Ja'far Tarikh

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Cäğfär Taríxı (tártaro cirílico: Җәгъфәр тарихы; em russo: Джагфар Тарихы), transliterado como Ja'far Tarikh ou Djagfar Tarikhy, significa "História de Cäğfär" em tártaro. É o nome de uma controvérsia obra em russo que se afirma ser uma tradução parcial de uma compilação dos búlgaros do Volga do século XVII dos primeiros textos sobre os búlgaros, cazares e outros nômades eurasianos.


História[editar | editar código-fonte]

De acordo com o seu publicador, Fargat Nurutdinov, a Ja'far Tarikh foi escrita em sua forma atual no Bascortostão por Baxşi İman, o secretário de Ja'far, o líder de um movimento de libertação dos búlgaros do Volga que teria supostamente vivido no século XVII. Nurutdinov afirma que o original, escrito em "turco búlgaro" (que aqui foi igualado à língua dos tártaros do Volga), usando a escrita árabe, foi traduzido para o russo no final dos anos 30 pelo seu tio, I.M.-K.-Nigmatullin, que o fez para preservá-lo de uma campanha do NKVD que visava confiscar e destruir documentos antigos búlgaros de escrita árabe. Os manuscritos com o texto tártaro foi destruído por agentes da NKVD. O próprio Nigmatullin morreu na Segunda Guerra Mundial e a tradução foi preservada pela sua mãe, que finalmente a passou para o seu neto, Nurutdinov, em 1976. Ele conseguiu copiar partes da tradução, mas a versão original (e algumas cópias) foi roubada da casa de campo de seu pai na década de 80 por criminosos nunca identificados. O que restou do texto foi publicado por ele[1] .

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

O texto faz referência a diversas pessoas e eventos históricos não atestados em outras fontes; ele cita, por exemplo, dois monarcas cazares de meados do século VII, Khalga e Kaban, que não aparecem no relato de al-Tabari, na Carta de Schechter, na Correspondência Cazar e em nenhum outro documento existente. Ele também associa os búlgaros com o que Nurutdinov interpreta como sendo referências a Troia, Suméria e até às Américas[2] .

A maioria dos acadêmicos enxergam na obra uma mistura de dados reais (previamente conhecidos) com invenções puras. Seus críticos alegam que ele é uma falsificação criada para suportar o nacionalismo dos tártaros do Volga e, em particular, para promover a noção de que eles seriam um grupo étnico antigo e autóctone bem diferente dos tártaros da Crimeia e de outros grupos tártaros. Alguns também especulam que ele teria sido escrito pelo NKVD (ou a pedido deles) com o objetivo de dividir os grupos étnicos turcos[1] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências