João Bernardo
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João Bernardo (Porto, 1946 ) é um pensador e escritor português.
Em 1965 foi expulso da Universidade portuguesa e em 1968 exilou-se em Paris, onde militou na fracção maoísta do comunismo estalinista português, estruturado no pequeno grupo Comité Marxista-Leninista Português. Em 1969 entrou em divergência com a direcção deste grupo, nomeadamente com Eduíno Gomes "Vilar", e redigiu uns documentos defendendo os seus pontos de vista que ficaram conhecidos por "Cartas de Tiago". Essas "cartas" foram a base programática do grupo cisionista que fundou, os Comités Comunistas Revolucionários Marxistas-Leninistas (CCRm-l), e que conseguiu alguma implantação no interior do país a partir de 1970, nomeadamente na Universidade Técnica de Lisboa, até à sua quase destruição pela polícia política em 1972-1973. Em 1974 João Bernardo foi expulso dos CCRm-l que criara, sob acusações de trostkismo e de ligações a "grupos denunciados pelos "camaradas Chineses" como agências directas da CIA", evoluindo a partir daí para as posições que lhe são hoje conhecidas. Enquanto os CCRm-l, reassumindo a orientação estalinista-maoísta original, viriam a dar origem à UDP, João Bernardo e outros antigos militantes do CCRm-l fundaram o jornal Combate, publicado de 1974 até 1978, de tendência libertária e que esteve muito ligado às ocupações de empresas e às comissões de trabalhadores.
João Bernardo se filia, desde que se afastou do estalinismo maoísta por volta de 1973, a uma tradição do pensamento marxista que tem suas origens no comunismo de conselhos representado por Korsch, Pannekoek, Gorter, entre outros, no início do século vinte.
Ele apresenta uma visão crítica do capitalismo em várias obras, bem como do sistema soviético, qualificado por ele como capitalismo de estado. Uma de suas teses mais originais é a teoria da classe dos gestores, que seria uma outra classe social além da burguesia e do proletariado.
Em cerca de 12 livros publicados, João Bernardo aborda vários temas. Em Para uma Teoria do Modo de Produção Comunista aborda a questão da reprodução do capitalismo e das tentativas de revolução socialista e as ambiguidades do movimento operário, onde ele extrai sua teoria da classe dos gestores - neste texto denominada "tecnocracia" - e a lei fundamental do modo de produção comunista, a lei do institucional, a autogestão social. Em Marx Crítico de Marx, o autor faz uma extensa análise das ambiguidades de Marx.
A sua obra Labirintos do Fascismo, cerca de 900 páginas, é uma análise pormenorizada do regime fascista.
[editar] Obras
- Para uma Teoria do Modo de Produção Comunista (1975)
- Para una Teoria del Modo de Producción Comunista (1977)
- Marx Crítico de Marx. Epistemologia, Classes Sociais e Tecnologia em "O Capital", 3 vols. (1977)
- Lucha de Clases en China (1977)
- O Inimigo Oculto. Ensaio sobre a Luta de Classes, Manifesto Anti-Ecológico (1979)
- Capital, Sindicatos, Gestores (1987)
- Crise da Economia Soviética (1990)
- Economia dos Conflitos Sociais (1991)
- Dialéctica da Prática e da Ideologia (1991)
- Poder e Dinheiro. Do Poder Pessoal ao Estado Impessoal no Regime Senhorial, Séculos V-XV, 3 vols. (1995, 1997, 2002)
- Estado. A Silenciosa Multiplicação do Poder (1998)
- Transnacionalização do Capital e Fragmentação dos Trabalhadores. Ainda Há Lugar para os Sindicatos? (2000)
- Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta (2003)
- Democracia Totalitária. Teoria e Prática da Empresa Soberana (2004)
- Capitalismo Sindical (em parceria com Luciano Pereira) (2008)
[editar] Veja Também
Comités Comunistas Revolucionários Marxistas-Leninistas
[editar] Ligações externas
- Espaço Acadêmico
- Espaço Acadêmico
- (em inglês)Earthlink
- Ingentaconnect
- Espaço acadêmico
- Revista Espaço Livre
- Unesp, Marília
- Sementeira.net
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