Jean-Bertrand Pontalis

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Jean-Bertrand Lefebvre Pontalis (Paris, 1924) é um notável psicanalista, filósofo e escritor francês.

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[editar] Biografia

J.-B.Pontalis fez seus estudos secundários no Liceu Pasteur, superiores no Liceu Henri-IV e na Sorbonne. Em 1945 obteve o Diploma de estudos superiores de filosofia com trabalho sobre Spinoza. Aluno de Jean-Paul Sartre, colaborou com a revista Les Temps Modernes entre 1946 e 1948, tornando-se professor nessa época. Desde então sua carreira professoral levou-o a ensinar respectivamente nos liceus de Alexandria(1948-1949), Nice(1949-1951) e Orléans(1951-1952).

Com o apoio de Maurice Merleau-Ponty, entrou no CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica), em 1953. Àqueles anos começou uma análise didática com Jacques Lacan.

Por volta de 1960, ao lado de Jean Laplanche e sob a direção de Daniel Lagache, empreendeu o trabalho que originou, em 1967, o Vocabulaire de la psychanalyse (Puf, 2002).

Até então fiel aos conceitos lacanianos, Pontalis distanciou-se do mestre quando da criação, em 1964 da Association psychanalytique de France [1], da qual foi um dos fundadores. No mesmo ano tornou-se membro do comitê de direção da revista Les Temps Modernes e foi nomeado conferencista na École pratique des hautes études (Escola Prática de Altos Estudos).

Em 1966 tornou-se editor das Edições Gallimard, onde criou as coleções Connaissance de l’inconscient, "Obras de S. Freud, novas traduções", "Curiosidades freudianas»", "Traçados".

Em 1968 foi eleito membro titular da Association Psychanalytique de France (associada à IPA).

Em 1970 criou a Nouvelle Revue de Psychanalyse cujo comité de redação incluía: Didier Anzieu, André Green , Jean Pouillon, Guy Rosolato, Victor Smirnoff, Jean_Starobinski, François Gantheret. Masud Khan era o co-redator estrangeiro. Durante algum tempo, Michel Schneider e Michel Gribinski foram secretários da revista.

Em 1979 entrou para o comitê de leitura das Edições Gallimard.

A partir de 1980 publica obras literárias. Contudo, como escreveu Claude Janin na biografia que consagrou a J.B. Pontalis, « sua obra literária é indissociável de sua obra psicanalítica » (1). Sobre esta questão, Pontalis notou: « Existe uma analogia, um parentesco bastante evidente entre a psicanálise e a literatura. Vemos nas duas agir, sem dúvida por vias diferentes (…) a mesma postulação : ser, pela primeira vez, escutado, reconhecido (…), e nesse mesmo movimento, temer ser absorvido pelo pensamento e pela linguagem do outro. (Perdre de vue, pg.165) » (1).

Em 1994 é publicado o último volume da Nouvelle Revue de Psychanalyse.

[editar] Pensamento

Psicanálise e escritura

A partir de 1980, Pontalis começou a publicar livros, ensaios, romances, onde não faltam referências auto-biográficas nem retratos de autores que contaram em sua vida : Sartre, Lacan, Merleau-Ponty, Claude Roy, Masud Khan, Louis-René Des Forêts,Pierre Michon... Seus livros são ” indissociáveis de sua obra psicanalítica”, escreveu Claude Janin[1]. Essa indissociação exprime-se no conceito que Pontalis nomeou, Autografia,”isto é um livro onde não se escreve sobre si mas escreve-se. Autografia é escrever-se”[2]. J.-B. Pontalis explicou também as razões que levaram-no “a trocar a prática filosófica pela prática psicanalítica e pela prática da escritura qualificada de literária”...Embora “sejam muito diferentes pelos seus procedimentos, exigências e finalidade, creio que são, quero que sejam próximas(...)É que vejo agir nelas uma palavra em movimento, avançando para o desconhecido,uma palavra sonhante que tente livrar-se de tudo o que constrange no discurso organizado”[2]. Seus escritos psicanalíticos e literários “tem a particularidade de situar-se, constantemente, nas fronteiras, ocupando este reino intermediário de que falava Freud(…)"A escritura e o pensamento de JB Pontalis desenvolvem-se a partir de diferentes motivos : um cartão postal numa biblioteca , uma conversação com um velho amigo reencontrado por acaso,a memória de um instante da infância, uma palavra mal compreendida na escola que se torna retrospectivamente límpida, a morte brutal do pai, a relação atormentada com o irmão, o amor por uma paisagem, o prazer de uma leitura, a descoberta de um pintor, a fidelidade à uma casa … A criança com o seu olhar perdido vem guiar a escuta e o silêncio do psicanalista. Ela acompanha-o, ela está sempre presente". Mercure de France [3]. Autor de uma obra variada e erudita, caracterizada por um escritura rigorosa e clara, donde emerge uma fineza conceitual cativante, J.B. Pontalis ocupa um lugar de destaque na história da psicanálise francesa dos últimos cinquenta anos.

