Itamar Franco

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Itamar Franco
33º presidente do Brasil Brasil
Período de governo 2 de outubro de 1992
a 1 de janeiro de 1995
Vice-presidente Nenhum
Antecessor(a) Fernando Collor de Mello
Sucessor(a) Fernando Henrique Cardoso
21º Vice-presidente do Brasil Brasil
Período de governo 15 de março de 1990
a 2 de outubro de 1992
Antecessor(a) José Sarney
Sucessor(a) Marco Maciel
Senador por  Minas Gerais
Período de governo 1 de fevereiro de 2011
a 2 de julho de 2011
Período de governo 1 de fevereiro de 1975
a 1 de fevereiro de 1990
36º Governador de  Minas Gerais
Período de governo 1 de janeiro de 1999
a 1 de janeiro de 2003
Antecessor(a) Eduardo Azeredo
Sucessor(a) Aécio Neves
Prefeito de Juiz de Fora Bandeira de Juiz de Fora.svg
Período de governo 31 de março de 1973
a 15 de maio de 1974
Antecessor(a) Agostinho Pestana
Sucessor(a) Saulo Moreira
Período de governo 1 de janeiro de 1967
a 15 de maio de 1974
Antecessor(a) Ademar Resende de Andrade
Sucessor(a) Agostinho Pestana
Vida
Nome completo Itamar Augusto Cautiero Franco
Nascimento 28 de junho de 1930
Salvador, Bahia,[1] [nota 1]  Brasil
Morte 2 de julho de 2011 (81 anos)
São Paulo, São Paulo,
 Brasil
Dados pessoais
Alma mater Escola de Engenharia de Juiz de Fora
Cônjuge Ana Elisa Surerus (1968–1971)
Partido Trabalhista Brasileiro (1955–1964)
Movimento Democrático Brasileiro (1964–1980)
Movimento Democrático Brasileiro (1980–1986; 1992–2009)
Liberal (1986–1989)
Reconstrução Nacional (1989–1992)
Popular Socialista (2009–2011)
Profissão Engenheiro civil
Assinatura Assinatura de Itamar Franco

Itamar Augusto Cautiero Franco (Salvador, 28 de junho de 1930São Paulo, 2 de julho de 2011)[2] foi um político brasileiro, 33º presidente da República (1992–1994), vice-presidente (1990–1992), senador por Minas Gerais (1975–1983; 1983–1990 e 2011) e governador do estado de Minas Gerais (1999–2003).

Bacharelou-se em engenharia civil eletrotécnica na Escola de Engenharia de Juiz de Fora da Universidade Federal de Juiz de Fora em 1955. Ingressou na carreira política em 1958 quando, filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), foi candidato a vereador de Juiz de Fora e, posteriormente, em 1962, a vice-prefeito, não obtendo êxito em ambas as tentativas. Com o início do Regime Militar no Brasil, filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), sendo prefeito de Juiz de Fora de 1967 a 1971 e reeleito em 1972, quando dois anos depois, renunciou ao cargo para candidatar-se, com sucesso, ao Senado Federal por Minas Gerais, em 1975. Ganhou influência no MDB, assim sendo eleito vice-líder do partido em 1976 e 1977. No início da década de 1980, com o pluripartidarismo restabelecido no país, filiou-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o sucessor do MDB. Em 1982, é eleito senador novamente, defendendo sempre as campanhas das Diretas já, e votando no candidato oposicionista Tancredo Neves para presidente na eleição presidencial brasileira de 1985. Migrou para o Partido Liberal (PL) em 1986, ano em que concorreu ao governo de Minas Gerais, mas foi derrotado, voltando ao Senado.[3]

Em 1988, uniu-se ao governador de Alagoas Fernando Collor de Mello para lançar uma candidatura à Presidência e Vice-presidência do Brasil, pelo Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Itamar, como Vice-presidente, divergia em diversos aspectos da política econômico-financeira adotada por Collor, vindo a retirar-se do PRN e voltando ao PMDB em 1992. Seguindo o impeachment do presidente, assumiu interinamente o papel de chefe de Estado e chefe de governo em 2 de outubro de 1992 e o papel de Presidente da República em 29 de dezembro de 1992.[4] [5] Durante seu governo realizou‐se um plebiscito sobre a forma de governo do Brasil; o resultado foi a permanência da república presidencialista no Brasil. Durante sua incumbência, foi executado o Plano Real.

