Isabel de Wied

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Isabel da Roménia
Rainha da Roménia
Princesa de Wied
Rainha da Roménia
Período 1881 - 10 de outubro de 1914
Predecessor Elena Cuza
Sucessor Maria de Saxe-Coburgo-Gota
Cônjuge Carlos I da Roménia
Descendência
Maria da Roménia
Pai Hermano de Wied
Mãe Maria de Nassau
Nascimento 29 de Dezembro de 1843
Neuwied, Alemanha
Morte 2 de novembro de 1916 (72 anos)
Bucareste, Roménia
Enterro Catedral de Curtea de Arges, Roménia

Isabel de Wied (Isabel Otília Luísa) VA (Monrepos, 29 de dezembro de 1843Bucareste, 2 de novembro de 1916) foi a rainha consorte do rei Carlos I da Romênia. Era também bastante conhecida por seu nome literário, Carmen Sylva.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascida no Castelo Monrepos em Neuwied, Isabel era a única filha do príncipe Hermano de Wied e da sua esposa, a duquesa Maria de Nassau, filha do duque Guilherme de Nassau e irmã do grão-duque Adolfo de Luxemburgo. A educação de Isabel centrou-se muito nas artes e a sua infância incluiu sessões espíritas e visitas ao asilo da região.[1]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Isabel com o marido Carlos e a filha Maria.

Quando tinha dezasseis anos de idade, Isabel chegou a ser considerada como candidata para se casar com o príncipe Alberto Eduardo de Gales, o futuro rei Eduardo VII do Reino Unido, conhecido por Bertie. A sua mãe, a rainha Vitória, estava muito interessada em tornar Isabel sua nora e pediu à sua filha, a princesa Vitória, que a investigasse mais.[2] Isabel estava a passar a temporada social na corte de Berlim, onde a sua família esperava que ela se transformasse numa princesa dócil e pronta para casar. A princesa Vitória respondeu: "Não acho de todo que ela tenha um aspecto distinguée - é certamente o oposto dos gostos do Bertie", enquanto que a alta e elegante princesa Alexandra da Dinamarca era "exactamente o tipo que o Bertie admira."[2] Também foram mostradas fotografias de Isabel a Bertie, mas ele declarou que não estava impressionado e recusou-se a olhar para elas uma segunda vez. No final acabaria por ser Alexandra a escolhida para o futuro rei.

Em 1861, em Berlim, Isabel conheceu o seu futuro marido, o então príncipe Carlos de Hohenzollern-Sigmaringen. Casaram-se no dia 15 de novembro de 1869. A única filha deles, Maria, morreu em 1874, de escarlatina, aos três anos de idade.

Durante a Guerra russo-turca de 1877–1878, Isabel dedicou-se aos feridos e criou a Ordem de Isabel (uma cruz dourada numa fita azul) para condecorar aqueles que se destingiram neste tipo de serviço. Promoveu o ensino superior para as mulheres na Romênia e criou várias instituições de caridade.

Uma grande pianista, organista e cantora, a rainha também demonstrou talento para a pintura. A sua imaginação poética levou-a à literatura, mais especificamente à poesia, ao folclore e a baladas. Além de numerosos trabalhos originais que escreveu, também recolheu muitas lendas dos camponeses romenos que mais tarde publicou.

Tornou-se amiga da imperatriz "Sissi" da Áustria.

Atividade literária[editar | editar código-fonte]

Isabel de Wied e sua máquina de escrever.

Com o pseudônimo "Carmen Sylva", ela escreveu em alemão, romeno, francês e inglês.[3] Criou poemas, romances, peças, ensaios, contos e uma coleção de aforismos.

Suas primeiras publicações foram "Sappho" e "Hammerstein", dois poemas que apareceram em Leipzig no ano de 1880. Em 1888, ela recebeu o Prix Botta, um prêmio entregue pela Academia Francesa, por seu volume de aforismos "Les Pensees d'une reine" (Paris, 1882), cuja versão alemã é "Vom Amboss" (Bonn, 1890).

