Jacob van Artevelde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Jacob van Artevelde
Estátua de Jacob van Artevelde em "Vrijdagsmarkt", Ghent.
Nascimento ca. 1290
Ghent
Morte 24 de julho de 1345 (55 anos)
Ghent
Nacionalidade Vlag van Vlaanderen.svg flamenga
Ocupação político

Jacob van Artevelde Loudspeaker.svg? ouça (Ghent, ca. 1290 – Ghent, 24 de julho de 1345), também conhecido como o Sábio, foi um estadista e líder político flamengo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Artevelde nasceu em Ghent de uma família rica de comerciantes, o nome de seu pai era, provavelmente, Guilherme van Artevelde.[1] Seu irmão João, um rico comerciante de tecidos, teve um papel de liderança nos assuntos públicos durante as primeiras décadas do século XIV. Jacob, que segundo a tradição foi um cervejeiro de profissão, passou três anos no anonimato acumulando grande fortuna.[1]

Casou-se duas vezes, a segunda vez com Catarina de Coster, cuja família tinha influência considerável em Ghent. Mas, foi somente a partir de 1337, durante as primeiras fases da Guerra dos Cem Anos, temendo que as hostilidades entre a França e a Inglaterra prejudicassem a prosperidade de sua cidade natal, que Jacob van Artevelde fez sua primeira aparição como líder político .

Como as cidades flamengas dependiam da Inglaterra para o fornecimento da lã para a sua indústria de tecelagem, ele corajosamente, tomou à frente das negociações políticas, como um tribuno do povo, e em uma grande reunião no mosteiro de Nossa Senhora de Biloke apresentou o esquema de uma aliança das cidades flamengas, com as de Brabante, Holanda e Hainaut, a fim de demonstrar uma neutralidade armada na luta dinástica entre Eduardo III e Filipe VI da França. Seus esforços foram bem sucedidos. Bruges, Franc de Bruges e Ypres formaram com Ghent a liga dos Quatro Membros de Flandres (em neerlandês: Vier Leden), em cuja cidade Artevelde, com o título de capitão-general, a partir daquele momento até a sua morte exerceu uma autoridade quase que ditatorial.[2]

Seu primeiro passo foi o de concluir um tratado comercial com a Inglaterra. Os esforços de Luís I, o Conde de Flandres, para removê-lo do poder pela força das armas fracassou completamente, e foi obrigado em Bruges a assinar um tratado (21 de junho de 1338) sancionando a federação das três cidades, Ghent , Bruges e Ypres, doravante conhecidas como os "Três membros de Flandres." Este foi o primeiro de uma série de tratados, assinados durante o ano de 1339-1340, que levou gradualmente todas as cidades e províncias dos Países Baixos a constituírem uma federação. A política de neutralidade, porém, mostrou-se inviável, e as cidades flamengas, sob a liderança de Artevelde, assumiram abertamente seu apoio ao lado do rei inglês, com quem concluíram uma estreita aliança. Artevelde atingiu agora o auge de seu poder, concluindo alianças com reis, e se associando publicamente com eles em pé de igualdade.[3]

Sob sua eficiente administração o comércio floresceu, e Ghent cresceu rapidamente em riqueza e importância. Sua administração quase que despótica despertou finalmente, entre os seus compatriotas, inveja e ressentimentos. A proposta de Artevelde de negar a soberania a Luís I, Conde de Flandres, e de reconhecer em seu lugar a de Eduardo, o Príncipe de Gales (o Príncipe Negro), deu origem à insatisfação violenta. A insurreição popular eclodiu em Ghent, e Artevelde caiu nas mãos da multidão enfurecida e foi assassinado em 24 de julho de 1345.[4]

Os grandes serviços que prestou a Ghent e a seu país foram reconhecidos posteriormente. Uma estátua foi erguida em sua cidade natal no "Vrijdagsmarkt", e inaugurada por Leopoldo I, rei dos belgas, em 13 de setembro de 1863. Seu filho Filipe, mais tarde, recebeu o título de Líder da causa flamenga.[5]

Notas

  1. a b Encyclopædia Britannica (1911). Artevelde, Jacob van volume 2, página 669.
  2. Philip the Good: the apogee of Burgundy de Richard Vaughan, p. 201
  3. David Nicholas: Artevelde, Jacob van. Em: Nationaal Biografisch Woordenboek. Deel 5. Paleis der Academiën, Bruxelas 1972, p.. 22–36.
  4. Walter Zöllner em Biographien zur Weltgeschichte, VEB Deutscher Verlag der Wissenschaften, Berlim 1989, p. 48ff
  5. Barbara Tuchman. A Distant Mirror. Alfred A. Knopf, NovaYork, 1978, pp. 77–80.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]