João Ângelo (sebastocrator)

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João Ângelo
Nascimento ca. 1277
Bizie
Morte 1348
Constantinopla
Nacionalidade Império Bizantino
Ocupação General e governador
Religião Ortodoxia Oriental

João Ângelo (em grego: Ἰωάννης Ἄγγελος, fl. 1328 – 1348) foi um aristocrata, general e governador bizantino. Se distinguiu primeiro pela supressão da revolta em Épiro em 1339-1340, onde foi em seguida nomeado como governador. Um parente do estadista e imperador João VI Cantacuzeno (r. 1347–1354), se aliou a ele na guerra civil bizantina de 1341-1347 e, no final de 1342, recebeu o governo da Tessália (e, possivelmente, do Épiro), cargo que manteve até a sua morte em 1348.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Miniatura de Andrônico III Paleólogo (r. 1282–1328)

João Ângelo era um parente - ele aparece como primo ou sobrinho nas fontes, com este último sendo mais provável - de João Cantacuzeno,[1] [2] o amigo mais próximo de Andrônico III Paleólogo (r. 1328–1341) e futuro imperador como João VI (r. 1347–1354).[3] Os nomes dos seus pais são desconhecidos e a única informação precisa disponível sobre ele é que era genro do protovestiário Andrônico Paleólogo.[1] [4] Em suas memórias, João Cantacuzeno afirma que ele mesmo criou João Ângelo e o ensinou a arte da guerra.[5]

João aparece pela primeira vez em 1328, quando era governador da cidade de Castória.[5] Nos anos após a morte de João II Orsini (r. 1323–1335), em 1335, Andrônico III já havia anexado gradativamente os territórios do Despotado de Épiro na Tessália, em Épiro e na Albânia.[6] Em ca. 1336/1337, João Ângelo manteve o posto de céfalo de Janina, com o título de pincernes.[5] [7] Havia ressentimentos, porém, com relação ao governo bizantino na região[8] e, em 1339, uma revolta irrompeu no Épiro, que rapidamente cresceu e conseguiu conquistar umas poucas fortalezas estratégicas, incluindo a capital, Arta. No final do mesmo ano, João Ângelo foi enviado por Andrônico III juntamente com o governador da Tessália, Miguel Monômaco, na vanguarda de um exército bizantino. O imperador e Cantacuzeno seguiram para a região na primavera de 1340. Já no final do ano a revolta foi sufocada e João Ângelo foi nomeado governador imperial em Arta.[9] [10] [11]

Miniatura de João VI Cantacuzeno (r. 1347–1354)

João permaneceu no Épiro como governador até a morte de Andrônico III em junho de 1341. Ele então deixou o cargo e viajou com uma delegação de altos-oficiais para se encontrar com Cantacuzeno em Demótica. Com a irrupção da guerra civil no início do outono, ingressou no partido de Cantacuzeno e esteve presente quando ele foi aclamado imperador em Demótica em 26 de outubro de 1341.[12] [13] [14] Na primavera de 1342, Ângelo seguiu Cantacuzeno em sua fracassada campanha em Tessalônica e na fuga subsequente para a Sérvia, para a corte de Estêvão IV Duchan (r. 1331–1346).[15] [16]

No final do mesmo ano, porém, os magnatas da Tessália foram até Cantacuzeno e lhe ofereceram apoio na guerra. Após as negociações terem sido concluídas com sucesso, Cantacuzeno emitiu uma bula dourada nomeando João Ângelo, que também tinha o estatuto de pincernes na corte, como governador vitalício da Tessália. Embora Ângelo tenha sido posteriormente elevado ao cargo ainda mais alto de sebastocrator e desfrutado de alguma autonomia, sua autoridade era limitada: o posto não era hereditário e ele era estritamente um delegado do imperador.[17] [18] [19] Ângelo reinou com bastante sucesso. Tirando vantagem do declínio da Companhia Catalã do Ducado de Atenas, conquistou terreno ao sul e chegou a estender sua autoridade sobre Épiro e Acarnânia também, onde prendeu e colocou em prisão domiciliar Ana Paleóloga, a ardilosa viúva de João II Orsini e irmã de sua esposa. Suas ações, em meio à guerra civil, deram a Cantacuzeno um respiro há muito necessário.[16] [20] [21] No início de 1343, participou, à frente do contingente de cavalaria da Tessália, na tentativa fracassada de Cantacuzeno de tomar a cidade de Tessalônica.[22]

