Jakob Michael Reinhold Lenz

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Jakob Michael Reinhold Lenz

Jakob Michael Reinhold Lenz (Cesvaine, Letônia, 23 de Janeiro de 1751 ou 12 de Janeiro no calendário juliano —- Moscou, 4 de Junho de 1792 ou 24 de Maio no calendário juliano) foi um dramaturgo , poeta e romancista alemão

Dedicou-se à literatura desde a adolescência, quando estudava Teologia em Königsberg. Aos dezoito anos já escrevera o poema hexamétrico Os flagelos e o drama O noivo ferido (que só viria a ser publicado postumamente em 1845).

Ao lado de Goethe e Schiller, Lenz estava entre os mais notávies e mais revoltados poetas do grupo alemão pré-romântico Sturm und Drang (Tempestade e ímpeto). Ligou-se a Goethe e, como este, tornou-se adepto da estética shakespeariana, que propagou em suas Notas sobre o teatro, de 1714. Também inspirou-se em Shakespeare ao escrever O preceptor (1774), O novo Menoza e Os soldados (1776).

Suas peças, com cenas curtas e abruptas, prosa rude e pungente escandalizaram o público pela escolha de enredos sobre o antigo regime alemão. Em Os soldados mostra a vida desregrada dos militares e de suas vítimas, as moças da pequena burguesia. Em O preceptor aborda os problemas sexuais da época, a tragédia da moça caída e a necessidade de escolas públicas.

As decepções sentimentais, que foram muitas, deram maior vigor ao sentimento de solidão orgulhosa que o dominava. Ao contrário de outros poetas de seu grupo, Lenz não fez qualquer ironia a seu próprio respeito: acreditava-se o maior poeta de seu tempo. Essa excessiva autoconfiança combinava-se com acessos de mania de perseguição. Em 1778 sofreu os primeiros ataques de loucura, que intensificaram-se gradativamente.

O desespero pelas formas convencionais, o gosto pelo incomum, a violência de expressão e a busca da originalidade irritava os partidários do classicismo alemão. A geração que sucedeu Lenz, politicamente mais conservadora, rejeitou-o por sua manifestações de revolta contra todas as forças opressoras da sociedade. Assim, Lenz ficou praticamente esquecido nos círculos literários alemães até que Bertold Brecht o redescobriu no século XX, adaptando O preceptor para o teatro moderno. Georg Büchner também se interessou por Lenz, tendo feito um estudo sobre a evolução do seu processo de loucura.