Júlio Isidro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Júlio José de Pinho Isidro do Carmo ComIH (Lisboa, 5 de Janeiro de 1945)[1] é um locutor de rádio e entertainer português. É reconhecido como um dos mais bem sucedidos profissionais da televisão portuguesa.

Percurso[editar | editar código-fonte]

1960-1970[editar | editar código-fonte]

Pouco tempo depois de completar 15 anos, no dia 16 de Janeiro de 1960, estreou-se na RTP, ao lado de Lídia Franco, como apresentador do Programa Juvenil (Outros apresentadores do Programa Juvenil eram João Lobo Antunes e Castelo Branco). Três anos antes estivera na televisão mas como membro do coro do Liceu Camões. Até 1966 é autor e apresetador no Programa Juvenil e Programa Infantil.

Em 1968 começou a trabalhar no Rádio Clube Português à noite, apresentando noticiários, enquanto durante o dia era delegado de propaganda médica.

No exército foi instrutor de vários cursos de fotografia e cinema e realizou diversos documentários sobre as forças armadas. Ganhou uma Menção Honrosa no Festival de Cinema Militar, em Versailles, com o filme "Portugal e a Cartografia" [1].

1971-1979[editar | editar código-fonte]

O Fungagá da Bicharada foi um programa de grande sucesso nos anos de 1974 a 1976. Foram produzidas 4 séries de 13 programas cada. Em Outubro de 1976 passou a ser também uma revista de banda desenhada, de periocididade quinzenal, com direcção do próprio Júlio Isidro. Sai do Rádio Clube Português em 1975.

Em Arte & Manhas (1977-1978), na RTP, adoptou a personagem "Tio Julião" e pôs em práctica o seu gosto pelas artes manuais.

1978 é o ano de Jardim Jaleco em colaboração com Carlos Mendes e Joaquim Pessoa.

1980-1989[editar | editar código-fonte]

Além de diariamente apresentar Grafonola Ideal, onde colaboraram nomes como Mário Viegas, propôs um novo tipo de programa para os sábados, o Febre de Sábado de Manhã era uma grande festa, de três horas em directo. É convidado por Maria Elisa a transpor o formato para a televisão. Nasce assim O Passeio dos Alegres.

Nas tardes de domingo da RTP obtém grande sucesso com programas como O Passeio dos Alegres, Festa é Festa e A Festa Continua. Em todos havia momentos musicais, passatempos, entrevistas ligeiras e momentos de humor.

Em 1985 aparece com o programa Arroz Doce (que era para se chamar "Amigo Público"), desta vez à noite. O estúdio era uma sala de estar e a porteira do prédio era Eunice Muñoz. Era designado pelo seu autor como "Talk e Humour Show". O programa, que tinha no "Pau de Canela" o seu órgão de informação, não teve, contundo, grande adesão.

A partir de 1986 e até 1989 apresentou o Clube dos Amigos Disney, um formato inovador em termos europeus e que o levou a ser convidado para colaborar com a Disney, concebendo espectáculos extra-fonteiras. Lança o livro "Histórias do Tio Julião".

Nos Estados Unidos da América estuda realização e produção televisiva na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Colabora ainda com a revista TV Guia com entrevistas e artigos sobre Hollywood.

Colabora na concepção da TV-Geste da qual seria director-geral.

1990-1999[editar | editar código-fonte]

Em 1990 apresenta e produz o programa "Oito e Oitenta". Ainda nesse ano apresenta "Regresso ao Passado" onde Dulce Pontes e Tó leal são alguns dos cantores residentes.

Colabora com a Telecine e funda a "JIP-Júlio Isidro Produções". Em 1991 produz e apresenta o programa E.T. - Entretenimento Total. Ainda nesse ano produz o programa Mistura Fina apresentado por Ana Maria Lucas.

Em meados da década de 1990, passou para o canal privado de televisão TVI. Em 1993 apresenta o programa Sons do Sol. No ano seguinte apresenta programas como Clips & Spots, Domingo Gordo, Luzes da Ribalta e 1001 Tardes.

Seguem-se, ainda na TVI, os programas Dar que Falar (1995) e o concurso Olhó Popular (1996).

Em 1997 regressa à RTP para comandar os programas Antenas no Ar (sobre os 40 anos da televisão em Portugal). De 1997 a 2000 apresenta Jardim das Estrelas na RTPi. Apresenta também o programa "O Amigo Público" (1998/9).

2000-2009[editar | editar código-fonte]

Numa emissão especial do programa Jardim de Estrelas, seis horas em directo, no dia 16 de Janeiro de 2000, através da RTPi e RTP África, foram festejados os 40 anos de actividade televisiva de Júlio Isidro.

Em 2000 apresenta na RTP1 o concurso Agora é Que São Elas e na RTP2 o magazine A Outra Face da Lua.

Em 2001 estreou na RTP 1 os programas Tributo a e Entrada Livre.

O programa O Passeio dos Alegres - 20 Anos Depois, novamente com Júlio Isidro, não obteve o sucesso das emissões originais.

Faz pequenas rubricas para os programas Praça da Alegria e Portugal no Coração. Apresenta ainda alguns dos programas comemorativos dos 50 anos da RTP. É um dos apresentadores do programa Portugal no Coração.

É convidado especial dos Gato Fedorento no programa É Uma Espécie de Reveillon.

Apresenta na RTP o programa Quarto Crescente. Colabora também com a RTP Internacional.

Televisão[editar | editar código-fonte]

São vários os programas em que participou (como autor, apresentador, realizador ou produtor) que marcaram a televisão portuguesa:

RTP[editar | editar código-fonte]

  • Programa Juvenil e Programa Infantil(1960/1966)
  • O Fungagá da Bicharada (1974/1976)
  • Arte e Manhas (1977/1978)
  • O Passeio dos Alegres (1980/1984)
  • Festa É Festa
  • A Festa Continua
  • Arroz Doce (1984/1985)
  • Clube Amigos Disney (1986/1989)
  • Oito e Oitenta (1990)
  • Regresso ao Passado (1990/1991)
  • E.T. - Entretenimento Total (1991/1992)
  • Antenas no Ar (1997)
  • Jardim das Estrelas (1997/2000)
  • Amigo Público (1998/1999)
  • A Outra Face da Lua (2000)
  • Agora é que são Elas (2000)
  • Entrada Livre (2001)
  • Estúdio 5 (2002)
  • O Passeio dos Alegres - 20 Anos (2002)
  • Tributo a...' (2003)
  • Portugal no Coração (2006/2007).
  • Quarto Crescente (2008-)
  • Inesquecível (2010-).

Apresentou ainda eventos especiais, como a Gala dos 50 anos da ONU, o espectáculo do 30.º Aniversário da RTP1, a inauguração da RTP África e RTP Internacional e a Gala FIFA (1997).

TVI[editar | editar código-fonte]

  • Sons do Sol (1993/1994)
  • Clips & Spots (1994)
  • Domingo Gordo (1994)
  • Mil e Uma Tardes (1994)
  • Luzes da Ribalta (1994/1995)
  • Dar que Falar (1995)
  • Olhó Popular (1996)

Rádio[editar | editar código-fonte]

Trabalhou no Rádio Clube Português (RCP) entre 1968 e 1975. Na Rádio Comercial foi autor e apresentador de programas de sucesso como "CDC - Clube das Donas de Casa", "Grafonola Ideal" e "Febre de Sábado de Manhã".

No programa "Grafonola Ideal" começaram a fazer emissões no exterior. Passou depois para um programa ao vivo onde eram divulgadas e estreadas novas bandas. O programa "Febre de Sábado de Manhã" durou de 1981 até 1985. O primeiro espetáculo foi no "Noite e Dia", onde fizeram um concurso de noivos. Depois passou para o "Nimas".

Atualmente colabora com a Antena 1, onde teve uma rubrica diária e que depois a programa semanal A Ilha dos Tesouros, onde passa músicas do tempo do vinil.