"Cuvinte Sufletesci", meditações reliosas em romeno (Bucareste, 1888), também foram traduzidas para o alemão, sob o nome de "Seelen-Gespräche".

Vários trabalhos de Carmen Sylva foram escritos em colaboração com Mite Kremnitz, uma de suas damas de honra. Esses foram publicados entre 1881 e 1888, alguns com o pseudônimo "Dito et Idem". Entre eles está "Ana Bolena", uma peça trágica. A rainha também fez traduções de livros de outros autores, alemães e romenos.

Encontra-se no tomo V da revista A leitura[4] (1894-1896) texto da sua autoria intitulado "Pensamentos d'uma rainha".

O caso Văcărescu[editar | editar código-fonte]

Em 1881, devido à falta de herdeiros ao trono romeno, o rei Carlos I adotou seu sobrinho, o príncipe Fernando. Um completo estranho em sua nova casa, Fernando ficou próximo de Elena Văcărescu, uma dama de companhia de sua tia Isabel. A rainha, muito próxima de Elena, encorajou o romance, mesmo sabendo perfeitamente que um casamento entre os dois seria proibido pela constituição romena. De acordo com a constituição romena de 1866, o herdeiro ao trono não podia desposar uma mulher romena. O caso Văcărescu ajudou a reforçar a reputação de excêntrica e sonhadora de Isabel.

Como resultado do romance, ela teve que exilar-se em Neuwied e Elena, em Paris. Fernando, por sua vez, viajou pela Europa à procura de uma esposa adequada e, em janeiro de 1893, desposou a princesa Maria de Edimburgo, neta da rainha Vitória do Reino Unido.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Isabel de Wied em três gerações
Isabel de Wied Pai:
Hermano de Wied
Avô paterno:
João Augusto Carlos de Wied
Bisavô paterno:
Frederico Carlos de Wied
Bisavó paterna:
Maria de Sayn-Wittgenstein-Berleburg
Avó paterna:
Sofia Augusta de Solms-Braunfels
Bisavô paterno:
Guilherme Cristiano de Solms-Braunfels
Bisavó paterna:
Augusta Francisca de Salm-Grumbach
Mãe:
Maria de Nassau
Avô materno:
Guilherme, Duque de Nassau
Bisavô materno:
Frederico Guilherme de Nassau-Weilburg
Bisavó materna:
Luísa de Kirchberg
Avó materna:
Luísa de Saxe-Hildburghausen
Bisavô materno:
Frederico de Saxe-Altemburgo
Bisavó materna:
Carlota Jorgina de Mecklemburgo-Strelitz

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Eugen Wolbe, "Carmen Sylva", Leipzig, 1933
  • Gabriel Badea-Päun, Carmen Sylva - Uimitoarea Regină Elisabeta a României, 1843-1916, Bucharest, Humanitas, 2003 ISBN 978-973-50-1101-7.
  • Gabriel Badea-Päun, Jean-Jules-Antoine Lecomte du Nouÿ (1842-1923) à la cour royale de Roumanie, dans Bulletin de la Société de l'Historie de l'Art Français, Année 2005, Paris, 2006, p. 257-281.
  • Hibbert, Christopher (2007). Edward VII: The Last Victorian King. New York: Palgrave Macmillan.
  • Pakula, Hannah (1995). An Uncommon Woman: The Empress Frederick, Daughter of Queen Victoria, Wife of the Crown Prince of Prussia, Mother of Kaiser Wilhelm. New York: Simon and Schuster. ISBN 0684842165.
  • Rada, Silvia Irina [Zimmermann]: Der Zauber des fernen Königreichs. Carmen Sylvas „Pelesch-Märchen“, Magisterarbeit Universität Marburg 1996.
  • Zimmermann, Silvia Irina [n. Rada]: Die dichtende Königin. Elisabeth, Prinzessin zu Wied, Königin von Rumänien, Carmen Sylva (1843–1916). Selbstmythisierung und prodynastische Öffentlichkeitsarbeit durch Literatur, Doctoral thesis University of Marburg 2001/2003.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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