João Ângelo continuou a governar a Tessália (e, possivelmente, Épiro e Acarnânia também) até o início de 1348, quando morreu da Peste Negra que estava então devastando a região e causando uma severa perda populacional.[5] [16] [23] Os sérvios rapidamente se aproveitaram: Épiro caiu frente ao próprio Duchan no outono de 1347, enquanto que a Tessália foi tomada meses depois da morte de João pelo general sérvio Gregório Preljub, que se tornou o novo governador em nome de Duchan.[24] [25]

Família[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe da família de João Ângelo. Casou-se com uma das filhas do protovestiário Andrônico Paleólogo, uma irmã da rainha de Épiro Ana Paleóloga.[5] [21] Não se sabe se eles tiveram filhos, embora alguns autores tenham conjecturado que os irmãos conhecidos como Pincerneus (Pinkernaioi), ativos em Épiro na virada para o século XV, seriam seus descendentes.[26]

Referências

  1. a b Guilland 1967, p. 249
  2. Nicol 1968, p. 53, 147
  3. Fine 1994, p. 293ff
  4. Nicol 1968, p. 147–148
  5. a b c d e Trapp 1988, PLP 91038
  6. Fine 1994, p. 253–254
  7. Nicol 2010, p. 107
  8. Nicol 2010, p. 108ff
  9. Fine 1994, p. 254–255
  10. Nicol 1996, p. 38–43
  11. Nicol 2010, p. 114–121, 124
  12. Guilland 1967, p. 249–250
  13. Nicol 1996, p. 55–56
  14. Nicol 2010, p. 124
  15. Guilland 1967, p. 250
  16. a b c Fine 1994, p. 302
  17. Fine 1994, p. 301–302
  18. Nicol 1968, p. 53
  19. Nicol 2010, p. 126
  20. Nicol 1996, p. 65
  21. a b Nicol 2010, p. 127
  22. Nicol 1996, p. 67
  23. Bartusis 1997, p. 96
  24. Fine 1994, p. 302, 320
  25. Nicol 1996, p. 93–94
  26. Nicol 2010, p. 172–173 (Note #56)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bartusis, Mark C.. The Late Byzantine Army: Arms and Society 1204–1453 (em inglês). [S.l.]: University of Pennsylvania Press, 1997. ISBN 0-8122-1620-2.
  • Guilland, Rodolphe. Recherches sur les Institutions Byzantines, Tome I. Berlim: Akademie-Verlag, 1967.
  • Fine, John Van Antwerp. The Late Medieval Balkans: A Critical Survey from the Late Twelfth Century to the Ottoman Conquest (em inglês). Ann Arbor, Michigan: University of Michigan Press, 1994. ISBN 0-472-08260-4.
  • Nicol, Donald MacGillivray. The Byzantine family of Kantakouzenos (Cantacuzenus) ca. 1100–1460: A Genealogical and Prosopographical Study. Washington, Distrito de Colúmbia: Dumbarton Oaks Center for Byzantine Studies, 1968.
  • Trapp, Erich; Beyer, Hans-Veit; Leontiadis, Ioannis. Prosopographisches Lexikon der Palaiologenzeit. Viena, Áustria: Verlag der Österreichischen Akademie der Wissenschaften, 1988. Capítulo 91038. Ἄγγελος Ἰωάννης. vol. Addenda 1–8.