, iridodiagnose ou irisdiagnose é uma forma de diagnose (na etmologia: conhecer através da íris) na qual a análise de padrões, cores e outras características da íris permite que se conheçam as condições gerais de saúde baseada na suposição de que alterações na íris refletem doenças específicas em órgãos. Os praticantes dessa técnica utilizam-se de "mapas da íris" ou ainda "cartas topográficas" que divide a íris em zonas que estão relacionadas a porções específicas do corpo humano. Com a exceção de doenças que também atingem a íris, como intoxicações por cobre (o anel de Kayser-Fleischer na Doença de Wilson), no entanto, não há nenhuma evidência científica que comprove o princípio ou a eficácia do método.

A iridologia não faz diagnóstico em hipótese alguma.[1] Para isso, um médico competente realiza exames clínicos e complementares. A iridologia, por sua vez, apenas aponta órgãos fracos, conhecidos como "órgãos de choque" e realiza um trabalho profilático e multidisciplinar.

Sabendo quais os órgãos mais fracos, o iridólogo indica a pessoa para o médico especialista que cuida de determinado problema e ainda para outros profissionais da área da saúde como por exemplo, nutricionistas, fisioterapeutas, naturólogos, dentistas, psicólogos, educadores físicos, entre outros.

O diagnóstico por meio da íris[editar | editar código-fonte]

Mapa da íris do olho esquerdo humano.
Mapa da íris direita do olho humano.
Lacunas

As lacunas aparecem na íris como pequenos buracos, covas onde as fibras da íris se separam. Basicamente, quando se observa uma lacuna na íris, pode-se concluir que já existiu ou existe um problema na parte do corpo correspondente a essa lacuna. Através da cor e da profundidade da lacuna consegue-se determinar em que estágio se encontra. O corpo reage a estas lacunas, aumentando a circulação de sangue e linfa no tecido irritado. Quando o sangue e a linfa não consegue chegar ao tecido afectado, os órgãos começam a atrofiar, as lacunas começam a aparecer mais profundas afectando a segunda parte da íris.

Há vários tipos de lacuna:

  • Lacuna Aberta;
  • Lacuna Fechada-encapsulamento de toxinas e material mórbido no tecido;
  • Lacuna Pêra-este é um sinal para tendência de cancro;
  • Lacuna Torpedo-possíveis sinais de tumores, dependendo da cor e profundidade;
  • Lacuna Escada e Lacuna telha de madeira- sinal pré-canceroso;
  • Lacuna Favo de Abelha-sinal de desequilíbrio endócrino. Desenvolvimento de cirrose;
  • Lacuna Aspargo-considerado pelos iridologistas um sinal clássico para cancro;
  • Lacuna Folha- é uma das mais frequentes. Significa um processo genético de predisposição a tumores benignos

Métodos[editar | editar código-fonte]

Iridologistas geralmente usam equipamentos como lanternas, lentes de aumento, câmeras ou lâmpadas de fenda para o exame detalhado da íris. Os achados são geralmente comparados a um gráfico que correlaciona zonas específicas da íris com porções específicas do corpo humano. Os gráficos típicos dividem a íris em 80 a 90 zonas e nem sempre relacionam a mesma porção da íris ao mesmo órgão.

De acordo com os iridologistas, detalhes da íris supostamente refletem mudanças específicas nos tecidos dos órgãos. Por exemplo, sinais de "inflamação aguda", "inflamação crônica" e "catarral" corresponderiam a "envolvimento", "manutenção" ou "cura" dos órgãos correspondentes à zona da íris afetada. Outros achados seriam os "anéis de contração" e "klumpenzellen", que indicam outras condições.

Outra corrente da iridologia afirma ser possível identificar deficiências nutricionais e de oligoelementos, que causam predisposição ao aparecimento de doenças e podem ser corrigidas antes que as mesmas se desenvolvam. Afirma-se também ser factível determinar como o indivíduo aprende, se expressa, se modifica e como gera seus relacionamentos, desde a infância, dando a oportunidade de agir sobre distúrbios psicológicos.

História[editar | editar código-fonte]

O hábito de examinar os olhos de uma pessoa para ajudar a avaliar a sua saúde existe pelo menos desde a antiga Grécia. A primeira descrição de princípios da iridologia como homolateralidade é encontrada na Chiromatica Medica, obra publicada em 1665 por Philippus Meyeus (Philip Meyen von Coburg). Trinta anos mais tarde, em 1695, mais um livro surgiu, intitulado "Os olhos e seus sinais", de autoria de Cristian Haertls.

