Isabel de França, rainha de Inglaterra

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Isabel de França
Rainha de Inglaterra
Princesa de França
Isabella of France.jpg
Governo
Reinado 13081327
Coroação 25 de fevereiro de 1308
Consorte Eduardo II de Inglaterra
Casa Real Casa de Capeto
Vida
Nascimento 1292
Paris, França
Morte 22 de agosto de 1358 (66 anos)
Paris, França
Sepultamento Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra
Filhos Eduardo III de Inglaterra
João da Cornualha
Leonor de Guelders
Joana, Rainha dos Escoceses
Pai Filipe IV
Mãe Joana I de Navarra

Isabel Capeto (1292 ou 1295, Paris - 22 de agosto de 1358 no castelo de Roseing, em Norfolk, onde estava presa, sepultada em Londres) foi uma princesa de França e rainha consorte de Inglaterra. Seus contemporâneos ingleses atribuíram-lhe o cognome a Loba de França, pois ajudou a destronar o marido e denunciou as cunhadas no episódio conhecido como o da Torre de Nesle. Filha de Filipe IV e da rainha Joana I de Navarra.

Vida familiar[editar | editar código-fonte]

Casou-se na catedral de Boulogne, na França, em 25 de janeiro de 1308 com o futuro rei Eduardo II, filho de Eduardo I de Inglaterra e de Leonor de Castela, que era bissexual e nunca lhe prestou atenção exceto para gerar filhos: nasceram quatro, entre eles o futuro Eduardo III. O marido preferia a companhia dos seus favoritos Piers Gaveston e mais tarde Hugh le Despenser.

Atuação política[editar | editar código-fonte]

Em 1325, Isabel decidiu tomar uma atitude na complicada política inglesa, então dominada pelo conflito entre o rei e os seus aliados os Despenser com o resto da nobreza. O país vivia em semi-anarquia há alguns anos e o poder dos Despenser já tinha causado execuções e exílios. A pretexto de uma visita ao irmão, Carlos IV, Isabel abandonou a Inglaterra e levou Eduardo, o herdeiro da coroa.

No continente aliou-se a nobres exilados e, em particular, a Rogério Mortimer, Conde de March, que se tornou seu amante. Em setembro de 1326, desembarcou em Inglaterra à frente de numeroso exército, para libertar o país dos Despenser. Nos meses seguintes, capturou e executou Hugh le Despenser e seu filho e mandou prender Eduardo II. O parlamento obrigou Eduardo II a abdicar em prol do filho em janeiro de 1327. Uma vez que Eduardo III tinha apenas 14 anos, Isabel foi nomeada regente em conjunção com Roger Mortimer.

Mas seu poder não estaria seguro enquanto o marido estivesse vivo. A morte «natural» do marido, em setembro de 1327, no castelo de Berkeley, permitiu-lhe exercer a regência de fato com Mortimer. Segundo uma crónica atribuída por alguns autores a Thomas de la Moore e por outros a Geoffrey le Baker,[1] o rei terá sido assassinado a mando da rainha e de Mortimer, de uma maneira particularmente cruel: no meio da noite, sua cela foi invadida por homens que o amarraram sobre uma mesa. Seus intestinos foram perfurados por vara de ferro incandescente, introduzida em seu ânus através de um chifre de boi, para, assim, não restarem marcas externas do suplício. Em 1330, seu filho Eduardo III tomou o poder, mandou executar Mortimer por regicídio e encerrou a mãe no castelo de Norfolk no norte do país, onde ela morreu em 1358 ainda exilada.

Foi personagem política da maior importância no século XIV, não só pela sua iniciativa em vida, mas também pela ligação à coroa de França. Morto o pai, três dos seus irmãos foram reis de França mas nenhum conseguiu assegurar a continuidade da dinastia Capeto. Em 1328, seu primo afastado Filipe VI de França tornou-se no primeiro rei da dinastia de Valois. Eduardo III, no entanto, considerou que suas próprias pretensões à coroa francesa eram de valor superior, por via de sua mãe Isabel. Em 1337 declarou guerra ao rei de França e iniciou a Guerra dos Cem Anos.

Seus descendentes constam do verbete dedicado a seu marido, o rei Eduardo II.

Na ficção[editar | editar código-fonte]

Isabel de França foi interpretada por Sophie Marceau no filme Braveheart de Mel Gibson, sobre a revolta escocesa liderada por William Wallace. Visto que Isabel só se tornou parte da família real inglesa em 1308, três anos depois de Wallace ter sido executado, a sua presença nesta história é um anacronismo.

Por outro lado, muitos livros foram escritos sobre sua vida, inclusive a famosa série de «Os Reis Malditos», de Maurice Druon, pois um dos volumes se intitula justamente «A Loba da França».

A rainha também aparece no livro World Without End do autor galês Ken Follett, e foi interpretada pela atriz Aure Atika na série baseada no livro de mesmo nome.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cf. Weir, Alison: Isabella, She-Wolf of France, Queen of England, Jonathan Cape Ltd. Publishers, 2005
Precedida por:
Margarida Capeto
Rainha da Inglaterra
Isabelle of France.svg

25 de janeiro de 1308 — 20 de janeiro de 1327
Sucedida por:
Filipa de Hainault
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