Jaguaré (distrito)

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Distrito paulistano do
Jaguaré
Área 6,6 km²
População (83°) 41.628 hab. (2010)
Densidade 63,07 hab/ha
Renda média R$ 1.487,11
IDH 0,849 - elevado (51°)
Subprefeitura Lapa
Região Administrativa Oeste
Área Geográfica 8 (Oeste)
Distritos de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg

Jaguaré é um distrito localizado na zona oeste da cidade de São Paulo, capital do estado homônimo. Subordinado à subprefeitura da Lapa, possui uma área de aproximadamente 6,6 km²[1] e uma população de 42,4 mil habitantes, relativamente heterogênea e de classe média em sua maioria. Limita-se com os distritos paulistanos de Vila Leopoldina, Alto de Pinheiros, Butantã e Rio Pequeno, e com a zona centro-sul da cidade de Osasco. É constituído pelos bairros Centro Industrial Jaguaré, Conjunto Butantã, Jaguaré (onde encontra-se Vila Nova Jaguaré, maior favela da cidade em área contínua, ocupando o Morro da Sabão[2] ), Parque Continental, Vila Graziela, Vila Jaguaré e Vila Lageado. Localizam-se no distrito o Mirante do Jaguaré, tombado pelo poder público municipal, e o Museu da Tecnologia de São Paulo, próximo à Cidade Universitária.

O distrito do Jaguaré foi projetado e construído pelo engenheiro Henrique Dumont Villares em 1935. Dono da Sociedade Imobiliária Jaguaré, Villares dividiu a região em áreas residenciais, comerciais e industriais, e incentivou sua ocupação, consolidada após a construção da ponte do Jaguaré, sobre o rio Pinheiros.[3] Nas décadas seguintes, atraiu centenas de fábricas, tornando-se um dos distritos mais industrializados da cidade. O lento crescimento econômico registrado na década de 1980 afetou profundamente o distrito, que perdeu grande parte de suas empresas. Conserva-se até hoje, no entanto, como importante centro industrial, ao mesmo tempo em que assiste ao crescimento do terceiro setor.[4] Nos últimos anos, registram-se investimentos no setor imobiliário, que começam a incentivar a verticalização das áreas residenciais, ainda predominantemente compostas por casas térreas e sobrados.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Projeto urbanístico de Henrique Dumont Villares para o Jaguaré.
Vista do Centro Industrial Jaguaré.

O Jaguaré foi uma das muitas áreas rurais situadas além dos rios Tietê e Pinheiros cuja ocupação e exploração só se iniciou após o expressivo crescimento do parque industrial paulistano e da explosão demográfica a que a cidade assistiu a partir das primeiras décadas do século XX. Por volta de 1925, alguns imigrantes europeus encontram-se instalados nos arredores do futuro distrito, ocupados por fazendas, sítios e chácaras. A região que compreende o Jaguaré propriamente dito era uma grande fazenda de 165 alqueires, pertencente à Companhia Suburbana Paulista, empresa responsável pelo loteamento de terras, fundada por Ramos de Azevedo. O nome “Jaguaré” deve-se ao ribeirão homônimo, que nascia em Osasco e cortava a região até desembocar no rio Pinheiros. O vocábulo tem sua origem no tupi-guarani e significa “lugar onde existem onças”, em referência aos felinos (em tupi-guarani, "jaguar", ou "jaguaretê") que habitavam as matas dessa região.

Torre do relógio do Jaguaré.

Em 1935, a fazenda é adquirida pela Sociedade Imobiliária do Jaguaré, empresa criada por Henrique Dumont Villares, engenheiro agrônomo formado na Bélgica, sobrinho e afilhado de Santos Dumont. Henrique Dumont Villares idealizou um projeto de urbanização para a região, dividindo-a em áreas residenciais, comerciais e industriais. As ruas foram desenhadas de modo que o centro comercial fosse rodeado por residências e estas pelas indústrias. Foram construídas 42 praças e diversas casas para os funcionários da empresa. No ponto mais alto do Jaguaré, ergueu-se um mirante dotado de uma torre com relógio e sino, cuja função era servir de símbolo ao novo bairro. Canalizou-se o ribeirão Jaguaré e executou-se o traçado do sistema viário.