Escrita[editar | editar código-fonte]

A sua atividade estendeu-se também à imprensa escrita, à publicidade e à música (autor de poemas para canções – 3 álbuns editados.).

O "Tio Julião e os seus sobrinhos" são as personagens centrais de várias histórias, publicadas no jornal 24 Horas. Em "É Tudo Primos e Primas", o autor reúne as suas histórias predilectas o que permite conhecer uma família muito especial, onde reina a solidariedade, a amizade e a brincadeira. Os primos e primas são a Mariana, a Francisca, o Lourenço, o Max e o Xavier, heróis de histórias comuns a todas as crianças e à maioria das famílias.

"São histórias simples, que descrevem situações comuns a todas as crianças e à maioria das famílias e que se baseiam na observação que o autor faz de certos ditos e feitos de alguns adultos e de certos gestos dos mais pequenos que tantas vezes são um bom exemplo para os mais crescidos"

Livros infantis publicados:

  • Histórias do Tio Julião (D. Quixote, 1989)
  • Juliana das Farturas (D. Quixote, 1990)
  • É Tudo Primos e Primas (Edições Asa, 2004)
  • Ideias Giras (Edições Asa, 2005)
  • O Planeta de Cristal (Edições Asa, 2006)
  • 100 Histórias para Contar e Sonhar (Edições Asa, 2006)
  • A Nossa Televisão (Desde os Avós até Nós!) (2007)

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Confessa que o trabalho que mais gostou de fazer na vida foram os noticiários do Rádio Clube Português, onde o 25 de Abril o encontrou especializado na «técnica da metáfora», e na saudade desses tempos diz que «ainda hoje o melhor que se faz por aí é uma tentativa de fazer rádio pelo menos tão boa como antigamente». (in Expresso 22 de abril de 1989)

Júlio Isidro é apaixonado pelo aeromodelismo. A primeira taça que ganhou foi aos 13 anos. Além de praticar, incentiva novos talentos.

Não se dedica apenas aos Livros infantis. "Conto Final Parágrafo" é uma espécie de biografia do seu tempo.

Em 2010, numa entrevista ao Diário de Notícias (DN), destacou cinco figuras públicas que marcaram a sua vida e ou carreira: Maria Elisa, Coronel Vasco Lourenço, Baptista-Bastos, Piedade Maio e João David Nunes.

Comentários[editar | editar código-fonte]

«Quando proponho um programa proponho tudo: descrevo ao pormenor como ele deve ser feito. Sabe, há por aí uma grande confusão: uma ideia não é programa. Um programa é uma ideia construída tecnicamente. Faço sempre um guião, descrevo como deve ser o cenário, a iluminação, o som, o grafismo, o tipo de edição, por aí, está a ver? O apresentador de televisão é apenas a ponta de um iceberg.» JI/Revista Autores

«Tenho vivido estes 45 anos com o horizonte das 13 semanas… Porque as séries de televisão duram normalmente 13 semanas. A partir da nona semana já estou à espera que me renovem o programa por mais 13 … Ou que me aprovem um novo. Claro que isso origina uma certa ansiedade, mas não me queixo. Não me tenho saído mal.» JI/Revista Autores

«vi a RTP a fazer contratos de dois anos e mais com pessoas que ainda hoje não se sabe por que porta entraram - só se conhece a porta por que saíram. Mas ainda não perdi a esperança - afinal o Fernando Pessa só fez um contrato com a RTP aos 72 anos. Só nessa altura entrou para os quadros da velha senhora…» JI/Revista Autores

(Apesar de ser um nome que identificamos de imediato com a RTP, Júlio Isidro nunca fez parte dos quadros da empresa)

«Quando estou a construir os meus modelos [de aeromodolismo] estou a imaginar-me dentro deles, a inventar pormenores, a sonhar como seria fantástico estar nos comandos a atravessar mares e continentes. Leio muito sobre aviação, sei muita coisa sobre a sua história e técnica. Podia ter sido piloto ou mecânico. Mas assim não aconteceu» JI/Revista Autores

(Frequentou o curso superior de Engenharia Mecânica que não chegou a concluir)

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]