Jan Antonín Baťa

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Jan Antonín Bata nasceu em Uherské Hradiste no dia 07 de março de 1898 na região tcheca da Morávia. Seus pais Antonín Bata e Ludmila eram viúvos quando se casaram. Ele trouxe para o segundo casamento tres filhos – Tomas, Ana e Antonín. Ela, um filho de nome Josef. Dos filhos que o casal Antonín e Ludmila tiveram, os cinco que sobreviveram chamavam-se Leopoldo, Jindrich, Bohus, Jan Antonín e Maria.

Tendo ficado órfão de pai aos oito anos, é educado em Zlín com os outros irmãos pelo meio irmão Tomas, 22 anos mais velho, já um próspero fabricante de calçados. Os meninos estudam e aprendem o ofício de sapateiros, na família desde 1576.

Aos 12 anos o jovem Jan já exerce algumas atividades na fábrica , aprendendo e se interessando por tudo. Aos 17 é enviado a Alemanha para se empregar em algumas firmas, também de calçados, observar tudo o que pudesse aprender ganhando assim maior experiência. Ao voltar para Zlín seu treinamento se intensifica.

Após a 1ª. Guerra Mundial , Jan viaja para os Estados Unidos com a missão de abrir uma filial de manufatura de calçados em Lyn no Estado de Massachussets . Em 1920 volta para a Tchecoslováquia e casa-se com Marie Gerbecová, filha de um médico, dileto amigo de Tomás. Desse casamento nascem cinco filhos Jena, Ludmila, Edita , Jan Tomás e Maria. É após o nascimento da filha Edita em 1925 que Jan Antonín conhece pela primeira vez o Brasil, e se encanta com o povo brasileiro.


De volta a Zlín, já é há algum tempo o braço direito do irmão Tomás a quem admira profundamente; os anos que se seguem são de muito labor e disciplina na paciente construção de um sistema empresarial inédito nascido e elaborado pelo gênio empresarial de Tomás Bata, que ainda, durante sua vida, foi aperfeiçoado juntamente com outro gênio, seu irmão Jan Antonín. Em 1929 ocorre a grande crise de Wallstreet, a quebra da bolsa de Nova York, quando o sistema financeiro mundial entra em colapso, mas Zlín escapa ilesa. É uma ilha de prosperidade no mar de náufragos e desemprego. A tese de Jan fica provada: - “Dinheiro é feito para trabalhar, ser investido em produção e não em especulação“.

Após a morte de Tomás, ocorrida no trágico acidente de aviação em 12 de julho de 1932, Jan cumpre a vontade expressa de Tomás Bata, e assume a propriedade e o comando de todas as empresas tchecas e no exterior.

Dedica a vida na ampliação do empreendimento pelo mundo desenvolvendo tecnologias revolucionárias e calçando cidadãos de 89 países .

Dentro da filosofia que foi educado desde menino , revoluciona as relações entre capital e trabalho numa antecipação de décadas às conquistas mais espetaculares que qualquer conjunto de trabalhadores tinha conseguido alcançar em qualquer parte do mundo. Jan Antonín transforma a empresa, fundada e criada pelo irmão Tomás Bata, no maior complexo industrial de calçados do planeta.


Nos países onde se instalam as empresas Bata usa-se um sistema que investe no homem para desenvolvê-lo dentro de seu potencial maior, tornando-o auto suficiente. Os resultados de sucesso florescem tanto que começam a despertar preocupação nos concorrentes , cujo sistema capitalista, corrente no mundo ocidental, é a exploração do homem pelo homem.


Em Zlín, ao contrário, o trabalho visa o bem estar de todos e não apenas o de alguns. Há motivação, um sentimento de responsabilidade, seriedade e devotamento norteia a todos perpassando escritórios administrativos, oficinas, secções de manufatura, engenharia, construção, mecânica, tecnologia e todos os segmentos de serviços em uníssono. Todos são e se sentem parte de uma grande força empresarial sem par no mundo daquela época. As necessidades da educação, saúde e previdência são atendidas.