Igreja de São José do Jaguaré.
Jaguaré próximo de Osasco

Desde a fase de implementação do projeto, no entanto, o rio Pinheiros já constituía uma barreira natural que limitava a circulação das pessoas e atrapalhava o plano de instalar um centro industrial na região. Em 1940, para sanar o problema, Henrique Dumont Villares doou à prefeitura a quantia de 700 réis a serem aplicados na construção da ponte do Jaguaré, ligando o distrito à também incipiente região de Vila Leopoldina, e, em seguida, à Lapa. O Grupo Matarazzo foi o primeiro a instalar uma fábrica na região. Com a conclusão da ponte, na década de 1940, outras dezenas de indústrias se instalariam no Jaguaré, incentivando o estabelecimento de funcionários e comerciantes e iniciando um período de grande crescimento econômico e demográfico. Em meados do século XX, o bairro já era considerado um dos mais industrializados da cidade, com mais de 125 fábricas e indústrias de pequeno, médio e grande porte.

Antiga subestação de energia no alto do Jaguaré.

Em 1945, um grupo de missionários canadenses funda a Igreja de São José do Jaguaré, a primeira do bairro, e em 1947, em parceria com os padres da Congregação de Santa Cruz, Henrique Dumont funda o Externato Jaguaré, primeiro colégio da congregação no país. Henrique Dumont também doou à prefeitura uma área de aproximadamente 150 mil , para que nela fosse implantada uma área de lazer. O espaço, no entanto, nunca foi aproveitado, e passou a ser invadido a partir das décadas de 1960 e 70, com a intensificação da migração para a cidade. Hoje, a área constitui a favela Vila Nova Jaguaré. Com 12 mil habitantes, é considerada a maior da cidade em área contínua (sem ruas pavimentadas).

Nas décadas seguintes, prossegue a expansão da região e novos bairros são incorporados ao distrito, como Parque Continental (na divisa com Osasco), Vila Graziela, Vila Lageado e Conjunto Butantã. O longo período de recessão econômica iniciado nos anos 70 e agravado nos anos 80, no entanto, afetou profundamente o distrito, com a saída e fechamento de várias empresas. Apesar disso, o Jaguaré se mantém como importante centro industrial: no ano 2000, o distrito registrava a presença de 156 indústrias, que juntas respondiam por mais de 8500 empregos diretos - mais do que o comércio (3149) e o setor de serviços (6126). Sem embargo, vem crescendo a participação do setor terciário na economia do distrito: em 1975 foi inaugurado o Shopping Continental, o primeiro centro comercial da região, e grandes empreendimentos imobiliários têm influenciado a verticalização em alguns bairros do Jaguaré, onde, em geral, predominam as casas térreas e sobrados.

Vista panorâmica do distrito de Jaguaré
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Referências

  1. a b Zanin, Ivanilson. Um breve passeio pelos idos do bairro do Jaguaré. Jaguaré Fácil. Página visitada em 10 de novembro de 2008.
  2. Secretaria Municipal da Habitação. Prefeitura urbaniza favela Nova Jaguaré e entrega apartamentos. Prefeitura de São Paulo. Página visitada em 10 de novembro de 2008.
  3. Ponciano, 2001, pp. 107-108.
  4. Departamento do Patrimônio Histórico. Lapa: onde os moradores ainda se reúnem para bordar e tecer suas histórias. Prefeitura de São Paulo. Página visitada em 10 de novembro de 2008.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ponciano, Levino. Bairros paulistnaos de A a Z. São Paulo: SENAC, 2001. 107-108 pp. ISBN 85-7359-223-0

Ligações internas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]