Jean-Marie Roland de La Platière

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Jean-Marie Roland de La Platière
Nascimento 18 de Fevereiro de 1734
Thizy
Morte 10 de Novembro de 1793 (59 anos)
Bourg-Beaudouin
Nacionalidade França Francês
Cônjuge Marie Jeanne Philipon, conhecida como Manon ou Madame Roland
Ocupação Ministro do Interior, Ministro da Justiça

Jean Marie Roland, Visconde de la Platière (Thizy, 18 de Fevereiro de 1734Bourg-Beaudouin, 10 de Novembro de 1793) foi um economista e homem de estado francês durante o período da Revolução Francesa.

Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

Precisando abrir mão de seu sonho de embarcar para as Índias, como desejava, devido a sua saúde, Jean Marie Roland decide fazer carreira no comércio e manufaturas e entra logo para o corpo de inspetores das manufaturas. Em 1776, ele encontra a jovem Marie Jeanne Philipon, conhecida como Manon, vinte anos mais nova que ele. Roland, na época, é um economista bastante conhecido e respeitado, autor de diversos estudos voltados principalmente para as manufaturas e colaborador da "Encyclopédie". Homem honesto, rigoroso, severo até, grande trabalhador, Roland pede a mão de Manon que o encantou. O casamento, no entanto, não acontece em seguida já que o pai de Manon recusa dar sua autorização. Em 1780, quando é nomeado inspetor das manufaturas de Amiens, Roland consegue desposar Manon, que lhe dá uma filha, Eudora.

O Estudo da Indústria[editar | editar código-fonte]

Interessa-se inicialmente por sua região do Beaujolais e expande seu interesse até Ardèche, onde a usina de seda criada por Jean Deydier foi construída, em 1669, utilizando as inovações técnicas bolonhesas da Família Benay, já presentes desde o século XVI no burgo próximo de Perussin. A usina mecaniza-se em 1752, como manufatura real, utilizando trabalhos mecânicos e empregando até 2000 operários em 1830.

Em suas "Encyclopédies méthodiques" de 1780 e 1784, julga que as máquinas muito caras, complicadas, dependentes de componentes parisienses, encarecem o produto e observa que os produtores de seda do Piemonte italiano conseguem um produto mais barato, bem como a manufatura idêntica de Salon, na própria França[1] .

Em sua obra, ele revela também que o Conselho Municipal da cidade de Lyon havia solicitado em 1670 a vinda do bolonhês Pierre de Benay (morto em 1690 sem descendência), que instalou-se em Fores, perto de Audenas, criando um estabelecimento modelo, formando alunos que se distribuiram por Privas e Chomerac, aí instalando sistemas mecanizados.

Instalando-se posteriormente em Amiens, ele publica diversas obras sobre a Arte do Fabricante de Tecidos de Lã, depois sobre a Arte do Fabricante de Veludo de Algodão. Com sua esposa, Roland realiza uma viagem de estudo até a Inglaterra. Nomeado em 1784, graças a Manon, inspetor das manufaturas de Lyon, ocupa este cargo quando explode a Revolução Francesa.

Durante a Revolução Francesa[editar | editar código-fonte]

Retrato de Luís XVI de França
por Antoine François Callet - 1786
Museu Carnavalet.

Partidário de idéias novas, o inspetor das manufaturas foi eleito em 1790 para o Conselho Geral da Comuna da cidade de Lyon, que o envia até Paris no ano seguinte, a fim de demonstrar à Assembléia o estado deplorável do comércio e das manufaturas na região lionesa.

Na capital, onde permanece vários meses, liga-se aos girondinos, notadamente a Brissot, Buzot, Pétion e Robespierre, e frequenta o clube dos amigos da Constituição. No final do ano, o casal Roland instala-se definitivamente em Paris. Madame Roland, apaixonada também pela política, logo recebe em seu salão vários homens influentes da época. A partir daí, o partido girondino será criado na própçria casa dos Roland e, graças às relações de sua esposa, Roland entra para o « Ministério Girondino », onde se torna Ministro do Interior. Seu aspecto burguês não deixa de chocar os cortesãos e hussardos do palácio. Em 10 de Junho de 1792, o Ministro endereça carta a Luís XVI, redigida por Manon, onde insta o rei a renunciar a seu poder de veto e a sancionar decretos. Tendo sua carta sido tornada pública, Roland é destituído em 13 de Junho, assim como Clavière.

O ministro, até então favorável à manutenção de uma monarquia constitucional, torna-se republicano. Após a Jornada de 10 de Agosto de 1792, a Assembléia Legislativa lhe restitui a pasta e ele volta a ser ministro. No posto quando dos Massacres de Setembro de 1792, distingui-se por sua inércia, só tomando medidas bastante tardias.

Eleito para a Convenção, Roland recusa sua cadeira de deputado, preferindo conservar sua pasta no Ministério. No entanto, após a abertura do famoso « Armário de Ferro », é o próprio Roland que tria os documentos descobertos. Os Montanheses o acusam de, desta forma, ter feito desaparecer papéis comprometedores para a Gironda. Sua atitude durante o processo contra o rei, quando tenta obter apelo público, aumenta ainda mais o ódio que lhe têm os Montanheses. Em 23 de Janeiro de 1793, cansado de todos esses ataques e também muito abalado pelas revelações de sua esposa, Manon, que lhe confessa seu amor por outro, Buzot, Roland pede demissão.

Os últimos momentos[editar | editar código-fonte]

Madame Roland

Retirado em sua pequena casa da Rue de la Harpe, o antigo ministro deseja deixar Paris, mas a Assembléia recusa a autorização e Manon não quer abandonar seu querido Buzot. A partir daí, seu destino está selado.

Seus violentos ataques contra os Montanheses e a Comuna de Paris fazem com que seja decretada sua prisão, junto com os girondinos, em 2 de junho de 1793. Roland recusa-se a segui-los, alegando que suas ordens são ilegais. Posto fora da lei, Roland consegue escapar e deixar Paris. Refugia-se em Ruão, na Normandia, na casa de duas senhoras sorteiras que o abrigam com risco da própria vida. É onde fica sabendo, em 10 de Novembro de 1793, da execução de Manon. Após queimar seus papéis, pega sua bengala-espada, deixa seu refúgio e caminha em direção a Paris. Pela noite, toma uma trilha e mata-se com dois golpes da bengala-espada, contra uma árvore, antes de se empalar. Encontram sobre ele o seguinte bilhete : "Seja quem for que me encontre aqui jazendo, respeite meus restos ; são os de um homem que morreu como viveu, virtuoso e honesto.".

Depois da morte de Jean-Marie Roland e de sua esposa, sua filha Eudora Roland foi recolhida por Jacques Antoine Creuzé-Latouche e depois por Louis-Augustin Bosc d'Antic.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Alain Decaux, André Castelot (dir.), Grand dictionnaire d’histoire de France, Librairie Perrin, 1979.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]