Jacaré

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Como ler uma caixa taxonómicaAlligatoridae
Jacaré-americano

Jacaré-americano
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Crocodylia
Família: Alligatoridae
Géneros
Alligator
Caiman
Melanosuchus
Paleosuchus

Os jacarés e os caimões (ou caimães) são répteis da ordem Crocodylia, que é dividida em três famílias: Gavialidae, Alligatoridae, Crocodylidae.

Jacarés pertencem à família Alligatoridae e são animais muito parecidos com os crocodilos, dos quais se distinguem pela cabeça mais curta e larga e pela presença de membranas interdigitais nos polegares das patas traseiras. Com relação à dentição, o quarto dente canino da mandíbula inferior encaixa num furo da mandíbula superior, enquanto que nos crocodilos sobressai para fora, quando têm a boca fechada.[1] O tamanho de um jacaré pode variar de sessenta centímetros (jacaré-anão) até 6,5 metros (jacaré-açu), podendo pesar de três a quinhentos quilos.

Os jacarés habitam as Américas, tendo desaparecido da Europa no Plioceno.[carece de fontes?] Na América do Norte, ocorre, predominantemente, o gênero Alligator. O gênero Crocodylus, da subfamília Crocodylinae, família Crocodylidae, como o Crocodylus acutus, é encontrado ao sul do estado norte-americano da Flórida.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "jacaré" se origina do termo tupi îakaré[2] . O termo "aligátor" se origina do termo inglês alligator[3] . Já o termo "caimão" se origina do termo taino kaiman[4] .

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

O jacaré é uma espécie típica do México e América do Sul, assim como o Alligator dos Estados Unidos, o crocodilo da África e o gavial do Pacífico e da Austrália. Todos pertencentes ao mesmo grupo de répteis (crocodylia), contudo apresenta características que o diferênciam enquanto Caimão. Este sendo como um nome comum a diversos jacarés americanos do gênero Caiman.[5]

Classificação Taxonómica[editar | editar código-fonte]

Caça ao jacaré pelos nativos do Novo Mundo[editar | editar código-fonte]

Nativos do Novo Mundo capturando jacaré com corda

Os nativos do Novo Mundo apreciavam a carne do jacaré e utilizavam seu couro para fazer gamelas. Os ovos do jacaré eram muitos apreciados pelos Kaxúyana do Amazonas e Pará, que os consumiam durante as refeições[6] . Ossos deste animal eram usados como ponta da zagaia, uma lança curta usada pelos Guató do Mato Grosso[7] .

O jacaré era um voraz predador dos peixes eventualmente presos às armadilhas montadas pelos nativos nas pescarias. O animal também estava associado à lenda do fogo, já que se acreditava que ele engolira o fogo que o deus Tupã esquecera sobre uma pedra[8] .

Os Kisêdjé do Mato Grosso consumiam uma grande quantidade de jacarés[9] . Os Timucua da Geórgia e Flórida também o faziam[10] e os Pariana e os Kayu-vicena dos rios Tocantins e Solimões estimavam a carne do jacaré feita no moquém[11] Os Cinta Larga de Mato Grosso e Rondônia capturavam os jacarés arrancado-os de suas tocas nos leitos dos córregos[12]

Quando o nativo amazônico encontrava algum jacaré dormindo parcialmente enterrado no barro aproximava-se com cautela e colocava um pé na cabeça e outro no dorso do animal. Enterrava a mão no lodo e, puxando a pata, virava o jacaré de costas. Amarrava suas patas e boca, dominando-o[13] .

Também caçavam crocodilos e jacarés com um pedaço de pau com as pontas bem afiadas. Quando o animal estava no seco tomando sol o índio se aproximava do lado do sol e quando o animal abria a boca para atacá-lo, ele nela enfiava a mão com a estaca e ao tentar abocanhar a mão a estaca se cravava na parte superior e inferior da boca do animal[14]

Na captura de crocodilo e jacaré, nativos venezuelanos utilizavam uma corda comprida de couro de peixe-boi, na qual havia um laço em uma das extremidades. Dois índios, um segurando a corda e o outro o laço, se aproximavam sem serem percebidos do animal que estava tomando sol. Ao mesmo tempo em que a fera se jogava na água o índio laçava sua boca e subia em cima dele. O animal tentava nadar, mas não conseguia devido ao peso que estava nas suas costas e ia afundando, ao mesmo tempo que o índio dava outras voltas com a corda, amarrando ainda mais a boca. A gordura do jacaré era muito utilizada pelos nativos na feitura de pães[14] .

Na contramão da maioria de outras tribos, Os Surui Paiter de Mato Grosso e Rondônia não comiam jacaré[8] , enquanto que mulheres gestantes dos Yanomámi do Amazonas não comiam jacaré para que a criança que ia nascer não se parecesse com este animal[15] .

Referências

  1. Thais Pacievitch (24 de Agosto de 2008). Jacaré. Página visitada em 23 de Setembro de 2011.
  2. http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.86
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.313
  5. [1] Jacarés
  6. ANDRADE, Carlos Drummond de (1979). Kaxúyana, esse bem-educado. p. 25-26. In: Revista de Atualidade Indígena, Brasília, Fundação Nacional do Índio.1979, ano III, nº 14, 64p.
  7. CÉSAR, José Vicente. Guatós aparecem depois de 40 anos. p. 51-54. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1979, ano III, nº 17, 64p.
  8. a b CAVALCANTE, Messias S. Comidas dos Nativos do Novo Mundo. Barueri, SP. Sá Editora. 2014, 403p.ISBN 9788582020364
  9. SEEGER, Anthony (2003). Kisêdjê. Disponível em http://pib.socioambiental.org/pt/povo/kisedje/print Consulta em 05/09/2012
  10. Who were the Timucuas? Disponível em http://pelotes.jea.com/intimuchtm.htm Consulta em 17/03/2013.
  11. BASTOS, Abguar. A pantofagia ou as estranhas práticas alimentares da selva: Estudo na região amazônica. São Paulo, Editora Nacional; Brasília DF, INL. 1987, 153 p.
  12. REVISTA DE ATUALIDADE INDÍGENA. Maternidade e infância no mundo tribal. p. 46-50 In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1977,ano I, nº 4 64 p.
  13. DANIEL, João (1722-1776). Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas. Vol. 1, 600 p. Rio de Janeiro, Contraponto. 2004. Vol.1, 600 p
  14. a b GUMILLA, Joseph (1686-1750). El Orinoco ilustrado, y defendido, historia natural, civil y geographica de este gran rio, y sus caudalosas vertientes, govierno, usos y costumes de los índios sus habitadores. Tomo Segundo, Segunda Impression. Madrid, Manuel Fernandez. 1745, 425 p.
  15. REVISTA DE ATUALIDADE INDÍGENA. A curiosa dieta dos Yanomámi. p. 2-8. In: Revista de Atualidade Indígena. Brasília, Fundação Nacional do Índio. 1978, ano II, nº 9, 64p.


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