Isfahan

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Isfahan/Ispaão
Monumentos de Ispaão
Monumentos de Ispaão
Isfahan/Ispaão está localizado em: Irão
Isfahan/Ispaão
Localização de Ispaão no Irão
32° 38' N 51° 39' E
País  Irã
Província Ispaão (província)
Área
 - Total 106,179 km²
Altitude 1 590 m (5 217 pés)
População (2006)
 - Total 1 583 609
Sítio Municipalidade de Ispaão

Isfahan, Esfahan, Isfaão, Ispaão (português europeu) ou Ispaã (português brasileiro) (em persa: اصپهان, eSpahān ou اصفهان, eSfahān[1] ) é uma cidade do Irã, no centro do país, a 340 quilômetros ao sul de Teerã.

Terceira maior cidade do país, e capital da província homônima, conta com uma população de 1 583 609 habitantes (dados de 2006)[2] , e sua região metropolitana tem 3 430 035, de acordo com o censo de 2006. Cidade antiquíssima, foi conhecida na Antiguidade por Aspadana, tendo sido à época uma das maiores cidades do mundo.

A Praça de Naqsh-e Jahan, um enorme espaço público rodeado de edifícios levantados no início do século XVII, foi inscrita em 1979 na lista do Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Período pré-islâmico[editar | editar código-fonte]

Pouco é conhecido sobre a história antiga de Ispaão. Na Antiguidade era conhecida como Aspadana, mas parece não ter sido um assentamento de grande importância.[4] Foi parte dos impérios elamita e parta,[5] e na época sassânida era chamada Jay, (Gabai em grego), um nome que persistiu até após a conquista islâmica em moedas cunhadas na cidade.[4] Jay possuía quatro portas, uma das quais era chamada "Porta dos Judeus". De fato, a parte principal da cidade, onde vivia a comunidade judia, era chamada Yahudyya ou Yahoudieh ("cidade dos judeus").[4] [5]

Era islâmica[editar | editar código-fonte]

Em 640 ou 644, dependendo da fonte historiográfica consultada, Ispaão foi conquistada pelos árabes do califado omíada junto com o resto da Pérsia, passando a ser parte da província de Jibal.[4] A partir de 747, com a revolta dos abássidas, a cidade passou a ser governada por esta dinastia quase continuamente até o século X, quando passou ao domínio da dinastia buída, de origem iraniana xiita.[4] [6] O célebre filósofo persa Avicena foi um protegido do governador Ala al-Dawla, vivendo e ensinando em Ispaão desde 1024 até sua morte em 1037.[7] Durante o turbulento período buída Ispaão passou por grandes melhorias, com a construção de mesquitas, palácios, jardins, banhos públicos, bazares e uma muralha.[6] [4]

Grande Mesquita de Isfahan

Em 1051, Ispaão foi definitivamente conquistada por Toghrul Beg (c.990-1063), da dinastia seljúcida.[4] [8] Um cronista descreve que em 1052 a cidade era a mais populosa e pujante das terras persas, com uma grande mesquita e muitos bazares.[4] Toghrul Beg transformou Ispaão em capital e viveu ali os últimos doze anos do seu reinado, dotando-a de grandes riquezas e melhorias.[4] No reinado do seljúcida Malik Shah I (1055-1092) e seu vizir Nizam al-Mulk (c. 1018-1092), Ispaão continuou a prosperar e tornou-se um importante centro religioso sunita.[4] Muitos edifícios foram levantados ou expandidos, como a Grande Mesquita da cidade.[4] Com a morte de Malik, em 1092, este período dourado de Ispaão terminou.[4]

Ispaão foi, até 1118, capital do império seljúcida, mas a partir desta data o centro do poder foi levado à região de Coração (Khorasan), no leste.[4] A cidade passou por vários governantes até 1140-1, quando foi tomada e incorporada ao Império Mongol. A complexa história da cidade continuou no séculos seguintes. Em 1387, Ispaão foi tomada por Tamerlão (1336-1405).[4] Inicialmente tratada com misericórdia, a cidade revoltou-se contra os impostos punitivos de Tamerlão, matando os cobradores de impostos e alguns soldados do turco-mongol. Como represália, Tamerlão ordenou um massacre em que morreram mais de 70.000 cidadãos.[4] O período sob domínio do Império Timúrida não foi particularmente brilhante para a cidade. Viajantes venezianos calcularam a população em apenas 50.000 pessoas em 1474-5.[4]

Época safávida[editar | editar código-fonte]

