Januária

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Município de Januária
Bandeira de Januária
Brasão de Januária
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 7 de outubro
Fundação 07 de outubro de 1860 (153 anos)
Gentílico januarense
Prefeito(a) Manoel Jorge de Castro (PT)
(2013–2016)
Localização
Localização de Januária
Localização de Januária em Minas Gerais
Januária está localizado em: Brasil
Januária
Localização de Januária no Brasil
15° 29' 16" S 44° 21' 43" O15° 29' 16" S 44° 21' 43" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Norte de Minas IBGE/2008 [1]
Microrregião Januária IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Formosa, Chapada Gaúcha, São Francisco, Pedras de Maria da Cruz, Itacarambi, Bonito de Minas, Cônego Marinho e estado da Bahia
Distância até a capital 603 km
Características geográficas
Área 6 691,174 km² [2]
População 67 875 hab. censo IBGE/2010[3]
Densidade 10,14 hab./km²
Altitude 434 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,699 médio PNUD/2000
PIB R$ 326 703,018 mil IBGE/2008[4]
PIB per capita R$ 4 861,22 IBGE/2008[4]
Página oficial

Januária é um município brasileiro do estado de Minas Gerais situado na região do Médio São Francisco, localizada ao lado esquerdo do rio do mesmo nome. Conta com uma população de 67,875 habitantes, sendo a 3º em população geral do Norte de Minas, sendo também a 53º maior do estado. Januária, considerada uma cidade universitária, conta com um campus do IFNMG, Unimontes, Unopar, Unip, FUNAM e Ceiva. Sua economia concentra-se na agriculturana pecuária e nos serviços gerais. Januária é uma das principais cidades do Norte de Minas, sendo cidade-polo da microrregião do alto médio São Francisco .

Como meios de comunicação, o município tem Rádio SERVIR 104,9 FM,Alternativa FM e a TV Norte, canal 7, como parceira da Rede Minas.

História[editar | editar código-fonte]

Existem três versões que dão conta do surgimento do município. De acordo com a primeira versão, o nome do município é uma alusão ao atuante fazendeiro Januário Cardoso de Almeida, que morava na região e era proprietário da fazenda Itapiraçaba, localizada onde hoje se encontra o município.

Outras versões, porém, atribuem o nome a uma homenagem à princesa Januária, irmã do Imperador Dom Pedro II e, ainda, à escrava Januária que, fugindo do cativeiro, teria se instalado no Porto do Salgado (atual município de Januária), estabelecendo ali uma estalagem, onde os barqueiros e tropeiros do povoado se encontravam.

O município se situa às margens do rio São Francisco, que oferece excelentes praias fluviais temporárias, pesca, cachoeiras, destacando-se também grutas de formação calcária, com algumas pinturas rupestres. A presença do casario colonial no município pode ser observada na avenida São Francisco e ruas transversais.

"Refere Diogo de Vasconcelos que, ao tempo em que Januário Cardoso de Almeida vivia em Morrinhos, e, com sua gente, dominava todo o médio São Francisco, apareceu-lhe um português aventureiro, de nome Manuel Pires Maciel. Tratava-se de um cruel 'fascinoroso', que passou a gozar de inteira confiança do Cel. Januário. E deste obteve a promessa de que lhe seria dada em partilha a aldeia de Tapiraçaba, a maior que havia ali (Itapiraçaba é como se lê na Rev. A. P. M., XI, 378, que esclarece: ita = pedra; bira = pontuda, çaba = coisa comum). Manuel Pires Maciel, com sua gente armada e com outros índios, caíram de surpresa sobre a aldeia, produzindo terrível carnificina; com os prisioneiros que fez, fundou novo arraial, uma légua para cima, em local não sujeito a inundações. Aí construiu a capela dedicada a N. Srª do Amparo, ao redor da qual se formou a vila de N. Srª do Amparo, depois vila, depois cidade de Januária".[5]

Januária, com seus três séculos de história, encanta os visitantes e a população local, não só por seus atrativos históricos e culturais, mas também por suas belíssimas e variadas belezas naturais.

Terra de gente hospitaleira, já teve grande importância como porto e entreposto comercial nos tempos áureos da navegação a vapor no "Velho Chico".

O município busca o seu desenvolvimento na prestação de serviços, no artesanato, na produção da cachaça de alta qualidade, no extrativismo de frutos e essências do cerrado, e, principalmente, no incremento da atividade turística.

Brejo do Amparo[editar | editar código-fonte]

Igreja do Rosário

Antigo Brejo do Amparo foi o núcleo do povoado do município de Januária. Possui casario colonial e uma joia do barroco mineiro: a Igreja da Nossa Senhora do Rosário, datada de 1688, construída em um quilombo orientado pelos jesuítas. Este templo foi um dos primeiros em Minas Gerais, e tem proporções médias, sendo que no interior há um coro ao fundo e à esquerda a tribuna, cercada com guarda-corpo, em ripas trabalhadas. O piso é em campas de madeira. A nave possui dois altares, a capela-mor tem o forro pintado com motivos religiosos e altar-mor, de confecção popular, possui vários arcos com colunas torcidas, tendo ao fundo nichos para imagens.

