João Carlos Martins

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João Carlos Martins
Martins ao piano em evento pela Toledo do Brasil, em S.Bernardo do Campo, 2013.
Informação geral
Nome completo João Carlos Gandra da Silva Martins
Nascimento 25 de junho de 1940 (74 anos)
Origem São Paulo, SP
País  Brasil
Gênero(s) Música clássica
Instrumento(s) Piano
Período em atividade 1951 - atualmente
Influência(s) Johann Sebastian Bach
Página oficial www.joaocarlosmartins.com.br

João Carlos Gandra da Silva Martins (São Paulo, 25 de junho de 1940[1] ) é um pianista e maestro brasileiro. Reconhecido por ser um dos maiores pianistas do mundo e é apontado como o maior intérprete de Bach. É irmão do jurista Ives Gandra da Silva Martins e do pianista José Eduardo Martins.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

João Carlos[3] começou seus estudos ainda menino, no dia em que seu pai comprou um piano, com a professora Aida de Vuono. Aos oito anos, seu pai o inscreveu em um concurso para executar obras de Bach, vencendo-o. Começou a estudar no Liceu Pasteur e, com 11 anos, já estudava piano por seis horas diárias. Teve, no Liceu, aula com o maior professor de piano da época—um russo radicado no Brasil, chamado José Kliass, e venceu então o concurso da Sociedade Brito de São Petersburgo.

Seus primeiros concertos trouxeram a atenção de toda a crítica musical mundial. Foi escolhido no Festival Casals, dentre inúmeros candidatos das três Américas para dar o Recital Prêmio em Washington.[1] Aos vinte anos estreou no Carnegie Hall, patrocinado por Eleanor Roosevelt. Tocou com as maiores orquestras norte-americanas e gravou a obra completa de Bach para piano. Foi ele quem inaugurou o Glenn Gould Memorial em Toronto.

João Carlos Martins viu-se por diversas vezes privado de seu contato com o piano. Em 1965, em um jogo treino da Portuguesa realizado no Central Park, Nova Iorque, ele foi convidado para integrar o time, mas teve uma queda, que perfurou seu braço direito na altura do cotovelo, atingindo o nervo ulnar, provocando atrofia em três dedos, obrigando-o a parar de tocar por um ano, tocou com dificuldade até os 30 anos. Voltou ao Brasil e tornou-se empresário de música e boxe por 7 anos.[4]

Voltou aos palcos, com muita dificuldade, e depois de longos períodos de fisioterapia, retornando a receber criticas positivas, e aclamado pelo público. Entretanto desenvolveu distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort), que o fez sair do palco mais de uma vez, e acabou se afastando novamente e começou sua fase de empresário ligado à política.

Não desistindo da carreira musical, fez várias adaptações para continuar tocando, de 1979 a 1985, ele gravou dez primeiras gravações da obra de Bach, de vinte e uma, mesmo com todas as sequelas. Conseguiu recuperar o público, e gravar praticamente toda a obra de Bach, [5] ,

20 de maio de 1995, em um assalto, na cidade de Sofia na Bulgária, foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, provocando uma sequela neurológica que comprometeu o membro superior direito[4] , teve que fazer trabalhos de reprogramação cerebral para conseguir movimentar a mão direita, voltou a tocar com as duas mãos, entretanto voltou a apresentar problemas no braço direito, e agora também na fala, teve que ser submetido a um novo procedimento cirúrgico, com isso ele grava seu último álbum com as duas mãos.[5]

Em 2001, ele grava o álbum Só para Mão Esquerda, escrito por Paul Wittgenstein que perdeu o membro direito na Primeira Guerra Mundial. A intenção era de gravar 8 álbuns apenas para a mão esquerda.[5]

Mãos de Martins tocando em evento, São Bernardo do Campo, 2013.

Entretanto, com o correr dos anos desenvolveu no membro superior saudável, o esquerdo, uma doença chamada contratura de Dupuytren, que provocada, além da própria contratura, o espessamento da fáscia palmar. Fora submetido de novo a um procedimento cirúrgico, que não impediu que perdesse os movimento da mão esquerda, inviabilizando tocar piano. .[4] Novamente teve que parar de tocar, e dessa vez acreditou seria para sempre.

Cquote1.svg Eu estava sem rumo, em 2003, já sabendo que não poderia mais tocar nem com a mão esquerda. Sonhei então, que estava tocando piano, com o Eleazar de Carvalho, que me dizia: - vem para cá, que eu vou te ensinar a reger. Cquote2.svg
João Carlos, em entrevista concedida a Rádio Cultura FM de São Paulo. [6]

Incapaz de segurar a batuta ou virar as páginas das partituras dos concertos, João Carlos faz um trabalho minucioso de memorizar nota por nota. Entretanto, começou a desenvolver distonia no membro superior esquerdo, que produz movimentos involuntários, e o impede de reger.[7]

Em maio de 2004, esteve em Londres regendo a English Chamber Orchestra, uma das maiores orquestras de câmara do mundo, numa gravação dos seis Concertos Branndenburguenses de Johann Sebastian Bach e, já em dezembro, realizou a gravação das Quatro Suítes Orquestrais de Bach com a Bachiana Chamber Orchestra.[8] Os dois primeiros CDs já foram lançados (lançamento internacional). Em fevereiro de 2004 o crítico inglês descreve na International Piano Magazine um episódio pitoresco que aconteceu na vida de João Carlos Martins, quando após um recital no Carnegie Hall, no final dos anos 60, recebeu uma recomendação de Salvador Dalí: "Diga a todos que você é o maior intérprete de Bach, algum dia vão acreditar. Faz muitos anos que digo ser o maior pintor do mundo e já há gente que acredita". O crítico termina dizendo que João Carlos Martins não teve que esperar tanto tempo.[9]

