Iroko (orixá)

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Iroko (Chlorophora excelsa)[1] [2] - Árvore africana, também conhecido como Rôco, Irôco, é um orixá, cultuado no candomblé do Brasil pela nação Ketu e, como Loko, pela nação Jeje. Corresponderia ao Nkisi Tempo na Angola/Congo.

História[editar | editar código-fonte]

No Brasil, Iroko é considerado um orixá e tratado como tal, principalmente nas casas tradicionais de nação ketu. É tido como orixá raro, ou seja, possui poucos filhos e raramente se vê Iroko manifestado. Para alguns, possui fortes ligações com os orixá chamados Iji, de origem daomeana: Nanã, Obaluaiyê, Oxumarê. Para outros, está estreitamente ligado a Xangô. Iroko também guarda estreita ligação com as ajés, as senhoras do passaro. Seja num caso ou noutro, o culto a Irôko é cercado de cuidados, mistérios e muitas histórias.

No Brasil, Iroko habita principalmente a gameleira branca, cujo nome científico é ficus religiosa. Na África, sua morada é a árvore iroko, nome científico chlorophora excelsa, que, por alguma razão, não existia no Brasil e, porém recentemente fora constatada a existência de 6 árvores deste tipo raro, 1 no Gantois em Salvador, 1 no Ilê Obá Nila no Rio de Janeiro, 1 no Terreiro Caxuté em Valença /Bahia, 1 na Casa Branca do Engenho Velho também em Salvador, as demais não foram confirmadas sua originalidade ainda, apesar dos relatos.

Para o povo yorubá, Iroko é uma de suas quatro árvores sagradas normalmente cultuadas em todas as regiões que ainda praticam a religião dos orixás. No entanto, originalmente, Iroko não é considerado um orixá que possa ser "feito" na cabeça de ninguém.

Para os yorubás, a árvore Iroko é a morada de espíritos infantis conhecidos ritualmente como "abiku" e tais espíritos são liderados por Oluwere. Quando as crianças se vêem perseguidas por sonhos ou qualquer tipo de assombração, é normal que se faça oferendas a Oluwere aos pés de Iroko, para afastar o perigo de que os espíritos abiku levem embora as crianças da aldeia. Durante sete dias e sete noites o ritual é repetido, até que o perigo de mortes infantis seja afastado.

O culto a Iroko é um dos mais populares na terra yorubá e as relações com esta divindade quase sempre se baseiam na troca: um pedido feito, quando atendido, sempre deve ser pago pois não se deve correr o risco de desagradar Iroko, pois ele costuma perseguir aqueles que lhe devem.

Iroko está ligado à longevidade, à durabilidade das coisas e ao passar do tempo pois é árvore que pode viver por mais de 200 anos.

Citações de pesquisadores[editar | editar código-fonte]

Bosman, em 1698 - "Ele era considerado o segundo "fetiche" em importância em Ouidah"

Le Hérissé, em 1910, deu indicações mais pertinentes sobre essa devoção. Uma das principais árvores cultuadas era Loko (Chlorophora excelsa, Moraceae), que em si, não é uma árvore sagrada, apenas o sendo quando serve de assento a uma divindade. Seu nome no Daomé está sempre ligado ao do Vodun que lhe deu este caráter.

Bosman, p. 394 - Existem, entre eles, três Divindades principais conhecidas em todo o país… a segunda são árvores (as outras duas são as serpentes e o mar) extraordinariamente altas e que parecem ser a obra-prima da natureza. Contentam-se em fazer-lhes oferendas em caso de doenças e, sobretudo, nas ocasiões em que há febres.

Padre Labat, t.II: 163 - Não custa tanto (ver sacrifícios ao mar) tornar favoráveis as árvores, que são as divindades da segunda espécie. Habitualmente são os doentes que recorrem a elas. Seu poder, como todo homem de bom senso percebe facilmente, é bem pequeno ou, melhor, não é nenhum, mas cura-se a imaginação oferecendo-lhes um sacrifício. Como, frequentemente, a imaginação é a sede da doença, a partir do momento que esta é curada, é inevitável que o doente se sinta melhor. Sacrificam-se às árvores apenas pães de milhete, de milho ou arroz; o Marabu coloca-os ao pé da árvore para com a qual o doente tem devoção e ali os deixa durante algum tempo. Leva-os embora em seguida, a menos que o doente se entenda com ele para abandonar ali as oferendas, até que os cachorros, aves e porcos a comam.

Guillaume Smith, p.141 - "Suas divindades de segunda ordem são as árvores muito velhas, pelas quais eles tem grande veneração"… Pruneau Pommegorge, p.197 - "Grandes árvores, que são árvores fetiches; o povo as reverencia e ninguém ousaria cortá-las, sem temer as piores desgraças para o país".

Richard Burton, [1], t. 4:92 - O segundo deus (após a serpente) é representado por árvores soberbas, em cuja formação a Mãe Natureza parece ter exprimido sua grande arte. Fazem-lhe orações e oferendas nas épocas de doença e, sobretudo, de febres. As mais reverenciadas são a Hun-tin ou paineira (Ceiba petandra, Bombacaceae), cujas mulheres, a ela dedicadas, igualam em número as mulheres da serpente, e o Loko, o ordálio Edum, árvore venenosa, bem conhecida na costa ocidental africana. Esta última tem poucas Loko-si ou mulheres de Loko, mas, de outro lado, possui seus próprios potes-fetiche, que podem ser adquiridos em qualquer mercado.

