Irredentismo

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O termo irredentismo indica a aspiração de um povo a completar a própria unidade territorial nacional, anexando terras sujeitas ao domínio estrangeiro ("terras irredentas") com base em teorias de uma identidade étnica ou de uma precedente posse histórica, verdadeira ou suposta.

O irredentismo, portanto, diz respeito aos povos que, vivendo em uma terra sujeita à autoridade de um certo Estado, desejam separar-se deste para fazer parte do estado do qual sentem a paternidade e a origem, ou constituir um próprio estado nacional separado.

Nem sempre as disputas territoriais são irredentistas, mas frequentemente vêm colocadas como tais para conquistar o apoio internacional e da opinião pública.

A expressão "terras irredentas" (em italiano, terre irredente), isto é, não salvas, foi utilizada a primeira vez pelo patriota e político italiano Matteo Renato Imbriani, em 1877, no funeral do padre Paolo Emilio.

O termo foi adquirido na forma italiana por muitas outras línguas.

O irredentismo italiano[editar | editar código-fonte]

O irredentismo italiano é, portanto, a doutrina dos que entendem que devem pertencer à Itália todas as regiões politicamente dela separadas, mas que lhe estão ligadas pelos costumes e pela língua.

O Monumento a Dante em Trento, erigido como símbolo da cultura italiana quando o Trentino-Alto Ádige ainda fazia parte do Império Austro-Húngaro

O irredentismo italiano nasceu e difundiu-se nas últimas três décadas do século XIX como movimento político anti-austríaco com vista à finalização do projeto do risorgimento de unificar dentro dos confins do Estado italiano as regiões, consideradas "italianas", ainda sob domínio do Império Austro-Húngaro.

Objecto da reivindicação irredentista foram portanto essencialmente as regiões do Trentino e da Venezia Giulia, que permaneceram sob administração austro-húngara mesmo depois da Terceira Guerra de Independência Italiana de 1866.

A propaganda irredentista tomou força depois do Congresso de Berlim em 1878, dando vida a um amplo debate em diversos sectores da opinião pública italiana. No Reino de Itália surgiram movimentos como a "Associação em prol da Itália irredenta", enquanto no Trentino e em Venezia Giulia se desenvolveram atividades conspirativas e manifestações separatistas.

Na sua complexidade, o movimento irredentista foi muito inspirado nos ideais do risorgimento, trazendo força sobretudo dos ideais de Giuseppe Mazzini e colhendo adesões sobretudo no âmbito dos nascentes movimentos anti-imperialistas socialistas, dos quais vieram alguns dos mais ilustres expoentes do irredentismo, como o irredentista juliano Guglielmo Oberdan, o socialista trentino Cesare Battisti e seu aluno Fabio Filzi, todos justiçados pelo governo austríaco.

Os governos do Reino de Itália, não alinhados com os ideais políticos inspiradores do irredentismo, não apoiaram a causa até ao menos o primeiro decênio do século XX quando, no quadro das tensas relações ítalo-austríacas, deu vigor à propaganda do movimento, que começou a receber uma crescente influência por parte da direita nacionalista que, financiada também por importantes interesses económicos, tornou-se a corrente dominante.

Os irredentistas estiveram à frente da campanha intervencionista a favor da entrada da Itália na Primeira Guerra Mundial, e ao fim do conflito reclamaram uma definição dos novos limites com base no critério dos interesses económicos e da preponderância militar, marcando assim uma forte contradição com os princípios originais do irredentismo.

Assim transfigurado, o movimento irredentista, passado a ser um instrumento político da direita, caracterizou a ocupação por Gabriele D'Annunzio de Fiume (em croata, Rijeka), realizada em 12 de setembro de 1919, com a consequente constituição da Regência Italiana de Carnaro a 8 de setembro de 1920, depois transformado, após o abandono por parte dr D'Annunzio, em 2 de fevereiro de 1921, no Estado Livre de Fiume até a anexação à Itália em 3 de março de 1922.

Posteriormente o movimento foi hegemonizado na história da Itália fascista, que o fez um instrumento de propaganda nacionalista e imperialista.

Em 1938 quando, em seguida ao afastamento entre Itália e França, em consequência da guerra da Etiópia, se junta por parte do governo de Benito Mussolini a reivindicação da Córsega, de Nice e da região de Saboia como terras irredentes.

Outras questões irredentistas[editar | editar código-fonte]

Entre as principais questões irredentistas estão:

  • Voltadas à aquisição de "terras irredentas"
Territórios reclamados pela República da China(Taiwan)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]