Nos arredores localiza-se a principal zona produtora de cachaça de Januária, a comunidade denominada Sítio.

Lá os visitantes tem a oportunidade de conhecer o roteiro dos alambiques e todo o processo de fabricação artesanal da cachaça.

O distrito conta com trilhas e ruas propícias para a prática do ecoturismo, e também com uma belíssima gruta,a Gruta dos Anjos.

Cachaça[editar | editar código-fonte]

Januária possui ótimas referências na produção de cachaça. O segredo está na umidade natural do solo e no clima do distrito de Brejo do Amparo.

O município detém a produção da cana-de-açúcar desde o seu surgimento. São mais de trinta engenhos nas imediações do povoado. Parte da produção da cachaça é exportada para outros estados e para todos os países europeus e asiáticos, dado o alto grau de qualidade da cachaça ali produzida.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

O artesanato da região é passado de geração em geração como forma de sobrevivência. De origem indígena, tem características primitivas, conservando sua forma pura. A matéria-prima utilizada é extraída da natureza.

São utilizados barro, fibras vegetais, madeira, flandres ou folha de zinco, couro, algodão.

O artesanato pode ser encontrado na Casa do Artesão,Casa da Memória,Centro de Artesanato e Mercado Municipal.

Culinária[editar | editar código-fonte]

A culinária regional apresenta vários pratos saborosos, como o arroz com pequi, carne de sol, moquecas de surubim, pão de queijo, angu com quiabo, paçoca, papudo, manué, galinha ao molho pardo, feijão tropeiro com torresmo, beiju, rapadura, panelada, picado de arroz, dourado assado, vários pratos feitos com o tradicional surubim do Rio São Francisco, e ainda saborosas frutas do cerrado, como umbu, pinha, tamarindo, fruta do conde, coquinho, cagaita, caju, cajuí, maxixe, cabeça-de-nego, buriti, babaçu, fava-d'anta, jenipapo, anajá, banana-caturra, utilizados na produção artesanal de sucos, licores e doces. Maior destaque cabe ao famoso fruto do cerrado, rico em vitamina "A" e excelente no combate dos radicais livres, o "pequi" é encontrado com grande fartura na região e largamente usado na culinária em pratos diversificados como, o picado de arroz com pequi, frango com pequi e mandioca, farofa de pequi e até o fruto cozido, podendo acrescentar sal ou açúcar. A polpa e o óleo do pequi, também muito utilizado na culinária januarense, podem encontrados durante todo o ano em pequenas fabriquetas artesanais. Do pequi ainda se extrai a castanha que é vendida no mercado municipal e na feira livre aos sábados. A castanha é muito saborosa e também é usada na culinária, devendo ser reidratada antes do consumo, pois é vendida seca.

Folclore[editar | editar código-fonte]

É bastante expressivo o folclore de Januária, e muitas das expressões folclóricas continuam puras, preservadas de influência externa.

Manifestações religiosas[editar | editar código-fonte]

Uma das manifestações mais tradicionais e festejadas pela comunidade religiosa do município de Januária, acontece anualmente no dia 3 de maio, festejos de Santa Cruz. Acontece sempre na praça Santa Cruz (largo de santa cruz) com celebrações e novena culminando com procissão, missa festiva, leilão e apresentações folclóricas. Ao final do leilão é escolhido o festeiro do ano seguinte.[6] Por volta dos anos 1800 a 1890, a Praça Santa Cruz era um local de muita alegria e felicidade, com muitas crianças de diversas famílias residentes, que brincavam no local onde mais tarde seria construída a praça que veio a se chamar " Santa Cruz", nome este que teve como precursores as crianças que corriam e saltitavam fazendo cercados com madeira de São João ao redor de uma cruz, flores de: fedegoso, São João, malva, etc. Entoando cantos, rezas, ladainhas cantadas na Igreja pelos mais velhos. Mais tarde, os devotos e fiéis construíram na praça um cruzeiro de tijolos e uma cruz com um galo no topo, local onde passaram a fazer suas preces e orações, acender velas para as almas e até fazer novenas com caminhada penitencial para chover em tempo de seca e calor. Os moradores reuniram e mandaram celebrar uma missa iniciando-se assim os festejos de Santa Cruz. O festejo de Santa Cruz tinha como objetivo imediato a fé católica de veneração a cruz trazida pelos portugueses com a celebração da primeira missa no Brasil em 26 de abril de 1500 pelo Frei Henrique de Coimbra, e posteriormente arrecadar fundos para construir a Igrejinha que está entre as mais antigas de Januária. A igrejinha de Santa Cruz era pequena, e, tinha o Côro, o Sacrário era de ouro, o Sino de bronze, pinturas de anjos na parede, a imagem (escultura) de São Miguel Arcanjo, - que foi roubada mais tarde - e alguns poucos bancos. Construída por moradores no final do século XIX, com recursos próprios conseguidos através de promoções na comunidade, ergueram-na com trabalho em mutirão. A Igreja constantemente ficava fechada, por ocasião da morte de algum morador era aberta e numa demonstração de sentimento e respeito usava toque de sino. Com o passar do tempo, a igrejinha foi abandonada e começou a ruir com freqüentes cheias, cupim e formigueiros.[7]

