Júlio de Mesquita

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Júlio César Ferreira de Mesquita (Campinas, 10 de agosto de 1862São Paulo, 15 de março de 1927) foi um advogado, politico e jornalista brasileiro, proprietário do jornal O Estado de S. Paulo.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Campinas. Com a idade de 3 anos foi para Portugal com seus pais, onde fez os primeiros estudos. Regressando, estudou em Campinas, nos colégios Morton e Culto à Ciência e em São Paulo,[2] onde se formou pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo em 1883. Iniciou sua colaboração assinada em A Província de São Paulo,[3] em janeiro de 1885, ao redigir comentários. Em 1891, assumiu a direção do jornal. Envolveu-se em política, aderindo ao movimento republicano no Brasil. A trajetória política deu início quando foi eleito vereador em Campinas, seguido pelo cargo de secretário do primeiro governo provisório republicano de São Paulo. Foi deputado à Constituinte paulista, senador estadual e deputado federal.

Depois tornar-se colaborador do jornal A Província de São Paulo, então propriedade de Francisco Rangel Pestana, assumiu a direcção.[4] À frente do jornal em 1890, renomeou-o para O Estado de S. Paulo, acompanhando a virada republicana do ano anterior e assumiu em 1891 a direcção do O Estado de S. Paulo dando início a dinastia que hoje controla o jornal e também a empresa. Em 1902, Júlio Mesquita, redator desde 1885 e genro de José Alves de Cerqueira César, um dos 16 fundadores, torna-se o único proprietário do diário, e empreendeu uma revolução editorial, tornando-o o primeiro grande jornal desvinculado de partidos, seguindo os passos da grande imprensa norte-americana.

Durante a Primeira Guerra Mundial perfilou seu diário à causa aliada e, com isso, perdeu toda a publicidade da então poderosa comunidade alemã. Lançou o Jornal da Tarde, apelidado "Estadinho", tiragem vespertina do jornal, dirigida pelo filho, o jovem Júlio de Mesquita Filho. Apoiou as duas candidaturas de Rui Barbosa e, já em 1902, rompe com o republicanismo paulista.

É um dos fundadores da Liga da Defesa Nacional, criada por Olavo Bilac e Frederico Steidel, organização que visava o fim das distorções da República Velha e da Sociedade de cultura artística, entidade filantrópica que visava o desenvolvimento das artes em São Paulo. Em 1916 fundou a Revista do Brasil, posteriormente controlada por Monteiro Lobato.

Júlio de Mesquita casou-se com Lucila de Cerqueira César, filha do senador José Alves de Cerqueira César, vice-governador do estado bandeirante, e de Maria do Carmo Salles, irmã de Manuel Ferraz de Campos Sales, presidente da República, tetraneta de Francisco Barreto Leme do Prado, o fundador de Campinas. O casal Júlio César e Lucila teve doze filhos: Ester, Rachel, Rute, Maria, Júlio, Francisco, Sara, Judite, Lia, José, Suzana e Alfredo Mesquita.

No ano de sua morte o jornal sobrepujava os 60 mil exemplares diários. Mesquita julgou prudente, romper relações com o governo Campos Sales.[5] A decisão desagradou os acionistas do jornal. Investiu na compra de suas participações e passou a ser "publisher" do veículo.

Problemas pulmonares o levaram ao afastamento de suas atividades. Faleceu em São Paulo, à 15 de março de 1927.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Resumo histórico Grupo Estado, recuperado 22 de Agosto 2012
  2. Prefeitura de Sao Paulo, recuperado 22 de Agosto 2012
  3. Almanaque Info, recuperado 22 de Agosto 2012
  4. Almanaque Info, recuperado 22 de Agosto 2012
  5. Governo Campos Sales - Funding loan e estabilidade educacao.uol.com.br, recuperado 22 de Agosto 2012

Ligacoes externos[editar | editar código-fonte]