Opondo-se fortemente a seu sucessor, Itamar cogitou candidatar-se a Presidente em 1998 e 2002, mas não prosseguiu com a ideia e elegeu-se facilmente Governador de Minas Gerais em 1998. Em 2002, apoiou a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva e opôs à candidatura de José Serra, candidato apoiado por Fernando Henrique. Não tentou reeleição no estado de Minas Gerais. Lançou-se pré-candidato à presidência pelo PMDB em 2006, mas perdeu para Anthony Garotinho, tentando então para o Senado, perdendo a candidatura para Newton Cardoso. Em maio de 2009, filiou-se ao Partido Popular Socialista (PPS).

Origem e formação[editar | editar código-fonte]

Itamar Augusto Cautiero Franco nasceu a bordo de um navio de cabotagem, um "Ita" da Companhia Nacional de Navegação Costeira, no Oceano Atlântico entre o Rio de Janeiro e Salvador. O registro civil de seu nascimento foi feito na capital baiana, onde sua mãe viúva encontraria abrigo na casa de seu tio.

Filho caçula de Augusto César Stiebler Franco (1898–1929), falecido pouco antes de seu nascimento, e Itália América di Lucca Cautiero (1901–1992), filha de imigrantes italianos da região Vêneto. Seus avós paternos eram Arquimedes Pedreira Franco (bacharel em direito) e Mathilde Stiebler, esta, descendentes de holandeses; seus avós maternos eram Pasquale Cautiero e Raffaela di Lucca, ambos italianos, da região do Vêneto, no nordeste da Itália.

Sua família era de Juiz de Fora, onde cresceu e se formou no antigo curso de engenharia civil eletrotécnica (hoje dividido em Engenharia Civil e Engenharia Elétrica) em 1955, graduado na Escola de Engenharia de Juiz de Fora. Era oficial da reserva R/2 do Exército Brasileiro pelo NPOR de Juiz de Fora. Ingressou na carreira política em 1955, quando filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Vida pública[editar | editar código-fonte]

Com outros ex-presidentes no funeral do Papa João Paulo II, em 2005.

Itamar entrou na política em meados dos anos 50 nas fileiras do PTB. Foi candidato a vereador de Juiz de Fora em 1958 e a vice-prefeito dessa cidade em 1962, não obtendo sucesso em ambas as ocasiões.

Com o advento do regime ditatorial no país em 1964, e a subsequente instalação no país do bipartidarismo, Itamar se filia ao MDB, e se candidatando a prefeitura de sua cidade nas eleições seguintes, obtendo sucesso. Foi prefeito de Juiz de Fora de 1967 a 1971. Em novembro de 1972, Itamar é eleito prefeito de Juiz de Fora pela segunda vez. Em 1974, ele renunciou ao cargo de prefeito para concorrer, com sucesso, ao Senado Federal como representante de Minas Gerais[3] .

Eleito senador, rapidamente, ele ganhou influência no MDB, o partido de oposição ao regime militar que governou o Brasil de 1964 a 1985, sendo eleito vice-líder do MDB e, portanto, da oposição, por duas vezes, em 1976 e em 1977.

No início da década de 1980, o pluripartidarismo é restabelecido no país, e Itamar se filia então ao PMDB (sucessor do MDB). Em 1982 Itamar é reeleito senador na chapa de Tancredo Neves, eleito governador de Minas Gerais.

Durante seu mandato, Itamar foi um ativo defensor da campanha das Diretas já!. Com a desaprovação da Emenda Dante de Oliveira, uma eleição presidencial indireta teve que ser feita. No Colégio eleitoral reunido para a eleição presidencial, Itamar votou no candidato oposicionista Tancredo Neves.

