Júlio Medaglia

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Júlio Medaglia em 2010, durante reunião com o ministro da Cultura.

Júlio Medaglia (São Paulo, 26 de setembro de 1938) é um maestro e arranjador brasileiro. Ex-aluno de Pierre Boulez, Karlheinz Stockhausen e John Barbirolli, Medaglia foi fundador da Amazonas Filarmônica e dirigiu a Orquestra da Rádio de Baden-Baden e a Rádio Roquete Pinto.

Biografia[editar | editar código-fonte]

O primeiro contato de Júlio Medaglia com um instrumento foi em casa, através de Magali Sanches, empregada doméstica da família, que mais tarde viria a se tornar atriz de radionovela. Pouco tempo depois, Júlio começaria a ter aulas de violino com uma prima de sua mãe, ex-violinista da orquestra do Cine Avenida. Posteriormente participou de uma orquestra de amadores, e conhece o então oboísta Isaac Karabtchevsky, que o leva para a Escola Livre de Música de São Paulo, criada em 1952 por um dos grandes mentores musicais da época, Hans-Joachim Koellreutter.

No final dos anos 1950, Koellreutter transfere-se para Salvador, no intuito de montar os Seminários de Música da Universidade da Bahia. Júlio Medaglia o acompanha e lá, se aperfeiçoa em regência, inicialmente coral e depois sinfônica. Em Salvador, é convidado pelo Diretor da Escola Superior de Música da Universidade de Freiburg, Artur Hartmann, para estudar regência na Alemanha.[1]

Antes de deixar o país, em São Paulo, Júlio Medaglia ajuda o musicólogo teuto-uruguaio Francisco Curt Lange a divulgar, por meio de concertos, artigos e palestras, a redescoberta de importantes partituras do barroco mineiro.

Enquanto estudava na Europa, Júlio Medaglia também teve aulas de regência sinfônica em Taormina, com Sir John Barbirolli, um dos mais respeitados maestros do século XX. Também participa de cursos ministrados por Stockhausen e Boulez, durante os festivais de música contemporânea de Darmstadt. Em 1965, forma-se, com distinção, pela Hochschule für Musik de Freiburg, em regência sinfônica.

No final dos anos 1960, retorna ao Brasil e participa, com Solano Ribeiro, da organização dos Festivais da Record. Nessa época, participa de movimentos artísticos de vanguarda, entre os quais o da poesia concreta, "oralizando" poemas com os irmãos Campos - Augusto e Haroldo - e Décio Pignatari.

No final de 1967, escreve arranjo para a canção Tropicália, de Caetano Veloso, que marca o início do Tropicalismo.[2]

Em 1969, é convidado, por um grupo de instrumentistas, para dirigir a orquestra Cordas de São Paulo. Com esse conjunto, viaja por várias cidades brasileiras, grava um disco (que inclui a restauração de uma obra de André da Silva Gomes, mestre de capela da cidade de São Paulo do início do século XIX) e faz um programa semanal na TV Cultura, que recebe, entre outros, o Troféu Roquette Pinto.

Nos anos 1970 teve um rapido relacionamento com a cantora Maysa.

Nos anos 1980, dirige, por quatro anos, o Teatro Municipal de São Paulo. Nessa época, além de ministrar cursos sobre trilha sonora na USP e na FAAP, participa no Rio de Janeiro, do "cinema marginal".

Sua participação como autor da trilha sonora e ator do filme O Segredo da Múmia rendeu-lhe os prêmios de "melhor trilha" no Festival de Gramado e de "melhor ator coadjuvante" pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Em 1987, inicia um programa diário na rádio Cultura FM de São Paulo (Pentagrama e, depois, Tema e Variações), trabalho que manteve, ininterruptamente, até 26 de abril de 2011, quando anunciou que deixaria a emissora. "Fui chamado pelo presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, e, antes que me sentasse para conversar, ele logo disse que meu contrato não seria renovado e que eu estava desligado a partir daquele momento".[3] O maestro também responsável pelo programa "Prelúdio", na TV Cultura, que promovia também um concurso de jovens instrumentistas brasileiros, sendo o vencedor premiado com uma bolsa de estudos, por um ano, na Alemanha.[4]

No início dos anos 1990, assume a direção artística do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e, em seguida, a regência titular da orquestra do Teatro Nacional de Brasília. Na mesma época, dirige o Festival de Inverno de Campos do Jordão e participa em grandes espetáculos cênico-musicais, como: Carmina Burana, de Carl Orff; a ópera Aida, de Verdi; a História do Brasil; e a ópera afro-brasileira Lídia de Oxum, de Lindembergue Cardoso e Ildázio Tavares.

No final da década de 1990, monta uma orquestra filarmônica de nível internacional, em plena floresta amazônica.[5]

Atualmente, tem regido, como convidado, dentro e fora do país, e atua em diversos projetos culturais. Além disso, dirige a nova Orquestra Filarmônica Vera Cruz, de São Bernardo do Campo.[3] "Estou me inspirando no que Simon Rattle fez em Birmingham, a prospecção de talentos numa zona industrial, tradicionalmente de pouca atividade cultural. A partir da orquestra, revitalizou toda uma cidade. É um projeto bacana de São Bernardo, que pretende instalar um teatro para a gente nos antigos estúdios da Vera Cruz, que abrigará um grande centro cultural.

Ensaísta e colaborador de vários periódicos brasileiros, tem livros publicados como tradutor e autor. É membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Paulista de Letras.[6] [7] .[8]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Música Impopular. Global. 2ª Edição
  • O Som como Parte da Narrativa. Análise Musical. A Orquestra. DVD.
  • Música, maestro!: do Canto Gregoriano ao Sintetizador. Globo, 2008.

Referências

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