Os empregados, chamados de COLABORADORES, são incentivados a investir uma parte dos seus salários na empresa. No fim do ano dividendos são distribuídos, 7% aos diretores e 10% aos colaboradores. A pauta de reivindicação dos sindicatos de operários se materializa nas empresas Bata .

Jan Bata constrói um Instituto Tecnológico que é uma espécie de universidade popular na qual operários são instruídos em diversas modalidades durante doze horas semanais. Trabalham em seus quadros cientistas de diversas especialidades desevolvendo projetos e fazendo descobertas enquanto que para os quadros do hospital de Zlín especialistas procedentes de toda a Europa são convidados e integram seus quadros.


Numa época onde o socialismo e as leis trabalhistas ganham espaços cada vez maiores como conquista das classes trabalhadoras frente ao capitalismo selvagem ocidental, no sistema empresarial Bata são completamente insignificantes e inócuas porque de há muito foram superadas.


A matriz continua crescendo. Já são 128 prédios e 45.000 trabalhadores. Em 1936 é construído o prédio da Administração com 12 andares, um primor de arquitetura e tecnologia. É o mais alto prédio da República. Para agilizar o tempo, Jan Bata coloca a sua sala de trabalho dentro de um elevador especialmente projetado para visitar todos os andares da administração de forma a otimizar o tempo de todos.

Durante a invasão da Tchecoslováquia pelos nazistas Jan Bata usa sua inteligência e o comando da Organização para salvar a vida de centenas de seus colaboradores judeus e suas familias, criando uma empresa de exportação de nome KOTVA e cursos especiais que os treina para exercer cargos em diversos países no mundo . Além de transferir maquinário, recursos, matérias primas e até fábricas inteiras, sob as barbas de Hitler e seus comandados, consegue fazer emigrar seus trabalhadores de origem judaica.

Durante a segunda Guerra Mundial, Jan Bata contribui substancialmente para o esforço de guerra aliado. Sustenta o governo tcheco no exílio em Londres e compra dois aviões "Spit fayer“ para que os pilotos tchecos lotados na Real Força Aérea Britanica pudessem voar em aviões próprios para derrotar o inimigo nazista. Mas apesar de tudo isso os planos e a vida de Jan Antonín Bata e sua família sofrem um enorme mudança .

Ele não sabe que uma vasta teia de paixões humanas começa a urdir nas sombras o seu destino, atingindo-o numa sucessão de golpes mortais .


Em 1941 muda-se com a família para o Brasil e leva um choque ao ser informado que apesar de ter contribuido substancialmente no esforço de guerra pró causa aliada , seu nome é colocado , pelos norte-americanos com respaldo dos ingleses na chamada "lista negra“. Era esse o nome dado a uma relação de pessoas e empresas que supostamente pactuavam com o inimigo. Perplexo diante de tamanha infâmia, quer saber o porque . Somente alguns anos depois se descobre que a ação dos trustes internacionais, reforçada pela ação criminosa de seus governos, viu nos meandros da guerra uma oportunidade de ouro para destruír a concorrência comercial que a gigantesca Bata SA, 6ª. potencia econômica no planeta representava.


O segundo golpe vem logo em 1945 quando a Bata SA em Zlín e todas as empresas de Jan, na Tchecoslováquia, são nacionalizadas após a guerra , sem qualquer indenização.


Em 1947 Jan Bata é acusado perante o Tribunal Nacional de Praga de 64 crimes contra a nação e sua extradição é pedida ao Brasil . Antes do prazo é naturalizado brasileiro por interesse nacional através de decreto assinado pelo presidente Eurico Gaspar Dutra.


No julgamento é absolvido de todas as acusações, sendo condenado pela 65ª. acusação que não constava do processo à época de sua abertura. De um processo irregular , eivado de nulidades , é exarada a sentença definitiva : Quinze anos de trabalhos forçados e o confisco de todos os bens .

O Itamaraty recebe um relatório assinado pelo embaixador brasileiro Décio Coimbra, que tendo acompanhado o julgamento, descreve-o em detalhes denunciando a farsa de que Jan Bata, agora cidadão brasileiro, fora vítima. O governo brasileiro protesta na pessoa do Secretário Geral do Ministério de Relações Exteriores, embaixador Hildebrando Accioly ao governo tcheco, solicitando que o cidadão brasileiro Jan Antonín Bata seja julgado de acordo com as leis e praxes internacionais, ação que não teve seqüência.