Querendo ser candidato ao governo do estado de Minas Gerais, e encontrando resistências ao seu nome dentro do PMDB, Itamar deixa a legenda e filia-se ao PL sendo então candidato, em 1986, ao governo estadual mineiro por essa legenda, porém não obtém sucesso e é derrotado justamente pelo candidato do PMDB, Newton Cardoso por uma diferença de 1% dos votos. Com a derrota, Itamar volta ao Senado para terminar o seu mandato que iria até 1990.

Atuação na Assembleia Constituinte[editar | editar código-fonte]

Voltando à atividade parlamentar, Itamar participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte, iniciados em 1 de fevereiro de 1987.

Líder do PL no Senado, nas principais votações da Constituinte, foi a favor: do rompimento das relações do Brasil com países que desenvolvessem uma política de discriminação racial; do estabelecimento do Mandado de Segurança Coletivo; da remuneração de 50% superior para o trabalho extra; da jornada semanal de 40 horas; do turno ininterrupto de seis horas; do aviso prévio proporcional ao tempo de serviço; da unicidade sindical; da soberania popular; da nacionalização do subsolo; da estatização do sistema financeiro; de uma limitação do pagamento dos encargos da dívida externa; e da criação de um fundo de apoio à reforma agrária.

Foi contra: a pena de morte; o presidencialismo; e da prorrogação do mandato do presidente José Sarney.

Eleições presidenciais de 1989[editar | editar código-fonte]

O presidente Fernando Collor acompanhado do vice-presidente Itamar Franco, chegando ao Palácio do Planalto.

Em 1989, o então governador de Alagoas, Fernando Collor resolve se candidatar a Presidência da República, nas primeiras eleições diretas para esse cargo no país desde 1960 e querendo compor uma chapa com um político do Sudeste, convida Itamar para ser vice. Aceitando o convite, Itamar deixa o PL, trocando-o pelo pequeno Partido da Reconstrução Nacional (PRN), para ser então candidato a vice-presidente na chapa de Fernando Collor à presidência da república.

Apresentando-se como opositor radical ao presidente José Sarney e defendendo um programa econômico modernizador e liberal, Collor é eleito Presidente e Itamar Franco Vice-Presidente da República, tomando posse em 15 de março de 1990.

Na Vice-presidência da República[editar | editar código-fonte]

Presidente Fernando Collor recebe seu vice Itamar Franco.

Empossado o novo governo, Itamar logo foi se afastando de Collor, divergindo de importantes aspectos da política econômico-financeira adotada pelo novo governo. Criticou publicamente o processo de privatizações e a aplicação dos fundos resultantes da venda das companhias estatais, que para ele, deveriam ser usados na área social.

Após a reforma ministerial de abril de 1992 em que ex-colaboradores do regime militar, Célio Borja, Pratini de Moraes e Ângelo Calmon de Sá entraram no governo, Itamar desligou-se do PRN em 5 de maio de 1992.

O desencadeamento de uma sucessão de denúncias de corrupção contra o governo Collor e do início de uma campanha pelo seu impeachment, levou Itamar a acentuar publicamente suas diferenças em relação ao presidente.

Em 29 de setembro de 1992 a Câmara dos Deputados decidiu por ampla maioria autorizar a abertura de um processo de impeachment do presidente. Neste mesmo dia, Itamar assume interinamente a presidência até que o titular fosse julgado pelo Senado Federal.

Não houve solenidade de posse, despojamento que foi bem recebido pela população. Ao assumir, propôs uma política de entendimento nacional.

Na presidência da república[editar | editar código-fonte]

Presidente Itamar Franco, 1993.

Em 1992, Fernando Collor de Mello é acusado de corrupção e sofre um processo de impeachment pelo Congresso Nacional, se afastando do governo[3] .

Itamar assumiu interinamente a presidência em 2 de outubro de 1992, sendo formalmente aclamado em 29 de dezembro de 1992, quando o presidente Collor renuncia ao cargo.[5]

Sua equipe de governo era composta majoritariamente por mineiros, e, sendo ele também mineiro, seu governo ficou informalmente conhecido como República do Pão de Queijo.