O primeiro uso da palavra Augendiagnostik ("diagnóstico do olho"), é atribuído a Ignatz von Péczely, um médico húngaro do século XIX. A história mais comum sobre como o método foi criado é a de que von Péczely encontrou linhas na íris de um paciente que estava tratando de uma fratura na perna que eram muito semelhantes às de uma coruja cuja pata von Péczely havia quebrado anos antes (no entanto, essa história foi desmascarada como falsa pelo sobrinho do mesmo, August von Péczely, no primeiro congresso internacional de iridologia).

Outros nomes importantes na história da iridologia foram o pastor germânico Felke, que no início do século XX descreveu novos sinais iridológicos, desenvolveu uma forma de homeopatia para doenças específicas e fundou o Instituto Felke; Bernard Jensen, um quiroprata norte-americano que popularizou a prática nos Estados Unidos, defendia o uso de alimentos naturais para desintoxicação de toxinas e dava aulas sobre iridologia, entre outros para P. Johannes Thiel e Eduard Lahn, que também se destacaram na área; Denny Johnson (Escola Rayid), norte-americano; Adrian Vander, espanhol de Barcelona; Daniele Lo Rito, italiano; Jonh Andrews (Orla Pupilar Interna), inglês; Celso Batello (Escola Brasileira) , Priscila Esteves e Maria Olanda Pereira (Escola Chinesa), Maria Aparecida dos Santos, Marcio Corrêa ( Iridologia Sistêmica), Adalton Vilhena Stracci, brasileiros.

Escolas de Iridologia[editar | editar código-fonte]

1) Iridologia Alemã: A Iridologia foi sistematizada na Alemanha há cerca de quatro séculos. O primeiro livro que citou esse sistema foi “Chiromantia Medica” de Phillipus Meyens em Dresden, Alemanha, no ano de 1670.[2] A Escola Alemã de Iridologia preconiza apontar as Constituições Geral e Individual da pessoa. Através delas é possível dizer qual(is) humores - parte líquida do corpo - (sangue, linfa, urina ou enzimas) tem maior dificuldade em eliminar toxinas. Ainda é possível perceber quais são os órgãos de choque, ou órgãos mais fracos, e que tem maior propensão a adoecer.[1]

2) Iridologia Método RayId: Abrange aspectos psíquicos, classifica quanto à introversão e analisa padrões de relacionamento a partir da análise das íris. Foi estipulado por Denny Johnson nos Estados Unidos por volta de 1980 e nasceu da observação e categorização de sinais estruturais e adquiridos.[3]

3)Iridologia Método Jensen: É um método também americano, criado na segunda metade do século XX pelo médico nutrólogo Dr. Bernard Jensen. Nele, a íris além de permitir o conhecimento dos órgãos mais fracos, também é indicativa de métodos terapêuticos adequados para promover saúde e qualidade de vida através de medidas simples como a ergometria e a ingestão de nutrientes pela alimentação.[4]

4)Olhodiagnose Chinesa: Segundo os Clássicos de Medicina Chinesa,[5] [6] e [7] a prática de examinar os olhos para apontar quais males estão acometendo o indivíduo é feito há cerca de 5 mil anos. A acupuntura há muito tempo lança mão desse método para agregar dados na anamnese que antecede a prática de tratamento.

No ano de 2009, no Brasil, Priscila Esteves e Maria Olanda Pereira uniram esses conhecimentos chineses com a Iridologia Alemã, propondo assim um sistema de irisdiagnose que mostra a Constituição Individual da pessoa e ainda a parte do organismo que precisa de mais atenção no momento da consulta, a fim de fazer os devidos encaminhamentos às especialidades médicas respectivas e indicar terapias complementares de acordo com recomendações da equipe multidisciplinar.[carece de fontes?]

4) Orla Pupilar Interna: a Orla Pupilar Interna é a parte que contorna a pupila. E segundo o médico inglês, Dr. John Andrews é ela quem revela a força motriz do indivíduo, ou seja, se a pessoa é disposta, se reage bem a tratamentos ou não e ainda se alguma vez esgotou seu tanque de energia vital.[1]

Iridologia e ciência[editar | editar código-fonte]

Poucos pesquisadores investigaram cientificamente os fundamentos da iridologia. Em um estudo publicado na revista Medical Hypotheses,[8] um grupo tentou explicar os parâmetros observados na transparência da íris que distribui luz na ora serrata (borda da retina ótica) postulando a chamada functio ocularis systemica, baseada na qual tentaram desenvolver o método terapêutico terapia de luz trans-iridal, mas não houve nenhuma confirmação independente da teoria ou da terapia. Também tentou-se desenvolver imagens computadorizadas da íris com o objetivo de aprimorar o diagnóstico.[9]

Alguns estudos procuraram analisar a validade da iridologia como método diagnóstico. Em 1979, um grupo de pesquisadores utilizou diapositivos de 143 pacientes, sendo 95 saudáveis, 24 com doença renal leve e 24 com nefropatia severa, que foram sequencialmente analisados por três iridologistas que separadamente procuraram diagnosticar doença e gravidade. Os diagnósticos foram incorretos na grande maioria dos casos e praticamente não houve concordância entre os iridologistas.[10] Outro estudo com método semelhante, utilizando pacientes saudáveis e portadores de colecistopatia, obteve os mesmos resultados.[11] Em ambos, os iridologistas consentiram em participar do estudo, concordaram com o método e tiveram a possibilidade de excluir as fotografias que considerassem de qualidade insuficiente para avaliação.

