Jacaré-de-papo-amarelo

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Jacare de papo amarelo zoo.jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Crocodylia
Família: Alligatoridae
Género: Caiman
Espécie: C. latirostris
Nome binomial
Caiman latirostris
Daudin, 1802
Distribuição geográfica
Caiman latirostis Distribution.png

O jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é um jacaré típico da América do Sul. A espécie habita as florestas tropicais, preferindo áreas de baixada, em lagoas, lagos e rios. É um animal carnívoro que vive aproximadamente cinquenta anos. São conhecidos por este nome pois, durante a fase do acasalamento, estes animais costumam ficar com a área do papo amarelada. Possuem o focinho mais largo de todos os crocodilianos. O nome científico latirostris (nariz largo) vem do latim lati (largo ou amplo) e rostris (nariz ou focinho).[2]

Mede em média cerca de 2 metros mas já foram registrados indivíduos excepcionalmente grandes com 3,5 metros[3] [4] . Animais adultos tendem a ser de cor verde-oliva, enquanto os filhotes são mais amarronzados com costas listradas de preto e pontos escuros na cabeça e lateral da mandíbula inferior.[2] [5] Animais velhos são quase negros.[5] A espécie é característica pelo seu focinho curto e largo que tem quase o mesmo comprimento que a largura à altura dos olhos.[5] Machos geralmente possuem maior tamanho corporal e largura craniana. Caracterizam-se por possuírem uma mordida forte, podendo partir o casco de uma tartaruga com extrema facilidade.

Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) à beira de lagoa - Bonito MS, Brasil

Estes animais possuem uma alimentação generalizada alimentando-se de moluscos, crustáceos, insetos, peixes, aves, morcegos e até mesmo ungulados e outros répteis.[6] Contudo, o tamanho influência e jacarés maiores tendem a pegar presas maiores. eventualmente os exemplares maiores podem atacar presas maiores. Seu alimento principal são certos moluscos gastrópodes disseminadores de algumas moléstias nas populações ribeirinhas. Desta forma, nos ambientes onde o jacaré foi eliminado, cresce a incidência de barriga de água entre a população e o gado que reside próximo aos rios.[2]

Em um experimento realizado em um laboratório da UNESP, em São Paulo, jacarés-de-papo-amarelo foram vistos se alimentando de frutos de banana-de-macaco (Philodendron bipinnatifidum). Entretanto, o estudo não foi conclusivo se o comportamento foi induzido pela presença de teiús Tupinambis merianae - que são onívoros, se ingeriram acidentalmente os frutos tentando capturar insetos atraídos por eles ou se esses animais realmente alimentam-se de frutos esporadicamente na natureza.[6]

O período de acasalamento ocorre de Agosto a Janeiro no Brasil, em Janeiro no Uruguai e de Janeiro a Março na Argentina.[7] Coincide com os meses mais quentes do ano, já que é necessário calor ambiente para a incubação.[8] A reprodução ocorre na terra ou em charcos úmidos, muitas vezes em ilhas fluviais ou na floresta ao redor durante meses mais úmidos. São geralmente localizados perto da água e em locais com pouca insolação.[7] Os ninhos são constituídos de um monte feito de material orgânico como folhas, gravetos e eventualmente terra. Supõe-se que a terra é usada para fazer com que o ninho tenha um tamanho adequado quando não há matéria orgânica suficiente.[8]

A fêmea coloca em média 20 a 60 ovos no ninho e, após a postura, ela, como outros crocodilianos, adota uma postura agressiva e se afasta deles apenas para se alimentar, pois estes podem ser predados por animais como o teiú, quati, raposas, macacos e aves aquáticas.[7] [9] [10] No momento da eclosão, entre 65 e 90 dias[10] depois, os filhotes ainda dentro dos ovos vocalizam chamando a mãe que destroi o ninho e então os carrega na boca até a água. No primeiro ano de vida permanecem próximos ao local de nidificação sendo protegidos por ambos os pais.[7]

A espécie é altamente ligada a água, habitando uma variedade de ambientes como pântanos, charcos, rios e riachos, com forte associação a vegetação aquática densa.[7] Pode ser encontrado em águas salobras e salgadas, chegando a habitar mangues no litoral e também já foram registrados em mangues de ilhas costeiras no sudeste do Brasil. Existem a até 800 m de altitude.[7] [4]

O jacaré-de-papo-amarelo é encontrado principalmente em pântanos e charcos ao longo do nordeste da Argentina, sudeste da Bolívia, Paraguai, norte do Uruguai e no Brasil.[4] Sua distribuição se estende ao longo de regiões costeiras no sudeste do Brasil, desde o Rio Grande do Norte, Recife e a Bacia do São Francisco indo a oeste até o Mato Grosso, subindo o Rio Paraguai até o leste da Bolívia em pântanos abaixo da foz do Rio Madidi. Ao sul, alcança o Paraguai no baixo Rio Pilcomayo, a Bacia do Paraná no norte da Argentina e também no Paraguai, o sul do Brasil até a Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim no Rio Grande do Sul; além do Uruguai, na Bacia do Uruguai e em pântanos costeiros.[7] Apesar de ameaçado pela urbanização, pode ser encontrado em lagos urbanos da cidade do Rio de Janeiro.[4]

Referências

  1. Crocodile Specialist Group (1996). Caiman latirostris (em Inglês). IUCN 2013. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2013 Versão 1.
  2. a b c Adam Britton (Janeiro de 2009). Caiman latirostris Crocodilian Species List. Visitado em 11 de abril de 2015.
  3. Thorbjarnarson, John. Crocodiles: An Action Plan for Their Conservation. [S.l.]: IUCN, 1992. p. 85-87. ISBN 978-2-83-170060-1
  4. a b c d Verdade, Luciano M. In: Manolis, S.C. e Stevenson, C. Crocodiles: Status Survey and Conservation Action Plan. 3 ed. [S.l.: s.n.], 2010. Capítulo: Broad-snouted Caiman Caiman latirostris. , p. 18-22.
  5. a b c Broad-snouted Caiman World Association of Zoos and Aquariums. Visitado em 11 de abril de 2015.
  6. a b Brito, S. P.; Andrade, D. V. e Abe, A. S. (2002). "Do caimans eat fruit?". Herpetological Natural History,. Visitado em 11 de abril de 2015.
  7. a b c d e f g Groombridge, Brian. The IUCN Amphibia-Reptilia Red Data Book - Part 1: Testudines, Crocodylia and Rhynchocephalia. Gland, Suíça e Cambridge, Reino Unido: IUCN, 1982. p. 305-309.
  8. a b Verdade, Luciano M. (1995). Biologia Reprodutiva do Jacaré-de-Papo-Amarelo (Caiman latirostris) em São Paulo, Brasil 13-20 pp. ICMBIO. Visitado em 16 de abril de 2015.
  9. Adam Britton (Janeiro de 2009). Caiman latirostris Photograph Crocodile Species List. Visitado em 15 de abril de 2015.
  10. a b Marcos E. Coutinho; Boris Marioni, Izeni Pires Farias, Luciano M. Verdade, Luís Bassetti, Sônia H. S. T. de Mendonça, Tiago Quaggio Vieira, William E. Magnusson, Zilca Campos. (2013). "Avaliação do risco de extinção do jacaré-de-papo-amarelo Caiman latirostris (Daudin, 1802) no Brasil". Biodiversidade Brasileira (1). ISSN 2236-2886. Visitado em 15 de abril de 2015.
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