Skertchely, p. 467 - A próxima divindade em importância é Atin-bodun cuja forma terrestre é a de diversas árvores, enquanto sua morada se situa em alguns espécimens curiosos das artes e da cerâmica, como por exemplo, uma panela vermelha, com vários orifícios, enterrada no chão e emborcada, com o fundo aparecendo, em um pequeno degrau de terra, aos pés de algum arbusto ou árvore nova, que cresce na porta de uma casa. À direita encontra-se um recipiente em forma de cabaça, com garganta e geralmente pintado de branco na parte exterior. O culto à Atin-bodun consiste na fé em seu poder de prevenção e cura das doenças, sobretudo a febre, e em oferendas de água derramada no pote. Desnecessário dizer que ele é o patrono de todos os médicos. Considera-se que qualquer árvore de grande porte é habitada por essa divindade, mas, para eles, são especialmente sagrados o Hun ou cincho, e o Lokoou árvore do veneno. Uma infusão de suas folhas é usado como ordálio para detectar todo crime oculto.

J. B. Ellis, [1], p.49 - Copia com muita exatidão as informações de Burton e acrescenta: As árvores que são as moradas especiais desses deuses - pois não são todas as árvores dessas duas variedades (Huntin e Loko) que são honradas - são cingidas por uma guirlanda de folhas de palmeira…

Uma árvore rodeada por uma guirlanda de folhas de palmeira não pode ser cortada ou maltratada de forma alguma e até mesmo os "cinchos e Odum" que não são animados por Huntin e Loko não podem ser abatidos sem que certas cerimônias sejam realizadas. Considera-se que pertencem ao deus em algum grau ou estão sob sua proteção. Um negro que deseje cortar uma dessas árvores deve, antes de mais nada, oferecer um sacrifício de frangos e de azeite-de-dendê.

Le Hérissé - Escreve ele (p. 114): "Loko ou Roco - Existem tantas lendas sobre Roco quanto sobre os Vodun, sob cujo nome aparece esta árvore: Adanloko, Atanloko, Lokozoun etc. " .

Melville J. Herskovits, [1], t.II:108 situa seu estudo particularmente em Abomé e encara Loko sob o estrito ponto de vista dos integrantes do "Panteão do céu", onde, diz ele:

…este deus é importante para a compreensão da religião daomeana, na medida em que oferece uma visão das inter-relações dos diversos cultos no Daomé. Entre as divindades do céu, Loko é encarregado de cuidar das árvores que se encontram na terra e suas funções são de tal modo significativas que ele tem como assistente seu jovem irmão, Medje.

As árvores têm alma e são associadas aos espíritos denominados Aziza, que, por um lado, dão a magia aos homens, por outro, são associados ao culto dos antepassados.

Que Loko seja o deus das árvores e que as árvores tenham uma alma explica a importância do emprego das folhas na prática medicinal e religiosa no Daomé e estabelece a declaração de um informante, sacerdote: "Se alguém souber o nome e a história de todas as folhas da mata, saberá tudo o que existe para saber a respeito da religião daomeana".

Alexandre Adandê [1], indica que no bairro de Tenji, em Abomé, Alantan Loko seria o Orísa Oko dos yoruba.

Pierre Verger - Não pude apurar muita coisa sobre os cultos realizados pelos fon aos Vodun cujo nome é associado ao de Loko, a não ser o fato de que eles parecem desempenhar um papél secundário, acompanhando um Vodun mais importante, ao mesmo título que Legba, Gun ou Dan e dos quais trazem o nome, seguido de Loko. Iroko, até certo ponto, parece estar ligado a Esu Elegba. Cantigas para Esu fazem alusão a Iroko e à sua ação calmante". No entanto, não sei muitas coisas mais.

Nina Rodrigues, [1], p.53, no Brasil, diz que: A fitolatria africana na Bahia parece ter duplo sentido. A árvore pode ser um verdadeiro fetiche animado ou, ao contrário, mal representa a morada ou altar de um santo. A gameleira branca (Chlorofora excelsa), árvore abundante neste Estado, é o tipo da planta deus. Com o nome de Iroco é objeto de um culto fervoroso. Mais de uma mãe de terreiro exortou-me a jamais permitir que se abatesse uma gameleira em um terreiro de minha propriedade, pois tal sacrilégio foi causa de grandes infortúnios para muita gente…

Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

No Axé Eleegbara Tolá, no Rio de Janeiro saiu uma yaô de Iroko, que tomou o nome de Alumoyá. Esse Axé consegue fazer muitos santos, como Iroko, Ewá por sua ligação com o conhecimento de Ifá. O Babaifá Ifadekó que é filho de santo da iyalorixá Omidarewá que fundou esse axé na cidade de São Gonçalo, no Bairro do Engenho do Roçado.

Referências