O Brasil estava no meio de uma grave crise econômica, com a inflação chegando a 1100% em 1992, e alcançando 2708,55% no ano seguinte (a maior da historia do Brasil). Itamar trocou de ministros da economia várias vezes, até que Fernando Henrique Cardoso assumisse o Ministério da Fazenda[6] .

Defendeu o relançamento do Fusca, que ficou conhecido como Fusca do Itamar.

Plebiscito de 1993[editar | editar código-fonte]

Em Abril de 1993, cumprindo com o previsto na Constituição de 1988, o governo realiza um plebiscito para a escolha da forma e do sistema de governo no Brasil. Quase 30% dos votantes não compareceram ao plebiscito ou anularam o voto[7] . Dos que comparecem às urnas, 66% votaram a favor da república, contra 10% favoráveis à monarquia. O presidencialismo recebeu 55% dos votos, ao passo que o parlamentarismo (o sistema da preferência de Itamar Franco) obteve 25% dos votos. Em função dos resultados, foi mantido o regime republicano e presidencialista. A votação foi livre, a tentativa de ressurreição do forma de governo monárquica veio do deputado federal Antônio Henrique Bittencourt da Cunha Bueno (do Partido Social Democrático de São Paulo), membro da Assembléia Constituinte que aprovou a Constituição[6] [7] .

Plano Real[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1994, o governo Itamar lançou o Plano Real, elaborado pelo Ministério da Fazenda a partir de idealização do economista Edmar Bacha, que estabilizou a economia e acabou com a crise hiperinflacionária[6] .

Outras realizações[editar | editar código-fonte]

Logomarca do Governo Itamar Franco.

O Presidente Itamar Franco fez projetos de combate à miséria ao lado do sociólogo Betinho. Em 1994 apoia o então candidato Fernando Henrique Cardoso, o qual sai vitorioso nas urnas. Itamar Franco terminou o seu governo com 41% de aprovação popular.

Depois da presidência[editar | editar código-fonte]

Itamar foi o primeiro presidente da República desde Artur Bernardes a eleger o seu sucessor. Com a vitória de seu candidato, Fernando Henrique Cardoso, Itamar foi nomeado embaixador brasileiro em Portugal, e, posteriormente, embaixador brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, Estados Unidos.

No entanto, Itamar logo se tornou um crítico do governo Fernando Henrique Cardoso por discordar de sua política econômica. Além disso, Itamar pretendia se candidatar à Presidência novamente nas eleições de 1998, porém viu seus planos serem desfeitos quando o então presidente mudou a Constituição para tentar se reeleger para um 2° mandato consecutivo. Mesmo com essa nova mudança nas normas eleitorais, Itamar tenta se candidatar a presidência, mas não consegue obter a indicação do PMDB em uma ação creditada à enorme pressão exercida pelo então presidente que não gostaria de ter Itamar como adversário. Esse foi mais um dos motivos apontados para o rompimento de Itamar com Fernando Henrique Cardoso.

Sem a indicação para a presidência, Itamar se candidata então ao governo de Minas Gerais, disputando o pleito contra o então governador do Estado Eduardo Azeredo (PSDB), apoiado por Fernando Henrique. Nas apurações do 1º turno das eleições, Itamar já desponta na liderança, obtendo 3.080.925 de votos, representando 44,29% dos votos válidos, contra 2.665.500 votos de Eduardo Azeredo, o equivalente à 38,32% [carece de fontes?]. Indo a eleição para o segundo turno, Itamar é eleito com ampla votação, com 4.808.652 de votos, ou 57,62% dos votos válidos, contra 3.537.458 de votos ou 42,38% de Azeredo[carece de fontes?]. Vale dizer que durante a campanha eleitoral Fernando Henrique Cardoso declarou inicialmente seu apoio a Itamar. Este último recusou o apoio, dizendo que podia "andar com as próprias pernas" [carece de fontes?]. Tendo vencido o pleito, assume o governo de Minas Gerais em 1 de janeiro de 1999.