Em 1502-3, o xá Ismail I da dinastia safávida toma Ispaão. Tanto Ismail como seu sucessor, Tahmasp I, favoreceram os moradores da cidade.[4] No início do século XVII, o Império Safávida ocupava uma área enorme, desde a Geórgia a oeste até o Afeganistão a leste e do Mar Cáspio a norte até o Golfo Pérsico no sul. Tal como na época seljúcida, o centro geográfico, comercial e administrativo deste enorme território era Ispaão, que foi feita capital pelo Xá Abas I em 1596-7.[4] Sob esse líder e alguns dos seus sucessores, Ispaão foi grandemente remodelada e enriquecida. O viajante francês Jean Chardin (1643-1713), que esteve na Pérsia nas décadas de 1660 e 1670, descreve Ispaão como "a mais grandiosa e bela das cidades do Oriente", com 162 mesquitas, 48 colégios, 1802 caravançarais e 273 banhos públicos.[4] Baseando-se nos detalhes da descrição de Chardin, a cidade teria entre 600.000 e 700.000 habitantes nessa época, senão mais.[4]

Praça Naghsh-e Jahan na década de 1830. Pintura de Pascal Coste.

A gestão do Império sob o xá Abas I (1587-1629) era muito centralizada, com todas as sedes administrativas concentrando-se em Ispaão.[4] A cidade foi remodelada e em seu centro foi criada a Praça de Naqsh-e Jahan, chamada "a Imagem do Mundo" pela sua beleza e dimensões, onde se localizam o portal do Bazar de Qeyssariyeh (1602-19), a Mesquita Real (1612-30), a Mesquita de Loffollah (1602-18) e o Pavilhão de Ali Qapu, um pequeno palácio da época timúrida (séc. XV) ampliado pelo xá.[3] Todos estes edifícios, assim como os palácios da nobreza localizados na avenida Chahar Bagh, foram ricamente decorados com painéis caligráficos, azulejos com motivos florais e, no interior, pinturas.[3] [9] A cidade atraiu artistas e comerciantes que vinham de todo o Império, e a população incluía cristãos e judeus. Muitos armênios instalaram-se no bairro de Julfa, onde controlavam o comércio da seda.[9] [10] Abas I também converteu a cidade num grande centro religioso xiita, trazendo religiosos de várias partes do Império.[4] A tolerância desta época, porém, diminuiu com os sucessores de Abas, que passaram a perseguir outras religiões, inclusive muçulmanos sunitas e sufistas na época do xá Sultão Husayn.[4]

Decadência e resurgimento[editar | editar código-fonte]

O reinado do xá Sultão Husayn (1694-1722) foi um período de decadência para Ispaão, com redução do padrão de vida da cidade e do Império.[4] No século XVIII os afegãos liderados por Mahmud Hotaki rebelaram-se, invadiram a Pérsia e derrotaram os safávidas na Batalha de Gulnabad (08 de março de 1722), pondo cerco à cidade logo depois.[10] [4] O assédio durou seis meses, durante o qual dezenas de milhares de cidadãos de Ispaão morreram nas batalhas, de fome e de doenças.[4] Após um período curto de dominação afegã, Nader Xá assumiu o trono em 1736, fundando a dinastia dos Afsharidas, mas a capital foi transferida a Mashad, na região de Coração.[4] Em meados do século XVIII a cidade foi disputada continuamente pelos afegãos e pelos membros dos Zand e Qajar. Sob o governo de Karim Khan, a partir de 1758-9, a paz voltou à cidade, mas a capital do Império foi transferida a Xiraz. Com a subida ao trono da dinastia Qajar a capital passou a ser Teerã. Nos finais do século XVIII a população da cidade era estimada por viajantes europeus em apenas 60.000.[4]

Sob os Qajar, Ispaão chegou a ser a principal cidade comercial da Pérsia, mas na segunda metade do século XIX perdeu essa posição para Tabriz.[4] A população da cidade aumentou durante o século XIX,[4] apesar de que o período Qajar também é visto como um período negro pelos impostos excessivos e falta de desenvolvimento da cidade.[11] Durante a dinastia Pahlavi os principais monumentos de Ispaão foram restaurados, ainda que o urbanismo antigo da cidade tenha sido muito alterado.[11] Nas primeiras décadas do século XX a cidade industrializou-se, adquirindo fábricas de têxteis como tapetes e tecidos de seda.[4]

Cidade moderna[editar | editar código-fonte]

Hoje Isfahan, a terceira maior cidade do país, produz tapetes finos, têxteis, aço e artesanato. Isfahan também tem reatores nucleares experimentais, bem como instalações para a produção de combustível nuclear (UCF). Isfahan tem uma das maiores produtoras de aço em toda a região, bem como instalações para a produção de ligas especiais.

O urânio em Isfahan é convertido em hexafluoreto de urânio (UF6). Em sua forma gasosa, é girada em alta velocidade nas centrífugas para extrair o isótopo físsil. Isfahan é a única fonte interna do Irã de UF6. Segundo a AIEA, em 2006, o Irã estava construindo bunkers endurecidso em Isfahan para proteger a produção UF6.