Ernst,[12] 2000, analisou a literatura científica disponível até o momento sobre o estudo da iridologia, um total de 77 artigos publicados. Todos os estudos realizados sem controle e vários dos realizados (sem lado cego), portanto de baixa qualidade em termos de metodologia científica, sugeriam que a iridologia seria uma ferramenta diagnóstica válida. Sobre os únicos 4 estudos com metodologia científica correta, concluiu: "Em conclusão, poucos estudos controlados com avaliação cega sobre validade diagnóstica foram publicados. Nenhum encontrou qualquer benefício da iridologia. Como a iridologia tem o potencial de causar dano pessoal e econômico, pacientes e terapeutas deveriam ser desencorajados de utilizá-la."

No entanto, outro levantamento feito posteriormente por Salles,[13] encontrou cerca de 120 trabalhos que citam a Iridologia como ferramenta de diagnose complementar. Para uma análise mais profunda foram considerados 25 artigos de bases científicas indexadas, dos quais 14 apresentam conclusões a favor da Iridologia e 11 se colocam contra, segundo Salles, o fato desses 11 artigos se colocarem contra a Iridologia é o errônio conceito de que este método faria diagnóstico e esses resultados servem principalmente para direcionar os próximos estudos da Iridologia como uma ferramenta que apenas revela os órgãos mais fracos dos indivíduos.

Argumentos favoráveis[editar | editar código-fonte]

  • A Iridologia não é ferramenta de diagnóstico, apenas dá noção da constituição do indivíduo; .[1]
  • O exame iridológico não é invasivo. A única coisa que os pacientes teriam que tolerar é a luz intensa nos olhos;
  • Iridologistas têm uma visão holística da saúde e procuram descobrir desequilíbrios que predispõem ao aparecimento de doenças, podendo recomendar hábitos saudáveis.

Argumentos contrários[editar | editar código-fonte]

  • A iridologia seria um método diagnóstico sem qualquer comprovação científica de eficácia e com evidências científicas suficientes que demonstram a sua ineficácia;
  • A íris é uma estrutura que praticamente não se altera durante a vida do ser humano, sendo um dos objetos mais estudados da biometria por essa característica;
  • A iridologia não é legitimizada por qualquer efeito placebo decorrente da mesma ou por evidência anedótica.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Favoráveis[editar | editar código-fonte]

Contrárias[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Battello, Celso Fernandes. Iridologia e Irisdiagnose. O Que Os Olhos Podem Revelar. São Paulo, Ground, 1999
  2. Lindemann, Gunther. Manual de Iridologia. Editora Ciência Brasilis. Minas Gerais, 2005
  3. Johnson, Denny. The eye reveals. 1. ed. USA, 1984
  4. Jensen, Bernard. Science and Practice of iridology, vol. I, USA, 1952.
  5. Shu Jing, Ling. “Spiritual Axis”. Primeira Publicação: 100 a.C..Ed. People´s Health Publishing House. Beijing, CHINA, 1981
  6. Jiao Shi, Nan Jing. A Revised Explanation of the Classic of Dificulties. P D.C..Editora. People´s Health Publishing House. Beijing, China, 1979
  7. Su Wen, Huang Ti Nei Jing. “The Yellow Emperor´s Classic of Internal Medicine Simple Questions”. Primeira Publicação: 100 a.C..Ed. People´s Health Publishing House. Beijing, CHINA, 1979
  8. Waniek, D.A., Medical Hypotheses 1987;23(1):309-312.
  9. Popescu, M.P.; Waniek D.A., Rev Chir Oncol Radiol O R L Oftalmol Stomatol Ser Oftalmol 1986;30(1):29-33 (em romeno)
  10. A. Simon; D. M. Worthen; J. A. Mitas 2nd An evaluation of iridology JAMA. 1979;242:1385-1389.
  11. Knipschild P. Looking for gall bladder disease in the patient's iris. BMJ. 1988 Dec 17;297:1578-81
  12. Ernst, E Iridology: not useful and potentially harmful. Arch Ophthalmol. 2000; 118(1):120-1
  13. Salles, Léia Fortes; Silva, Maria Júlia Paes. Iridologia: revisão sistemática Revista da Escola de Enfermagem da USP, São Paulo, v.42 n.3, set. 2008.