Governo de Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

Itamar Franco foi eleito governador de Minas Gerais em 1998 pelo PMDB. Governou Minas Gerais de 1999 a 2003, e não conseguiu a indicação do PMDB para se candidatar à presidência da República em 2002. Naquela oportunidade a convenção nacional do PMDB optou por uma coligação com o PSDB, lançando a então deputada federal Rita Camata (Espírito Santo) a vice-presidente na chapa encabeçada por José Serra.

Assim que tomou posse em 1998, Itamar Franco decretou a moratória do estado de Minas Gerais. Entre outros aspectos, Itamar alegou a necessidade de se empreender uma auditoria na dívida estadual. Entre outros pontos, Itamar argumentou que a dívida mineira era atrelada a uma taxa de juros de 7,5% ao ano, enquanto estados como São Paulo negociaram suas dívidas a uma taxa de 6% [8] . Itamar tentou, com um conjunto de ações na área financeira, reverter uma situação herdada do governo anterior, na qual "as despesas apresentavam crescimento mais acelerado que as receitas tributárias e encontravam-se concentradas em funções de baixa capacidade distributiva, comprometendo a promoção de um processo de desenvolvimento socialmente justo".[9]

Esta atitude polêmica levou Itamar a ser acusado pelo Presidente do Banco Central Armínio Fraga de agir contra a estabilidade de regras necessária à atração de investimentos estrangeiros.

Em que pese essa ação inicial, foi em seu governo que a dívida mineira foi equacionada e começou a ser quitada, conforme esclarece Fabrício Augusto de Oliveira.[10]

Retomou judicialmente o controle acionário da estatal Companhia Energética de Minas Gerais CEMIG, parcialmente vendida pelo governador anterior Eduardo Azeredo, o qual conseguiu fechar as contas estaduais apenas em seus dois últimos anos de governo desfazendo-se de parte do patrimônio público mineiro, que foi privatizado em um processo de reorganização das estatais mineiras que estaria na gênese do chamado "esquema Marcos Valério",[11] cuja "origem dos recursos" seria "as empresas públicas de Minas Gerais".[12] A CEMIG hoje se tornou uma das maiores empresas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica do Brasil e do mundo, sendo uma das que mais cresce em seu segmento.

Itamar Franco em 2004.

Itamar também se insurgiu contra a privatização empresa energética Furnas, aclamando o povo mineiro e brasileiro para juntos, impedissem que mais um patrimônio do brasileiro fosse privatizado.

Na ocasião, Itamar mobilizou a Policia Militar de Minas Gerais em umas das principais usinas da empresa, a Usina Hidrelétrica de Furnas, em São José da Barra, MG, ameaçando explodir a referida usina caso Furnas fosse privatizada. Apesar de esta postura ter sido muito criticada, Itamar conseguiu seu objetivo e não deixou que Furnas fosse privatizada.

Com a incorporação das subsidiarias da Eletrobrás, Furnas passou a se chamar Eletrobrás Furnas, sendo hoje a estatal Eletrobrás a maior empresa do Brasil de geração e transmissão de energia elétrica e uma das maiores do mundo.[13]

A recomposição do setor público em bases burocráticas, passando essencialmente pela valorização do servidor público, pelo reaparelhamento das principais agências de ação estatal e pelo ajuste fiscal, marcou a gestão Itamar Franco, conforme analisam Wladimir Rodrigues Dias e Roberto Sorbilli Filho, segundo os quais não houve grandes inovações em seu governo, mas uma importante organização da administração pública, desmantelada por seu antecessor.[14]

No âmbito político, Itamar Franco se destacou pela realização de uma política centrada nos grandes temas. A composição política de seu governo, de feição centro-esquerdista, chegou a ter participação de PMDB, PT, PDT, PSB, PC do B, PTB, PPB e PL, dentre outros partidos. Ainda assim, pode-se dizer que governou sem os partidos e sem os políticos[carece de fontes?].