“A singularidade do homem Pontalis, sua curiosidade e afável lucidez atravessam as distinções convencionais entre o trabalho científico, a clínica analítica e a escritura”[4].Autor de uma obra variada e erudita, caracterizada por um escritura rigorosa e clara, donde emerge uma fineza conceitual cativante, J.B. Pontalis ocupa um lugar de destaque na história da psicanálise francesa dos últimos cinquenta anos.

Libertar-se dos conceitos

“Tudo me distancia da crença,da adesão a uma causa, a uma doutrina, a um discurso que pretende ditar as suas leis, escreveu Pontalis em Travessia das sombras .A fidelidade a este ponto de vista poderia explicar as separações que marcaram o seu percurso intelectual : da filosofia, da revista Os tempos Modernos, de Jean-Paul Sartre, de Jacques Lacan, e, de uma certa maneira, de Jean Laplanche. Da filosofia? Não lhe trouxe “respostas às questões que se colocava sobre a morte, o sentido da vida, a liberdade”... Decepcionado, distanciou-se, desprendeu-se dela embora “tivesse descoberto nos escritos de Merleau-Ponty que a filosofia pudesse não ser desencarnada”[[2]]. Sua separação da revista Les Temps Modernes, da qual deixou o Comité de direção por divergências politicas?“Eu precisava antes de tudo libertar-me dos mestres, especialmente de Jean-Paul Sartre, o qual, embora generoso, era por demais esmagador”[2].Sua separação de Jean-Paul Sartre e Jacques Lacan ? Foram “duas separações(...) mas na realidade uma só.Em alguns anos de distância, um duplo laço se desfez(...). Vejo nisso um desenlaço, um desprendimento, e não duas rupturas.Teria eu pressentido que, para cessar de me situar, não sem dificuldade, entre Sartre e Lacan, ser-me-ia necessário dar adeus a cada um?”[2]. A separação de Jean Laplanche,embora tivessem tantos pontos comuns: foram analisados por Lacan, escreveram juntos o Vocabulário da psicanálise e o célebre artigo “Fantasmes des origines et origines des fantasmes”? Foi em torno “dos problemas de tradução que surgiram divergências importantes entre os dois: Laplanche empreendeu a publicação das Obras completas de Freud na P.U.F.(Presses Universitaires de France) enquanto Pontalis dirigiu a publicação das Novas traduções das obras de Freud, na editora Gallimard”[1].

Imagem e pensamento

“A imagem não seria a fonte do pensamento?(...) E o pensamento não viria após a imagem, para dar uma forma lógica ao irracional, para delimitar o caminho, utilizando com muita força demonstrações, argumentos, provas; por medo de perder-se”? [[2]]. “A mágica e a potência da imagem, sem as quais as palavras seriam ineficazes”[4].

[editar] Livros

  • Après Freud (Após Freud), Julliard, collection Les temps modernes, 1965, reeditado em 1993 ISBN 2070728439
  • Entre le rêve et la douleur (Entre o sonho e a dor), Éditions Gallimard, 1977 ISBN 2070700062
  • L’Enfant des Limbes (A criança dos limbos), Éditions Gallimard, 1998
  • Fenêtres (Janelas), Gallimard, 2000 ISBN 9782070421572
  • Traversée des ombres (A travessia das sombras), Éditions Gallimard, 2003 ISBN 2070734781
  • Loin (Longe), Éditions Gallimard, 1980
  • Un homme disparaît (Um homem desaparece), Éditions Gallimard, 1996
  • L'amour des commencements (O amor dos começos), Éditions Gallimard, 1986 ISBN 2070707865
  • Ce temps qui ne passe pas (O tempo que não passa), seguido por « Le Compartiment de chemin de fer »(O compartimento da via férrea), Gallimard, 1997
  • Le dormeur éveillé (O endormido acordado), Éditions du Mercure de France, 2004 ISBN 9782715224780
  • Perdre de vue (Perder de vista), Éditions Gallimard, 1988 ISBN 9782070410194
  • La force d'attraction (A força de atração), Éditions Le Seuil, 1990
  • Frère du précédent (Irmão do precedente), Éditions Gallimard, 2006, Prix Médicis Essai ISBN 2070779610
  • Elles, Gallimard, avril 2007 ISBN 9782070784745
  • En marge des jours (A margem dos dias),Éditions Gallimard (collection Folio),septembre 2003, ISBN 2-07-030203-2
  • Le songe de Monomotapa(O sonho de Monomotapa), Éditions Gallimard, 2009, ISBN 978-2-07-012419-0
  • En marge des nuits,( A margem das noites) , Éditions Gallimard, 2010 ISBN 978-2-07-012888-4
  • Un jour, le crime, (Um dia, o crime), Éditions Gallimard, 2011 ISBN 978-2-07-013276-8