Em 2007, ele, torcedor fanático da Associação Portuguesa de Desportos, toca o hino nacional brasileiro, no último jogo da temporada no estádio Dr. Oswaldo Teixeira Duarte lotado, quando a Portuguesa voltava para a séria A do Campeonato Brasileiro.[10]

Foi homenageado pela escola de samba paulistana Vai-Vai com o enredo "A Música Venceu", tendo o maestro como destaque no último carro e em alguns momentos do desfile "regendo" a bateria da agremiação. A escola se tornaria campeã do carnaval desse ano. [10]

No dia 3 de março de 2009, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), em São Paulo, condenou João Carlos Martins por crimes contra a ordem tributária, em um processo relativo ao caso "Pau Brasil", na década de 1990. Martins foi condenado junto com seu sócio, Rubens Kaufman, por irregularidades encontradas em outra de suas construtoras, a Entersa Construções e Empreendimentos Ltda, que cometeu várias fraudes na sua contabilidade para esconder da Receita Federal quanto recebia e no que gastava seus recursos.[11]

Em 2012 ele se submeteu a uma cirurgia no cérebro para a implantação de dois eletrodos do cérebro, com um estimulador eletrônico no peito, para recuperar os movimentos da mão esquerda, atrofiada. [12] . Já que estava com a distonia bem avançada, atingindo todo o braço e não abir a mão há 10 anos.[13]

João Carlos realiza também, na Faculdade de Música na Faculdade da Amazônia (FAAM), um programa de introdução à música com jovens carentes. [14]

Repercussão na mídia[editar | editar código-fonte]

João teve sua biografia traduzida em dois documentários internacionais.

O Die Martins Passion, documentário franco-alemão , vencedor de quatro festivais internacionais—FIPA d'Or 2004[15] , Banff Rockie Award 2004; Centaur com o melhor documentário de longa-metragem, S. Petersburgo; Best Documentary Award, Pocono Mountains Film Festival, USA.O documentário franco-alemão sobre a sua vida - "Paixão segundo Martins" - já foi visto por mais de um milhão e meio de pessoas na Europa. Também já foi exibido em algumas oportunidades na TV aberta no Brasil, no caso a TV Cultura.

O outro é o documentário belga Réverie de 2006, esse tem um enfoque maior na carreira em detrimento da vida pessoal, como em Die.[16]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Livro
    • João Carlos Martins;Luciano Ubirajara Nassar. Saga das Mãos. [S.l.]: Campus, 2007. 106 pp. 853522307X
    Uma autobiografia que narra toda a trajetória artística do pianista, bem como a inspiração no pai, suas dificuldades e até mesmo seu envolvimento com Paulo Maluf.[17]
  • Discos
    • 1994 Bach: The Well Tempered Clavier, Book 1
    • 1994 Bach: Six Partitas
    • 1996 The Complete Keyboard Works Of J.S. Bach On Concord Concerto: Vol. 2
    • 1996 The Complete Keyboard Works of J. S. Bach on Concord Concerto - The Sampler
    • 1996 Bach: Well-Tempered Clavier, Book 1
    • 1996 Vivaldi: The Four Seasons
    • 1996 The Complete Keyboard Works of J.S. Bach on Concord Concerto - **20 Pieces from the Note book of Anna Magdalena Bach
    • 1996 The Complete Keyboard Works Of J.S. Bach On Concord Concerto: Vol. 4
    • 1996 J. S. Bach/F. Chopin: The Preludes
    • 1996 Bach: The Two & Three Part Inventions
    • 1996 Bach: English Suites Nos. 4 & 5; Toccata in C minor; Fantasia in C minor
    • 1996 Bach: The Six Partitas, BWV 825-830
    • 1996 Bach: The English Suites, Nos. 1-3; Chromatic Fantasy & Fugue
    • 1996 Bach: Overture in the French Style; The French Suites
    • 1997 Bach for Christmas
    • 1997 Bach: 4 Toccatas, BWV 913-916; English Suite No.6 album review
    • 1998 Complete Keyboard Works of J.S. Bach, Vol. 15 album review
    • 1998 Complete Keyboard Works of J.S. Bach, Vol. 13 album review
    • 1998 Complete Keyboard Works of J.S. Bach, Vol. 14 album review
    • 1998 Bach: Fantasias, Preludes, Fugues And Fughettas
    • 1998 The Essential Bach-Selections From The Complete Edition Volumes 1-15
    • 1998 Bach: Concertos for Piano and Orchestra
    • 1998 The Complete Keyboard Works of Bach on Concord Concerto
    • 2000 Bach: The Well-Tempered Clavier, Book 1
    • 2002 Só Para Mão Esquerda
    • 2002 For the Left Hand, Vol. 1
    • 2005 J.S. Bach, Frederic Chopin: The Preludes
    • 2005 Orchestral Suites 1-4
    • 2005 Bach: Brandenburg Concertos (Complete)
    • 2005 Bach: The Goldberg Variations
    • 2005 Best of Bach
    • 2005 Bach: Orchestral Suites 1-4
    • 2005 Bach: The Well-Tempered Clavier 1
    • 2005 Bach for Christmas
    • 2005 Bach: The English Suites Nos. 1-3; Chromatic Fantasy & Fugue
    • 2006 Bach: Concertos for Piano & Orchestra
    • 2007 Paixões
    • Bach: Keyboard Concertos Nos. 2 & 4; Brandenburg Concerto No. 5
    • The Complete Keyboard Works of J.S. Bach, Vol. 6

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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