Itamar se opôs a atividades típicas da política tradicional, como as vinculadas ao clientelismo político. Extinguiu as subvenções sociais distribuídas por deputados e não negociou emendas parlamentares, deixando de exercer a habitual dominação que o Executivo exerce sobre o Legislativo. Em décadas, foi o governador com o maior número de projetos rejeitados na ALMG, retaliado pelo rompimento com o pacto clientelista.[15]

Terminando seu mandato no governo de Minas Gerais ao fim de 2002, Itamar resolve não se candidatar à reeleição e apoia as campanhas de Aécio Neves (PSDB) para o governo do Estado e de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência da República.

Itamar ajuda a eleger Aécio, e com a vitória de Lula no plano nacional é nomeado embaixador brasileiro na Itália até deixar voluntariamente o cargo em 2005.

Embora na memória da maioria permaneça um governador mais atento aos problemas nacionais e a uma eventual candidatura à presidência da República, foi em seu governo que se reorganizaram as finanças e a administração estadual, possibilitando ao governador seguinte, Aécio Neves, eleito com seu apoio, implantar o chamado "choque de gestão".

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Itamar Franco em 2011.

Em 2006 tentou se candidatar a presidente da República pelo PMDB, competindo pela indicação do partido com Anthony Garotinho, o ex-governador do Rio de Janeiro. Porém, em 22 de maio anunciou a sua desistência e a sua intenção de disputar uma vaga no Senado Federal.

Acabou perdendo a indicação do PMDB de Minas Gerais para o Senado para Newton Cardoso (líder das pesquisas no início, mas que sofreu uma derrota às vésperas das eleições). Itamar anunciou, em 2006, o seu apoio à candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República.

Aliado de Aécio Neves (PSDB) desde 2002, foi conselheiro do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais. Em maio de 2009, anunciou sua filiação ao Partido Popular Socialista (PPS), o que alimentou especulações sobre uma possível candidatura à Presidência da República ou ao Senado Federal. Em 27 de janeiro de 2007 anunciou sua pré-candidatura a senador, disputando uma das duas vagas nas eleições deste ano, apoiando Aécio Neves como candidato à outra vaga. O candidato a primeiro suplente foi o presidente do Cruzeiro Zezé Perrella, do PDT, e a segunda suplente, Elaine Matozinhos, do PTB.[16]

Nas eleições de 3 de outubro de 2010 foi eleito senador pelo estado de Minas Gerais na chapa de Aécio Neves e Antônio Anastasia (ambos do PSDB), reeleito governador, derrotando ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel do PT que também postulava uma vaga no Senado Federal.

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 21 de maio de 2011 foi diagnosticado com leucemia.[17] Alguns dias depois, se licenciou do Senado a fim de tratar-se da doença no Hospital Albert Einstein. Em 27 de junho um boletim médico do hospital divulgou que sua situação teria se agravado em virtude de uma pneumonia que o levou à UTI. Itamar faleceu na manhã de 2 de julho de 2011[18] . O corpo do ex-presidente foi cremado em Cemitério de Contagem, e as cinzas ficaram no jazigo da família em Juiz de Fora.[19] .

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Após sua morte a BR 267 passou a ser denominada Rodovia Presidente Itamar Franco. O governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia deu ao Aeroporto da Zona da Mata Mineira o nome de Presidente Itamar Franco. Em Juiz de Fora a antiga Avenida Independência, uma das principais da cidade, foi rebatizada com o nome do ex-presidente. Em 2012, o Museu Histórico do Senado Federal passou a ser denominado de Museu Histórico Senador Itamar Franco.[carece de fontes?]

Notas

  1. Itamar Franco nasceu a bordo de um navio que seguia do Rio de Janeiro para a Bahia. Foi registrado na cidade de Salvador e criado na cidade mineira de Juiz de Fora.