[editar] Coletivos

  • Jean-Bertrand Pontalis e Jean Laplanche, sob a direção de Daniel Lagache: Vocabulaire de la psychanalyse(Vocabulário da psicanálise), PUF, 1967; retomado em "Quadrige", N°249, Paris, 2007, ISBN 2130560504
  • Jean-Bertrand Pontalis e Jean Laplanche:Fantasme originaire, fantasmes des origines, origines du fantasme(Fantasma originário, fantasmas das origens, origem do fantasma), Hachette, coll. "Textes du XXe siècle", 1985, republicado em Hachette-Pluriel, 1998, ISBN 2012789455
  • Le Royaume Intermédiaire, J-B.Pontalis entre psychanalyse et littérature(O Reino intermediário, J.B. Pontalis entre psicanálise e literatura) (textos de Jacques André, Miguel de Azambuja, Pierre Bayard, Antoine Billot, Catherine Chabert, Jean Clair, David Collin, Jean-Michel Delacomptée, Colette Fellous, François Gantheret, Christian Garcin, Michèle Gazier, Sylvie Germain, Guy Goffette, Edmundo Gómez Mango, Roger Grenier, Michel Gribinski, Laurence Kahn, Chantal Lapeyre-Desmaison, Maurice Olender, Daniel Pennac, J-B.Pontalis, Jérôme Roger, Jean-Claude Rolland, Jean Starobinski, Dominique Suchet), Folio-Essais, Gallimard, 2007, ISBN 2070347759

[editar] Artigos

Artigos de Pontalis publicados na Nouvelle Revue de Psychanalyse (N.R.P.)

  • O inatingivel entre dois, in « Bisexualité et différences des sexes , N.R.P. n° 7, Gallimard, 1973
  • Questões preliminares, in « Pouvoirs », N.R.P. n° 8, Gallimard, 1973
  • Marcos ou confins in « Aux limites de l’analysable , N.R.P. n°10, Gallimard, 1974
  • A partir da contra-transferência, a morte e o vivo entrelaçados, in « La Psyché », N.R.P. n°12, Gallimard ,1975
  • A propósito do trabalho de Harry Guntrip : Minha experiência analítica com Fairbairn e Winnicott, « in Mémoires », N.R.P. N°15, Gallimard, 1977
  • Trocas de idéias com Michel de M’Uzan, in «Escrever a psicanálise », N.R.P. n°16, Gallimard ,1977
  • Uma idéia incurável, in « L’idée de guérison », N.R.P. n°17, Gallimard, 1978
  • Confiar até… sem crer em, in « La croyance », N.R.P. n°18, Gallimard, 1978
  • O trabalho do tecelão, in « Regards sur la psychanalyse en France », N.R.P. n°20, Gallimard
  • À propos du texte de Harry Guntrip : « Mon expérience de l’analyse avec Fairbairn et Winnicott », in Mémoires, N.R.P. N°15, Gallimard, 1977
  • Escrever, Psicanalisar, Escrever : in « Écrire la psychanalyse », N.R.P. n°16, Gallimard ,1977
  • O ódio ilegítimo, in « L'amour de la haine», N.R.P. N°33, Gallimard, 1986
  • A estadia de Freud em Paris, in « Pouvoirs », N.R.P. N°8, Gallimard, 1973
  • "Crônica livre", em "Penser/Rêver", Mercure de France e Éditions de l'Olivier, entre 2002 e 2006 (http://www.penser-rever.com)

[editar] Referências

[editar] Bibliografia

  • Janelas do inconsciente : A Obra de J.-B. Pontalis, sob a direção de François DUPARC, Delachaux & Niestlé 2002
  • Colóquio de Cerisy-La-Salle 10-17 septembre 2006 : “O Reino intermediário - em torno dos escritos psicanalíticos e literários de Jean-Bertrand Pontalis”.
  • Livro áudio : J.B Pontalis por Daniel Pennac – uma leitura egoista, CD coleção A haute voix
  • Vidéo : Retour sur soi realisado por Philippe Lallemant, coleção Bibliothèque Médicis, PublicSénat 2002
  • DVD & Vidéo : Jean-Bertrand Pontalis, coleção Les psychanalystes : entrevistas com Daniel Friedmann, CNRS Audiovisuel Vidéo 1999 DVD 2004

[editar] Notas

1Claude Janin:J.-B. Pontalis, Psychanalystes d'aujourd'hui,P.UF, 1997, ISBN 2 13 048575 8

2 J.-B. Pontalis : “Travessia das sombras”, Gallimard, 2003

3 J.-B. Pontalis :Mercure de France

4 Pascale Arguedas : entrevista com Pontalis em Calou, l’Ivre de lecture

[editar] Ligações externas

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