Isaac Comneno (filho de Aleixo I)

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Isaac Comneno (em grego: Ἰσαάκιος Κομνηνός; transl.: Isaakios Komnēnos; 16 de Janeiro de 1193 - após 1152) foi o terceiro filho do imperador bizantino Aleixo I Comneno (r. 1081-1118) e da imperatriz Irene Ducaina. Foi elevado ao título de sebastocrator por seu irmão mais velho João II Comneno, mas depois Isaac foi exilado por João por vários anos. Durante a luta de sucessão de João em 1143, ele apoiou o candidato fracassado de seu sobrinho, também chamado Isaac, em detrimento do jovem Manuel I Comneno. Alguns anos depois, ele foi forçado a se retirar para um mosteiro por Manuel. Isaac era conhecido por sua erudição e seu patrocínio da aprendizagem.

Vida[editar | editar código-fonte]

Um afresco bizantino na Igreja de São Salvador em Chora descrevendo o sebastocrator Isaac Comneno, filho do imperador Aleixo I Comneno.

Ele foi o irmão do imperador João II Comneno e da historiadora Ana Comnena. A Isaac foi dada a dignidade de césar por seu pai.[1] Durante e após a sucessão de João II em 1118, Isaac apoiou seu irmão mais velho contra as intrigas da imperatriz-viúva Irene e suas irmãs Ana, que favoreceram a candidatura do marido de Ana, Nicéforo Briênio, o Jovem. Em retorno, João II elevou Isaac à dignidade de sebastocrator, considerada como quase igual ao imperador.[2] Em contraste com seu irmão, que esteve principalmente engajado em guerras durante seu reinado, Isaac foi um estudioso e patrono da aprendizagem.[3] Ele é conhecido por ter composto e compilado poesias, e às vezes identificado como o escritor chamado "Isaac Comneno, o porfirogênito", que compôs três tratados filosóficos baseados em Proclo e duas obras comentário sobre Homero.[4]

Em cerca de 1130 (e possivelmente tão cedo quanto 1122), contudo, João e Isaac tornaram-se distante, e Isaac foi forçado a fugir de Constantinopla com seus filhos durante seis anos, depois de uma suposta conspiração. Isaac encontrou refúgio na corte do emir Gazi Gümüshtigin em Melitene. Durante este tempo, ele também realizou uma peregrinação à Terra Santa. De seu exílio, Isaac procurou criar uma ampla aliança com outros governantes contra o seu irmão, incluindo os turcos seljúcidas de Icônio, o independente príncipe Constantino Gabras de Trebizonda, o Reino Armênio da Cilícia e o Reino de Jerusalém. Esta coalizão não se materializou, no entanto, ele foi forçado a buscar reconciliação com seu irmão em 1136.[5] Logo após, em 1139, o filho mais velho de Isaac, João, novamente derrotou os turcos. Neste momento ou um pouco depois, Isaac foi banido com uma precaução para Heracleia Pôntica.[2]

Pouco antes da morte de João II em 1143, ele havia designado seu quarto e mais jovem filho Manuel como seu herdeiro sobre o seu terceiro (e mais velho) filho, o sebastocrator Isaac. Consequentemente, a sucessão de Manuel não foi imediatamente segura.[6] [7] Nesta luta pelo trono, o irmão de João II deu suporte para o Isaac, mas no caso, Manuel conseguiu tomar o trono. Apesar de seu fracasso, em 1145-1146, de acordo com o historiador contemporâneo João Cinnamos, Isaac tentou tirar proveito das dificuldades de Manuel para usurpar o tropo imperial para si.[2] [5]

Após 1150, Manuel forçou seu tio a aposentar-se de sua vida pública, e em 1151/1152, Isaac fundou o mosteiro cenobita de Kosmosoteira ("Salvador do Mundo") em Feras. O monastério foi construído como residência e local de repouso; Isaac escreveu o typikon do monastério sobre si mesmo, deixando propriedades extensivas, incluindo aldeias inteiras e castelos para o mosteiro na Trácia.[8] [9] Isaac também é descrito na Igreja de São Salvador em Chora em Constantinopla, que ele reconstruiu. A Igreja de São Salvador também foi o local inicial do túmulo de Isaac, antes de ele o transferir para o mosteiro de Kosmosoteira.[10]

Família[editar | editar código-fonte]

Isaac Comneno foi casado com Irene, que pode ter sido também a filha de Volodar de Przemyśl[11] ou Kata, uma filha de Davi IV da Geórgia.[12] Seus filhos foram:[13]

  • João Tzelepes Comneno (após 1114 - 1145), notório estudiosos que desertou em nome dos turcos e converteu-se ao islamismo. Casou-se duas vezes, a primeira com uma mulher de nome desconhecido, a segunda com a filha do sultão Mesud II.[14]
  • Andrônico Comneno (1123/1124 - 12 de setembro de 1185), futuro imperador Andrônico I Comneno (r. 1183-1185).[14]
  • [Maria] Comnena, casada com José Briênio.[14]
  • Ana Comnena, casada com José Arbantenos.[14]

Referências

  1. Kazhdan 1991, p. 1145-1146
  2. a b c Kazhdan 1991, p. 1146
  3. Magdalino 2002, p. 194
  4. Kazhdan 1991, p. 1144; 1146
  5. a b Magdalino 2002, p. 193
  6. Kazhdan 1991, p. 1189-1290
  7. Magdalino 2002, p. 41-42; 195
  8. Kazhdan 1991, p. 282–283; 1146
  9. Magdalino 2002, p. 193-194
  10. Kazhdan 1991, p. 282; 428; 1146
  11. Magdalino 2002, p. 205
  12. Suny 1994, p. 36
  13. Kazhdan 1991, p. 1145
  14. a b c d BYZANTIUM 1057-1204 (em inglês). Página visitada em 04-12-2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8
  • Magdalino, Paul. The Empire of Manuel I Komnenos, 1143–1180. [S.l.]: Cambridge University Press, 2002. ISBN 0-521-52653-1
  • Suny, Ronald Grigor. The Making of the Georgian Nation. [S.l.]: Indiana University Press, 1994. ISBN 0253209153