Mesmo assim, ainda reune todas as forças - forças de um gênio, sem dúvida – para se lançar à obra gigantesca de colonizar as regiões Oeste de São Paulo e Sudeste de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, resultando desse trabalho quatro cidades: Batatuba e Mariápolis no Estado de São Paulo e no Estado do Mato Grosso do Sul , Bataguassú e Batayporã.

Jan Bata assentou 100.000 pessoas em 300.000 hectares de terra de sua propriedade.

No Brasil Jan Antonín Bata é constantemente assediado e perseguido, tendo muitas vezes que se submeter a situações humilhantes, criadas por seus adversários, principalmente seu sobrinho, Tomas Bata Jr. , filho do querido irmão Tomás de quem tem o mesmo nome.


O sobrinho Tomás Jr. viaja para a Tchecoslováquia, já sob o govêrno comunista totalitário, com patente militar britânica numa missão empresarial canadense e norte-americana. Encontra-se com o Ministro da Industria tcheco e consegue que os documentos que provam a titularidade de Jan Bata nas empresas seja escondido. Ironicamente o seqüestro dos documentos mais importantes para a defesa de Jan Bata é conveniente a dois governos ideológicamente antagônicos: Americano e o totalitário Tcheco. Assim, com toda segurança Tomás Bata Jr e sua mãe Marie Batová, o irmão dela Alexander Mencik e ainda Dominik Cipera, todos pessoas da absoluta confiança de Jan Bata, o traem testemunhando contra ele nas diversas ações nos Estados Unidos. Cometem perjúrio ao negar terem conhecimento de documentos quer como beneficiários, quer como concordantes ou como testemunhas.


Assim Jan foi alijado de todos os recursos financeiros próprios obtidos ao longo de 30 anos de trabalho denodado, através de ações judiciais vitoriosas à custa de fraude e perjúrio ,com a conivência criminosa dos governos de países como a Suíssa, Inglaterra e Estados Unidos.

Em 1962, 21 anos depois, Jan Bata cede ao implacável cerco financeiro. Literalmente coagido pelo sobrinho Tomás Bata a assinar um “acordo“, é obrigado abrir mão de seus direitos em favor do sobrinho por uma quantia simbólica. Os termos do acordo acabaram sendo descumpridos pelo sobrinho assim como também parte referente ao pagamento do valor acordado.


Em 23 de agosto de 1965 Jan Bata falece no hospital Beneficência Portuguesa em São Paulo, após o oitavo enfarte.


É feito o translado para Batatuba. Já passa das 23 horas e apesar da noite fria, os dois lados da estrada, desde a capelinha até o acesso à residência de Jan, as pessoas que vieram de longe, se perfilam e acenam, se agrupam e num techo até sua casa, carinhosamente atiram flores para "o Dr. Bata passar" pela última vez.


Os sonoros toques secos de sua pequena máquina de escrever cessam. Foram escritos cinquenta e oito livros, ainda inéditos, entre romances e poemas . A laboriosa lapiseira Parker, companheira de seus pensamentos, registra o último deles: "Apesar da fraude e do perjúrio, a verdade virá à tona como o óleo sobre a água".

No ano de 2007, precisamente sessenta anos após a condenação de Jan Antonín Bata, por iniciativa da atual Cidade Estatutária de Zlín, é inaugurada uma estátua em homenagem a ele, assim como seu trabalho é apresentado numa grande Conferência, que mobiliza toda a imprensa do país.

No dia 25 de junho de 2007, a sentença que o havia condenado em 1947 é anulada e em 15 de novembro do mesmo ano Jan Antonín Bata é finalmente reabilitado. Como havia preconizado em seu leito de morte 42 anos antes, a verdade veio à tona como o óleo sobre a água...

Fonte: Centro de Memória Jindrich Trachta - Batayporã[editar | editar código-fonte]