Jan Janszoon van Haarlem

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Jan Janszoon van Haarlem
Outros nomes Jan Janssen de Haarlem, Jan Janz, John Barber Capitão John, Murad Raïs, Murad Reis, o Novo
Nascimento ca. 1570 ou 1575
Holanda, Haarlem
Morte ca. 1641?
Marrocos?
Filho(s)
  • Lysbeth Janszoon van Haarlem
  • António Janszoon van Salee
  • Abraão Janszoon van Salee
  • Philip Janszoon van Salee
  • Cornelis Janszoon van Salee
Ocupação Pirata e corsário
Título
Religião Cristão, convertido ao Islão

Jan Janszoon van Haarlem (ca. 1570ca. 1641) também chamado Jan Janssen de Haarlem, Jan Janz, John Barber ou Capitão John e conhecido na África do Norte como Murad Raïs ou Murad Reis, o Novo (não confundir com o albanês homónimo) foi um dos mais célebres piratas holandeses e o primeiro presidente e Grande Almirante) da República dos piratas do Bu Regregue, em Marrocos.

Originário de Haarlem, foi capturado por piratas da Barbária em 1618, tendo-se depois tornado renegado, convertendo-se ao Islão. Ganhou fama como pirata em Argel antes de se tornar o primeiro líder da República de Salé (também conhecida como República dos piratas do Bu Regregue) entre 1624 e 1627, período em que liderou expedições a locais tão longínquos como a Islândia e a América do Norte (Baltimore). Derrotado e capturado pelos cavaleiros de Malta na costa tunisina em 1635, ficou preso durante cinco anos, após os quais foi libertado por uma expedição do Bey de Tunes. Voltou a Marrocos em 1640, tendo sido nomeado governador de Oualidia, perto de Safim.

Não se sabe quando morreu. É um dos mais famosos piratas da Barbária e o mais célebre dos Salé Rovers.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe da sua infância e juventude, para além de que nasceu em Haarlem, na Holanda do Norte e casou cedo e que em 1596 teve uma filha desse primeiro casamento, Lysbeth Janszoon.[1]

Corsário[editar | editar código-fonte]

Em 1600 tornou-se corsário, tendo como base a sua cidade natal e trabalhando para o estado mediante cartas de corso que o autorizavam a atacar o tráfico naval espanhol durante a Guerra dos Oitenta Anos. Como operar a partir dos Países Baixos se revelava pouco lucrativo, Janszoon desrespeitou os limites das suas cartas de corso e mudou-se para os estados portuários semi-independentes da costa da Barbaria, no Norte de África, de onde podia atacar navios de todas as nacionalidades estrangeiras. Quando atacava navios espanhóis hasteava a bandeira neerlandesa; quando atacava outros navios assumia-se como Capitão Otomano hasteando a meia-lua vermelha dos turcos ou outra das várias bandeiras de principados do Mar Mediterrâneo. Durante este período abandonou a sua família holandesa.[1]

Cativo em Argel[editar | editar código-fonte]

Em 1618 Janszoon foi capturado em Lanzarote, nas ilhas Canárias, por cor´sarios da Barbaria e levado para Argel como cativo. Ali tornou-se "turco" (muçulmano; como os otomanos tinham alguma influência na região, ainda que limitada, era frequente os europeus chamarem erroneamente "turcos" aos habitantes do Norte de África). Especula-se se a sua conversão teria ou não sido forçada.[2] Os turcos otomanos mantiveram alguma influência precária em nome do seu sultão, encorajando abertamente os Mouros a praticar a pirataria contra as potências europeias, há muito inimigas do Império Otomano. Depois da conversão de Janszoon à religião e usos dos seus captores, ele navegou às ordens do famoso corsário ao serviço dos otomanos Sulayman Reis, também conhecido como Slemen Reis, outro neerlandês cujo nome de batismo era Ivan Dirkie De Veenboer.[3] Os dois homens já se conheciam antes de Janszoon ter sido capturado. Janszoon chegou a comandar uma frota 18 navios piratas enquanto operou com Sulayman.[4]

Entretanto, como Argel negociou a paz com diversos países europeus, deixou de ser um porto adequado para vender navios apresados ou a sua carga, pelo que, após Sulayman ter sido morto por um tiro de canhão em 1619, Janszoon transferiu-se para o porto de Salé, na costa atlântica de Marrocos.

Dirigente da República do Bu Regregue[editar | editar código-fonte]

Em 1619, os chamados Salé Rovers (piratas de Salé) estabeleceram no porto da margem sul da foz do Bu Regregue, em frente a Salé, uma república independente do sultão marroquino. A pequena cidade-estado era governada por um conselho de 14 líderes piratas, os quais elegeram Janszoon como o seu presidente e como "Grande Almirante" da frota da república,[5] a qual contava com cerca de 18 navios, todos de pequena dimensão para serem capazes de passar pelos baixios do porto de Salé.

Depois de cercar a cidade sem sucesso, o sultão marroquino Zaidan el-Nasir reconheceu a semi-autonomia dos piratas. Segundo uma versão popular, o sultão teria reclamado a soberania de Salé e nomeado Janszoon como seu alcaide (governador) em 1624, mas provavelmente esta nomeação foi apenas cerimonial e na prática foi uma forma de aprovar a eleição de Janszoon como presidente.[6]

Os negócios prosperaram em Salé sob a liderança de Janszoon. A principal fonte de rendimento da república era a pirataria e os comércio a ela ligada, a construção naval e a venda das mercadorias apresadas. Os historiadores destacam a inteligência e coragem de Janszoon, que se refletiam nas suas qualidades de liderança. Para o auxiliar no governo, contratou outro neerlandês, Mathys van Bostel Oosterlinck, que serviu como seu vice-almirante.[6]

Janszoon tornou-se muito rico devido aos seus lucros como almirante pirata, taxas de ancoragem e outras taxas portuárias, além da venda de bens roubados. No entanto, o clima político em Salé piorou no fnal de 1927, obrigando Janszoon a transferir-se com a família e as suas operações de pirataria de volta para a semi-independente Argel.

Notas e bibliografia[editar | editar código-fonte]

  1. a b Karg 2007, p. 36
  2. Wilson 2003, p. 96
  3. De Veenboer (15..?-1620) (em inglês). zeerovery.nl. Isle of Tortuga. Página visitada em 12 de julho de 2012.
  4. Wilson 2003, p. 36
  5. Wilson 2003, p. 97
  6. a b Wilson 2003, p. 98

Bibliografia[editar | editar código-fonte]