Italo Balbo

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Italo Balbo

Italo Balbo (Ferrara, Itália, 6 de junho de 1896Tobruk, Líbia, 28 de junho de 1940) foi um aviador, militar e político italiano. Foi ministro da aeronáutica do seu país e governador da Líbia, à época, colônia italiana.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Com apenas catorze anos de idade participou de uma revolta na Albânia sob o comando de Ricciotti Garibaldi, filho de Giuseppe Garibaldi.

Com o ingresso da Itália na I Guerra Mundial, serviu no 8º regimento alpino, onde graças à sua coragem foi várias vezes condecorado e promovido ao posto de capitão.

Transferiu-se para a força aérea em 1917. Essa transferência foi concretizada pouco antes da batalha de Caporetto, a 24 de outubro de 1917, ocasião em que os exércitos austro-húngaro e alemão derrotaram os italianos, e seu batalhão foi capturado. Foi acusado de fugir da luta, pois sua transferência ocorreu imediatatamente antes da batalha.[carece de fontes?]

Provavelmente não completou seu treinamento de pilotagem. Retornou ao 8º regimento alpino e, de Julho a Agosto de 1918, lutou na batalha de Vittorio Veneto. Estudou Ciências Sociais em Florença e obteve grau. Em sua cidade natal trabalhou como caixa de banco.

Adesão ao fascismo[editar | editar código-fonte]

Balbo é recebido por Getúlio Vargas no Palácio do Catete, em 15 de janeiro de 1931.

Em 1921, Italo Balbo aderiu ao fascismo. Em pouco tempo tornou-se secretário do movimento em Ferrara. Formou seu proprio grupo denominado Celibano. Cometeram violências contra comunistas e socialistas em Portomaggiore, Ravena, Módena e Bolonha. O grupo invadiu uma vez o castelo de Estense em Ferrara.

Italo Balbo adotou o título etíope de Ras ( equivalente a duque ) para a hierarquia fascista em 1922, estabelecendo-se como liderança local do partido. Os Ras desejavam formar um estado italiano menos centralizado, indo de encontro aos desejos de Mussolini.

Balbo foi um dos quatro principais planejadores da marcha sobre Roma, juntamente com Bianchi, De Vecchi e De Bono, (Benito Mussolini não participou dos momentos mais arriscados da operação). Depois deste ato a Itália caiu sob a dominação fascista.

Em 1923, foi acusado do assassinato do padre anti-fascista Giuseppe Minzoni em Argenta. Fugiu para Roma em 1924, e, em 1925, tornou-se comandante geral da milícia e da subsecretaria fascista para a economia nacional.

Aviador[editar | editar código-fonte]

Início

Em 6 de novembro de 1926, foi indicado secretário de Estado do ar (mesmo não tendo naquele momento conhecimentos sobre aviação). Passou por um curso de pilotagem na Regia Aeronautica - a força aérea italiana. Em 19 de agosto de 1928 tornou-se general da força aérea e em 12 de setembro de 1929, ministro da aeronáutica. Comandou duas travessias aéreas do oceano Atlântico.

Brasil

Em 1930, realizou seu primeiro voo transatlântico. Partiu de Orbetello, na Itália, em 17 de dezembro e chegou ao Rio de Janeiro em 15 de janeiro de 1931. Dos 14 aviões Savoia-Marchetti S.55, apenas onze concluíram a viagem. Três acidentaram-se, causando a morte de seus tripulantes.

O governo brasileiro adquiriu estas aeronaves em troca de café.

Estados Unidos

De 1º de julho a 12 de agosto de 1933, conduziu uma esquadrilha de 24 hidroaviões S.55 de Roma até a Century of Progress International Exposition em Chicago. O voo teve várias escalas: Orbetello - Amsterdam - Derry - Reykjavík - Cartwright - Shediac - Montreal, no lago Michigan, ao parque de Burnham em Chicago. Em homenagem a este feito, Mussolini doou a coluna de Óstia à cidade de Chicago.

A cidade renomeou a sétima rua, que passou a se chamar Rua Balbo, e fez um desfile em sua homenagem. (Eric Zorn colunista do jornal Chicago Tribune pediu que a cidade dê a esta rua o nome de um ítalo-americano mais digno). Encontrou-se com o presidente Franklin Delano Roosevelt.

De volta à Itália foi promovido a marechal do ar. Depois disso, o termo "Balbo" passou a ser usado para referir-se a toda grande formação de aviões.

Coluna de Balbo

África[editar | editar código-fonte]

Em 1934, Italo Balbo tornou-se governador da Líbia, então colônia italiana. Neste período, aparentemente havia causado mal-estar no partido, provavelmente devido a rivalidades e seu comportamento individualista.

Mussolini considerava-o uma ameaça. Assim sua nomeação para o cargo de governador serviria como um exílio politico.

Na Líbia iniciou vários projetos: construiu estradas, tentou atrair imigrantes italianos, e esforçou-se para convencer muçulmanos a aderirem ao fascismo.

Em 1938, foi o único membro do regime fascista a opor-se fortemente à legislação racial contra os judeus.

Após a Alemanha ter invadido a Polônia em 1939, esteve em Roma para expressar seu desapontamento com o apoio de Mussolini a Adolf Hitler.

Foi o único político a criticar publicamente este aspecto da política externa de Mussolini.

Fim trágico[editar | editar código-fonte]

Marchetti.jpg
Túmulo de Ítalo Balbo, em Orbetello.

Em 28 de junho de 1940, o avião em que viajava foi abatido por engano pela artilharia antiaérea italiana em Tobruk, na Líbia. Seu avião, um Savoia-Marchetti SM.79 foi confundido com uma aeronave inimiga, pois momentos antes a força aérea britânica realizara um ataque. Os disparos que o atingiram foram efetuados pelo cruzador San Giorgio. Italo Balbo não sobreviveu. Seu corpo foi enterrado em Trípoli.

Oficialmente o acontecimento é considerado um acidente. Família e amigos suspeitaram de assassinato politico a mando de Mussolini.

Em 1970, o governo líbio ameaçava os cemitérios italianos em Trípoli. Assim, seus restos mortais foram enviados para a Itália e sepultados por sua família em Orbetello.