As cidades de Najafabad, Khaneh Esfahan, Khomeini-Shahr, Shahin-Shahr, Zarrinshahr, Mobarakeh, Fouladshahr e Falavarjan constituem as cidades da região metropolitana de Isfahan. A cidade possui um aeroporto internacional e está em fase final de construção de sua primeira linha de metrô.

Mais de 2000 empresas estão trabalhando na área, que tem com potencial econômico, cultural e social. Isfahan contém uma refinaria de petróleo e uma base aérea de grandes dimensões.

Isfahan sediou a Olimpíada Internacional de Física em 2007.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A cidade está localizada a 1580 msnm de altitude, na planície verdejante do rio Zayandeh, a oeste e sul da cordilheira de Zagros.[12] Ao norte e leste a cidade é circundada por desertos. Porém, a proximidade com o rio Zayandeh e os solos férteis da planície foram um importante fator no crescimento da cidade e província, que tem uma agricultura desenvolvida.[12]

O clima é temperado, com longos e frios invernos e verões curtos e relativamente frios.[12] A pluviosidade média é de entre 60 e 100 mm.[12]

Cultura e turismo[editar | editar código-fonte]

Hotel Abbasi, antigo caravançarai do século XVII adaptado ao turismo.

Ispaão é uma das cidades artisticamente mais ricas do Irã. A época mais brilhante correspondeu ao período safávida (1598-1722), quando a cidade foi um grande centro artístico e viu florescer a arquitetura, a pintura e as artes decorativas.[13] Consequentemente, Ispaão é também uma das cidades iranianas mais atrativas do ponto de vista turístico.[14] [15] As atrações incluem a Praça de Naqsh-e Jahan com seus palácios e mesquitas, a avenida Chahar Bagh, as várias pontes antigas sobre o rio Zayandeh, o quarteirão arménio com a Catedral Vank e o Grande Bazaar de Ispaão.[14] [15]


Imagem: Meidan Emam A cidade de Isfahan inclui o sítio Meidan Emam, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg

Transportes[editar | editar código-fonte]

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Ponte Si-o-se Pol, sobre o rio Zayandeh.

Aeroporto[editar | editar código-fonte]

Isfahan é servida pelo Aeroporto Internacional de Isfahan, que trata de vôos domésticos para as cidades iranianas e vôos internacionais, principalmente para destinos regionais na Ásia central e Oriente Médio.

Metrô[editar | editar código-fonte]

O metrô de Isfahan está em construção e irá incluir 2 linhas com 43 km de comprimento. A primeira linha está prevista para ser concluída até o final de 2010, com 21 km de comprimento e 20 estações.

Ferrovias[editar | editar código-fonte]

Isfahan está ligado a três grandes linhas ferroviárias: Isfahan-Teerã, Isfahan-Shiraz (recentemente inaugurada), Isfahan-Yazd e através desta recentemente para Bandar Abbas e Zahedan

Rodovias[editar | editar código-fonte]

A rede rodoviária interna de Isfahan esteve pesadamente em expansão durante a última década, mas sempre preocupada com os efeitos delas sobre os internacionalmente famosos edifícios históricos. Fora da cidade, Isfahan é ligada por modernas rodovias de 400 km ao norte com Teerã e outra de 600 quilômetros ao sul que a liga com Shiraz, bem como todas as cidades satélites que a cercam e formam sua região metropolitana.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Isfahan é cidade-irmã de :

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. A hesitação entre o P e o F provém do alfabeto árabe, que não tem um símbolo para a letra P, diferentemente da variante persa daquele alfabeto.
  2. World Gazetteer [1]
  3. a b c Descrição da Praça de Naqsh-e Jahan no sítio da UNESCO [2]
  4. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad ae Clifford Edmund Bosworth. Historic cities of the Islamic World. Brill. 2007. ISBN 9004153888 [3]
  5. a b História da Ispaão pré-islâmica no sítio da Municipalidade [4]
  6. a b História da Ispaão dos buídas no sítio da Municipalidade [5]
  7. Biografia de Avicena na Encyclopaedia Iranica online [6]
  8. Período seljúcida da história de Ispaão no sítio da Municipalidade [7]
  9. a b Shah Abbas and the Arts of Isfahan. The Metropolitan Museum of Art. [8]
  10. a b Período safávida da história de Ispaão no sítio da Municipalidade [9]
  11. a b O período Qajar no sítio da Municipalidade [10]
  12. a b c d Geografia no sítio da Municipalidade de Ispaão [11] (em inglês)
  13. Cultura de Ispaão no sítio da Municipalidade [12]
  14. a b Turismo em Ispaão no sítio da Municipalidade [13]
  15. a b Esfahan, Half the World, Irpedia [14]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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