Clima[editar | editar código-fonte]

Clima é tropical com transição para semi-árido. A temperatura máxima atinge 38°C, a mínima 12,6°C e a média anual é de 26, 30°C. As chuvas são escassas, irregulares e concentradas no verão. Elas acontecem de outubro a fevereiro e às vezes vão até março.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a temperatura mínima registrada em Januária foi de 6,0°C, ocorrida no dia 16 de julho de 1921. Já a máxima foi de 41,0°C, observada dia 19 de outubro de 1963. O maior acumulado de chuva registrado na cidade em 24 horas foi de 295,7 mm, em 5 de fevereiro de 2007.[8]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Graças à deficiência de água no solo e ao forte calor, a vegetação de Januária é xeromorfa, ou seja, tem formas adaptadas à seca, e é composta por cerrado, matas secas, caatinga e veredas cobertas de buritis. A última é uma palmeira-leque cujo o fruto é uma noz amarela muito usada na indústria de cosméticos.Outras espécies típicas da região estão aroeira, tinguí, murici, pequizeiros, jatobá, araticum e a mais imponente árvore da região é a embaré, também chamada de barriguda.

Relevo[editar | editar código-fonte]

A cidade tem topografia plana com leves ondulações, uma característica típica do norte e nordeste de Minas Gerais. O subsolo da região é composto por rochas sedimentares do grupo bambuí, arcóseos, siltitos, calcáreos e dolomitos, em partes revestido por sedimentos mais recentes, arenitos, conglomerados, da formação urucuia e também por uma cobertura de detrítico-laterífica. A área territorial de Januária é de 6.691,17 Km2. A altitude máxima é de 794 m, no Morro do Itapiraçaba, e mínima, 444 m, na Foz do Rio Peruaçu.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Januária conta com uma infraestrutura de cidade de porte médio, onde conta com um hospital Regional, Superintendência Regional de Ensino, Gerência Regional de Saúde, Pelotão do Corpo de Bombeiros,Policia Civil, Policia Militar, Estação de Tratamento de Água, estação de tratamento de esgoto, Aeroporto, Rodoviária, Habitações Populares, Condomínios, Parque de exposição,Supermercados, Hipermercado,Academias para terceira idade, Estádio Monte Castelo. A cidade tem 68 bairros, divididos em quatro regiões (Sul, Norte, Leste, Oeste).

Educação[editar | editar código-fonte]

O tema educação envolve vários aspectos da cultura de um povo, como o religioso, o artístico, o artesanal e o escolar. Os três primeiros são comuns aos homens das cavernas e aos índios. O escolar, surgiu após a conquista da região.

Escolas[editar | editar código-fonte]

  • Escolas Estaduais: Bias Fortes; Maria da Abadia; Boa Vista; Caio Martins; Claudemiro Alves Ferreira; Mons. João Florisval Montalvão; Nossa Senhora de Fátima; Olegário Maciel; Pio XII; Princesa Januária; Prof. Onésimo Bastos; Profª. Zina Porto; Simão Vianna da Cunha Pereira.
  • Escolas Municipais: Joana Porto; Santa Rita; Segredo; Pré. E. M. Boa Vista; Pré E.M. Joana Porto; Pré E. M. Maternal Dona Judite Jacques.
  • Escolas particulares: Colégio Betel, Instituto Educacional Piagetiano (URIM).

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Ensino superior[editar | editar código-fonte]

  • CEIVA: Centro de Educação Integrada do Vale do São Francisco.
  • UNIMONTES: Universidade Estadual de Minas Gerais, extensão de Montes Claros.
  • IFNMG: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnológia do Norte de Minas Gerais.
  • UNOPAR: Universidade do Norte do Paraná.
  • FUNAM: Escola Técnica Alto Médio São Francisco.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  5. Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, Waldemar de Almeida Barbosa, Ed. Itatiaia Ltda, 1995)
  6. MATOS, Vera Lúcia A. (ed.) (1986). Os barranqueiros do São Francisco. Januária, BA.
  7. MACHADO FILHO, Aires da Mota. BOLETIM da Comissão Mineira de Folclore: 3ª ed. Belo Horizonte: Editora Littera Maciel Ltda, 1976. 98 p.
  8. Sistema de Monitoramento Agrometeorológico (Agritempo). Dados Meteorológicos - Minas Gerais. Página visitada em 12 de novembro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Baci-4s.jpg O município possui sítio arqueológico (arte rupestre brasileira) de interesse histórico e turístico!