Referências

  1. Itamar Augusto Cautiero Franco (em portuguese) Biografias Uol. Visitado em 29 Agosto 2014.
  2. Morre aos 81 anos o ex-presidente Itamar Franco R7. Visitado em 2 de julho de 2011.
  3. a b c Itamar Augusto Cautiero Franco Educação UOL. Visitado em 28 de junho de 2012.
  4. "Depoimento de motorista leva ao impeachment do presidente", Isto é, http://www.istoe.com.br/reportagens/161904_DEPOIMENTO+DE+MOTORISTA+LEVA+AO+IMPEACHMENT+DO+PRESIDENTE .
  5. a b Relembre o impeachment e o Governo Collor Folha UOL. Visitado em 26 de janeiro de 2011.
  6. a b c Emerson Santiago (19 de julho de 2012). Governo de Itamar Franco (em português) InfoEscola. Visitado em 28 de junho de 2012.
  7. a b Entre o parlamentarismo e a monarquia, o Brasil resolveu continuar presidencialista (em português) Veja.abril.com (15 de outubro de 2010). Visitado em 28 de junho de 2012.
  8. Michel Chossudovsky (12). Brazil's IMF Sponsored Economic Desaster (HTML) (em Língua inglesa) 'Heise' Heise. Visitado em 25 de setembro de 2014. "The global media had casually laid the blame on Minas Gerais' "rogue governor" Itamar Franco (a former President of Brazil) for declaring a moratorium on debt payments to the federal government."
  9. Rocha, Elisa; Noronha, Jane (set 1998), "Evolução das Finanças de Minas Gerais na Era do Real", Vanguarda Econômica (Belo Horizonte) VI (6): 50 .
  10. de Oliveira, Fabrício Augusto, [www.almg.gov.br/revistalegis/Revista35/fabricio35.pdf "Caminho é estreito, mas Estado ainda pode ajustar as contas"] (PDF), Legis (MG: Assembléia legislativa) (35), www.almg.gov.br/revistalegis/Revista35/fabricio35.pdf .
  11. Carta Capital .
  12. Azenha, Luís Carlos, "Em vez de pagar, Azeredo recebeu de agência publicitária", Vi o mundo (Globo) (1306), http://viomundo.globo.com./site.php?nome=PorBaixoPano&edicao=1306 .
  13. "Itamar vai à guerra", Veja (Abril), http://veja.abril.com.br/250899/p_046.html .
  14. Sorbilli, Roberto filho; Dias, Vladimir Rodrigues, "Administração Pública: autonomia preservada, mas sem inovação" (PDF), Legis (MG: Assembléia legislativa) (35), http://www.almg.gov.br/revistalegis/Revista35/sorbilli35.pdf .
  15. Dias, Wladimir Rodrigues, "O Clientelismo e o Poder Legislativo", Congresso legística (MG: Assembléia legislativa), http://www.almg.gov.br/eventos/congresso_legistica_br.asp 
  16. "Deputado estadual do DEM será o primeiro suplente de Aécio ao Senado", Valor online, http://www.valoronline.com.br/?online/politica/6/6357767/deputado-estadual-do-dem-sera-o-primeiro-suplente-de-aecio-ao-senado&scrollX=0&scrollY=196&tamFonte=/ .
  17. "Itamar Franco descobre leucemia e está internado em São Paulo", UOL (Jus Brasil), http://uol-noticias.jusbrasil.com.br/politica/7041709/itamar-franco-descobre-leucemia-e-esta-internado-em-sao-paulo .
  18. "Itamar Franco morre aos 81 anos", G1 (Globo), jul, http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/07/morre-o-senador-e-ex-presidente-da-republica-itamar-franco.html .
  19. "Corpo de Itamar é cremado no cemitério de Contagem", Isto é (MG), http://www.istoe.com.br/reportagens/145050_MG+CORPO+DE+ITAMAR+E+CREMADO+EM+CEMITERIO+DE+CONTAGEM .

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Diretrizes de Ação Governamental: Itamar Franco, Secretaria de Planejamento, 1993 .
  • KOIFMAN, Fábio, ed. (2001), Presidentes do Brasil, Editora Rio .
  • PORTUGAL, José Geraldo (1998), Gestão Estatal no Brasil: O Governo Itamar Franco 1992–1994, Editora Fundap .
  • DE SOUZA, Reis, O Governo Itamar Franco .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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